tô me sentindo perdido...
queria dormir do seu lado hoje, fadinha. queria falar tanta coisa.
há um silêncio grande demais no meu quarto.
16.4.07
perdidos
- você não se perdoa nunca?
ele olha para ela e pensa em tantas coisas do passado antes de responder.
- não. eu sempre acho que estou fazendo algo errado. sinto essa síndrome de super-herói, uma vontade de ajudar a outra pessoa. mesmo eu estando muito mal.
a garota o observa com um olhar triste.
- e quem vai te ajudar?
- ninguém.
no silêncio, eles se abraçam.
ele olha para ela e pensa em tantas coisas do passado antes de responder.
- não. eu sempre acho que estou fazendo algo errado. sinto essa síndrome de super-herói, uma vontade de ajudar a outra pessoa. mesmo eu estando muito mal.
a garota o observa com um olhar triste.
- e quem vai te ajudar?
- ninguém.
no silêncio, eles se abraçam.
10.4.07
se sentia melhor sozinha.
ela ouvia a conversa da amiga e ficava pensando que estava melhor sozinha. experimentara sensações novas, experimentara emoções novas. lembrou-se de todos os choros as brigas e irritações de um namoro e pensou que estava bem melhor sozinha.
acabou fazendo a vontade da outra menina. seria um encontro só. uma tarde no shopping. mais inofensivo que isso, impossível. e sempre poderia dar a desculpa que precisava ir mais cedo pra casa. que chances haveriam de ele ser alguém interessante?
o domingo chegou. a tarde veio e ela chegou cedo e resolveu tomar um cappucino. a amiga deveria chegar logo.
de repente ela ouve um "oi!" vindo de algum lugar ao seu lado.
o rapaz sorria de forma clara, um sorriso quase familiar.
simpático, mas nada demais.
ele sentou ao seu lado e começou a conversar. ela gostava muito de conversas, mas achava que o início do papo estava meio chato. ele parecia ser tímido. ou só chato, mesmo.
a amiga chegou e fez a apresentação tardia. foram passear no shopping.
a tarde foi divertida. comeram, brincaram no fliperama e conversaram muito, sobre tudo.
e o rapaz sorria, com um sorriso de menino.
simpático. era isso. ele parecia simpático.
a tarde terminou. o domingo foi embora. a amiga perguntou sobre ele.
ela disse que o achou simpático. um ótimo amigo. só isso.
a menina e o rapaz começaram a conversar pela internet.
estranhamente, a cada dia que passava, ele parecia mais familiar a ela. gostos parecidos. desejos parecidos.
um dia ela resolveu visitar o blog dele. percebeu que ele era meio estranho. gostava de coisas estranhas, escrevia sobre vampiros e sangue e pessoas estranhas. se afastou um pouco.
ele sorria, dizendo a ela que aquele não era o seu eu verdadeiro. existia muito mais por baixo da fachada de rapaz mau e solitário.
ela se pegou um dia pensando nele. havia algo nas palavras que ele enviava a ela. havia algo em seu jeito.
simpático. sim, ele era simpático.
mas havia algo mais.
as noites se passaram. segredos foram trocados. promessas foram feitas.
a simpatia se transformou em afeto.
o afeto, um dia virou bem-querer.
o bem-querer transfigurou-se em amor...
hoje estão juntos.
e ela ainda se maravilha com o sorriso dele.
ela ouvia a conversa da amiga e ficava pensando que estava melhor sozinha. experimentara sensações novas, experimentara emoções novas. lembrou-se de todos os choros as brigas e irritações de um namoro e pensou que estava bem melhor sozinha.
acabou fazendo a vontade da outra menina. seria um encontro só. uma tarde no shopping. mais inofensivo que isso, impossível. e sempre poderia dar a desculpa que precisava ir mais cedo pra casa. que chances haveriam de ele ser alguém interessante?
o domingo chegou. a tarde veio e ela chegou cedo e resolveu tomar um cappucino. a amiga deveria chegar logo.
de repente ela ouve um "oi!" vindo de algum lugar ao seu lado.
o rapaz sorria de forma clara, um sorriso quase familiar.
simpático, mas nada demais.
ele sentou ao seu lado e começou a conversar. ela gostava muito de conversas, mas achava que o início do papo estava meio chato. ele parecia ser tímido. ou só chato, mesmo.
a amiga chegou e fez a apresentação tardia. foram passear no shopping.
a tarde foi divertida. comeram, brincaram no fliperama e conversaram muito, sobre tudo.
e o rapaz sorria, com um sorriso de menino.
simpático. era isso. ele parecia simpático.
a tarde terminou. o domingo foi embora. a amiga perguntou sobre ele.
ela disse que o achou simpático. um ótimo amigo. só isso.
a menina e o rapaz começaram a conversar pela internet.
estranhamente, a cada dia que passava, ele parecia mais familiar a ela. gostos parecidos. desejos parecidos.
um dia ela resolveu visitar o blog dele. percebeu que ele era meio estranho. gostava de coisas estranhas, escrevia sobre vampiros e sangue e pessoas estranhas. se afastou um pouco.
ele sorria, dizendo a ela que aquele não era o seu eu verdadeiro. existia muito mais por baixo da fachada de rapaz mau e solitário.
ela se pegou um dia pensando nele. havia algo nas palavras que ele enviava a ela. havia algo em seu jeito.
simpático. sim, ele era simpático.
mas havia algo mais.
as noites se passaram. segredos foram trocados. promessas foram feitas.
a simpatia se transformou em afeto.
o afeto, um dia virou bem-querer.
o bem-querer transfigurou-se em amor...
hoje estão juntos.
e ela ainda se maravilha com o sorriso dele.
700
setecentos posts sobre o nada...
e a certeza de saber que esse "nada" guarda em si sentimentos diversos...
perdas, encontros, desencontros, amores, desejos, saudades, frustrações, pequenas e grandes alegrias...
um nada cheio de coisas.
um nada que é tudo que não encontra voz no mundo das pessoas.
um nada órfão de explicações, mas repleto de significados.
um brinde ao nada.
e a certeza de saber que esse "nada" guarda em si sentimentos diversos...
perdas, encontros, desencontros, amores, desejos, saudades, frustrações, pequenas e grandes alegrias...
um nada cheio de coisas.
um nada que é tudo que não encontra voz no mundo das pessoas.
um nada órfão de explicações, mas repleto de significados.
um brinde ao nada.
24.3.07
ela se contorce durante o sono. sonha com algo crescendo dentro de seu corpo.
algo que se alimenta do corpo dela.
algo que se movimenta. que a comprime por dentro, sempre querendo mais e mais espaço.
ela quer destruir o intruso.
matar
expurgar
ele se movimenta em seu abdôme.
e a cada movimento
ela se lembra de outro monstro
de outra invasão.
ela quer matar os monstros.
ela precisa.
mas não consegue.
por quê?
por quê?
algo que se alimenta do corpo dela.
algo que se movimenta. que a comprime por dentro, sempre querendo mais e mais espaço.
ela quer destruir o intruso.
matar
expurgar
ele se movimenta em seu abdôme.
e a cada movimento
ela se lembra de outro monstro
de outra invasão.
ela quer matar os monstros.
ela precisa.
mas não consegue.
por quê?
por quê?
sagrada blasfêmia
quero provar de novo seu corpo. o gosto nunca me saiu da cabeça.
meus dentes arranhando a pele, enquanto a língua brincava alucinada, sentindo cada porção de pele.
penso em seu sangue, sempre, sempre, quando olho para as veias sobressaltando-se na pele clara do seu braço.
penso no vermelho. penso no gotejar lento e interminável.
seu corpo
seu sangue
quero comungar com você.
meus dentes arranhando a pele, enquanto a língua brincava alucinada, sentindo cada porção de pele.
penso em seu sangue, sempre, sempre, quando olho para as veias sobressaltando-se na pele clara do seu braço.
penso no vermelho. penso no gotejar lento e interminável.
seu corpo
seu sangue
quero comungar com você.
arte
não escrevo poesias,
sou vítima delas.
insinuam-se, obscenas,
cheias de curvas,
parábolas,
hipérboles,
metáforas à mostra.
figuras de linguagem
me seduzem
não escrevo contos,
eles me são entregues em sonhos
por deuses antigos.
encontro-os em antiquários,
escavo-os de antigas pirâmides.
não há um único texto em mim que seja meu
esqueço-os assim que os transporto para o mundo.
psicografados,
teletransportados,
imaginados.
não há uma única verdade em mim que seja absoluta
somente a absoluta falta de verdades.
as palavras brincam ao meu redor,
eu as absorvo
regurgito poemas disformes
contos órfãos com bocas famintas
de leitores.
sou vítima delas.
insinuam-se, obscenas,
cheias de curvas,
parábolas,
hipérboles,
metáforas à mostra.
figuras de linguagem
me seduzem
não escrevo contos,
eles me são entregues em sonhos
por deuses antigos.
encontro-os em antiquários,
escavo-os de antigas pirâmides.
não há um único texto em mim que seja meu
esqueço-os assim que os transporto para o mundo.
psicografados,
teletransportados,
imaginados.
não há uma única verdade em mim que seja absoluta
somente a absoluta falta de verdades.
as palavras brincam ao meu redor,
eu as absorvo
regurgito poemas disformes
contos órfãos com bocas famintas
de leitores.
17.3.07
changes
still don’t know what i was waiting for
and my time was running wild
a million dead-end streets and
every time i thought i’d got it made
it seemed the taste was not so sweet
so i turned myself to face me
but i’ve never caught a glimpse
of how the others must see the faker
i’m much too fast to take that test
ch-ch-ch-ch-changes
(turn and face the strain)
ch-ch-changes
don’t want to be a richer man
ch-ch-ch-ch-changes
(turn and face the strain)
ch-ch-changes
just gonna have to be a different man
time may change me
but i can’t trace time
i watch the ripples change their size
but never leave the stream
of warm impermanence
so the days float through my eyes
but still the days seem the same
and these children that you spit on
as they try to change their worlds
are immune to your consultations
they’re quite aware of what they’re going through
ch-ch-ch-ch-changes
(turn and face the strain)
ch-ch-changes
don’t tell them to grow up and out of it
ch-ch-ch-ch-changes
(turn and face the strain)
ch-ch-changes
where’s your shame
you’ve left us up to our necks in it
time may change me
but you can’t trace time
strange fascination, fascinating me
ah changes are taking the pace i’m going through
ch-ch-ch-ch-changes
(turn and face the strain)
ch-ch-changes
oh, look out you rock’n rollers
ch-ch-ch-ch-changes
(turn and face the strain)
ch-ch-changes
pretty soon now youre gonna get a little older
time may change me
but i can’t trace time
i said that time may change me
but i can’t trace time
and my time was running wild
a million dead-end streets and
every time i thought i’d got it made
it seemed the taste was not so sweet
so i turned myself to face me
but i’ve never caught a glimpse
of how the others must see the faker
i’m much too fast to take that test
ch-ch-ch-ch-changes
(turn and face the strain)
ch-ch-changes
don’t want to be a richer man
ch-ch-ch-ch-changes
(turn and face the strain)
ch-ch-changes
just gonna have to be a different man
time may change me
but i can’t trace time
i watch the ripples change their size
but never leave the stream
of warm impermanence
so the days float through my eyes
but still the days seem the same
and these children that you spit on
as they try to change their worlds
are immune to your consultations
they’re quite aware of what they’re going through
ch-ch-ch-ch-changes
(turn and face the strain)
ch-ch-changes
don’t tell them to grow up and out of it
ch-ch-ch-ch-changes
(turn and face the strain)
ch-ch-changes
where’s your shame
you’ve left us up to our necks in it
time may change me
but you can’t trace time
strange fascination, fascinating me
ah changes are taking the pace i’m going through
ch-ch-ch-ch-changes
(turn and face the strain)
ch-ch-changes
oh, look out you rock’n rollers
ch-ch-ch-ch-changes
(turn and face the strain)
ch-ch-changes
pretty soon now youre gonna get a little older
time may change me
but i can’t trace time
i said that time may change me
but i can’t trace time
david bowie - changes
13.3.07
o pequeno zé tinha um balão vermelho.
a mãe o observava, sentada no banco da praça.
o garoto sorria, brincando com o cordão que o ligava ao balão. o pequeno zé corria e via o balão flutuar meio solto, meio preso atrás dele.
a pedra se interpôs entre o menino e sua corrida.
o menino caiu... o balão fugiu e subiu...
o menino chorou, enquanto via um ponto vermelho cada vez menor flutuar e desaparecer no céu.
o pequeno zé cresceu.
um dia, ensinaram a ele que a terra, o lugar onde ele e todo mundo morava, era como uma enorme bola que flutuava no espaço.
zé pensou que em algum lugar havia um menino triste, por ter deixado o mundo escapar...
a mãe o observava, sentada no banco da praça.
o garoto sorria, brincando com o cordão que o ligava ao balão. o pequeno zé corria e via o balão flutuar meio solto, meio preso atrás dele.
a pedra se interpôs entre o menino e sua corrida.
o menino caiu... o balão fugiu e subiu...
o menino chorou, enquanto via um ponto vermelho cada vez menor flutuar e desaparecer no céu.
o pequeno zé cresceu.
um dia, ensinaram a ele que a terra, o lugar onde ele e todo mundo morava, era como uma enorme bola que flutuava no espaço.
zé pensou que em algum lugar havia um menino triste, por ter deixado o mundo escapar...
encontros
ela chora ao telefone.
confusa, sem esperanças, fragilizada.
ele escuta o choro, as lágrimas parecem machucá-lo, abrindo um caminho até o seu coração.
ele a ama.
mas não sabe o que fazer.
ela diz que se odeia. ele pede para que ela não vá embora.
ela está perdida.
ele não sabe quem é.
ainda assim, eles precisam demais um do outro.
confusa, sem esperanças, fragilizada.
ele escuta o choro, as lágrimas parecem machucá-lo, abrindo um caminho até o seu coração.
ele a ama.
mas não sabe o que fazer.
ela diz que se odeia. ele pede para que ela não vá embora.
ela está perdida.
ele não sabe quem é.
ainda assim, eles precisam demais um do outro.
busca
há algo perdido no mundo. sinto a falta dessa coisa. dessa coisa que não consigo nomear, mas que eu sei que deveria existir.
vivi a vida a procurar uma resposta para esse sentimento.
pensei estar louco algumas vezes. pensei estar próximo algumas vezes.
desejei que a resposta fosse alguém. busquei a resposta em braços e camas diferentes.
mas no fim da noite o silêncio me mantinha acordado.
o sentimento se tornou vazio. o vazio, desespero.
o desespero me levou ao mais fundo e mais escuro poço.
acho que de algum modo doentio, acreditei que lá haveria alguma resposta.
gastei minha juventude na busca.
tornei-me homem.
cínico.
me afastei de todos.
me afastei do mundo.
contemplei o vazio incomensurável do universo.
um universo de vazios.
um espelho de mim.
vivi a vida a procurar uma resposta para esse sentimento.
pensei estar louco algumas vezes. pensei estar próximo algumas vezes.
desejei que a resposta fosse alguém. busquei a resposta em braços e camas diferentes.
mas no fim da noite o silêncio me mantinha acordado.
o sentimento se tornou vazio. o vazio, desespero.
o desespero me levou ao mais fundo e mais escuro poço.
acho que de algum modo doentio, acreditei que lá haveria alguma resposta.
gastei minha juventude na busca.
tornei-me homem.
cínico.
me afastei de todos.
me afastei do mundo.
contemplei o vazio incomensurável do universo.
um universo de vazios.
um espelho de mim.
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