ela acorda assustada.
na penumbra ela procura localizar-se. não conhece o quarto, mas parece ser um quarto genérico de hotel. em volta do seu corpo, um braço desconhecido descansa.
a jovem tenta se lembrar de como foi parar ali, mas a dor de cabeça intensa afasta qualquer possibilidade de explicação.
a nudez indolente do homem ao seu lado e um gosto salgado em sua boca a fazem imaginar o que teria acontecido.
ela se sente envergonhada. lembra de outras camas em outros hotéis. outras noites passadas na companhia de um estranho.
lembra do garoto que ela deixou em casa. provavelmente estaria dormindo. seu coração aperta em saber que ele está sozinho e que a culpa é só dela.
de repente, o braço à sua volta parece apertar mais. as paredes do quarto parecem se aproximar, fechando-se ao seu redor. respirar é difícil demais. ela precisa sair.
a dor de cabeça parece diminuir quando ela sai na rua. nas mãos um maço de cigarros roubado do casaco do homem. ele nem mesmo percebeu que ela saiu do quarto.
cambaleando, ela atravessa ruas, em direção à sua casa.
a fumaça do cigarro não preenche o enorme vazio que há em seu peito.
em um bar, um homem olha para o nada, segurando um copo. ele não está bêbado. gostaria, mas não tem coragem de fazer nem mesmo isso.
"hoje ela faria 35", ele pensa. em sua cabeça, imagens de um passado que parece quase inexistente dançam.
sonhou com ela novamente, mais cedo. acordara tremendo, na cama.
fugiu de sua própria casa, como sempre fazia quando a dor era forte demais. caminhou respirando o ar da noite. prostitutas lhe ofereciam alívio. ele as recusava.
o alívio que elas ofereciam nunca lhe foi suficiente.
ele toma o último gole e levanta-se. o ar noturno está frio e sombras passam, cobertas em casacos pesados.
ele caminha sem saber onde chegar.
ela e ele se cruzam. por um instante ,se olham.
e por um instante, é como se os dois se reconhecessem.
os olhares se afastam.
mas uma lembrança desse momento os seguirá.
20.12.06
19.12.06
acid mode on?
e ainda assim, adoro ficar deitado do seu lado, vendo filme.
ali parece o lugar perfeito...
como vc faz isso, hein?
ali parece o lugar perfeito...
como vc faz isso, hein?
acid mode on III
sim, eu gosto de facas.
e de sangue.
e de ler sobre coisas que ninguém mais parece gostar.
e de ver filmes estranhos.
e desenhar sempre as mesmas coisas.
e de fotografar coisas que só eu entendo.
não. eu não sou igual a ninguém que você conhece.
eu nem sou uma pessoa.
sou só eu.
ainda estou tentando descobrir o que isso significa.
e de sangue.
e de ler sobre coisas que ninguém mais parece gostar.
e de ver filmes estranhos.
e desenhar sempre as mesmas coisas.
e de fotografar coisas que só eu entendo.
não. eu não sou igual a ninguém que você conhece.
eu nem sou uma pessoa.
sou só eu.
ainda estou tentando descobrir o que isso significa.
acid mode on II
não, eu não amo o rio.
acho que não amo lugar nenhum no mundo.
ainda assim quero ver tudo.
vai que eu estou errado, né?
acho que não amo lugar nenhum no mundo.
ainda assim quero ver tudo.
vai que eu estou errado, né?
acid mode on
pensamentos são tão preciosos.
por que insistem em desgastar todos eles, transformando-os em conversas entediantes?
que os guardem até que valham a pena.
por que insistem em desgastar todos eles, transformando-os em conversas entediantes?
que os guardem até que valham a pena.
procura-se
procuro um texto perdido.
a última vez que foi visto, estava na cabeça de um certo escritor. desapareceu quando fazia o caminho da cabeça para o papel.
boa remuneração a quem encontrá-lo.
a última vez que foi visto, estava na cabeça de um certo escritor. desapareceu quando fazia o caminho da cabeça para o papel.
boa remuneração a quem encontrá-lo.
pra vc...
ele olha para um mundo que lhe parece cinza...
pessoas cinzas caminham por um asfalto cinza. carros cinzas param em sinais onde luzes cinzas alternam-se.
prédios cinzas tocam um céu cinza.
árvores de folhas cinzas balançam ao sabor de um vento cinza.
eu visto roupas cinzas.
de repente, você entrou na minha vida e de repente eu vejo cores.
pessoas cinzas caminham por um asfalto cinza. carros cinzas param em sinais onde luzes cinzas alternam-se.
prédios cinzas tocam um céu cinza.
árvores de folhas cinzas balançam ao sabor de um vento cinza.
eu visto roupas cinzas.
de repente, você entrou na minha vida e de repente eu vejo cores.
é estranho e difícil pensar em ir aos poucos.
eu sempre quis tudo de uma vez. sempre.
nunca me contentei em ir ao poucos. nunca me contentei em ter só o agora.
o agora sempre foi muito pouco. sempre tosco e sem vida, diante de todas as possibilidades futuras.
o problema era que eu me perdia nas possibilidades e deixava de viver o agora.
sempre gostei mais das cores com as quais a minha imaginação pinta o mundo do que as cores reais.
é tão complicado, viver o agora.
complicado demais viver com calma.
diminuir a velocidade.
sentir aos poucos.
eu ainda sinto a vontade de jogar muito mais combustível no fogo.
porque eu amo a chama.
mas nunca aprendi que ela queimava depressa demais desse jeito.
tenho que aprender a alimentar o fogo aos poucos.
é muito difícil.
mas eu quero aprender.
eu sempre quis tudo de uma vez. sempre.
nunca me contentei em ir ao poucos. nunca me contentei em ter só o agora.
o agora sempre foi muito pouco. sempre tosco e sem vida, diante de todas as possibilidades futuras.
o problema era que eu me perdia nas possibilidades e deixava de viver o agora.
sempre gostei mais das cores com as quais a minha imaginação pinta o mundo do que as cores reais.
é tão complicado, viver o agora.
complicado demais viver com calma.
diminuir a velocidade.
sentir aos poucos.
eu ainda sinto a vontade de jogar muito mais combustível no fogo.
porque eu amo a chama.
mas nunca aprendi que ela queimava depressa demais desse jeito.
tenho que aprender a alimentar o fogo aos poucos.
é muito difícil.
mas eu quero aprender.
13.12.06
fragmentos...
eles se sentam juntos, em silêncio...
um vento frio sopra e a menina chega mais perto do rapaz, abraçando-o.
ele beija-lhe a testa...
no horizonte, novas cores pintam o céu, aos poucos.
eles olham o nascer de um novo dia e em seus corações, a semente de uma nova esperança brota...
o amor é flor frágil. precisa de cuidados. precisa de carinho e atenção.
o amor é flor que brota no meio das pedras. beleza em meio à aridez do mundo.
o amor é tênue... o amor é etéreo...
o meu amor é o que me move, certos dias.
porque eu quero tudo. e quero perder todos os medos, receios e pudores...
quero mergulhar.
quero morrer e nascer novamente... mil vezes num dia.
e quero você.
um vento frio sopra e a menina chega mais perto do rapaz, abraçando-o.
ele beija-lhe a testa...
no horizonte, novas cores pintam o céu, aos poucos.
eles olham o nascer de um novo dia e em seus corações, a semente de uma nova esperança brota...
o amor é flor frágil. precisa de cuidados. precisa de carinho e atenção.
o amor é flor que brota no meio das pedras. beleza em meio à aridez do mundo.
o amor é tênue... o amor é etéreo...
o meu amor é o que me move, certos dias.
porque eu quero tudo. e quero perder todos os medos, receios e pudores...
quero mergulhar.
quero morrer e nascer novamente... mil vezes num dia.
e quero você.
enjoy the silence
words like violence
break the silence
come crashing in
into my little world
painful to me
pierce right through me
cant you understand
oh my little girl
all i ever wanted
all i ever needed
is here in my arms
words are very unnecessary
they can only do harm
vows are spoken
to be broken
feelings are intense
words are trivial
pleasures remain
so does the pain
words are meaningless
and forgettable
all i ever wanted
all i ever needed
is here in my arms
words are very unnecessary
they can only do harm
enjoy the silence
break the silence
come crashing in
into my little world
painful to me
pierce right through me
cant you understand
oh my little girl
all i ever wanted
all i ever needed
is here in my arms
words are very unnecessary
they can only do harm
vows are spoken
to be broken
feelings are intense
words are trivial
pleasures remain
so does the pain
words are meaningless
and forgettable
all i ever wanted
all i ever needed
is here in my arms
words are very unnecessary
they can only do harm
enjoy the silence
depeche mode - enjoy the silence
12.12.06
11.12.06
tabuleiro
eu olho para ela entre as luzes piscantes. o vestido longo se agita, dançando com ela ao som de the cure. ela não percebe meu olhar.
eu percebo cada movimento dela.
tenho paciência. esse é o meu jogo e aprecio cada lance, cada investida.
então, em um determinado momento, ela me percebe. estou longe o suficiente para que ela não entenda de imediato minhas intenções, mas perto o bastante para ela perceber que estou olhando em sua direção.
então, o jogo começa...
durante a noite, de forma quase que imperceptível, vou chegando mais perto. e mais vezes nossos olhares se cruzam. até que um sorriso inevitável se abre no rosto dela. desvio o olhar por um segundo, tímido.
há vários caminhos para o coração de uma mulher... os mais rápidos passam pelo desejo delas de cuidar de alguém. existem poucas que resistem a um ser carente.
e timidez é um sinal claro de carência.
finjo tomar coragem e ofereço um drink. ela não sabe, mas agora já não conseguirá ir embora.
conversamos um pouco. eu finjo ouvir. sempre funciona. as pessoas sempre estão a procura de alguém que as ouça.
todo o lance seria entediante, se a recompensa não fosse tão grande.
tenho que segurar minha vontade. só ela me denunciaria, agora.
dançamos juntos, corpos colados na pista. olhares encaixados. gosto dos olhos dela. gosto da mistura de sentimentos que vejo neles. o cheiro da pele dela é bom.
nos beijamos na pista. o gosto dela é suave. perfeita.
saímos dali... ela me leva ao seu apartamento. roupas caem no chão. ela geme baixo, frente aos avanços da minha língua.
chegamos à cama. nus, enroscados, um no outro. meu corpo e o dela.
ainda aqui, cada movimento meu é calculado. não sinto prazer na carne.
espero por algo mais profundo.
ela me puxa com força em sua direção. com o corpo pressionado contra o dela, eu faço o lance final:
ela me olha surpresa. mesmo sem conseguir ver os olhos dela, eu conheço a expressão perfeitamente. ela grita, tentando me afastar, mas meu abraço a impede.
eles sempre ficam desesperados, nessa hora.
os dentes abrem a carne do pescoço, com força. o gosto dos músculos e gordura logo é substituído por algo mais nobre.
um rio vermelho desce pelos ombros, até o peito. ela esperneia, sem conseguir fugir.
o gosto é familiar.
fecho os olhos e vejo tudo vermelho. escuto o coração dela batendo rápido e sinto o meu coração aumentando deu ritmo, acompanhando o dela.
um calor percorre meu corpo, começando pela cabeça e descendo pela espinha, até a base das costas. pequenos choques elétricos parecem percorrer meu corpo.
não paro de beber até que a batida no peito dela se torne débil demais até para os meus ouvidos.
o rosto ainda se concentra na expressão de dor e surpresa. ela me olha, sem reação alguma. os lençóis estão vermelhos, nossos corpos brilham, molhados de sangue.
eu a olho... ainda perfeita.
e aos poucos, o brilho dos olhos foge.
quase consigo perceber o momento em que a alma deixa o corpo dela.
fico ali durante algum tempo. extasiado.
beijo o rosto sem vida com carinho. ela e eu dividimos a mesma essência. por algum tempo, vejo o mundo como ela via.
lá fora, o dia começa a nascer.
toco a janela do quarto, sentindo o calor do sol do jeito que ela sentia. a sensação aos poucos vai embora.
como um vício, me pego pensando em uma próxima caçada.
eu ganhei o jogo...
eu percebo cada movimento dela.
tenho paciência. esse é o meu jogo e aprecio cada lance, cada investida.
então, em um determinado momento, ela me percebe. estou longe o suficiente para que ela não entenda de imediato minhas intenções, mas perto o bastante para ela perceber que estou olhando em sua direção.
então, o jogo começa...
durante a noite, de forma quase que imperceptível, vou chegando mais perto. e mais vezes nossos olhares se cruzam. até que um sorriso inevitável se abre no rosto dela. desvio o olhar por um segundo, tímido.
há vários caminhos para o coração de uma mulher... os mais rápidos passam pelo desejo delas de cuidar de alguém. existem poucas que resistem a um ser carente.
e timidez é um sinal claro de carência.
finjo tomar coragem e ofereço um drink. ela não sabe, mas agora já não conseguirá ir embora.
conversamos um pouco. eu finjo ouvir. sempre funciona. as pessoas sempre estão a procura de alguém que as ouça.
todo o lance seria entediante, se a recompensa não fosse tão grande.
tenho que segurar minha vontade. só ela me denunciaria, agora.
dançamos juntos, corpos colados na pista. olhares encaixados. gosto dos olhos dela. gosto da mistura de sentimentos que vejo neles. o cheiro da pele dela é bom.
nos beijamos na pista. o gosto dela é suave. perfeita.
saímos dali... ela me leva ao seu apartamento. roupas caem no chão. ela geme baixo, frente aos avanços da minha língua.
chegamos à cama. nus, enroscados, um no outro. meu corpo e o dela.
ainda aqui, cada movimento meu é calculado. não sinto prazer na carne.
espero por algo mais profundo.
ela me puxa com força em sua direção. com o corpo pressionado contra o dela, eu faço o lance final:
ela me olha surpresa. mesmo sem conseguir ver os olhos dela, eu conheço a expressão perfeitamente. ela grita, tentando me afastar, mas meu abraço a impede.
eles sempre ficam desesperados, nessa hora.
os dentes abrem a carne do pescoço, com força. o gosto dos músculos e gordura logo é substituído por algo mais nobre.
um rio vermelho desce pelos ombros, até o peito. ela esperneia, sem conseguir fugir.
o gosto é familiar.
fecho os olhos e vejo tudo vermelho. escuto o coração dela batendo rápido e sinto o meu coração aumentando deu ritmo, acompanhando o dela.
um calor percorre meu corpo, começando pela cabeça e descendo pela espinha, até a base das costas. pequenos choques elétricos parecem percorrer meu corpo.
não paro de beber até que a batida no peito dela se torne débil demais até para os meus ouvidos.
o rosto ainda se concentra na expressão de dor e surpresa. ela me olha, sem reação alguma. os lençóis estão vermelhos, nossos corpos brilham, molhados de sangue.
eu a olho... ainda perfeita.
e aos poucos, o brilho dos olhos foge.
quase consigo perceber o momento em que a alma deixa o corpo dela.
fico ali durante algum tempo. extasiado.
beijo o rosto sem vida com carinho. ela e eu dividimos a mesma essência. por algum tempo, vejo o mundo como ela via.
lá fora, o dia começa a nascer.
toco a janela do quarto, sentindo o calor do sol do jeito que ela sentia. a sensação aos poucos vai embora.
como um vício, me pego pensando em uma próxima caçada.
eu ganhei o jogo...
pedaços
olho ela deitada na cama. as curvas do corpo nu ainda me causam um sentimento intenso.
eu sei tudo sobre ela, qual o jeito que ela gosta de dormir, como é o sorriso dela, qual a cor do olhar. e ao mesmo tempo, aquela mulher deitada na minha frente é uma completa estranha para mim.
por que tudo sempre retorna ao mesmo ponto? por que sempre pareço procurar algo que foge de mim quando chego perto. a minha felicidade parece água escorrendo das minhas mãos enquanto tento em vão agarrá-la.
passei a noite aqui, no sofá, olhando para ela e vendo outras mulheres em outras noites assim. há algo de belo na tristeza, eu dizia antigamente. agora, eu repudio essa beleza árida.
não quero deixá-la. não quero passar por aquela porta e descer as escadas. não quero atravessar a rua sem olhar para trás.
ao mesmo tempo, não consigo deixar de pensar que eu sou o causador de todas as coisas erradas aqui.
me sinto só. se todas as pessoas do mundo estivessem aqui, agora, eu me sentiria só. porque a minha alma se perdeu da única alma que importava para mim.
me levanto em silêncio. caminho em direção a cama, sempre observando a respiração dela. beijo-a delicadamente na testa enquanto uma lágrima cai, escorrendo por nossos rostos.
adeus, meu amor.
eu passo pela porta e desço as escadas. atravesso a rua sem olhar para trás. mas um pedaço de mim ficou naquele quarto.
me pergunto sobre o dia em que não sobrarão mais pedaços.
eu sei tudo sobre ela, qual o jeito que ela gosta de dormir, como é o sorriso dela, qual a cor do olhar. e ao mesmo tempo, aquela mulher deitada na minha frente é uma completa estranha para mim.
por que tudo sempre retorna ao mesmo ponto? por que sempre pareço procurar algo que foge de mim quando chego perto. a minha felicidade parece água escorrendo das minhas mãos enquanto tento em vão agarrá-la.
passei a noite aqui, no sofá, olhando para ela e vendo outras mulheres em outras noites assim. há algo de belo na tristeza, eu dizia antigamente. agora, eu repudio essa beleza árida.
não quero deixá-la. não quero passar por aquela porta e descer as escadas. não quero atravessar a rua sem olhar para trás.
ao mesmo tempo, não consigo deixar de pensar que eu sou o causador de todas as coisas erradas aqui.
me sinto só. se todas as pessoas do mundo estivessem aqui, agora, eu me sentiria só. porque a minha alma se perdeu da única alma que importava para mim.
me levanto em silêncio. caminho em direção a cama, sempre observando a respiração dela. beijo-a delicadamente na testa enquanto uma lágrima cai, escorrendo por nossos rostos.
adeus, meu amor.
eu passo pela porta e desço as escadas. atravesso a rua sem olhar para trás. mas um pedaço de mim ficou naquele quarto.
me pergunto sobre o dia em que não sobrarão mais pedaços.
10.12.06
prólogo
não vou escrever nossos nomes.
se você está lendo isso, provavelmente já conhece boa parte de nossa história. bom, acho que só a versão que a imprensa publicou.
essa é a minha versão sobre o que aconteceu naquele ano. não vou usar nomes, porque isso nos transformaria em pessoas, como você. e não somos como você. não somos nem mesmo pessoas.
somos uma idéia absurda, um desejo amoral.
somos nós.
eu havia guardado tudo o que aconteceu comigo. mas hoje de manhã aconteceu algo que me fez lembrar dela. então me vi escrevendo, como nunca havia escrito antes. página após páginas nasciam no computador. me vi novamente como uma criança, relembrando cada detalhes, cada lugar.
e relembrando das coisas que fizemos.
se você está lendo isso, provavelmente já conhece boa parte de nossa história. bom, acho que só a versão que a imprensa publicou.
essa é a minha versão sobre o que aconteceu naquele ano. não vou usar nomes, porque isso nos transformaria em pessoas, como você. e não somos como você. não somos nem mesmo pessoas.
somos uma idéia absurda, um desejo amoral.
somos nós.
eu havia guardado tudo o que aconteceu comigo. mas hoje de manhã aconteceu algo que me fez lembrar dela. então me vi escrevendo, como nunca havia escrito antes. página após páginas nasciam no computador. me vi novamente como uma criança, relembrando cada detalhes, cada lugar.
e relembrando das coisas que fizemos.
7.12.06
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