3.9.05


the reality within
o fogo queima dentro dele... um fogo que foi abafado por tempo demais...

um fogo que dança de forma sensual e mortal...

consumindo... transformando...

fogo de uma vida mantida em animação suspensa por tempo demais...

e que grita, se debate e procura por ar...

vida e fogo... desejo e nascimento...

todos se misturam hoje, no meu peito...

queimando...

consumindo... transformando
saudades dos sussuros trocados entre carícias, horas e horas, deitados, pedindo calado para o tempo não passar...

inveja da noite que te tem nesse momento, em outros braços, em outra cama, em outros sonhos...

desprezo por tudo o que foi dito com raiva...

raiva por ter tido medo...

a raiva traz uma clareza dura...

eu vejo o medo, vejo a dor... tudo o que me afastou... tudo o que foi errado...

e eu quero mudar, mas é tarde para mudar...

eu quero sonhar novamente...

um jardim de sonho... uma noite calma...

sussuros...

mas é tarde agora...

não... não é...

nunca é...

só a morte é inevitável...

e eu estou vivo...

o coração ainda bate... o sangue pulsa... o desejo consome...

eu estou vivo...

e ainda não é tarde.

25.8.05

sweet dream

o rapaz senta-se na cama, olhando para o rostinho que dorme encostado no travesseiro. os olhos dele brilham, enquanto observa a respiração sossegada da menina de cabelos castanhos e olhos grandes e indagadores.

algumas vezes, ele se pega pensando que nunca iria imaginar que amaria tanto um ser, assim... mas no momento em que ele viu o médico segurando aquele serzinho rosa, ele se apaixonou completamente...

3 anos já se passaram e o amor apenas cresceu... como somente os amores crescem de uma quantidade infinita para algo ainda maior.

muitas noites ele perdeu preocupado, com medo... observava o berço de 10 em 10 minutos... "será que ela está bem?"

mas ele não se arrepende... faria tudo de novo...

porque há 3 anos atrás, a vida dele começou a fazer sentido...

e ele sorri, ao lado da cama...
queria que o telefone tocasse...


só por um "boa noite".

blood moon

a lua estava vermelha, quando saí do trabalho, hoje...

presságios, presságios...

quotes

pela centésima vez eu abro uma página com frases retiradas da série sandman, do neil gaiman e me maravilho com o que ele escreve...

como alguém pode ser tão simples e falar tanta coisa que toca no fundo da alma, como se, de alguma maneira, essa pessoa soubesse de um segredo que mais ninguém sabe?

é... não estou falando nada interessante, hoje...

não consigo me concentrar... só tenho essa sensação que estou novamente em um ponto da minha vida que eu não deveria estar... e tudo por minha própria causa...

cadê a simplicidade da qual eu vivo falando que quero?

será que fujo dela, justamente porque tenho medo de que a simplicidade não seja o que eu queira??? (com o jeito complicado que eu tenho, provavelmente não é mesmo o que eu quero)

(sorriso)

às vezes sinto que o teclado deveria ter certo tipo de censura às coisas que escrevo... porque eu sempre volto ao mesmo assunto... sei que o tudo funciona desse jeito... sempre dando voltas... mas eu exagero!

eu queria conseguir dar alívio nessa confusão nisso que eu chamo de alma.

well... life goes on...

21.8.05

eu sou o fogo que consome a matéria, destruindo enquanto se alimenta, deixando para trás um rastro de cinzas...

eu sou o abismo que tenta o suicida, calmo quieto e mortal...

eu sou o silêncio das noites passadas na solidão dos quartos escuros...

eu sou a dor que se alimenta de si mesma...

eu sou a entropia... o fim de tudo...

e eu sou apenas humano.

20.8.05

a poesia da noite se foi... procuro nos céus uma estrela que não brilha pra mim, hoje...

e me encontro novamente aqui, encarando a minha vida, sem saber o que fazer com ela...

tão cansado de mim mesmo...

por que não deu certo? por que todos os erros?
o artista é o xamã do mundo moderno.

visita de um perpétuo

ela sempre me visita, quando estou assim...
o olhar vazio naquele rosto pálido me lembra de todos os erros, todos os fracassos e frustrações...
a voz dela, um sussuro que me lembra de tudo o que já deixei escapar por entre meus dedos.
o gancho de metal que ela carrega no dedo corta o meu rosto no exato ponto onde uma lágrima escorria, há pouco.

ela sempre sorri para mim, por detrás dos espelhos nos quais encaro meus medos.

lembrando e relembrando o quanto é difícil deixar os seus braços...

desespero.
sem sono, ele observa a noite passar por ele, trilhando um caminho invisível pelos céus e ele ouve uma música que toca baixo, permeando todas as coisas que existem e reverberando no véu do universo.

18.8.05

mad world
tears for fears

all around me are familiar faces
worn out places, worn out faces
bright and early for their daily races
going nowhere, going nowhere
and their tears are filling up their glasses
no expression, no expression
hide my head i want to drown my sorrow
no tomorrow, no tomorrow
and i find it kind of funny
i find it kind of sad
the dreams in which i'm dying
are the best i've ever had
i find it hard to tell you
'cos i find it hard to take
when people run in circles
it's a very, very
mad world
children waiting for the day they feel good
happy birthday, happy birthday
made to feel the way that every child should
sit and listen, sit and listen
went to school and i was very nervous
no one knew me, no one knew me
hello teacher tell me what's my lesson
look right through me, look right through me

14.8.05

esperei ao lado do telefone o dia inteiro...

nenhum som...

mas eu continuo olhando para ele, de 2 em 2 minutos...

...

10.8.05

eternal cycle

"sometimes in, but sometimes out
never stand and still...
new horizons, that's the mysterous wheel.
cycles, roundings, time, birth, death
chances to try again
that's the secret - everything is turning."

the wheel - tuatha de danann

7.8.05

um dia sendo eu...

olho vários segundos no espelho, reconhecendo as pequenas marcas do tempo que surgem em volta dos olhos...

depois de tomar o banho frio, escovar os dentes e me barbear (odiando essa última parte, porque meu rosto fica todo irritado), eu visto a minha roupa...

sempre pensando em mil coisas... meu pensamento parece poucas vezes acompanhar o que estou fazendo...

saio de casa e coloco meus óculos escuros (a luz do sol me incomoda) caminho olhando para todos os lados... adoro perceber cada detalhe das coisas à minha volta...

continuo pensando nas coisas mais diversas... imagino uma pequena história antes de chegar ao ponto de ônibus... imagino-a para nunca mais pensar nela, pois eu nunca escrevo nenhuma idéia que tenho... mantenho tudo na cabeça, no maior repositório de histórias não contadas que eu conheço...

o ônibus passa e eu entro e me sento, procurando um lugar perto da janela... o mundo passa lá fora e eu observo cada movimento... capto tudo, tentando registrar mais um pouco e aprender sobre tudo o que existe lá fora...

chego no centro do rio e vou caminhando para o trabalho... dentro da central do brasil, imagino aquele lugar muitos anos antes... penso nas pessoas caminhando... homens de chapéu e senhoras de vestidos longos, indo trabalhar todos os dias... não mudou tanto assim... só que parece tudo meio misturado, hoje... um amálgama de épocas e pessoas...

mesmo assim, eu fico imaginando algumas fotos ali... o preto e branco captando detalhes da arquitetura... dos rostos.

chego no trabalho e começo a ver muitos e muitos rostos... acho que algumas pessoas acham que sou estranho, porque passo o tempo todo observando todo mundo... não porque gosto de cuidar da vida deles... mas porque eu sinto uma curiosidade enorme pelos comportamentos alheios...

começo a trabalhar e pela primeira vez, meus pensamentos começam a ter mais ordem... trabalhar com informática é bom por conta disso... vc é obrigado a pensar de uma maneira ordenada...

se bem que depois de algumas horas eu estou louco para escapar daquele mundo...

eu não lido muito bem com esses extremos...

entenda: eu gosto de informática... gosto muito... mas não consigo passar muito tempo sendo exatamente "coerente"...

esqueci de mencionar que eu sempre tenho algo para ler ou para ouvir comigo... eu não seria nada sem música e livros...

sinto falta do meu amor, durante o dia... ligo para ela algumas vezes... quase nunca sei o que dizer, mas gosto de ouvir ela falar... me sinto mais "normal" nessas horas...

quando é hora de voltar para casa, não sei o que me acontece... sempre sinto uma certa melancolia... acho que é porque eu gostaria de estar fazendo muito mais coisas... mas a distância não deixa muito tempo para aproveitar o meu tempo com coisas interessantes... é um pouco triste, mas isso muda, um dia desses...

chego em casa, checo os emails... vejo se o computador baixou alguma coisa interessante, durante o dia... coloco mais algumas coisas para baixar e penso...

algumas vezes vou até a janela, olhar a noite... tenho vontade de dormir lá fora... ou de andar a noite inteira... (que belo adulto vc é, hein?)

lá fora, a lua e as estrelas caminham nos céus... eu deixo meus pensamentos caminharem com elas...

escrevo no blog... histórias que não são sobre mim... mas eu sempre estou nelas, de uma maneira ou de outra... sinto um pouco de orgulho pelas coisas que escrevo... não porque sejam boas... mas porque deixam transparecer uma parte de mim que não mostro para muita gente...

o sono chega... normalmente ele chega muito tarde...

deito na cama, sempre com meu edredon... sinto um pouco de solidão... não é solidão propriamente dita... mas um sentimento de que mais um dia se passou e não consegui encontrar o que quer que eu sinta falta... mas é um sentimento fulgaz e me deixa logo...

os olhos se fecham e eu saio daqui por algumas horas... até um outro dia.
quero gritar, mas sei que som nenhum conseguiria exprimir o turbilhão de coisas que se passam aqui dentro, agora...

queria não me sentir tão inadequado ao mundo... às pessoas que amo... não é intencional... mas parece que no fim é sempre assim que eu ajo...

deve haver alguma razão...

(suspiro)

picture of me

eu gosto de fotografar... gosto de pegar detalhes de coisas e pessoas que ninguém percebeu, antes de mim... gosto de mostrar um pouco de mim, mostrando o mundo.

algumas vezes eu passo vários minutos, olhando uma foto que fiz... não porque elas me fascinem tanto, mas porque eu sinto uma espécie de felicidade, quando consigo captar exatamente o que eu estava sentindo.

um momento congelado no tempo, uma parte de mim.

diziam que as fotos capturavam a alma das pessoas. engraçado... quando eu fotografo alguém, sinto que um pedacinho da minha alma foi gravada ali, naquela foto.

25.7.05

quero uma casa no meio do nada...

perto de um lago...

perto de um bosque...

com montanhas ao fundo...

quero paz de espírito...

e um monte de cds de heavy metal.