20.2.07

clementine: joely?
joel: yeah tangerine?
clementine: am i ugly?
joel: uh-uh.
clementine: when i was a kid, i thought i was. i can't believe i'm crying already. sometimes i think people don't understand how lonely it is to be a kid, like you don't matter. so, i'm eight, and i have these toys, these dolls. my favorite is this ugly girl doll who i call clementine, and i keep yelling at her, "you can't be ugly! be pretty!" it's weird, like if i can transform her, i would magically change, too.
joel: [kisses clementine] you're pretty.
clementine: joely, don't ever leave me.
joel: you're pretty... you're pretty... pretty...

eternal sunshine for the spotless mind

eu adoro o diálogo acima... é tão eu e você, sabe? eu queria muito, muito, muito te fazer entender que é a criatura mais linda do mundo. que não precisa fazer nada para que as pessoas erradas gostem de você. e que não precisa me chamar a atenção, porque eu só consigo olhar para você...

amo tanto...

isso faz com que me sinta bem... e vivo. mas também traz um medo estranho...
ah! só para registrar:

eu odeio carnaval.
estou um pouco perdido, hoje.

de vez em quando, eu também preciso de alguém me mostrando que vai ficar tudo bem...

queria que vc percebesse mais isso.
não quero ser visto como um pai chato, que fica regulando as coisas.

não quero.

eu quero o seu bem... acredite ou não.
estou cansado...

cansado do corpo e da mente.

odeio repetir as coisas.

odeio ser o chato.

e muitas e muitas vezes odeio ser eu.

eu acredito nas pessoas quando elas me dizem coisas,

acredito na palavra delas,

acredito que é fácil nos entendermos.

acredito mesmo que sejamos cheios, cheios de erros (eu, com certeza sou)

mas eu quero mais:

quero acreditar que palavras trocadas entre amantes não são palavras jogadas ao vento.

quero acreditar que eu posso ficar tranquilo. eu quero muito, muito mesmo, ficar tranquilo.

ah! não sei o que estou dizendo.

estou triste, acho.

triste e cansado.

meu coração pede repouso...

8.2.07

é estranho...

tem dias que me sento ao computador com uma história na cabeça. exata: início, meio e fim totalmente definidos.

mas ela se recusa a ser digitada. recusa-se a sair do mundo das idéias.

minhas histórias têm vontade própria.

a você

eu observo você.

os gestos, os olhares.

aprendo seu jeito de falar.

tento descobrir seus sonhos,

tento desvendar seus desejos.

e no fim da noite

aprendo a te amar de novo.

dor de crescimento

ele pega o filho depois da escola. a professora o reconhece. de duas em duas semanas ele sai correndo do trabalho vai buscar o menino do outro lado da cidade.

quase sempre chega alguns minutos atrasado, mas todos na escola parecem compreender e mostram um sorriso simpático.

o homem olha para o garoto, por detrás das lentes dos óculos. parece que a cada dia ele cresce mais. uma onda de orgulho passa por seu coração.

no caminho de volta para casa, eles conversam sobre a semana. o menino olha para fora, tentando capturar cada segundo do caminho. ele imagina muitos mundinhos, onde as pessoas lá fora vivem aventuras fantásticas.

o pai estaciona o carro e eles entram na casa. o garoto corre para seu quarto e joga a mochila com as roupas para o fim de semana.

eles brincam e mais tarde jantam juntos. o menino acha que o pai tem um olhar triste, às vezes. mas sempre diz que está tudo bem. "o mundo dos adultos é tão complicado", pensa, em silêncio.

o homem arruma a pequena cama e coloca o filho para dormir, mas ele reclama que está sentindo muitas dores nas pernas. o homem se lembra da própria infância e lembra do que a sua mãe costumava falar sobre as "dores de crescimento" e fala:

"filho... isso são dores de crescimento. é que o seu corpo está crescendo e como você está ficando muito grande e forte, dói um pouquinho. mas não tem nada demais, tá?"

ele passa uma pomada nas pernas do garoto e depois que o pequeno cai no sono, ele deixa o quarto.

sentado na sala, o homem segura um porta-retrato entre as mãos.

na foto, três pessoas estão sorrindo. ele olha e pensa que aquilo parece ter sido há séculos atrás.

mas faz tão pouco tempo.

ele pensa em todas as coisas que se perderam. e pensa em tudo o que viveu e o que aprendeu.

ele sente uma dor na alma.

e lembra que crescer dói.

3.2.07

sonhos

ela era uma menina inquieta. não que isso fosse algo ruim, mas seus pais tinham que lhe dar milhares de avisos sobre coisas perigosas. no fundo eles gostavam do jeito moleque dela.pareciam ser uma família feliz.

a infância foi calma. pequenos arranhões, um braço quebrado, várias e várias bonecas e muitas histórias. ela adorava dormir escutando seu pai contar histórias à beira da cama. havia algo na voz dele que a acalmava.

seu primeiro beijo foi aos 13 anos. ela não gostava tanto do menino, mas ele era um dos mais bonitos da escola. ela mesma chamava a atenção de muitos.

ela gostava de dançar. quando estava na pista, era como se nada mais no mundo existisse.

a menina conheceu ele quando fazia faculdade de história. eles não tinham muita coisa parecida, mas não desgrudavam um do outro.

eles se casaram depois que terminaram a faculdade. ela gostava de trabalhar dando aula e a vida de casada era muito mais interessante do que ela imaginava.

eles envelheceram juntos. os dois costumavam escrever histórias e contar para seus dois filhos e depois para os netos.

gostavam de passear juntos e gostavam de cinema e pipoca.

já velhinha, ela gostava de observar os netinhos correndo no quintal. sentia-se feliz.

ela está na sala de parto. olha para o lado e vê a mãe chorando, deitada. seu corpo de bebê é incapaz de se estabelecer. aos poucos, ela fica fraca demais. a pequenina luta de olhos fechados. tenta viver, mas a luta é longa e cansativa demais.

em seus sonhos, ela é feliz.

na mesa de cirurgia, um coração minúsculo pára de bater.

sonhos

ele canta baixo, enquanto observa o fogo. a canção é antiga e já foi cantada por seu pai e pelo pai dele, antes.

uma rajada fria de vento faz as chamas tremerem.

o jovem segura uma vasilha com os restos de um líquido escuro. o sabor amargo ainda permanece em seus lábios e aos poucos, uma sensação quente lhe percorre o corpo.

ele olha para a chama, olhos vidrados no movimento do fogo. aos poucos ele deixa de ser homem e se torna parte do fogo. a canção continua, mas ele parece ouvir outras vozes cantando, além da sua.

o fogo se transforma em fumaça e como fumaça, se espalha pelo ar.

o jovem sobe aos céus, seguindo os caminhos do vento.

ele não tem corpo, agora é somente espírito. a canção toma todo o ar e ele percebe que não é mais ele quem está cantando.

a figura de seu pai aparece por entre as nuvens. o pai de seu pai o acompanha. e o pai dele, junto.

as estrelas formam padrões e desenhos novos.

o jovem deixa-se carregar entre as estrelas. a canção dos antigos muda. agora eles falam diretamente em seu coração.

ele vê sua tribo cavalgando os grandes búfalos, na planície. os animais estão por todos os lados e a visão é grandiosa...

e ele vê um trovão cair do céu e um animal de metal percorrendo as planícies. há um homem branco sobre a grande serpente prateada.

os búfalos fogem do monstro. e ele vê os homens de sua tribo desaparecerem, no horizonte.

o jovem shaman abre os olhos. o fogo crepita, no silêncio da noite. não há mais canto.

não há mais futuro.

sozinho em sua tenda, o jovem chora.
você é o lugar onde não me sinto sozinho.
queria inventar palavras pra dizer o que eu sinto.

as que conheço parecem tão toscas.

não há precisão nas palavras.

29.1.07

niilista em conflito

eu sou naturalmente niilista. é complicado demais, imaginar uma outra existência além desse mundo.

e ainda assim, lá dentro, enterrado fundo em minhas conjecturas e pensamentos, existe uma pequena luz que brilha apesar de toda a escuridão e desolação.

fé?

em quê?

21.1.07

i should wait.

i should be more patient.

i should.
um "click" seco e nada acontece.

ele abre os olhos e não sente nada. o cano de metal pressiona a têmpora direita enquanto ele vê a si próprio no espelho do banheiro. desvia o olhar em um instante, sem conseguir encarar o reflexo.

guarda a arma do pai, depois de retirar a bala solitária. o garoto criou esse "ritual" para poder sair de casa. um dia acordou e não conseguia pensar em razão nenhuma para se levantar. pior... não encontrou razão nenhuma para estar vivo.

só conseguiu pensar em uma coisa: o pai guardava uma arma no armário do quarto. lembrou de ter visto um filme onde meninos brincavam de roleta russa. lembrou de pensar qual seria a sensação daquilo tudo. e lembrou-se que o personagem no filme falou que tinha recebido uma nova chance de viver.

era aquilo que ele queria. algo que lhe mostrasse que ele merecia viver.

então pegou a arma no quarto do pai e se trancou no banheiro. sentado no vaso, ele retirou as balas, menos uma. girou o tambor e o recolocou na posição. sua mão tremeu, quando ele colocou a arma na cabeça.

puxar o gatilho foi mais difícil do que esperava. "um momento apenas", ele pensava. mas ainda assim, era difícil.

ele não morreu naquela manhã.

saiu de casa melhor. percebera um sinal naquilo tudo.

mas o dia foi igual aos outros. aos poucos, a excitação foi passando. nada havia mudado de verdade. talvez no dia seguinte.

mas nada mudou. nem no dia seguinte, nem no próximo. mas ele recorria a arma, quase todas as manhãs.

apenas porque não sentia que era um desperdício estar vivo.
se você pudesse entrar dentro da minha cabeça, eu te mostraria todos os cantos que nunca foram visitados por ninguém. ficaria feliz em te levar a cada momento bom que vivi. poderia segurar sua mão quando relembrasse coisas ruins.

ia deixar você tentar dar uma arrumada em todas as confusões, em todos os traumas, em todos os pensamentos sem sentido.

queria que isso pudesse ser verdade. ando cansado de mim. ando cansado de pensar do jeito que penso.

nha... tô resistindo bravamente à vontade de te acordar agora mesmo e dizer tudo o que eu sinto. mas eu sei que não conseguiria e ficaria com uma cara de perdido no mundo.
eu quero paz... sério mesmo.

não aguento mais uma vida completamente fora dos padrões... acho que isso perdeu a graça, pra mim...

ou talvez eu esteja ficando velho, não sei.


mas eu queria paz.


mas por que eu tenho a sensação de que não vou conseguir?

dreamgirl

20.1.07

por que eu estou triste?
olho os horizontes, como se procurasse uma resposta para a inquietação que toma meu peito. as nuvens distantes deslizam silenciosas, desdenhando dos pobres seres que vivem abaixo.

penso no que foi tirado de mim. uma lembrança feliz que eu nem cheguei a ter. um pequeno sorriso que foi calado antes mesmo de surgir.

eu sinto inveja de outras pessoas.

não por causa das riquezas que conseguiram ou dos seus feitos. tenho inveja dos sentimentos que eles conhecem e que, nesse momento, me parecem ter sido roubados.

o silêncio é a minha única resposta. o deslizar suave das nuvens é o único sinal que recebo dos seus.

há uma lágrima que eu reprimi e que insiste em aparecer quando eu não preciso.

quero ser feliz um dia.