22.10.07

som de trovões, lá fora...

e uma tempestade de pensamentos aqui dentro.

ancient call

os sons da floresta me chegam aos ouvidos, mesmo quando não os desejo.

o cheiro trazido pelo vento, o calor da fogueira, as estrelas no céu... os sentidos são tomados pela lembrança de uma época que supostamente não vivi.

mas por que isso?

15.9.07

wandering

sempre ando na direção errada.

presto atenção no que não devia.

como uma criança distraída, olho para o céu, para o chão, para a paisagem que passa rápida.

quando percebo, as pessoas já se foram.

pollock

a gota cai em um formato estranho.

a tela mancha.

a pureza do branco é violada pelo vermelho sangue.

amarelos brincam de esconder atrás do azul.

azuis. céus. mares. olhares. azuis.

pôr-de-sol laranja-despertar.

grama em forma de manchas.

pessoas. todas as cores, em todos os cantos.

pensamentos negros.

palavras de um cinza-chuva.

e o barulho, em tudo o barulho da cor.

eu caminho sobre as cores.

e circulo de dor cinza.

e a inquietação em um amarelo ácido se espalha em riscos.

alma ditada em cores.

por trás de tudo o branco teima em aparecer.

melancolia

ela me seduz.

seus cabelos escuros caem sobre os olhos. olhos de uma intensidade que queima.

um sorriso quase imperceptível no canto da boca. do tamanho exato para aguçar a minha curiosidade.

a pele alva é lisa e convida ao toque.

eu a conheço por muitos nomes, em muitas épocas.

já me entreguei a seus caprichos. noites e noites procurando saciar seus desejos.

fui seu amante fiel e apaixonado.

balbuciava seu nome com um ardor infantil.

melancolia.

mel.

doce de sabor ácido.

8.8.07

coração ferido

há um coração.
ele sangra.
lentamente, de feridas antigas.
ele sangra.
o sangue espalha-se.
rubro.
tinto.
a cada batida, mais sangue.
a cada batida, menos vida.

5.8.07

gostava de ir à igreja, quando pequena. tinha seus pequenos segredos.

sempre que os pais iam rezar, ela ficava olhando as imagens de santos.

imaginava que eles olhavam de volta para ela.

um dia, teve certeza que um deles piscou.
pista de dança.

luz negra.

pele branca.

olhar que enfeitiça.
andando no limite, novamente...

odeio isso.

e não consigo parar de olhar para baixo.

o problema não é apenas que eu não ligue para estar aqui.

o problema é que eu tenho curiosidade pelo que há lá embaixo.

mas tô cansado disso... de verdade.
queria dizer as palavras certas.

ao invés de sempre fazer chorar.

sempre me sinto o vilão de todas as histórias.

:(
apertava o próprio corpo com força, sem conseguir pensar em nada. o quarto parecia diminuir aos poucos. o azul da parede tornava-se um cinza cor de nada, até se tornar impossível ficar ali.

queria gritar, mas a voz morria na garganta.

trancou-se no banheiro, com dificuldade. olhou de relance o espelho, sem coragem de encará-lo.

ajoelhou-se no vaso e enfiou dois dedos na garganta, com força, expelindo o vômito.

de novo...

e de novo...

mas não conseguiu jogar fora o vazio.

20.7.07

tá.

eu sinto saudade de vc sim...

vc me faz querer rir mais. :)
ele toca o espelho, fascinado.

a imagem do outro lado é embaçada... como se coberta por uma fumaça espessa. quase leitosa.

ele não se reconhece no reflexo.

não reconhece os olhos, não reconhece a face. o cabelo está diferente.

ainda assim, ele sabe que no mundo inteiro, não há nada que se pareça tanto com ele.

ele toca o espelho, imaginando como seria atravessar.

ele pensa em hiatos, tempos, erros e acertos. pensa em distâncias entre corações e mentes.

ele imagina o que a pessoa do outro lado do espelho pensa.

o toque da superfície espelhada é frio.

raiva. ele sente raiva e frustração.

grita em direção ao reflexo.

esmurra o vidro.

uma rachadura em forma de teia marca o espelho.

um filete de sangue escorre do local onde o punho bateu.

do outro lado, uma pessoa olha.

diferente, mas ainda assim, iguais.

moto perpétuo

o vento sopra fraco, trazendo ondas leves em direção à areia.

o garoto brinca na beira da água, afastado das outras crianças. ele molda a areia com cuidado. gosta dos pequenos detalhes. gosta de ser diferente de todos os outros.

aos poucos o castelo toma sua forma, erguendo-se na areia fofa e clara. depois de terminado, o menino se levanta e caminha para olhar o castelo de longe.

ele encosta-se nas pedras e espera. pouco tempo depois as ondas começam a subir mais e mais até começarem a bater no castelo.

as pequenas torres vão se desfazendo aos poucos e a construção vai perdendo a forma. em minutos não há nada além de um monte de areia um pouco mais alto que o resto da praia. logo não se nota sinal de nada.

as outras crianças continuam brincando. duas delas riem do castelo desfeito.

o garoto não liga.

ele se sente feliz quando constrói o castelo, mas fica igualmente encantando quando o mar vêm e toma tudo de volta.

e pensa consigo mesmo qual seria a graça em se construir um castelo de areia que durasse para sempre...

18.7.07

desabafo

desastre aéreo em s. paulo.

estava acompanhando agora há pouco os comentários em sites de notícia sobre o desastre aéreo com o avião da tam em congonhas. espanta em se ver que a maioria esmagadora dos comentários culpa o governo lula sobre o problema com o caos aéreo, a liberação da pista sem todas as medidas de segurança e praticamente todas as desgraças que aconteceram no brasil nos últimos anos.

eu fico indignado com isso. não, eu não sou petista. não pertenço a partido nenhum e tenho altas tendências anarquistas. minha indignação é direcionada aos brasileiros. cada vez que ouço as pessoas reclamando dos casos de corrupção descobertos no governo, a indignação cresce mais um pouco.

desde criança ouço falar que vivemos em uma democracia. que nós elegemos os governantes. que o governo eleito é a representação da nação brasileira. então, senhores, só me resta indagar o quanto a nação brasileira está afundada no famoso mar de lama.

jeitinho brasileiro
tenho dito nos últimos tempos que o problema do brasil é o "jeitinho brasileiro". o nosso famoso jogo de cintura para passar por cima de situações problemáticas e que é tão celebrado pela mídia se tornou, a meu ver, o grande mal do país.
outro dia estava em um ponto de ônibus e logo atrás de mim estavam duas meninas, conversando. em determinado momento uma delas briga com a outra por ter jogado o papel no chão. a outra menina diz que se ela não jogar o papel no chão, o lixeiro não teria trabalho. as duas começaram a rir.

é disso que falo: o brasileiro vive da prioridade pessoal, da capacidade de se dar bem em qualquer situação, com o menor esforço e maior lucro possível.

quantos de vocês aí já deixaram de realizar uma obrigação cível para ter um lucro qualquer?
reclamam da polícia corrupta, mas lembram de oferecer um dinheiro para a "cervejinha" para se livrar de uma multa.

primeiro o meu
nós brasileiros não temos noção de civilidade. não temos senso comum. não observamos regras básicas de convivência pública.

outro exemplo típico:
já tentou pedir a alguém que está em um espaço de convivência pública?
bom, salvo raríssimas exceções, a resposta que irá ouvir será algo do tipo "o lugar é público, eu faço o que bem quiser!"
não.
é justamente o contrário! espaços públicos são feitos para serem divididos entre todos. e é nesses lugares que temos que mostrar o respeito que temos pelas outras pessoas. ninguém é obrigado a gostar de ouvir a mesma música que você.
quer ouvir o último cd de funk, na última altura do seu som? faz isso em casa. mas faz nos horários em que se é permitido fazer isso!

vivemos em um país incrivelment belo. grande pela própria natureza, como diz o hino. mas feito pequeno pelos habitantes.

já chega de pensarmos em nós mesmos o tempo todo. já chega de colocar a culpa nos outros e fechar os olhos quando é algo que favorece a gente.

chega de cobrar do governo um comportamento que deve começar em casa, em pequenos atos.

o país não mudará nunca se não começarmos a mudar as pequenas coisas. não há alternativa.

bom... há uma alternativa.

pegar um avião e mudar de país.

se bem que eu não recomendaria, ultimamente.

17.7.07

o mundo é tão grande.

tenho 5 sentidos.

às vezes isso é tão pouco.