o mundo é tão grande.
tenho 5 sentidos.
às vezes isso é tão pouco.
17.7.07
a pequena menina dorme no banco da praça.
os cabelos claros, sujos e endurecidos caem sobre o rosto.
o corpo franzino e pequeno se dobra em posição fetal.
as roupas brancas estão encardidas, rasgadas, amassadas.
as pessoas passam em volta, perdidas em seus próprios mundos.
e não percebem, nas costas da menina, um pequeno par de asas.
os cabelos claros, sujos e endurecidos caem sobre o rosto.
o corpo franzino e pequeno se dobra em posição fetal.
as roupas brancas estão encardidas, rasgadas, amassadas.
as pessoas passam em volta, perdidas em seus próprios mundos.
e não percebem, nas costas da menina, um pequeno par de asas.
15.7.07
um choro
ele se senta no beiral do prédio. o vento sopra as nuvens em direção ao horizonte e os sons da cidade são apenas murmúrios.
ele lembra dela.
o verão que passaram juntos. os segredos trocados embaixo dos lencóis. lembra do sorriso dela, que parecia iluminar a sala inteira. o beijo doce e suave.
ele pensa no silêncio dos olhares apaixonados.
lembra do calor do corpo dela. lembra do olhar silencioso e calmo.
a noite cai aos poucos. as luzes se acendem. a cidade não quer a escuridão.
ele lembra da noite do acidente.
lembra de apertar a mão dela. lembra de sentir a mão afrouxar.
ele pensa no dia do funeral. sente novamente a dor de se despedir de alguém que não deveria ter ido.
ele olha para as ruas. as lágrimas são levadas pelo vento.
é tão fácil se deixar ir. um pequeno empurrão.
terminar tudo.
então ele ouve o choro. ao seu lado, um pequeno rádio, conectado ao quarto da menina.
ela precisa dele.
ele precisa mais ainda dela.
ele lembra dela.
o verão que passaram juntos. os segredos trocados embaixo dos lencóis. lembra do sorriso dela, que parecia iluminar a sala inteira. o beijo doce e suave.
ele pensa no silêncio dos olhares apaixonados.
lembra do calor do corpo dela. lembra do olhar silencioso e calmo.
a noite cai aos poucos. as luzes se acendem. a cidade não quer a escuridão.
ele lembra da noite do acidente.
lembra de apertar a mão dela. lembra de sentir a mão afrouxar.
ele pensa no dia do funeral. sente novamente a dor de se despedir de alguém que não deveria ter ido.
ele olha para as ruas. as lágrimas são levadas pelo vento.
é tão fácil se deixar ir. um pequeno empurrão.
terminar tudo.
então ele ouve o choro. ao seu lado, um pequeno rádio, conectado ao quarto da menina.
ela precisa dele.
ele precisa mais ainda dela.
tatuagem
as linhas se desenham aos poucos, sinuosas pelas costas, pelas pernas.
as pernas se enroscam quentes em volta do corpo.
o corpo se move, em meio a gemidos e suor.
o suor escorre pelo rosto, pelo pescoço.
em curvas sinuosas, pelas costas, pelas pernas.
feito as linhas da tatuagem.
as pernas se enroscam quentes em volta do corpo.
o corpo se move, em meio a gemidos e suor.
o suor escorre pelo rosto, pelo pescoço.
em curvas sinuosas, pelas costas, pelas pernas.
feito as linhas da tatuagem.
luz
o sol brilha em todas as coisas. a luz amarela e quente se espalha pelo ar.
a luz, dizem, é símbolo da verdade. porque a luz nos faz enxergar o mundo.
ainda assim.
ainda assim, o sol faz meus olhos doerem.
(what heals me, kills me)
lembro das manhãs de inverno da minha infância. minha mãe me obrigava a ficar sentado ao sol, por causa da bronquite.
lembro que eu não gostava nada, porque tinha que ficar parado, ali.
o mundo é engraçado.
a luz, dizem, é símbolo da verdade. porque a luz nos faz enxergar o mundo.
ainda assim.
ainda assim, o sol faz meus olhos doerem.
(what heals me, kills me)
lembro das manhãs de inverno da minha infância. minha mãe me obrigava a ficar sentado ao sol, por causa da bronquite.
lembro que eu não gostava nada, porque tinha que ficar parado, ali.
o mundo é engraçado.
12.7.07
há um jardim além do reino dos meus pensamentos.
só consigo alcança-lo em meus sonhos.
é um jardim escondido. lá não há pessoas.
o lugar é antigo.
mais antigo que tudo, acredito.
as plantas e flores crescem naturalmente, em seu ritmo invisível.
o silêncio do jardim só é quebrado pelo som de meus próprios passos.
no centro desse jardim antigo há um banco de pedra, que é iluminado por uma lua eternamente prateada.
é nesse banco que descanso o corpo e a alma.
só consigo alcança-lo em meus sonhos.
é um jardim escondido. lá não há pessoas.
o lugar é antigo.
mais antigo que tudo, acredito.
as plantas e flores crescem naturalmente, em seu ritmo invisível.
o silêncio do jardim só é quebrado pelo som de meus próprios passos.
no centro desse jardim antigo há um banco de pedra, que é iluminado por uma lua eternamente prateada.
é nesse banco que descanso o corpo e a alma.
ele olha em direção à chama. não pode evitar, é a natureza dele.
o fogo parece dançar ao som de uma música inaudível. o homem é fascinado pela dança.
ele sabe o quanto o fogo é traiçoeiro.
ele sabe o quanto a carne é frágil ao toque do fogo.
mas ele sabe, de uma forma íntima demais para explicar, que ele precisa da luz trêmula e do calor febril.
a chama dança. sinuosa e lânguida.
o homem observa e deseja.
o fogo parece dançar ao som de uma música inaudível. o homem é fascinado pela dança.
ele sabe o quanto o fogo é traiçoeiro.
ele sabe o quanto a carne é frágil ao toque do fogo.
mas ele sabe, de uma forma íntima demais para explicar, que ele precisa da luz trêmula e do calor febril.
a chama dança. sinuosa e lânguida.
o homem observa e deseja.
10.7.07
o silêncio oprime.
as últimas estrelas se escondendo no horizonte me lembram que logo precisarei colocar novamente a fantasia do personagem que irei representar amanhã.
eu sou um contador de histórias.
não. sou o libertador de histórias.
prisioneiras da mente, elas imploram por ganhar o mundo. quando fecho os olhos, posso vê-las.
todas elas.
algumas me assustam.
mas preciso libertá-las.
é nosso trato.
eu as liberto e elas levam consigo um pouco da dor.
rogo pelo dia em que todas irão embora e no fim sobre apenas eu.
e o silêncio.
as últimas estrelas se escondendo no horizonte me lembram que logo precisarei colocar novamente a fantasia do personagem que irei representar amanhã.
eu sou um contador de histórias.
não. sou o libertador de histórias.
prisioneiras da mente, elas imploram por ganhar o mundo. quando fecho os olhos, posso vê-las.
todas elas.
algumas me assustam.
mas preciso libertá-las.
é nosso trato.
eu as liberto e elas levam consigo um pouco da dor.
rogo pelo dia em que todas irão embora e no fim sobre apenas eu.
e o silêncio.
8.7.07
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