10.8.05

eternal cycle

"sometimes in, but sometimes out
never stand and still...
new horizons, that's the mysterous wheel.
cycles, roundings, time, birth, death
chances to try again
that's the secret - everything is turning."

the wheel - tuatha de danann

7.8.05

um dia sendo eu...

olho vários segundos no espelho, reconhecendo as pequenas marcas do tempo que surgem em volta dos olhos...

depois de tomar o banho frio, escovar os dentes e me barbear (odiando essa última parte, porque meu rosto fica todo irritado), eu visto a minha roupa...

sempre pensando em mil coisas... meu pensamento parece poucas vezes acompanhar o que estou fazendo...

saio de casa e coloco meus óculos escuros (a luz do sol me incomoda) caminho olhando para todos os lados... adoro perceber cada detalhe das coisas à minha volta...

continuo pensando nas coisas mais diversas... imagino uma pequena história antes de chegar ao ponto de ônibus... imagino-a para nunca mais pensar nela, pois eu nunca escrevo nenhuma idéia que tenho... mantenho tudo na cabeça, no maior repositório de histórias não contadas que eu conheço...

o ônibus passa e eu entro e me sento, procurando um lugar perto da janela... o mundo passa lá fora e eu observo cada movimento... capto tudo, tentando registrar mais um pouco e aprender sobre tudo o que existe lá fora...

chego no centro do rio e vou caminhando para o trabalho... dentro da central do brasil, imagino aquele lugar muitos anos antes... penso nas pessoas caminhando... homens de chapéu e senhoras de vestidos longos, indo trabalhar todos os dias... não mudou tanto assim... só que parece tudo meio misturado, hoje... um amálgama de épocas e pessoas...

mesmo assim, eu fico imaginando algumas fotos ali... o preto e branco captando detalhes da arquitetura... dos rostos.

chego no trabalho e começo a ver muitos e muitos rostos... acho que algumas pessoas acham que sou estranho, porque passo o tempo todo observando todo mundo... não porque gosto de cuidar da vida deles... mas porque eu sinto uma curiosidade enorme pelos comportamentos alheios...

começo a trabalhar e pela primeira vez, meus pensamentos começam a ter mais ordem... trabalhar com informática é bom por conta disso... vc é obrigado a pensar de uma maneira ordenada...

se bem que depois de algumas horas eu estou louco para escapar daquele mundo...

eu não lido muito bem com esses extremos...

entenda: eu gosto de informática... gosto muito... mas não consigo passar muito tempo sendo exatamente "coerente"...

esqueci de mencionar que eu sempre tenho algo para ler ou para ouvir comigo... eu não seria nada sem música e livros...

sinto falta do meu amor, durante o dia... ligo para ela algumas vezes... quase nunca sei o que dizer, mas gosto de ouvir ela falar... me sinto mais "normal" nessas horas...

quando é hora de voltar para casa, não sei o que me acontece... sempre sinto uma certa melancolia... acho que é porque eu gostaria de estar fazendo muito mais coisas... mas a distância não deixa muito tempo para aproveitar o meu tempo com coisas interessantes... é um pouco triste, mas isso muda, um dia desses...

chego em casa, checo os emails... vejo se o computador baixou alguma coisa interessante, durante o dia... coloco mais algumas coisas para baixar e penso...

algumas vezes vou até a janela, olhar a noite... tenho vontade de dormir lá fora... ou de andar a noite inteira... (que belo adulto vc é, hein?)

lá fora, a lua e as estrelas caminham nos céus... eu deixo meus pensamentos caminharem com elas...

escrevo no blog... histórias que não são sobre mim... mas eu sempre estou nelas, de uma maneira ou de outra... sinto um pouco de orgulho pelas coisas que escrevo... não porque sejam boas... mas porque deixam transparecer uma parte de mim que não mostro para muita gente...

o sono chega... normalmente ele chega muito tarde...

deito na cama, sempre com meu edredon... sinto um pouco de solidão... não é solidão propriamente dita... mas um sentimento de que mais um dia se passou e não consegui encontrar o que quer que eu sinta falta... mas é um sentimento fulgaz e me deixa logo...

os olhos se fecham e eu saio daqui por algumas horas... até um outro dia.
quero gritar, mas sei que som nenhum conseguiria exprimir o turbilhão de coisas que se passam aqui dentro, agora...

queria não me sentir tão inadequado ao mundo... às pessoas que amo... não é intencional... mas parece que no fim é sempre assim que eu ajo...

deve haver alguma razão...

(suspiro)

picture of me

eu gosto de fotografar... gosto de pegar detalhes de coisas e pessoas que ninguém percebeu, antes de mim... gosto de mostrar um pouco de mim, mostrando o mundo.

algumas vezes eu passo vários minutos, olhando uma foto que fiz... não porque elas me fascinem tanto, mas porque eu sinto uma espécie de felicidade, quando consigo captar exatamente o que eu estava sentindo.

um momento congelado no tempo, uma parte de mim.

diziam que as fotos capturavam a alma das pessoas. engraçado... quando eu fotografo alguém, sinto que um pedacinho da minha alma foi gravada ali, naquela foto.

25.7.05

quero uma casa no meio do nada...

perto de um lago...

perto de um bosque...

com montanhas ao fundo...

quero paz de espírito...

e um monte de cds de heavy metal.

acid words

alguns dias, eu deveria andar com um aviso:

beware! contain acid words.
alguém sabe como curar asas arrancadas?

escute

escute...

esse é o som do tempo de uma vida se esgotando...

19.7.05

o som de uma arma
os passos apressados da fuga
um grito de dor
as lágrimas

é tudo o que ele pode suportar lembrar daquela noite.

a noite em que a inocência morreu junto de seus pais...

a noite em que ele jurou vingança...

a noite em que uma lenda se iniciou.

3.7.05

lost

ele ouve a respiração ao seu lado e subitamente é trazido de volta ao quarto... um quarto desconhecido, sem identidade... acostumado a cenas como a que presencia agora.

o ar viciado cheira a sexo, álcool e fumaça de cigarro...

ele olha a mulher ao seu lado. ele não lembra o nome dela, mas pode se lembrar de olhos fechados de cada canto do corpo dela... pode ainda sentir o gosto dela em sua boca.

ele volta seu olhar para o teto, onde um espelho olha de volta, desafiador, mostrando os corpos nus na cama desarrumada.

cansado da confrontação, o homem se levanta em silêncio, indo em direção ao banheiro.

ele abre o chuveiro no máximo, fazendo a água descer pelo seu corpo, levando embora os odores e sensações da noite.

o vapor da ducha quente forma fantasmas no ar, trazendo lembranças do passado, mas o homem se sente sozinho.

ele se sente fraco, pequeno e vazio.

e chora, sentado no chão do banheiro de um motel.

sozinho...

vampiro

eu caminho entre os vivos,
mas não posso me considerar como um deles.
tão pouco estou morto.
sou uma visão,
uma aparição,
a sombra de uma vida

uma possível vida
à qual abdiquei há tempos.

tantas esperanças, eu enterrei.
tantos sonhos abandonei.
tantos corações, destrocei.

mas meu coração resiste,
batendo saudável,
dentro do peito.
mas o sangue que ele bombeia,
este não é meu.

eu o roubei,
como roubei a vida de tantos,
me apoderei de seus sorrisos,
tomei de assalto seus desejos

e os transformei em meus.
apenas para deixá-los diluir em mim.

apenas para ter forças para viver mais um dia...

apenas para continuar.
eu escuto o silêncio, no meu quarto...

e o que eu ouço são os ponteiros do relógio da minha vida...

o tempo passa...

e eu não consigo mesmo decidir se acho isso bom ou não.

bad habit

um menino quieto... seus pais achavam que ele não dava trabalho... passava horas brincando com seus bonecos, imaginando um mundo só dele... não gostava muito de ir para a rua...
não tinha grandes problemas para se relacionar com as outras crianças, só gostava muito de ficar sozinho...

inteligente, os pais acreditavam... o menino passa várias horas por dia lendo coisas e mais coisas...

livro de gente grande, pensavam... como ele gosta de ler...

mas eles não tinham a mínima idéia do que passava na cabeça do menino...

não tinham idéia do que ele sentia...

ou melhor, do que ele não conseguia sentir...

e não tinham idéia de que, quando o menino passava horas e horas sozinho, tinha um hábito peculiar...

ele fazia pequenos cortes, no próprio corpo...

nada exagerado...

só pequenos cortes, que cicatrizavam e sumiam...

ele gostava de ver o sangue deixando o corpo... o vermelho vivo e brilhante era bonito, assim o menino pensava...

e a dor... a dor era um sentimento, em meio ao nada em que o menino vivia...
ele imagina a sua vida como uma taça...

de tempos em tempos, uma gota de desespero cai naquela taça...

ele imagina o que acontecerá quando a taça transbordar...
cansado... é assim que estou, hoje...

muito cansado... por conta de um monte de coisas... por conta das pessoas, do mundo... de mim...

eu queria dormir... por horas... por dias...

até que tudo passasse...

24.6.05

a última visita do cavaleiro doente

"meu mal?", prosseguiu. "meu mal? você acredita então, como todos os outros, que eu sofra de algum mal? que exista um mal que seja meu? por que não dizer que eu sou, eu mesmo, um mal? não há nada que seja meu, percebe? não há nada que me pertença. eu é que sou de alguém, e existe alguém a quem eu pertenço!"

23.6.05

ele a cobre gentilmente para livra-lá do frio do final da tarde de outono e observa a sua respiração rápida...

sentado ao lado dela, na cama, ele acaricia os cabelos finos como os de uma criança e pensa nos anos que eles passaram juntos... não foram muitos... mas foram felizes... muitos casais vivem uma vida inteira juntos e não podem se dizer felizes de verdade... mas eles foram...

mesmo quando souberam da doença dela... depois das primeiras semanas, ela mesmo cuidou para que ele não se deprimisse... eles sairam muitas e muitas vezes...

ele se lembra da tarde em que passaram no campo, caminhando e conversando, por horas e horas, sobre tudo, mas evitando o assunto proibido. o cabelo dela parecia brilhar, com reflexos da luz do sol do final da primavera. depois de algum tempo, eles sentara-se perto de uma árvore, para descansar.

enquanto ele lia um livro de poemas (o preferido dela), a jovem o encarou com um olhar sério e disse:

- eu vou morrer.

o rapaz fitou os olhos claros em silêncio, sem saber o que dizer.

- nós dois sabemos que eu vou morrer. para que nós fingimos que isso nunca vai acontecer? por que nunca tocamos no assunto?

- eu... tenho medo de perder você.

- e eu de perder você... mas é assim que as coisas são. olhe...

ela abriu a palma da mão e mostrou uma pequena flor, delicada, com pétalas que iam de um vermelho vivo a um branco pálido e sedoso.

- essa flor é tão delicada e tão frágil... não durará muito tempo, agora que eu a retirei do solo... mas mesmo assim ela é linda... e estou feliz por tê-la encontrado.... e a beleza dela vai viver em mim, enquanto eu me lembrar dela.

- eu quero que seja assim conosco. quero que depois que eu for, uma parte de mim esteja viva em você e o acompanhe... e que você lembre-se de nosso amor... e seja feliz por ter a lembrança dele.

ele pegou a flor, tomando-a delicadamente em seus dedos...

- eu a amo tanto... e vou lembrar sempre de você, minha querida.

- eu também te amo e vou estar sempre com você...

ele a beijou, debaixo daquela árvore, naquele dia de primavera, num tempo que parecia ter sido de outra vida...

agora ela está ali, na cama, com os olhos entreabertos e um sorriso que parece cansado...

- estava sonhando de novo, querido? - a voz parecendo um eco distante daquela voz doce que o homem tanto conhecia.

- acho que sim. - disse ele, esfregando uma lágrima do olho - você quer alguma coisa, minha amada?

- sim. você pode ler para mim um daqueles poemas que leu naquela tarde, no campo?

sorrindo, pela coincidência, ele concorda e se levanta, para buscar o livro.

ele o encontra na escrivaninha da biblioteca, escondido sob alguns documentos e atestados de médicos...

ele olha por alguns segundos, para o livro, sentindo de repente uma tristeza aguda, como uma saudade que toma todo o seu corpo, sem aviso.

por fim, o homem pega o livro e caminha para o quarto. assim que entra, percebe que a respiração que era fraca, havia cessado... os olhos de sua amada estavam fechados e no rosto, um sorriso calmo...

ele deixa o livro cair e senta-se ao lado da cama... o corpo parecendo pesar toneladas, de repente, o olhar no chão, onde, entre as páginas do livro de poemas, uma pequena flor seca descansa...

idéias

eu tenho idéias...

eu tenho idéias dentro de idéias... um mundo inteiro, um universo inteiro de idéias...

e elas existem meio que independentes de mim... aparecem nos momentos mais inesperados... é só eu baixar a guarda dos meus pensamentos rotineiros para elas se espalharem por todos os lados...

são mundos de dragões e alienígenas... de vampiros românticos e de amantes sinistros... mundos povoados por seres mágicos, ou por máquinas sem alma...

idéias de amantes... idéias de tiranos...

idéias e histórias... umas dentro das outras, numa espiral infinita...

infinita?

2.6.05

Nascentes morimur

existe um universo dentro de mim.

é sério.

um universo repleto de mundos, de lugares e acontecimentos que acontecem dentro da minha cabeça...

algumas vezes é difícil entender o que está acontecendo por lá...

mas quase sempre compensa muito...