"esse é o seu sonho?"
"como?"
a menina olhava para o homem com um olhar de quem acabou de descobrir um grande segredo.
"esse lugar... é o seu sonho, né?"
"eu... eu não sei. como vim parar aqui"?
"ora, como todos os outros. ou vc é parte de um sonho, ou é um sonhador!"
"ah! acho que nunca fui um sonho."
"viu? eu sabia!!! estamos no seu sonho."
"hummm... e o que eu... huh... nós faremos agora?"
"não sei, o sonho é seu, ué!"
o homem olha a sua volta, tentando organizar seus pensamentos, mas a última coisa que se lembra é de ir para a cama. às 11h, como fizera todas as noites, nos últimos 27 anos. tudo aquilo era muito insólito, mas de alguma maneira, ele não sentia medo. só uma pequena confusão.
de qualquer maneira, a menina parecia estar perdendo a paciência.
"seus sonhos são sempre assim tão chatos?"
"o quê?"
"nada tá acontecendo. por que vc não sonha com princesas e dragões mágicos e cavaleiros de armadura?"
"cavaleiros? acho que realmente nunca sonhei com isso, menininha."
"humpf... que saco!"
"ei! calma."
"eu conheço um dragão! ele pode se juntar a nós, pode?"
"um dragão???"
"ééééééééé! dragão!!!! ei, dragão!!!! dragããããããããããããããããão!!!!"
o homem olha incrédulo para a menina por alguns instantes, até perceber uma sombra se formando atrás dele.
"o que vc quer?"
uma voz faz tremer o ar. o rapaz fecha os olhos, dizendo a si mesmo que aquilo devia ser uma brincadeira.
"oi, dragão! eu queria saber se vc pode ser parte do sonho desse moço aí, ó."
"hummmm... está bem... mas ele é meio franzino para um cavaleiro. e a princesa, onde está?"
o homem vira-se para trás. e a alguns passos, um enorme dragão vermelho está sentado sobre a cauda, com uma das patas sobre o joelho, apoiando o rosto.
"por deus!!!!!!"
o dragão olha assustado a sua volta:
"o que foi?"
"vc! vc é um dragão!!!"
"ah... vc é perspicaz. o que fez vc tirar essa conclusão, hein? imagino se foram as escamas vermelhas que recobrem meu corpo, ou talvez as asas... certamente não foi a minha singela cauda."
"que lugar é esse??? o que está acontecendo aqui????"
a menininha vai até os pés do dragão e olha para o homem com uma cara de quem está entediada.
"nossa, como vc é gritão."
o dragão sorri para ela. ele a pega com uma das mãos e a trás perto do seu focinho de dragão.
"ele é o dono desse sonho? acho que encontramos um daqueles meio sem imaginação."
"acho que ele está sentindo a falta da princesa. precisamos de uma princesa para ele"
"ah! eu conheço uma..."
o dragão solta um rosnado enorme, e fogo salta de sua boca, em direção aos céus. o rapaz cai ao chão, tremendo.
"olá, dragão! desculpe a demora. a droga do vestido não queria entrar de jeito nenhum. onde está meu cavaleiro?"
a princesa olhava em volta, tendo a certeza de que seus cabelos iriam brilhar à luz do sol a cada movimento. ao olhar em direção ao rapaz, ela fica um pouco decepcionada.
"é ele? ele não é meio... magrinho para ser um cavaleiro?"
a menina olha para ela com cara de brava.
"não fala assim dele!!! ele é legal. só é meio parado."
"ah... tá bem... sonho é sonho, né? só não podemos demorar, tenho que refazer minhas unhas logo"
"oba!!!! tio, eu vou ali para aquela pedra, tá? pra ver vc lutar contra o dragão para salvar a princesa!"
o homem olha desesperado para a menina.
"lutar contra o... ei! eu não quero lut..."
a princesa corre para os braços dele, que nesse momento percebe que está vestindo um armadura prateada e traz uma espada em suas mãos. a armadura incomoda bastante na parte de baixo e ele mal consegue segurar a espada. a princesa grita perto dos seus ouvidos.
"salve-me, senhor!!! esse monstro horrível destruiu minha casa, matou minha família e agora me quer! se me salvar, prometo entregar-lhe a minha mão!"
o dragão levanta-se e apoia-se nas quatro patas, rugindo ameaçadoramente e soltando labaredas enquanto aproxima-se dos dois. o rapaz fica com medo e joga a espada de qualquer maneira, em direção ao dragão. a arma cai com a ponta em cima da cauda da criatura que faz uma cara de dor.
"ei!!! não é para ser assim!!!!! vc sabia que essa espada é afiada, seu maluco???"
o rapaz não aguenta mais e grita, desesperado, enquanto afasta a princesa de si.
"chega!!! chega disso tudo! eu quero sair dessa droga de lugar agora! menininha, vc é louca! todos vcs são loucos! eu quero ir agora!!!"
- pop -
uma pequena nuvem de fumaça é tudo o que sobrou, no local onde o homem estava. os três: a menina, o dragão e a princesa se entreolham, por alguns instantes. a menina faz uma cara de desolação.
"ah... droga... de novo ele foi embora antes do sonho acabar... como ele é chato!"
"não se preocupe, pequenina, ele voltará amanhã."
"lorde sonho!"
o dragão se abaixa, numa reverência e a princesa sorri, olhando sedutoramente para o senhor do sonhar.
"princesa... creio que vc tem que participar de alguns sonhos mais adultos, ainda essa noite, não?"
"sim, milorde. com licença."
o lorde moldador olha para a pequena criança com um olhar reprovador, da cor da noite.
"dragão, dragão... vc não deveria estar guardando a entrada do meu castelo?"
"sim, milorde... voltarei nesse momento. com a sua permissão..."
"e vc, pequenina? o que fará agora?"
"hummmmm... não sei. será que o tio fiddler's green deixa eu colher flores nele???"
"provavelmente. mas seja gentil com ele, está bem?"
"tá bem, lorde sonho! beijo para o senhor."
"mande minhas saudações a ele."
"tá!"
e o homem vestido de negro olha a menina correr e começar a desaparecer na distância e ele sorri um sorriso fulgaz... quase a sombra de um sorriso.
"ele voltará amanhã... todos eles voltam na noite seguinte..."
29.11.04
16.11.04
um bom conselho
não dês língua aos teus próprios pensamentos, nem corpo aos que não forem convenientes. sê lhano, mas evita abastardares-te. o amigo comprovado, prende-o firme no coração com vínculos de ferro, mas a mão não calejes com saudares a todo instante amigos novos. foge de entrar em briga; mas, brigando, acaso, faze o competidor temer-te sempre. a todos, teu ouvido; a voz, a poucos; ouve opiniões, mas forma juízo próprio. conforme a bolsa, assim tenhas a roupa: sem fantasia; rica, mas discreta, que o traje às vezes o homem denuncia. nisso, principalmente, são pichosas as pessoas de classe e prol na frança. não emprestes nem peças emprestado; que emprestar é perder dinheiro e amigo, e o oposto embota o fio à economia. mas, sobretudo, sê a ti próprio fiel; segue-se disso, como o dia à noite, que a ninguém poderás jamais ser falso.
William Shakespeare - Hamlet
uma janela para o interior
o escritor ajeita-se na cadeira, observando o cursor piscar sobre uma tela em branco. ele suspira, tentando imaginar por que alguns dias as idéias povoam sua mente, mas recusam-se terminantemente a se transformar em histórias.
ele digita algumas palavras, mas acaba apagando-as, enquanto balança a cabeça, desaprovando tudo o que havia escrito.
ele olha pela janela. seu único contato com o mundo exterior em dias como esse e se distrai pensando em como às vezes ele parece assistir ao que se passa ao seu redor como se fosse um filme. indaga-se em silêncio se é o único a ter essa sensação perante o mundo, mas acha que no fundo ele não é tão especial assim, para ter sensações e pensamentos tão originais.
enquanto uma senhora caminha despreocupada, lá fora, o escritor se imagina como uma sombra, passando pelo mundo incólume... sendo percebido somente por pessoas com mais atenção... mas sendo esquecido instantes depois.
ele pensa em seus textos... pensa se algum deles fez mesmo sentido para os poucos que os leram... se algo que escreveu mudou algo na maneira como eles viam o mundo, mas não tem certeza disso. afinal, textos são esquecidos... palavras se perdem...
ele sorri de uma maneira um pouco sarcástica, lembrando que a melancolia não perde a menor oportunidade de se mostrar.
ele pensa na solidão que sempre sentiu, por toda a vida, mesmo quando está cercado de pessoas, ele se sente só... e pensa em como são singulares os momentos em que se sente bem com alguém. um outro sorriso... "sempre as mesmas coisas, não?" ele fala para si... "sempre acabo pensando nas mesmas coisas".
o rapaz se indaga se deve voltar a se consultar com a psiquiatra, mas só de lembrar em ter que discutir coisas muito íntimas com alguém que só está ali para receber algum dinheiro, ele se desanima.
de repente, começa a digitar... e ao invés de escrever sobre lugares fantásticos ou coisas antigas, percebe que as palavras falam dele mesmo. de como ele se sente...
ele digita algumas palavras, mas acaba apagando-as, enquanto balança a cabeça, desaprovando tudo o que havia escrito.
ele olha pela janela. seu único contato com o mundo exterior em dias como esse e se distrai pensando em como às vezes ele parece assistir ao que se passa ao seu redor como se fosse um filme. indaga-se em silêncio se é o único a ter essa sensação perante o mundo, mas acha que no fundo ele não é tão especial assim, para ter sensações e pensamentos tão originais.
enquanto uma senhora caminha despreocupada, lá fora, o escritor se imagina como uma sombra, passando pelo mundo incólume... sendo percebido somente por pessoas com mais atenção... mas sendo esquecido instantes depois.
ele pensa em seus textos... pensa se algum deles fez mesmo sentido para os poucos que os leram... se algo que escreveu mudou algo na maneira como eles viam o mundo, mas não tem certeza disso. afinal, textos são esquecidos... palavras se perdem...
ele sorri de uma maneira um pouco sarcástica, lembrando que a melancolia não perde a menor oportunidade de se mostrar.
ele pensa na solidão que sempre sentiu, por toda a vida, mesmo quando está cercado de pessoas, ele se sente só... e pensa em como são singulares os momentos em que se sente bem com alguém. um outro sorriso... "sempre as mesmas coisas, não?" ele fala para si... "sempre acabo pensando nas mesmas coisas".
o rapaz se indaga se deve voltar a se consultar com a psiquiatra, mas só de lembrar em ter que discutir coisas muito íntimas com alguém que só está ali para receber algum dinheiro, ele se desanima.
de repente, começa a digitar... e ao invés de escrever sobre lugares fantásticos ou coisas antigas, percebe que as palavras falam dele mesmo. de como ele se sente...
9.11.04
sentimento de inevitabilidade... tarde com um solzinho chato, que não trás nada de bom, pra mim... aquele gostinho de mais do mesmo, na minha boca... usando o computador e ouvindo músicas estranhas, que me levam pra longe daqui... pra longe do mundo...
o cursor na tela do computador me convida a viajar pelas letras do teclado, escrevendo coisas que são verdades até o momento em que as digito, mas que se transformam em palavras... e não podemos confiar nas palavras.
velhos sonhos me voltam a mente, vez ou outra... sonhos de outros lugares, de épocas distantes e felizes... acho que eu era feliz, quando era criança... meu mundinho era tudo o que me importava e naquela época o mundo lá de fora não forçava tanto para entrar... me sinto uma criatura tão distante daquele menino... tão cínico, triste e até um pouco patético, com suas eternas dúvidas (e agora não existem mais adultos que as respondam).
alguém já sentiu saudade de algo que não conhece? como se cura isso???
enquanto devaneio, o sol se esconde por trás de nuvens cinzentas... por um breve segundo, penso ter encontrado uma voz nos céus que me escuta... mas eu sei que os deuses tem coisas mais importantes para fazer...
no som um rapaz morto fala "vai ver é assim mesmo e vai ser assim pra sempre, vai ficando complicado e ao mesmo tempo diferente".
o cursor na tela do computador me convida a viajar pelas letras do teclado, escrevendo coisas que são verdades até o momento em que as digito, mas que se transformam em palavras... e não podemos confiar nas palavras.
velhos sonhos me voltam a mente, vez ou outra... sonhos de outros lugares, de épocas distantes e felizes... acho que eu era feliz, quando era criança... meu mundinho era tudo o que me importava e naquela época o mundo lá de fora não forçava tanto para entrar... me sinto uma criatura tão distante daquele menino... tão cínico, triste e até um pouco patético, com suas eternas dúvidas (e agora não existem mais adultos que as respondam).
alguém já sentiu saudade de algo que não conhece? como se cura isso???
enquanto devaneio, o sol se esconde por trás de nuvens cinzentas... por um breve segundo, penso ter encontrado uma voz nos céus que me escuta... mas eu sei que os deuses tem coisas mais importantes para fazer...
no som um rapaz morto fala "vai ver é assim mesmo e vai ser assim pra sempre, vai ficando complicado e ao mesmo tempo diferente".
7.11.04
30.10.04
the outlaw torn
hear me
and if i close my mind in fear
please pry it open
see me
and if my face becomes sincere
beware
hold me
and when i start to come undone
stich me together
save me
and when you see me strut
remind me of what left this outlaw torn
and if i close my mind in fear
please pry it open
see me
and if my face becomes sincere
beware
hold me
and when i start to come undone
stich me together
save me
and when you see me strut
remind me of what left this outlaw torn
28.10.04
dias cinzas
quando ando por aí em dias cinzas, eu sinto uma paz enorme... parece que o vento me acalma, me traz uma sensação boa demais...
gosto de dias cinzas!
gosto de dias cinzas!
27.10.04
scars
eu sei que essa letra é feita por uma menina... e é um tema feminino... mas é MUITO, MUITO legal:
i have scars on my body
from using myself
abusing myself
in sickness and in health
i have bruises on my body
which go away with time but remain in my mind forever
as a constant reminder of the last man i loved
loathed
left
i have the word 'truth' on my arm
because there is no room for honesty when you're a liar
i have a tattoo on the back of my neck which i cannot see
but i can feel
but i can feel
but i can
i have a tattoo on my stomach which in italian means 'the sweet life'
i have the word 'love' in flames surrounded by stars on my right wrist
because these five fingers go straight into the soul of man
i have the word 'hate' on my left wrist because the left hand is the hand of hate
and it was with this hand that cain knifed his brother
i'm right handed
maybe that's my problem
my ruin
i have scars on my body
from using myself
abusing myself
in sickness and in health
i have bruises on my body
which go away with time but remain in my mind forever
as a constant reminder of the last man i loved
loathed
left
i have the word 'truth' on my arm
because there is no room for honesty when you're a liar
i have a tattoo on the back of my neck which i cannot see
but i can feel
but i can feel
but i can
i have a tattoo on my stomach which in italian means 'the sweet life'
i have the word 'love' in flames surrounded by stars on my right wrist
because these five fingers go straight into the soul of man
i have the word 'hate' on my left wrist because the left hand is the hand of hate
and it was with this hand that cain knifed his brother
i'm right handed
maybe that's my problem
my ruin
24.10.04
sunday at night
odeio domingo à noite...
porque eu sinto esse vazio chato, todo domingo à noite?
odeio...
porque eu sinto esse vazio chato, todo domingo à noite?
odeio...
playing with fire
fire'll never lose a fight
it can be smothered but it will always come back
to burn men's contempt and show its force
to revenge the offense to this earth
wherever i go
all i see are fools
playing with the fire
wherever i hide
someone by my side
plays with the fire
noone'll never subjugate its force
the sweet dance of flames is rebel to our wills
it can purify the dirt of souls
it will help those who'll know its laws
some are too pretentious to respect
but fate'll remember all their deeds
as the cycles start they end one day
the fire will be there to laugh and play !
21.10.04
death of a king [conclusion]
quando o gigante veio em minha direção para terminar com minha vida, lembrei do rei, que estava sob ataque do traidor e um impulso de raiva fez-me desviar do primeiro golpe e acertar a cabeça dele com um elmo que estava a meu lado. quando ele perdeu o equilíbrio, ajoelhei e joguei todo o meu peso num empurrão que fez com que aquele traidor caísse no meio de uma poça de lama e sangue.
completamente perdido, olhei em volta, cansado e ferido, procurando pelos cavaleiros e vi que nossos homens estavam perdendo para os inimigos, pois haviam sido cercados longe dos lanceiros com escudos.
não achei a minha espada, então peguei a primeira arma que encontrei, ainda enfiada no corpo caído e corri, tentando me manter incólume no meio da batalha.
a chuva atrapalhava a corrida, havia lama demais, corpos demais jogados. meu braço latejava enquanto uma crosta de sangue ia se formando, no ombro e era difícil me manter concentrado. tudo o que eu conseguia pensar é que não poderíamos perder ele. não hoje, não nessa batalha e não aqui, às portas do centro do reino.
enquanto corria e tentava me manter lúcido, imagens de outros tempos passaram por mim. lembro da bretanha da minha infância, os ataques saxões, os senhores romanos que queriam manter a ordem pela força de um império que morria. pensei em minha doce esposa, em meus filhos. lembro da ordem que trouxemos às tribos. a paz mantida pela espada dos deuses.
aquilo não iria terminar. não hoje.
os traidores haviam cercado nossos cavaleiros. o rei estava à frente, como sempre. há alguns metros, o usurpador sorria, um sorriso em um rosto sem emoção.
uma pontada de medo surgiu em meu coração, quando percebi que o rei não iria mais recuar. eles estavam em menor número.
o homem que havia sido quase um irmão para mim estava com um olhar sereno. ele desceu do cavalo, caminhou alguns passos e gritou que aquilo terminaria ali, naquele dia.
de repente, o campo de batalha foi se tornando um lugar silencioso. todos pareciam ter ouvido a afirmação. alguns anos depois ouvi algumas mulheres dizendo que naquele dia, o rei havia tomado a voz do próprio bran para si.
eu estava lá e às vezes me pego pensando o mesmo. todos haviam se calado. a própria colina onde estávamos parecia ter adquirido um ar quase etéreo... como se tivéssemos atravessado a ponte que liga os mundos e nesse momento estivéssemos no reino dos antigos.
um dos traidores tentou acertar o rei, mas recebeu um golpe de espada nas costas que veio do próprio usurpador e caiu no chão, já sem vida.
o bastardo desceu do cavalo e passou o sangue que escorria da espada em seu rosto, mantendo o sorriso mortal por todo o tempo. ele parou por um momento, como se para fazer reverência ao rei e tentou golpeá-lo por entre as costelas. o rei desviou e eles iniciaram a luta.
golpe após golpe, eles se equiparavam, golpeando, desviando e golpeando novamente.
eu estava paralisado. tudo parecia ter parado. era um duelo entre gigantes e nenhum dos dois parecia vacilar um só segundo.
mas o usurpador era ardiloso. percebendo que não conseguiria vantagem sobre seu adversário, utilizou seus jogos sujos. depois de dar um golpe de cima para baixo, o guerreiro negro girou sobre seu próprio corpo e golpeou novamente, à maneira dos romanos e fez com que o rei usasse de toda a força para bloquear os dois golpes. nesse momento, o bastardo puxou uma faca fina que estava em seu cinto e a enterrou por baixo do braço do rei, que deu dois passos para trás, tentando entender o que acontecera.
depois de alguns segundos os passos do rei se tornaram vacilantes, quase como se ele houvesse ficado bêbado. só podia significar uma coisa. havia veneno na lâmina da faca. ele havia sido envenenado.
naquele momento, eu senti um calafrio percorrer meu corpo, pois o usurpador estava tentando gravar a espada na cabeça do rei. ele aguentou a força do golpe, mas caiu de joelhos. o traidor da bretanha se aproximou, mas o rei se levantou, com os olhos injetados de ódio e golpeou o inimigo três vezes seguidas, com tanta força que o traidor caiu de costas. o rei levantou novamente a espada sagrada e a empurrou com toda a força no peito do príncipe negro. a batalha havia acabado.
mas...
o rei não se movia.
o traidor havia levantado a sua espada no último momento e ela havia penetrado a armadura do rei, atravessando seu peito e saído nas costas.
os dois haviam se chocado por uma última vez. a guerra acabara. não haveria vencedores nesse dia.
e ali, por sobre aquela colina, eu chorei pela última vez...
ali nós perdemos a esperança... a bretanha perdeu seu rei...
e eu perdi um amigo.
completamente perdido, olhei em volta, cansado e ferido, procurando pelos cavaleiros e vi que nossos homens estavam perdendo para os inimigos, pois haviam sido cercados longe dos lanceiros com escudos.
não achei a minha espada, então peguei a primeira arma que encontrei, ainda enfiada no corpo caído e corri, tentando me manter incólume no meio da batalha.
a chuva atrapalhava a corrida, havia lama demais, corpos demais jogados. meu braço latejava enquanto uma crosta de sangue ia se formando, no ombro e era difícil me manter concentrado. tudo o que eu conseguia pensar é que não poderíamos perder ele. não hoje, não nessa batalha e não aqui, às portas do centro do reino.
enquanto corria e tentava me manter lúcido, imagens de outros tempos passaram por mim. lembro da bretanha da minha infância, os ataques saxões, os senhores romanos que queriam manter a ordem pela força de um império que morria. pensei em minha doce esposa, em meus filhos. lembro da ordem que trouxemos às tribos. a paz mantida pela espada dos deuses.
aquilo não iria terminar. não hoje.
os traidores haviam cercado nossos cavaleiros. o rei estava à frente, como sempre. há alguns metros, o usurpador sorria, um sorriso em um rosto sem emoção.
uma pontada de medo surgiu em meu coração, quando percebi que o rei não iria mais recuar. eles estavam em menor número.
o homem que havia sido quase um irmão para mim estava com um olhar sereno. ele desceu do cavalo, caminhou alguns passos e gritou que aquilo terminaria ali, naquele dia.
de repente, o campo de batalha foi se tornando um lugar silencioso. todos pareciam ter ouvido a afirmação. alguns anos depois ouvi algumas mulheres dizendo que naquele dia, o rei havia tomado a voz do próprio bran para si.
eu estava lá e às vezes me pego pensando o mesmo. todos haviam se calado. a própria colina onde estávamos parecia ter adquirido um ar quase etéreo... como se tivéssemos atravessado a ponte que liga os mundos e nesse momento estivéssemos no reino dos antigos.
um dos traidores tentou acertar o rei, mas recebeu um golpe de espada nas costas que veio do próprio usurpador e caiu no chão, já sem vida.
o bastardo desceu do cavalo e passou o sangue que escorria da espada em seu rosto, mantendo o sorriso mortal por todo o tempo. ele parou por um momento, como se para fazer reverência ao rei e tentou golpeá-lo por entre as costelas. o rei desviou e eles iniciaram a luta.
golpe após golpe, eles se equiparavam, golpeando, desviando e golpeando novamente.
eu estava paralisado. tudo parecia ter parado. era um duelo entre gigantes e nenhum dos dois parecia vacilar um só segundo.
mas o usurpador era ardiloso. percebendo que não conseguiria vantagem sobre seu adversário, utilizou seus jogos sujos. depois de dar um golpe de cima para baixo, o guerreiro negro girou sobre seu próprio corpo e golpeou novamente, à maneira dos romanos e fez com que o rei usasse de toda a força para bloquear os dois golpes. nesse momento, o bastardo puxou uma faca fina que estava em seu cinto e a enterrou por baixo do braço do rei, que deu dois passos para trás, tentando entender o que acontecera.
depois de alguns segundos os passos do rei se tornaram vacilantes, quase como se ele houvesse ficado bêbado. só podia significar uma coisa. havia veneno na lâmina da faca. ele havia sido envenenado.
naquele momento, eu senti um calafrio percorrer meu corpo, pois o usurpador estava tentando gravar a espada na cabeça do rei. ele aguentou a força do golpe, mas caiu de joelhos. o traidor da bretanha se aproximou, mas o rei se levantou, com os olhos injetados de ódio e golpeou o inimigo três vezes seguidas, com tanta força que o traidor caiu de costas. o rei levantou novamente a espada sagrada e a empurrou com toda a força no peito do príncipe negro. a batalha havia acabado.
mas...
o rei não se movia.
o traidor havia levantado a sua espada no último momento e ela havia penetrado a armadura do rei, atravessando seu peito e saído nas costas.
os dois haviam se chocado por uma última vez. a guerra acabara. não haveria vencedores nesse dia.
e ali, por sobre aquela colina, eu chorei pela última vez...
ali nós perdemos a esperança... a bretanha perdeu seu rei...
e eu perdi um amigo.
20.10.04
orage
sinto as primeiras gotas de chuva em meu rosto,
mornas e doces, como lembranças de amores antigos.
ouço o sussuro do vento, dizendo que você vem.
aos poucos a luz do sol se empalidece,
perdendo terreno para sua presença.
as nuvens mostram sua grandiosidade,
cobrindo o mundo, cercando-me...
abraçando-me.
os relâmpagos caem ao meu redor,
revelando suas vontades
em forma de som e fúria.
me sinto uma criança que vê o mundo pela primeira vez,
com medo, curiosidade e desejo.
ouço nos uivos dos ventos seus gemidos...
sinto as gotas de chuva escorrendo em meu rosto,
mornas e doces, como o gosto de seu corpo...
mornas e doces, como lembranças de amores antigos.
ouço o sussuro do vento, dizendo que você vem.
aos poucos a luz do sol se empalidece,
perdendo terreno para sua presença.
as nuvens mostram sua grandiosidade,
cobrindo o mundo, cercando-me...
abraçando-me.
os relâmpagos caem ao meu redor,
revelando suas vontades
em forma de som e fúria.
me sinto uma criança que vê o mundo pela primeira vez,
com medo, curiosidade e desejo.
ouço nos uivos dos ventos seus gemidos...
sinto as gotas de chuva escorrendo em meu rosto,
mornas e doces, como o gosto de seu corpo...
19.10.04
dream of icarus
eu sonho que estou voando,
liberto das amarras terrenas que oprimem meu corpo,
flutuo sem peso pelos céus.
alcanço os frutos nos topos das árvores,
acompanho o vôo das aves, que me olham curiosas,
sou seu novo irmão...
ícaro.
vejo barcos percorrerem as águas abaixo,
olho para as montanhas... cada vez menos imponentes,
olho para o sol, senhor da luz,
quero alcança-lo, quero tocá-lo...
mais e mais alto, eu desejo ser o senhor da luz...
eu sonho que estou caindo,
porque ousei sonhar, porque ousei demais,
o solo cada vez mais próximo, não há mais sol,
não há mais montanhas, ou pássaros,
somente eu e a queda,
somente eu
e meu sonho...
liberto das amarras terrenas que oprimem meu corpo,
flutuo sem peso pelos céus.
alcanço os frutos nos topos das árvores,
acompanho o vôo das aves, que me olham curiosas,
sou seu novo irmão...
ícaro.
vejo barcos percorrerem as águas abaixo,
olho para as montanhas... cada vez menos imponentes,
olho para o sol, senhor da luz,
quero alcança-lo, quero tocá-lo...
mais e mais alto, eu desejo ser o senhor da luz...
eu sonho que estou caindo,
porque ousei sonhar, porque ousei demais,
o solo cada vez mais próximo, não há mais sol,
não há mais montanhas, ou pássaros,
somente eu e a queda,
somente eu
e meu sonho...
17.10.04
dark horizons
eu estou inquieto... ansioso... de verdade... sei lá, tá parecendo que alguma coisa importante vai acontecer, mas eu não vejo nada...
vc já se sentou em um lugar alto e olhou para o horizonte, enquanto o vento traz as nuvens de chuva em sua direção e vc sente que há algo no ar... uma expectativa...
é isso que estou sentindo, hoje...
vc já se sentou em um lugar alto e olhou para o horizonte, enquanto o vento traz as nuvens de chuva em sua direção e vc sente que há algo no ar... uma expectativa...
é isso que estou sentindo, hoje...
death of a king [part 2]
ordenei aos homens que reforçassem a parede de escudos, mas meus gritos quase não podiam ser ouvidos. por entre as brechas na nossa formação vi os lanceiros inimigos descendo a colina, vindo para cima de nós como a própria fúria dos deuses. ao primeiro choque de armas, muitos dos nosso caíram diante das lanças e escudos. a chuva se tornara mais forte, fazendo com que o ar se tornasse pesado e a lama devorasse nossos pés, impedindo que pudéssemos manter o equilíbrio.
ao meu lado, um jovem, pouco mais velho que meu próprio filho recebeu o impacto de uma espada que entrara fundo em seu ombro e jogando-o para cima de mim. empurrei o garoto para o chão a tempo de desviar do golpe de uma lança. segurei o cabo da arma e puxei o traidor que a empunhava em direção a mim. com um golpe rápido, cravei a lâmina da espada em sua cabeça. o sangue espirrou em meu rosto, quando puxei a lâmina de volta e agradeci a meus anos de treinamento ao lado do próprio rei.
gritei para que os homens estocassem com as lanças por baixo, para que os inimigos que estivessem na frente caíssem, diminuindo o avanço do exército.
estávamos em menor número e em posição defensiva, mas após anos de lutas ao lado dos maiores campeões da bretanha nos fizeram confiantes. talvez até confiantes demais.
nos esquecemos que a luta não era contra os selvagens saxões e suas turbas descontroladas. o exército inimigo era formado de guerreiros que como nós passaram a vida enfrentando os inimigos da bretanha.
o bastardo usurpador havia seduzido a todos com suas promessas de riquezas, se os chefes das tribos o ajudassem a matar o rei. depois de anos sofrendo contra ataques dos saxões e pictos, os homens precisavam de uma figura que mostrasse que ainda podíamos conquistar. que o ideal de paz era um sonho de um rei louco e fraco.
numa batalha como essa, a confusão toma conta do campo em pouco tempo e os momentos iniciais são sempre os decisivos. havíamos combinado na noite anterior por usar a estratégia que dera certo em outros momentos assim. o rei e os cavaleiros iriam se afastar como se estivessem fugindo do campo de batalha, enquanto na verdade estariam dando a volta para pegar os inimigos pela lateral e criando assim duas frentes de batalha, que iriam dividir a força, dos ataques.
eles já estavam quase chegando ao largo do exército quando perceberam que foram eles mesmos as vítimas de uma emboscada. os traidores mantiveram seus cavaleiros afastados, esperando o ataque de nossa cavalaria para correr ao encontro deles.
o próprio usurpador tomava a frente do grupo inimigo, cavalgando sua montaria negra, com armadura e roupas negras, como um dos próprios filhos de scathach.
comandei meu grupo para tentar correr naquela direção, mas a batalha havia afastado muitos deles. corri sozinho, tropeçando na lama e no corpo de homens caídos, na direção do rei, mas fui interrompido por um golpe pesado em meu ombro esquerdo. o barulho produzido se transformou em uma dor profunda e na certeza de que eu não poderia mais usar aquele braço em um campo de batalha nunca mais. virei-me para encarar meu inimigo, mas um novo golpe me fez cair com a cara na lama. comecei a arrastar-me para longe, pedindo à morrigan que levasse minha vida logo.
ao meu lado, um jovem, pouco mais velho que meu próprio filho recebeu o impacto de uma espada que entrara fundo em seu ombro e jogando-o para cima de mim. empurrei o garoto para o chão a tempo de desviar do golpe de uma lança. segurei o cabo da arma e puxei o traidor que a empunhava em direção a mim. com um golpe rápido, cravei a lâmina da espada em sua cabeça. o sangue espirrou em meu rosto, quando puxei a lâmina de volta e agradeci a meus anos de treinamento ao lado do próprio rei.
gritei para que os homens estocassem com as lanças por baixo, para que os inimigos que estivessem na frente caíssem, diminuindo o avanço do exército.
estávamos em menor número e em posição defensiva, mas após anos de lutas ao lado dos maiores campeões da bretanha nos fizeram confiantes. talvez até confiantes demais.
nos esquecemos que a luta não era contra os selvagens saxões e suas turbas descontroladas. o exército inimigo era formado de guerreiros que como nós passaram a vida enfrentando os inimigos da bretanha.
o bastardo usurpador havia seduzido a todos com suas promessas de riquezas, se os chefes das tribos o ajudassem a matar o rei. depois de anos sofrendo contra ataques dos saxões e pictos, os homens precisavam de uma figura que mostrasse que ainda podíamos conquistar. que o ideal de paz era um sonho de um rei louco e fraco.
numa batalha como essa, a confusão toma conta do campo em pouco tempo e os momentos iniciais são sempre os decisivos. havíamos combinado na noite anterior por usar a estratégia que dera certo em outros momentos assim. o rei e os cavaleiros iriam se afastar como se estivessem fugindo do campo de batalha, enquanto na verdade estariam dando a volta para pegar os inimigos pela lateral e criando assim duas frentes de batalha, que iriam dividir a força, dos ataques.
eles já estavam quase chegando ao largo do exército quando perceberam que foram eles mesmos as vítimas de uma emboscada. os traidores mantiveram seus cavaleiros afastados, esperando o ataque de nossa cavalaria para correr ao encontro deles.
o próprio usurpador tomava a frente do grupo inimigo, cavalgando sua montaria negra, com armadura e roupas negras, como um dos próprios filhos de scathach.
comandei meu grupo para tentar correr naquela direção, mas a batalha havia afastado muitos deles. corri sozinho, tropeçando na lama e no corpo de homens caídos, na direção do rei, mas fui interrompido por um golpe pesado em meu ombro esquerdo. o barulho produzido se transformou em uma dor profunda e na certeza de que eu não poderia mais usar aquele braço em um campo de batalha nunca mais. virei-me para encarar meu inimigo, mas um novo golpe me fez cair com a cara na lama. comecei a arrastar-me para longe, pedindo à morrigan que levasse minha vida logo.
15.10.04
death of a king
no terceiro dia de batalha, quase não haviam mais homens sem ferimentos... os gritos e gemidos se estendiam por toda nossa linha de defesa, que agora se encontrava muito frágil, em vários lugares... as paredes de escudo não aguentariam mais uma investida dos traidores que se encontravam há alguma distância de nós, esperando...
meu braço estava roxo em alguns lugares, o escudo partia-se, num canto, mas eu estava bem, em relação a muitos dos nossos, que jaziam mortos, nessa terra maldita.
a chuva que caía sem perdão nos últimos dias transformara cada enlance da batalha numa luta feita de lama e sangue. nossos homens estavam cansados e sujos, e muitos não acreditavam que sairíamos vivos desse local.
muitos rezavam quase o tempo todo... chamavam por deuses... clamavam por sua ajuda... os druidas faziam seus encontros... mediam forças com os traidores, mostravam que os deuses estavam conosco.
eu acreditava que os deuses haviam nos abandonado há muito tempo... desde a chegada dele a esse mundo, o traidor que liderava os inimigos e fez com que muitos dos reis se virassem contra a parca união que havíamos conseguido, anos atrás...
olho para os homens e a alguns metros, percebo ele andando por entre a formação. mesmo depois de dias de batalha no meio da lama, com a armadura começando a enferrujar, ele parecia a própria encarnação dos reis antigos. seus olhos percorriam as linhas calmamente, parando de vez em quando para escutar um dos seus líderes, como se aquilo fosse a conversa mais importante do mundo, nesse momento.
nós acreditávamos nele, mesmo depois de anos, depois de suas fraquezas, ele era tudo o que nos manteve longe da barbárie dos saxões, expulsando os animais, onda após onda, desde que era apenas um menino... ele era a própria imagem da bretanha, o protetor.
alguns dos mais novos tentavam chegar perto o bastante para tocar o cabo da espada do rei, pois acreditavam que a espada havia sido abençoada pelo próprio merlin.
de repente, o rei toca a espada e olha em direção aos inimigos, com um olhar alarmado. eu também olho e vejo com terror que o traidor havia acabado de cortar a cabeça de um dos nossos druidas e a levantava em direção a nós... seu olhar sempre gelara meu coração, pois tudo o que eu reconhecia dentro daqueles olhos era o ódio por tudo o que o rei e todo o seu exército representavam.
os homens começam a gritar como loucos, imersos em um misto de raiva e medo... alguns se precipitam, correndo em direção à morte... tento manter meu grupo unido, pedindo calma.
no momento seguinte, percebo que o exército do traidor avança sobre a lama, em nossa direção. um exército de demônios.
é hora de enfrentar o destino. não haveria mais batalhas, depois dessa.
meu braço estava roxo em alguns lugares, o escudo partia-se, num canto, mas eu estava bem, em relação a muitos dos nossos, que jaziam mortos, nessa terra maldita.
a chuva que caía sem perdão nos últimos dias transformara cada enlance da batalha numa luta feita de lama e sangue. nossos homens estavam cansados e sujos, e muitos não acreditavam que sairíamos vivos desse local.
muitos rezavam quase o tempo todo... chamavam por deuses... clamavam por sua ajuda... os druidas faziam seus encontros... mediam forças com os traidores, mostravam que os deuses estavam conosco.
eu acreditava que os deuses haviam nos abandonado há muito tempo... desde a chegada dele a esse mundo, o traidor que liderava os inimigos e fez com que muitos dos reis se virassem contra a parca união que havíamos conseguido, anos atrás...
olho para os homens e a alguns metros, percebo ele andando por entre a formação. mesmo depois de dias de batalha no meio da lama, com a armadura começando a enferrujar, ele parecia a própria encarnação dos reis antigos. seus olhos percorriam as linhas calmamente, parando de vez em quando para escutar um dos seus líderes, como se aquilo fosse a conversa mais importante do mundo, nesse momento.
nós acreditávamos nele, mesmo depois de anos, depois de suas fraquezas, ele era tudo o que nos manteve longe da barbárie dos saxões, expulsando os animais, onda após onda, desde que era apenas um menino... ele era a própria imagem da bretanha, o protetor.
alguns dos mais novos tentavam chegar perto o bastante para tocar o cabo da espada do rei, pois acreditavam que a espada havia sido abençoada pelo próprio merlin.
de repente, o rei toca a espada e olha em direção aos inimigos, com um olhar alarmado. eu também olho e vejo com terror que o traidor havia acabado de cortar a cabeça de um dos nossos druidas e a levantava em direção a nós... seu olhar sempre gelara meu coração, pois tudo o que eu reconhecia dentro daqueles olhos era o ódio por tudo o que o rei e todo o seu exército representavam.
os homens começam a gritar como loucos, imersos em um misto de raiva e medo... alguns se precipitam, correndo em direção à morte... tento manter meu grupo unido, pedindo calma.
no momento seguinte, percebo que o exército do traidor avança sobre a lama, em nossa direção. um exército de demônios.
é hora de enfrentar o destino. não haveria mais batalhas, depois dessa.
14.10.04
hoje está ventando bastante... estava olhando as nuvens agora a pouco, sentindo o vento...
é engraçado, como às vezes o tempo parece exprimir os nossos sentimentos, né? hoje estou sentindo como se um vento forte estivesse passando por minha alma... levando embora muita coisa de ruim... movimentando as coisas...
ventos são sinais de mudanças... e, nossa... como preciso de mudanças, agora...
mas a maior mudança vem de dentro, né?
e essa acho que já está acontecendo.
é engraçado, como às vezes o tempo parece exprimir os nossos sentimentos, né? hoje estou sentindo como se um vento forte estivesse passando por minha alma... levando embora muita coisa de ruim... movimentando as coisas...
ventos são sinais de mudanças... e, nossa... como preciso de mudanças, agora...
mas a maior mudança vem de dentro, né?
e essa acho que já está acontecendo.
12.10.04
quoth the raven
and the raven, never flitting, still is sitting, still is sitting
on the pallid bust of pallas just above my chamber door;
and his eyes have all the seeming of a demon's that is dreaming,
and the lamp — light o'er him streaming throws his shadow on the floor;
and my soul from out that shadow that lies floating on the floor
shall be lifted — nevermore!
on the pallid bust of pallas just above my chamber door;
and his eyes have all the seeming of a demon's that is dreaming,
and the lamp — light o'er him streaming throws his shadow on the floor;
and my soul from out that shadow that lies floating on the floor
shall be lifted — nevermore!
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