5.10.04

paro embaixo do carvalho que fica perto da margem do lago e olho para as árvores, do outro lado... as folhagens de outono pintam as copas das árvores de tons de vermelho e amarelo e me lembram que logo o inverno tomará conta da floresta.
o vento traz consigo os aromas de estações passadas... acima de mim, o sol caminha-se lentamente para deitar-se no seu leito noturno...

olho para as águas refletindo os filetes de ouro que descem dos seus e penso nela...

olho para o reflexo das árvores em tons de carmim e penso em nós dois...

eu me sento sob a sombra da grande árvore e espero por ela...

1.10.04

ahhhhh... algumas vezes eu pareço uma vitrola, daquelas antigas... com um disco arranhado... sempre tocando a mesma música...

mas... afinal, é a minha música... e ainda não deu pra mudar...

o que acontece é o seguinte: eu fico o dia inteiro na boa... tudo passa, eu fico bem... brinco com as pessoas... mas quando estou sozinho, em casa, começo a pensar nas coisas que estão erradas... comigo, com as pessoas, com tudo... e fico me sentindo sozinho pra caramba...

shit... alguém tem uma fórmula para parar de pensar????

30.9.04

the hunting... [part 2]

os olhos dele eram como estrelas belas e antigas, numa noite sem lua.
a garota procurou se esquecer daquele rosto... dos olhos, mas enquanto dançava, a imagem dele parecia estar impressa em sua mente.
por fim a música terminou e ela decidiu sair da pista, caminhando para a mesa de seus amigos, ainda intrigada com aquilo tudo. nunca havia se sentido assim, antes. afinal, fora aquele olhar, o estranho parecia ser apenas mais um daqueles jovens perdidos que estavam ali.
de repente, ele estava ali, na frente dela.
ela olhou, assustada... não o reconheceria, se não fosse aquele olhar.
ele não disse uma palavra... foi vagarosamente passando suas mãos pelos braços dela, um carinho suave, subindo até que a sua mão tocasse o rosto atônito da garota.
o toque dele foi suave e fez com que ela tremesse um pouco de medo e desejo. ela não costumava chegar perto de estranhos, mas simplesmente não conseguia se afastar dele. agora, a poucos centímetros de distância, podia perceber que o rosto do homem era mais pálido do que imaginava, de feições angelicais... que eram completadas pelo par de olhos castanhos que a fitavam incessantemente. ela sentiu que aqueles olhos poderiam observá-la pela eternidade. ela se sentiu entregue, todos os seus segredos estavam abertos a ele... todos os seus desejos.
"venha", a voz disse... um sussuro, quase, mas ainda assim, apesar da música que preenchia o ambiente, ela o ouviu... era tudo o que ela ouvia, agora.
eles caminharam para fora. a menina sentia um fogo ader dentro de si, ansiosa, só conseguia pensar em pecado e naquele homem.
ele a levou até uma esquina escura... segurou-a pela cintura. ela se sentia inteira dele... os lábios do homem tocaram gentilmente os dela... a pressão aumentando... as línguas se tocando, entrelaçando-se. ela se sentia pequena diante dele... desejava suas mãos, sua boca, seu corpo penetrando as partes mais íntimas de sua alma...
ela se sentiu como uma criança, que observa a noite... como a corsa que observa o tigre que caça...
os lábios dele percorreram a pele trêmula dela, instigando, procurando.
"você é minha."
"sim!"
de repente, uma dor profunda no pescoço a fez gemer... a onda de horror e prazer que percorreu sua carne a fez gemer...
"o quê?"
ela não conseguia mexer... uma das mãos segurava gentil, mas firmemente seu corpo, trazendo-o para próximo de si, um abraço doce, mas mortal. a outra mão tocava seu seio, sentindo a pulsação de seu coração.
ela percebeu o que acontecia e teve, por um segundo, vontade de correr, de gritar... mas ela sentia um prazer que não conseguia descrever na situação... como se fosse para isso que ela existia... sim... ela se sentia dele.
um filete fino de sangue descia do pescoço, no lugar onde o homem parecia estar beijando... ele sorvia o líquido como um amante apaixonado.
a garota sentia as forças irem embora, naquele abraço mortal e quase orgásmico... ela não poderia se afastar dele... nem desejava mais isso... ela só queria se entregar, entregar seu corpo, seu sangue, sua alma...
a última coisa da qual ela se lembra é a visão de duas estrelas antigas, queimando com um novo fogo interno... ou seriam dois olhos observando-a.
não importa... agora tudo se acabou...

the hunting...

ela gosta de se vestir assim. preto quase o tempo todo. ela e todos os seus amigos se vestem desse jeito. "a tribo da noite", eles se autodenominam. crianças, mal saídas da adolescência, mas que carregam nos ombros o peso da dor e do sofrimento do mundo.
"como ficar atônito a todas as coisas erradas que existem no mundo"? ela sempre diz.
por isso ela age como se não pertencesse a esse lugar. roupas negras, olheiras por sempre dormir pouco e passeios noturnos por cemitérios "os mortos encontraram a paz, pois descobriram a maneira de escapar dessa realidade, por isso devemos viver entre eles, para aprender suas lições".
ela pensa em como gosta do toque do couro contra seu corpo pálido, enquanto calça as suas botas. o contraste entre o tom de pele e as roupas faz com que ela pareça um ser etéreo, uma visão.
as olheiras são acentuadas com uma sombra escura... o negro de sua íris é uma ilha no mar branco dos olhos.
alguns minutos depois ela encontra sua turma. inusitado é o que de mínimo se pode achar, do visual de todos. seu melhor amigo está ali, vestido com uma roupa colante, que o deixa com um ar andrógino. proposital, é claro... eles se acham acima de definições de sexo.
eles imaginam o que vão fazer. é meia-noite, mas a vida apenas começou... eles decidem ir até o clube que gostam de frequentar... dizem que haverá alguns shows interessantes, por lá...
a garota se anima, enquanto eles falam sobre filmes antigos e revistas em quadrinhos...
o local está começando a encher... ela se encaminha à mesa onde eles sempre ficam (em um dos cantos escuros, onde eles podem fazer coisas que normalmente não fariam na frente de outras pessoas) e pede uma bebida... absinto, como sempre.
ela observa as pessoas... e se sente um pouco perdida, ali... ela gosta daquilo... mas ela se sente sempre estranha, quando começa a observar... ela pensa em sua vida, no sentido da sua vida... e não vê muita perspectiva.
graças aos deuses, a bebida chega... ela toma a primeira dose, imaginando o efeito da bebida descendo por seu corpo e acordando partes quase mortas de sua alma.
"ei! vamos dançar?"
ela sorri e caminha para a pista, onde duas meninas dançam juntas, quase obscenamente, mas ainda assim, de alguma forma, é bonito...
ela percebe a música devagar, tocando seu corpo, tomando-a... a sensação de dor na alma que a acompanha em quase todo lugar começa a sumir e é substituída pela vontade da música...
ela é a música...
viva... ela se sente viva enquanto dança...
depois de alguns minutos, logo após a primeir amúsica terminar, ela sente um calor estranho... a sensação de que está sendo observada... sem deixar a pista, ela gira devagar, procurando...
ela então vê... a alguns metros de distância, fora da pista, alguém está olhando para ela.
um homem, que parece ser só um pouco mais velha que ela está parado, logo ali... seus olhar fixo nela... e os olhos... ela não consegue definir, mas há algo nos olhos...
[continua...]

28.9.04

cats are just weird

estava olhando a minha gata, ontem...

cheguei a uma conclusão:

gatos definitivamente sabem muito mais do que eles geralmente dizem...

suspense

semana que vem eu irei a s. paulo para fazer uma apresentação de um projeto...

não dá pra esconder que estou ansioso para isso... mas também dá um certo nervosismo, quando penso que vai ter um auditório lotado, olhando para mim...

well... seja o que os deuses quiserem...

hell

bom... parece que o sol reclama seu lugar, no rio de janeiro...

eu odeio esse calor... e acho estranhas, as pessoas que ficam assim:
- odeio o frio... eu gosto é de calor...

mas quando chega o calor do rio:
- esse calor me faz passar mal!

tsc... nem sabem o que querem...


24.9.04

there is not a sense in living...

just a sense of living...

something in me

há algo em mim que incomoda.

uma sensação ruim, um sentimento de vazio.

sei que preciso ficar forte, mas em alguns momentos, tudo o que eu queria é alguém para cuidar de mim.

é um pouco triste, às vezes, a maneira como me sinto sozinho quase o dia todo... mesmo às vezes estando cercado de pessoas. sei que é um pouco complicado entender isso, mas é o que acontece. pelo menos comigo.

às vezes eu gostaria de acordar um dia e nunca mais sentir isso... nada de vazio... nada de sentir uma sensação de perda de algo que nem eu sei bem o que é.

mas às vezes eu paro e penso que é exatamente quando me encontro assim que eu me sinto mais sensível... mais em contato comigo mesmo...

a dualidade desse tipo de sentimento é muito ruim... mas é real.

MESMO!

eu tento me imaginar sem sentir todas as coisas estranhas que sinto o tempo todo, mas eu não gosto muito do que vejo...

é uma sina... e nem é uma das pesadas... mas eu ainda não aprendi a conviver com ela.

um dia, marcio... um dia...

23.9.04

poema romântico

almadiçoada noite que te trouxe ao mundo
mulher de coração negro,
alma fria como o mármore do túmulo.

como ousa roubar meu coração
e jogá-lo para as feras do desejo
que o tomam em suas garras
e imaginam um sem-número de torturas.

criatura da noite,
tomou meu corpo para si,
prometeu satisfazer todos os desejos
da carne mortal que encerra minha vida.

senhora do mal,
dama negra,
que com um ato apenas
me condenou a viver a morte em vida.

como ousa, mulher?
prometeu-me o paraíso na terra,
mas é apenas o inferno que sinto
em meu peito.

seu presente final é o mais cruel
uma lápide, um anjo de pedra é tudo o que deixou...

e o vazio em meu peito.

advice

se vc se sente sozinho quando a escuridão chega e fecha-se nas sombras de seu quarto, esperando que a a dor termine logo, um conselho:


get a life!!!

filho da terra e do céu...

às vezes (e não têm sido poucas) me sinto como se não pertencesse mesmo a esse lugar... me sinto distante de tanta coisa, distante de certos tipos de comportamentos, de ações...

mas ao mesmo tempo, tenho desejos, ambições e sonhos que todos os homens têm...

odeio ter que pensar que vou trabalhar na mesma profissão o resto da minha vida... que vou ter que agir da mesma maneira frente às pessoas da mesma maneira o resto da minha vida... às vezes fico me sentindo como se estivesse apenas esperando o relógio dar sua badalada final...

mas também sinto o desejo de ver mais do mundo, de compartilhar experiências e de sentir paixão por fazer coisas especiais...

eu não sei se alguém vai entender... mas para mim às vezes é difícil manter minha conexão com as coisas do mundo... eu sei que é um defeito meu... mas às vezes é isso mesmo que sinto...

20.9.04

lições

uma navalha corta fundo a carne... mas nada dilacera a alma tanto quanto um amor perdido...

sonhos...

fecho os olhos e me transporto para outro lugar... outro mundo, em uma época onde tudo é mais simples.

sinto a brisa do final de verão, com aromas que me trazem uma nostalgia tremenda... caminho por campos verdes, observando os antigos montes onde, dizem, encontram-se caminhos antigos para o reino dos deuses.

o sol da tarde toca as construções de pedra dos antigos, tingindo o cinza com tons de um vermelho triste e ao mesmo tempo bonito.

caminho em direção à floresta, escutando o som dos animais e vendo as oferendas do povo para os seres mágicos que ali vivem.

as sombras sempre em movimento formadas pelas árvores dão à paisagem um misticismo... sinto o toque dos deuses em mim, me levando a caminhar em direção ao coração daquele lugar.

de repente, a minha frente, uma clareira se abre por entre as árvores e vejo um lago antigo, escondido ali.

caminho em direção às águas e sinto em toda a sua extensão a força daquele lugar... é como se as vozes de antigos moradores da floresta me acolhessem.

olho para as pequenas ondas formadas nas pedras e penso em guerreiros antigos, indo depositar suas espadas nas águas do lago, esperando que elas precedessem sua entrada no reino dos mortos...

me deito aos pés de um carvalho e fecho novamente meus olhos, tentando tornar todo aquele sonho em realidade...

living in a large world

cansei de agir como se fosse vítima de tudo...

quero fazer coisas... quero ver lugares e conhecer pessoas especiais...

quero conquistar o mundo... pelo menos o meu mundo.

19.9.04

back...

oi... estou de volta... ainda sem muito para falar, mas pelo menos estou por aqui, não é?

e ouvindo say a little prayer... (sorriso)


15.9.04

eu devo parecer a criatura mais estranha do mundo...

quando vou para o trabalho, ou volto para casa... eu me sento num banco do ônibus e fico lá, no meu canto, ouvindo walkman, ou lendo um livro, ou uma revista...

eu sou assim... é o meu jeito de ser...

e não é porque eu não gosto de me misturar não... é porque eu já tentei me misturar um monte de vezes e nunca me encontrei... e acabava frustrado, no final... me sentindo mais sozinho ainda, porque eu havia me esforçado e tinha dado tudo errado...

mas hoje eu vejo que eu também preciso de outras pessoas... preciso ver caras novas... preciso sentir que existem mais pessoas no mundo que se importam com as mesmas coisas que eu... que gostam de coisas que eu gosto...

eu preciso aprender a conviver com esse vazio que sinto na alma... porque eu acho que isso não tem cura... e que preciso aprender a conviver com isso...

preciso aprender também a conviver com a intensidade com que sinto as coisas...

eu sei que vai parecer que estou inventando... mas algumas vezes, eu sinto tanto, algumas coisas, que chega a doer...

e... acho que fiquei um pouco viciado nisso, sabe? sentir essa dorzinha... porque ela é intensa... e é única...

mas isso não faz bem... e eu preciso mesmo aprender a conviver com isso...

ah... palavras, palavras... será que alguém que lê isso aqui entende algo do que escrevo???

tic, tac...

sentada na cama, ela tenta olhar para a escuridão, mas de alguma forma, a escuridão olha de volta.

o único som no quarto é a batida do relógio.

tic, tac.

ela segura o choro, como fez nos últimos meses, guardando dentro de si tudo o que sente.. ela pensa em todas as noites que passou sozinha naquele quarto, enquanto seus sonhos eram dissolvidos, um a um, junto com a substância que ela injetava em seu corpo para acabar com a dor.

no escuro, ela procura um objeto tão familiar. o canivete que ela ganhou do pai... quando mesmo? parecia ter sido uma vida passada.

ela passa os dedos pela lâmina, sentindo um resto de líquido, ainda ali.

o mesmo líquido que se espalha agora por seu colo.

o líquido que sai das aberturas em seu pulso.

ela não sente medo ou dor. ela só procura alívio de tudo.

sentada no escuro, ela espera e escuta as batidas do relógio.

tic, tac.

tic, tac.

tic, tac...

odeio política

e odeio eleição para prefeito... é como se a cada ano de eleição eu visse clones dos mesmos candidatos... cara... quando vamos aprender que precisamos mudar as coisas... precisamos muito...

vc olha para a sua cidade, alguns meses antes da eleição e vê obras e mais obras acontecendo...

putz... eu acho isso ridículo...

todo mundo acha que o povo é idiota... mas o pior é que não existe mesmo ninguém diferente em quem votar...

e existem algumas ironias, né...

acho que todo mundo conhece o lindberg, né? aquele da une...

ele quer ser prefeito de nova iguaçu!!!! e pior é que tem boa chance disso...

mas... ele não é de nova iguaçu... não mora aqui... nunca visitou aqui, antes desse ano...

what the hell is happening????????

ah... whatever...

não acredito mais em política brasileira... de verdade... nós já institucionalizamos a corrupção...

as pessoas votam naquele que "rouba, mas faz..."

eu acho isso ridículo... vou achar sempre...

hello... are you there???

eu quero tomar chopp e jogar conversa fora sobre coisas legais...

quero entrar numa loja de quadrinhos e comentar sobre tudo o que existir de legal por lá...

quero poder sentar em um local e ficar olhando as estrelas, sem ter que me explicar porque isso...

quero poder passar a noite escutando música legal, bebendo vinho barato e filosofando sobre o movimento dos planetas...

quero poder ir no cinema, comentar sobre o filme e não receber olhares estranhos...

alguém se habilita à vaga de amigo??????

(sorriso)