24.3.07

sagrada blasfêmia

quero provar de novo seu corpo. o gosto nunca me saiu da cabeça.

meus dentes arranhando a pele, enquanto a língua brincava alucinada, sentindo cada porção de pele.

penso em seu sangue, sempre, sempre, quando olho para as veias sobressaltando-se na pele clara do seu braço.

penso no vermelho. penso no gotejar lento e interminável.

seu corpo

seu sangue

quero comungar com você.
há um mundo estrangeiro a minha espera.

eu sempre soube que não estava preso a um lugar.

estranha sensação de perceber que se é menor e maior do que se imaginava.

tudo ao mesmo tempo.
gosto dos seus cabelos coloridos...

arte

não escrevo poesias,
sou vítima delas.
insinuam-se, obscenas,
cheias de curvas,
parábolas,
hipérboles,
metáforas à mostra.

figuras de linguagem
me seduzem

não escrevo contos,
eles me são entregues em sonhos
por deuses antigos.
encontro-os em antiquários,
escavo-os de antigas pirâmides.

não há um único texto em mim que seja meu
esqueço-os assim que os transporto para o mundo.
psicografados,
teletransportados,
imaginados.

não há uma única verdade em mim que seja absoluta
somente a absoluta falta de verdades.

as palavras brincam ao meu redor,
eu as absorvo

regurgito poemas disformes
contos órfãos com bocas famintas
de leitores.

17.3.07

changes

still don’t know what i was waiting for
and my time was running wild
a million dead-end streets and
every time i thought i’d got it made
it seemed the taste was not so sweet
so i turned myself to face me
but i’ve never caught a glimpse
of how the others must see the faker
i’m much too fast to take that test

ch-ch-ch-ch-changes
(turn and face the strain)
ch-ch-changes
don’t want to be a richer man
ch-ch-ch-ch-changes
(turn and face the strain)
ch-ch-changes
just gonna have to be a different man
time may change me
but i can’t trace time

i watch the ripples change their size
but never leave the stream
of warm impermanence
so the days float through my eyes
but still the days seem the same
and these children that you spit on
as they try to change their worlds
are immune to your consultations
they’re quite aware of what they’re going through

ch-ch-ch-ch-changes
(turn and face the strain)
ch-ch-changes
don’t tell them to grow up and out of it
ch-ch-ch-ch-changes
(turn and face the strain)
ch-ch-changes
where’s your shame
you’ve left us up to our necks in it
time may change me
but you can’t trace time

strange fascination, fascinating me
ah changes are taking the pace i’m going through

ch-ch-ch-ch-changes
(turn and face the strain)
ch-ch-changes
oh, look out you rock’n rollers
ch-ch-ch-ch-changes
(turn and face the strain)
ch-ch-changes
pretty soon now youre gonna get a little older
time may change me
but i can’t trace time
i said that time may change me
but i can’t trace time

david bowie - changes

13.3.07

a bondade é um ato anti-natural.
o pequeno zé tinha um balão vermelho.

a mãe o observava, sentada no banco da praça.

o garoto sorria, brincando com o cordão que o ligava ao balão. o pequeno zé corria e via o balão flutuar meio solto, meio preso atrás dele.

a pedra se interpôs entre o menino e sua corrida.

o menino caiu... o balão fugiu e subiu...

o menino chorou, enquanto via um ponto vermelho cada vez menor flutuar e desaparecer no céu.

o pequeno zé cresceu.

um dia, ensinaram a ele que a terra, o lugar onde ele e todo mundo morava, era como uma enorme bola que flutuava no espaço.

zé pensou que em algum lugar havia um menino triste, por ter deixado o mundo escapar...

encontros

ela chora ao telefone.

confusa, sem esperanças, fragilizada.

ele escuta o choro, as lágrimas parecem machucá-lo, abrindo um caminho até o seu coração.

ele a ama.

mas não sabe o que fazer.

ela diz que se odeia. ele pede para que ela não vá embora.

ela está perdida.

ele não sabe quem é.

ainda assim, eles precisam demais um do outro.
a luz entra pelas frestas da janela do prédio.

pequenos tijolos quadriculados filtram a luz, como milhares de olhos de insetos.

o mundo chega a mim fragmentado.

ainda assim, alguns dias ele parece grande demais.

busca

há algo perdido no mundo. sinto a falta dessa coisa. dessa coisa que não consigo nomear, mas que eu sei que deveria existir.

vivi a vida a procurar uma resposta para esse sentimento.

pensei estar louco algumas vezes. pensei estar próximo algumas vezes.

desejei que a resposta fosse alguém. busquei a resposta em braços e camas diferentes.

mas no fim da noite o silêncio me mantinha acordado.

o sentimento se tornou vazio. o vazio, desespero.

o desespero me levou ao mais fundo e mais escuro poço.

acho que de algum modo doentio, acreditei que lá haveria alguma resposta.

gastei minha juventude na busca.

tornei-me homem.

cínico.

me afastei de todos.

me afastei do mundo.

contemplei o vazio incomensurável do universo.

um universo de vazios.

um espelho de mim.

8.3.07

sinto saudade de você o tempo todo...

é bom te ver...

um calor gostoso pelo corpo...

os últimos dias têm sido de um frio estranho...

me esquenta? por favor?

nada

alguém me faça escrever algo bom...

de volta

post demorado pra sair...

eu estou meio que num exílio auto imposto da internet... não tenho certeza se quero voltar... enfim... estamos conversando.

mas eu estou com vontade de escrever, apesar de estar me sentindo muitíssimo estranho por dentro.

27.2.07

onde encontro o botão "verão off"???
e na escuridão, percebo o olhar em minha direção.

duas chamas, ardendo de inveja e cobiça.

aqueles olhos desejam destruir cada coisa que construo.

só assim "ele" se sente realizado

eu observo o brilho daquele olhar, reconhecendo a imagem que vejo

através do espelho.

amor sem regras

quero que você me mostre o mundo,
o seu mundo,
com seus olhos.

quero que me ensine que além do negro véu
existem cores novas,
excitantes.

deixa eu aprender sobre você.
deixa eu conhecer você,
desvendar o segredo que vive em seus olhos

me liberta da carne,
me tira o juízo,
toma minha alma.


deixa eu descobrir
a nudez do seu corpo
e te envolver em um manto de prazer.

ajude-me,
destrua-me,
recria cada conceito meu.

quero ser seu,
só seu,
e te quero minha,
toda minha,
multiplamente minha.

traz a esperança de volta
na pequena forma
que se aninha em seus braços.

expurgue cada dor de mim.

abençoe cada gemido de prazer.

eu quero tudo:
todos os sonhos,
todos os desejos,
de você
com você
para você.

casa comigo.

apaixone-se um pouco a cada dia.

deixa sua alma nadar na minha.

pois eu amo!

sim, eu amo!

como amo...

26.2.07

adoro quando você faz barulhos imitando uma gatinha. (sorriso)
estou me sentindo só e cansado.

deixa eu encostar a cabeça no seu colo e descansar?

viver às vezes é uma tarefa muito grande.

é preciso continuar... mas é difícil...

simples

estou com medo de algumas coisas, hoje.

vontade de passar a mão pelo seu cabelo, fazendo carinho de leve. vontade de olhar para você enquanto faz qualquer coisa, só pelo prazer de saber que você está por perto.

desejo de beijar a sua boca docemente, um milhão de beijos, até você ter sono e dormir com jeito de criança.

estou um pouco triste. triste de saudade, triste por não saber o que fazer, triste por só poder esperar, agora.

por que o simples é tão complicado de alcançar?