24.6.06

recado

há alguns meses eu nem sabia que você era tão importante...



hoje, fico pensando como sinto sua falta, em momentos mais estranhos.



você tá me devendo um café e uma vodka! :)

assistindo televisão

"you don't like yourself. but you do admire yourself. it's all you've got, so you cling to it."


e você pensa que é especial, de alguma maneira. e pensa que, de alguma forma, algo que você faz é único. realmente diferente de todos. e de alguma forma, isso te traz consolo.

e certo dia, assistindo uma série de televisão ou ouvindo despreocupadamente uma música no rádio, você descobre que alguém escreveu algo que descreve você (ou pelo menos uma parte significante do que você acredita ser a sua pessoa) e, de alguma forma, você vê um sorriso nascer involuntariamente no seu rosto.

e apesar de perceber que não é tão especial assim. você também percebe que algumas coisas podem ser entendidas.

21.6.06

the perfect drug

você é a droga perfeita.

só você, entre tudo o que vivi e provei me faz sentir isso.

eu queimo...

eu choro...

sorrio...

sinto falta...

sinto desejo...

sinto medo...

e quero mais...

sempre mais...

quero tudo.
eu sou tudo o que você chama de estranho, inusitado, surreal.

e ainda assim, você se reconhece...

e volta, buscando mais.

dream of a life...

nome estranho pra um blog.

nome estranho pra qualquer coisa...

sonho de uma vida.

sonho uma vida.

sonho muitas vidas, muitos mundos, muitos marcios.

todos eles existem, se você olhar no lugar certo.

posso te ajudar a procurar.

mas seja silencioso. eles costumam sumir, quando se sentem ameaçados.

e, ouvi falar, alguns mordem.
ela não consegue encontrar um lugar fundo o bastante em sua alma para guardar a dor.

ela pega a faca e corta a pele, tentando deixar a dor escapar.
ele emudece, ao ler as palavras no monitor.

o cursor pisca, impassível, indecifrável...

e o garoto toca a tela do computador, tentando sentir as letras em sua frente.
ainda não sei o que acontece comigo.

a insuportável certeza de que você esteve em minha vida muitas e muitas vezes antes...

eu procurava sua presença, sentia o vazio da noite à procura de estrelas.

pensei ter encontrado você em diversos rostos, diversos corpos...

cópias que se tornavam pálidas e frias, de encontro ao vazio que tentavam preencher.

estranho perceber que, de alguma forma, você me acompanhou por tanto tempo.
eles se tocam em silêncio quase total, somente a respiração rápida os denuncia.

as chamas queimam na lareira, fazendo a luz dançar por sobre a pele dos dois.

ele fecha os olhos...

dentro de si, vê círculos dentro de círculos, se movendo rápido e continuamente...

ele não quer que pare.

18.6.06

há um par de olhos que me vigiam, no escuro.

esmeraldas em chamas, olhos de criança, olhos de caçadora.

eu os encaro.

trapezistas do vazio

eles se agarram um ao outro, balançando-se no ar.

ela se joga, de coração e olhos fechados. ele a agarra forte, marcando-lhe os braços.

eles se sustentam em cordas feitas de sensações e lembranças.
trapezistas do vazio...

na escuridão, mais abaixo, as pessoas na platéia os olham, boquiabertos, sonhando estar na posição dos dois.

mas o medo de tentar os vence.
ele injeta a droga em veias sedentas, tentando apagar o vazio de dentro de si.

um vazio com nome.

um vazio com rosto de menina.

13.6.06

espelho

os dois se olham, frente a frente, fascinados.

pela primeira vez parecem olhar em um espelho que não distorce-lhes a imagem.

cada um vê a si mesmo no outro e a visão os hipnotiza.

ela pensou que não havia mais ninguém que se comportasse como ela no mundo.

ele desejava desesperadamente encontrar um igual em seus caminhos.

as palmas das mãos se tocam, enquanto olhos sedentos de tudo se olham com intensidade.

mesmo nas diferenças há o entendimento que só existe entre iguais.

um é o outro. os dois são feitos do mesmo material.

o mundo se cala diante do encontro.

máscaras caem entre eles, descarnando corpos que nunca foram mostrados ao mundo.

o sangue das mãos se misturam, entrelaçam um laço tão antigo quanto eles próprios.

em sombras, o mundo se cala.

em silêncio, eles se tocam.

em um abraço que consome

os dois...

um só...

o mundo.

predador

eu sou exatamente aquilo que você quer que eu seja:

amável, compreensivo, carinhoso, amigo, protetor, amante, companheiro, irmão.

até que seja tarde demais para escapar.

12.6.06

meus olhos se fecham, pesados.


mas eu não quero dormir.
o corvo voa essa noite, por sobre o mundo.

eu sigo o bater de suas asas negras até a terra dos sonhos.

lá, entre as sombras de sonhos antigos de mundos que não mais existem, eu encontro meu lugar.
ele entregou parte de sua vida ao mundo. entregou momentos felizes. entregou promessas feitas.

teve de se afastar de quem ama. teve que afastar pessoas que o amavam.

o mundo parece vencer a todos no fim.


mas ele sabe que dentro de si há um lugar que não será entregue nunca.


ele prefere ser chamado de sonhador do que entregar sua alma ao mundo.
ah! se você pudesse entender todas as cores e todos os nuances que está me fazendo enxergar agora.


você é feito uma droga. tem horas que não consigo ter o suficiente, não importando o quanto eu consiga.


me disse hoje que meu brilho te ofusca. é engraçado, porque eu sempre penso nisso quando falo com você. tem um brilho vindo de você que é muito claro, mas ao mesmo tempo é suave e não machuca os olhos.


um brilho que eu sei que você nem sabe existir.
pode alguém querer algo que seja suave e surpreendente ao mesmo tempo?


pode-se querer ser enfeitiçado, mas manter a cabeça no lugar para não se deixar levar por sentimentos?


pode um homem desejar tanto e de tantas formas e ainda assim, de alguma maneira, querer que tudo seja simples?


eu posso... eu quero...