eu caminho entre eles, mas não sou um deles.
tenho a mesma aparência, sinto as mesmas sensações, ouço as mesmas músicas, mas ainda assim, não sou um deles.
não sou melhor ou pior.
sou apenas eu mesmo.
não vou nunca ser igual.
12.12.06
11.12.06
tabuleiro
eu olho para ela entre as luzes piscantes. o vestido longo se agita, dançando com ela ao som de the cure. ela não percebe meu olhar.
eu percebo cada movimento dela.
tenho paciência. esse é o meu jogo e aprecio cada lance, cada investida.
então, em um determinado momento, ela me percebe. estou longe o suficiente para que ela não entenda de imediato minhas intenções, mas perto o bastante para ela perceber que estou olhando em sua direção.
então, o jogo começa...
durante a noite, de forma quase que imperceptível, vou chegando mais perto. e mais vezes nossos olhares se cruzam. até que um sorriso inevitável se abre no rosto dela. desvio o olhar por um segundo, tímido.
há vários caminhos para o coração de uma mulher... os mais rápidos passam pelo desejo delas de cuidar de alguém. existem poucas que resistem a um ser carente.
e timidez é um sinal claro de carência.
finjo tomar coragem e ofereço um drink. ela não sabe, mas agora já não conseguirá ir embora.
conversamos um pouco. eu finjo ouvir. sempre funciona. as pessoas sempre estão a procura de alguém que as ouça.
todo o lance seria entediante, se a recompensa não fosse tão grande.
tenho que segurar minha vontade. só ela me denunciaria, agora.
dançamos juntos, corpos colados na pista. olhares encaixados. gosto dos olhos dela. gosto da mistura de sentimentos que vejo neles. o cheiro da pele dela é bom.
nos beijamos na pista. o gosto dela é suave. perfeita.
saímos dali... ela me leva ao seu apartamento. roupas caem no chão. ela geme baixo, frente aos avanços da minha língua.
chegamos à cama. nus, enroscados, um no outro. meu corpo e o dela.
ainda aqui, cada movimento meu é calculado. não sinto prazer na carne.
espero por algo mais profundo.
ela me puxa com força em sua direção. com o corpo pressionado contra o dela, eu faço o lance final:
ela me olha surpresa. mesmo sem conseguir ver os olhos dela, eu conheço a expressão perfeitamente. ela grita, tentando me afastar, mas meu abraço a impede.
eles sempre ficam desesperados, nessa hora.
os dentes abrem a carne do pescoço, com força. o gosto dos músculos e gordura logo é substituído por algo mais nobre.
um rio vermelho desce pelos ombros, até o peito. ela esperneia, sem conseguir fugir.
o gosto é familiar.
fecho os olhos e vejo tudo vermelho. escuto o coração dela batendo rápido e sinto o meu coração aumentando deu ritmo, acompanhando o dela.
um calor percorre meu corpo, começando pela cabeça e descendo pela espinha, até a base das costas. pequenos choques elétricos parecem percorrer meu corpo.
não paro de beber até que a batida no peito dela se torne débil demais até para os meus ouvidos.
o rosto ainda se concentra na expressão de dor e surpresa. ela me olha, sem reação alguma. os lençóis estão vermelhos, nossos corpos brilham, molhados de sangue.
eu a olho... ainda perfeita.
e aos poucos, o brilho dos olhos foge.
quase consigo perceber o momento em que a alma deixa o corpo dela.
fico ali durante algum tempo. extasiado.
beijo o rosto sem vida com carinho. ela e eu dividimos a mesma essência. por algum tempo, vejo o mundo como ela via.
lá fora, o dia começa a nascer.
toco a janela do quarto, sentindo o calor do sol do jeito que ela sentia. a sensação aos poucos vai embora.
como um vício, me pego pensando em uma próxima caçada.
eu ganhei o jogo...
eu percebo cada movimento dela.
tenho paciência. esse é o meu jogo e aprecio cada lance, cada investida.
então, em um determinado momento, ela me percebe. estou longe o suficiente para que ela não entenda de imediato minhas intenções, mas perto o bastante para ela perceber que estou olhando em sua direção.
então, o jogo começa...
durante a noite, de forma quase que imperceptível, vou chegando mais perto. e mais vezes nossos olhares se cruzam. até que um sorriso inevitável se abre no rosto dela. desvio o olhar por um segundo, tímido.
há vários caminhos para o coração de uma mulher... os mais rápidos passam pelo desejo delas de cuidar de alguém. existem poucas que resistem a um ser carente.
e timidez é um sinal claro de carência.
finjo tomar coragem e ofereço um drink. ela não sabe, mas agora já não conseguirá ir embora.
conversamos um pouco. eu finjo ouvir. sempre funciona. as pessoas sempre estão a procura de alguém que as ouça.
todo o lance seria entediante, se a recompensa não fosse tão grande.
tenho que segurar minha vontade. só ela me denunciaria, agora.
dançamos juntos, corpos colados na pista. olhares encaixados. gosto dos olhos dela. gosto da mistura de sentimentos que vejo neles. o cheiro da pele dela é bom.
nos beijamos na pista. o gosto dela é suave. perfeita.
saímos dali... ela me leva ao seu apartamento. roupas caem no chão. ela geme baixo, frente aos avanços da minha língua.
chegamos à cama. nus, enroscados, um no outro. meu corpo e o dela.
ainda aqui, cada movimento meu é calculado. não sinto prazer na carne.
espero por algo mais profundo.
ela me puxa com força em sua direção. com o corpo pressionado contra o dela, eu faço o lance final:
ela me olha surpresa. mesmo sem conseguir ver os olhos dela, eu conheço a expressão perfeitamente. ela grita, tentando me afastar, mas meu abraço a impede.
eles sempre ficam desesperados, nessa hora.
os dentes abrem a carne do pescoço, com força. o gosto dos músculos e gordura logo é substituído por algo mais nobre.
um rio vermelho desce pelos ombros, até o peito. ela esperneia, sem conseguir fugir.
o gosto é familiar.
fecho os olhos e vejo tudo vermelho. escuto o coração dela batendo rápido e sinto o meu coração aumentando deu ritmo, acompanhando o dela.
um calor percorre meu corpo, começando pela cabeça e descendo pela espinha, até a base das costas. pequenos choques elétricos parecem percorrer meu corpo.
não paro de beber até que a batida no peito dela se torne débil demais até para os meus ouvidos.
o rosto ainda se concentra na expressão de dor e surpresa. ela me olha, sem reação alguma. os lençóis estão vermelhos, nossos corpos brilham, molhados de sangue.
eu a olho... ainda perfeita.
e aos poucos, o brilho dos olhos foge.
quase consigo perceber o momento em que a alma deixa o corpo dela.
fico ali durante algum tempo. extasiado.
beijo o rosto sem vida com carinho. ela e eu dividimos a mesma essência. por algum tempo, vejo o mundo como ela via.
lá fora, o dia começa a nascer.
toco a janela do quarto, sentindo o calor do sol do jeito que ela sentia. a sensação aos poucos vai embora.
como um vício, me pego pensando em uma próxima caçada.
eu ganhei o jogo...
pedaços
olho ela deitada na cama. as curvas do corpo nu ainda me causam um sentimento intenso.
eu sei tudo sobre ela, qual o jeito que ela gosta de dormir, como é o sorriso dela, qual a cor do olhar. e ao mesmo tempo, aquela mulher deitada na minha frente é uma completa estranha para mim.
por que tudo sempre retorna ao mesmo ponto? por que sempre pareço procurar algo que foge de mim quando chego perto. a minha felicidade parece água escorrendo das minhas mãos enquanto tento em vão agarrá-la.
passei a noite aqui, no sofá, olhando para ela e vendo outras mulheres em outras noites assim. há algo de belo na tristeza, eu dizia antigamente. agora, eu repudio essa beleza árida.
não quero deixá-la. não quero passar por aquela porta e descer as escadas. não quero atravessar a rua sem olhar para trás.
ao mesmo tempo, não consigo deixar de pensar que eu sou o causador de todas as coisas erradas aqui.
me sinto só. se todas as pessoas do mundo estivessem aqui, agora, eu me sentiria só. porque a minha alma se perdeu da única alma que importava para mim.
me levanto em silêncio. caminho em direção a cama, sempre observando a respiração dela. beijo-a delicadamente na testa enquanto uma lágrima cai, escorrendo por nossos rostos.
adeus, meu amor.
eu passo pela porta e desço as escadas. atravesso a rua sem olhar para trás. mas um pedaço de mim ficou naquele quarto.
me pergunto sobre o dia em que não sobrarão mais pedaços.
eu sei tudo sobre ela, qual o jeito que ela gosta de dormir, como é o sorriso dela, qual a cor do olhar. e ao mesmo tempo, aquela mulher deitada na minha frente é uma completa estranha para mim.
por que tudo sempre retorna ao mesmo ponto? por que sempre pareço procurar algo que foge de mim quando chego perto. a minha felicidade parece água escorrendo das minhas mãos enquanto tento em vão agarrá-la.
passei a noite aqui, no sofá, olhando para ela e vendo outras mulheres em outras noites assim. há algo de belo na tristeza, eu dizia antigamente. agora, eu repudio essa beleza árida.
não quero deixá-la. não quero passar por aquela porta e descer as escadas. não quero atravessar a rua sem olhar para trás.
ao mesmo tempo, não consigo deixar de pensar que eu sou o causador de todas as coisas erradas aqui.
me sinto só. se todas as pessoas do mundo estivessem aqui, agora, eu me sentiria só. porque a minha alma se perdeu da única alma que importava para mim.
me levanto em silêncio. caminho em direção a cama, sempre observando a respiração dela. beijo-a delicadamente na testa enquanto uma lágrima cai, escorrendo por nossos rostos.
adeus, meu amor.
eu passo pela porta e desço as escadas. atravesso a rua sem olhar para trás. mas um pedaço de mim ficou naquele quarto.
me pergunto sobre o dia em que não sobrarão mais pedaços.
10.12.06
prólogo
não vou escrever nossos nomes.
se você está lendo isso, provavelmente já conhece boa parte de nossa história. bom, acho que só a versão que a imprensa publicou.
essa é a minha versão sobre o que aconteceu naquele ano. não vou usar nomes, porque isso nos transformaria em pessoas, como você. e não somos como você. não somos nem mesmo pessoas.
somos uma idéia absurda, um desejo amoral.
somos nós.
eu havia guardado tudo o que aconteceu comigo. mas hoje de manhã aconteceu algo que me fez lembrar dela. então me vi escrevendo, como nunca havia escrito antes. página após páginas nasciam no computador. me vi novamente como uma criança, relembrando cada detalhes, cada lugar.
e relembrando das coisas que fizemos.
se você está lendo isso, provavelmente já conhece boa parte de nossa história. bom, acho que só a versão que a imprensa publicou.
essa é a minha versão sobre o que aconteceu naquele ano. não vou usar nomes, porque isso nos transformaria em pessoas, como você. e não somos como você. não somos nem mesmo pessoas.
somos uma idéia absurda, um desejo amoral.
somos nós.
eu havia guardado tudo o que aconteceu comigo. mas hoje de manhã aconteceu algo que me fez lembrar dela. então me vi escrevendo, como nunca havia escrito antes. página após páginas nasciam no computador. me vi novamente como uma criança, relembrando cada detalhes, cada lugar.
e relembrando das coisas que fizemos.
7.12.06
30.11.06
quero despir você de tudo!
quero invadir o mundo que você nunca liberou pra ninguém.
quero entrar sem pedir.
quero abrir as pernas da sua cabeça, desvirginar a sua mente.
quero violar o seu corpo do jeito que você gosta.
quero que se entregue. agora. de todos os jeitos.
quero que você peça mais e mais. que deseje cada instante.
quero ser seu mestre e seu pupilo. me ensina cada parte do seu corpo.
quero desbravar prazeres que você não conhece.
quero matar você. a pequena morte dos franceses.
quero fazer você respirar meu sopro. beber da minha boca.
quero amarrar seu corpo, marcar sua pele.
quero arrancar cada dor do passado. quero te fazer nova.
quero trazer luz às salas escuras.
quero brincar nas sombras.
pensando melhor, quero tudo isso bem devagar...
quero aproveitar cada segundo.
quero invadir o mundo que você nunca liberou pra ninguém.
quero entrar sem pedir.
quero abrir as pernas da sua cabeça, desvirginar a sua mente.
quero violar o seu corpo do jeito que você gosta.
quero que se entregue. agora. de todos os jeitos.
quero que você peça mais e mais. que deseje cada instante.
quero ser seu mestre e seu pupilo. me ensina cada parte do seu corpo.
quero desbravar prazeres que você não conhece.
quero matar você. a pequena morte dos franceses.
quero fazer você respirar meu sopro. beber da minha boca.
quero amarrar seu corpo, marcar sua pele.
quero arrancar cada dor do passado. quero te fazer nova.
quero trazer luz às salas escuras.
quero brincar nas sombras.
pensando melhor, quero tudo isso bem devagar...
quero aproveitar cada segundo.
- você tem olhar de lâmina - ele diz.
- como assim?
o olhar dela é mais de dúvida do que espanto.
- eu gosto de lâminas. elas têm milhares de brilhos dentro de si. basta refletir as luzes certas. seus olhos são assim.
- meus olhos?
- é. eu gosto.
- eu acho estranho. mas é um estranho bom.
- é. mas as lâminas cortam.
- como assim?
o olhar dela é mais de dúvida do que espanto.
- eu gosto de lâminas. elas têm milhares de brilhos dentro de si. basta refletir as luzes certas. seus olhos são assim.
- meus olhos?
- é. eu gosto.
- eu acho estranho. mas é um estranho bom.
- é. mas as lâminas cortam.
tons de carmim
não consigo afastar o olhar da luz que entra pela fresta na pesada cortina do quarto. a escuridão daqui faz com que o mundo lá fora pareça ser feito de um branco ofuscante.
sinto um pouco de frio... a coberta está jogada a meu lado, mas não quero me cobrir. olho meu corpo nu, no teto do quarto e, como sempre, não reconheço a imagem que se reflete.
ela fala algo, na ante-sala. não consigo ouvir, mas penso que a voz dela parece sempre brincar entre tons e meios-tons. sinto saudade dela, de forma súbita. há um cheiro no ar. odor de sexo. cheiro do meu corpo e do dela, misturados.
ela entra no quarto, nua. meu olhar, como sempre, pousa no meio das pernas dela. ela é perfeita em cada pequeno defeito.
segurando dois copos, ela olha para mim de forma curiosa. continuo olhando intensamente. em minha cabeça, pensamentos despem o corpo dela além da carne. quero olhar a essência dela.
ela caminha pelo quarto, passando rapidamente pela luz que entra na janela. o corpo dela parece brilhar por um instante. um anjo sem pudores, cheio de desejos.
pego o copo gelado... cheiro por um instante o vinho tinto e bebo um longo gole.
vinho sempre foi a minha bebida.
ela sorri... bebe um pouco e coloca o copo ao lado da cama. volta-se pra mim e me beija de leve. eu a abraço forte e beijo. começo a correr as mãos por seu corpo. ela move a língua dentro da minha boca e se encosta em mim.
o corpo dela é quente e macio. a boca puxa a língua em direção a ela. mordo os lábios dela, enquanto minhas mãos alcançam as coxas lisas e firmes.
ela me olha com um olhar lascivo. faz que não com a cabeça e afasta minhas mãos de seu corpo. ela se senta sobre mim e começa a se mover, com os olhos a poucos centímetros dos meus.
quero tocá-la. sinto vontade de puxá-la pra mim. quero estar inteiro dentro dela. luto contra ela, para livrar minhas mãos. ela resiste, sorrindo. livro-me por fim dos braços dela, mas algo acontece.
ouço o barulho vários segundos antes de perceber o que aconteceu. um calor estranho escorre pelo meu braço. olho-o na penumbra e percebo o sangue do corte. um caco de vidro do copo, ainda ensangüentado jazia a meu lado. não há dor e ela se move rebolando sobre mim.
levanto o braço em direção a ela, quase que por instinto. ela olha o sangue que desce por um longo instante, com os olhos arregalados. então, ela pega o braço, com delicadeza e o aproxima de si. sinto o toque dos lábios macios no corte.
ela não para de se mover sobre mim, soltando gemidos baixos.
olho para ela, enquanto ela passa o lado do corte por sobre seus peitos e abdômen.
não sei o que é, mas aquela visão despertou algo em mim. ver o corpo dela desenhado em vermelho me deixa com tesão demais.
começo a mover-me, puxando-a para mim. levantando o corpo dela no ar. meu corpo lateja de prazer.
o sangue escorreu por meu peito. ela se abaixa para lamber as gotas que se espalham.
quero-a para mim. quero-a toda. agora.
nos movemos com força. a cama range diante da violência. ela geme alto.
eu fecho meus olhos e de repente o mundo parece pintado em vermelho.
as estocadas ficam mais rápidas. ela geme cada vez mais alto, mordendo os lábios.
até que gozamos, um para o outro, forte... muito forte.
um gozo em tons de carmim.
sinto um pouco de frio... a coberta está jogada a meu lado, mas não quero me cobrir. olho meu corpo nu, no teto do quarto e, como sempre, não reconheço a imagem que se reflete.
ela fala algo, na ante-sala. não consigo ouvir, mas penso que a voz dela parece sempre brincar entre tons e meios-tons. sinto saudade dela, de forma súbita. há um cheiro no ar. odor de sexo. cheiro do meu corpo e do dela, misturados.
ela entra no quarto, nua. meu olhar, como sempre, pousa no meio das pernas dela. ela é perfeita em cada pequeno defeito.
segurando dois copos, ela olha para mim de forma curiosa. continuo olhando intensamente. em minha cabeça, pensamentos despem o corpo dela além da carne. quero olhar a essência dela.
ela caminha pelo quarto, passando rapidamente pela luz que entra na janela. o corpo dela parece brilhar por um instante. um anjo sem pudores, cheio de desejos.
pego o copo gelado... cheiro por um instante o vinho tinto e bebo um longo gole.
vinho sempre foi a minha bebida.
ela sorri... bebe um pouco e coloca o copo ao lado da cama. volta-se pra mim e me beija de leve. eu a abraço forte e beijo. começo a correr as mãos por seu corpo. ela move a língua dentro da minha boca e se encosta em mim.
o corpo dela é quente e macio. a boca puxa a língua em direção a ela. mordo os lábios dela, enquanto minhas mãos alcançam as coxas lisas e firmes.
ela me olha com um olhar lascivo. faz que não com a cabeça e afasta minhas mãos de seu corpo. ela se senta sobre mim e começa a se mover, com os olhos a poucos centímetros dos meus.
quero tocá-la. sinto vontade de puxá-la pra mim. quero estar inteiro dentro dela. luto contra ela, para livrar minhas mãos. ela resiste, sorrindo. livro-me por fim dos braços dela, mas algo acontece.
ouço o barulho vários segundos antes de perceber o que aconteceu. um calor estranho escorre pelo meu braço. olho-o na penumbra e percebo o sangue do corte. um caco de vidro do copo, ainda ensangüentado jazia a meu lado. não há dor e ela se move rebolando sobre mim.
levanto o braço em direção a ela, quase que por instinto. ela olha o sangue que desce por um longo instante, com os olhos arregalados. então, ela pega o braço, com delicadeza e o aproxima de si. sinto o toque dos lábios macios no corte.
ela não para de se mover sobre mim, soltando gemidos baixos.
olho para ela, enquanto ela passa o lado do corte por sobre seus peitos e abdômen.
não sei o que é, mas aquela visão despertou algo em mim. ver o corpo dela desenhado em vermelho me deixa com tesão demais.
começo a mover-me, puxando-a para mim. levantando o corpo dela no ar. meu corpo lateja de prazer.
o sangue escorreu por meu peito. ela se abaixa para lamber as gotas que se espalham.
quero-a para mim. quero-a toda. agora.
nos movemos com força. a cama range diante da violência. ela geme alto.
eu fecho meus olhos e de repente o mundo parece pintado em vermelho.
as estocadas ficam mais rápidas. ela geme cada vez mais alto, mordendo os lábios.
até que gozamos, um para o outro, forte... muito forte.
um gozo em tons de carmim.
12.11.06
início ?
olhares vagos avistam as prateleiras embotadas de idéias. nada lhes passa na cabeça a não ser preenchê-las de um conteúdo original, de forma a se destacarem entre os outros. passam os dedos pelos livros, procurando no papel a solução para uma vida óbvia e sem sentido.
a menina grita entre as pessoas:
- hipócritas! ignorantes, todos vocês! incapazes de terem idéias próprias. assassinos e ladrões!
ela sai correndo em direção à saída, com um sorriso de satisfação entre os lábios. enquanto passa pelo meio dos livros, ela os joga no chão.
a menina abre os olhos e percebe as pessoas folheando livros com ar blasé à sua volta. um senhor a observa à distância, fingindo que presta atenção no livro de arte que tem nas mãos. ela não gosta do olhar dele. não gosta do olhar que a maioria dos homens dá a ela. se sente suja.
ao invés de gritar, ela coloca o livro que tem nas mãos de novo na prateleira e sai da livraria.
a menina grita entre as pessoas:
- hipócritas! ignorantes, todos vocês! incapazes de terem idéias próprias. assassinos e ladrões!
ela sai correndo em direção à saída, com um sorriso de satisfação entre os lábios. enquanto passa pelo meio dos livros, ela os joga no chão.
a menina abre os olhos e percebe as pessoas folheando livros com ar blasé à sua volta. um senhor a observa à distância, fingindo que presta atenção no livro de arte que tem nas mãos. ela não gosta do olhar dele. não gosta do olhar que a maioria dos homens dá a ela. se sente suja.
ao invés de gritar, ela coloca o livro que tem nas mãos de novo na prateleira e sai da livraria.
10.11.06
natal
pessoal,
fiz umas fotos em natal, no fim de semana...
as que eu achei mais legais estão aqui: http://www.flickr.com/photos/dreamofalife/sets/72157594363349046/
fiz umas fotos em natal, no fim de semana...
as que eu achei mais legais estão aqui: http://www.flickr.com/photos/dreamofalife/sets/72157594363349046/
para trás e para frente...
cada vez mais alto... cada vez mais longe...
o balanço leva o garoto, de novo e de novo...
com o balanço do balanço, vão também os pensamentos do garoto.
para frente e para trás...
ele se lembra do pai. ele costumava empurrar o garoto no balanço, mais e mais alto e dizia que se o garoto esticasse os braços o bastante, poderia alcançar o céu e quem sabe, até tocar em uma nuvem.
o garoto vai e volta, no balanço.
ele estica os braços, quando o balanço está bem no alto.
quem sabe, se ele esticar o braço o bastante, consegue alcançar o pai, lá no céu.
cada vez mais alto... cada vez mais longe...
o balanço leva o garoto, de novo e de novo...
com o balanço do balanço, vão também os pensamentos do garoto.
para frente e para trás...
ele se lembra do pai. ele costumava empurrar o garoto no balanço, mais e mais alto e dizia que se o garoto esticasse os braços o bastante, poderia alcançar o céu e quem sabe, até tocar em uma nuvem.
o garoto vai e volta, no balanço.
ele estica os braços, quando o balanço está bem no alto.
quem sabe, se ele esticar o braço o bastante, consegue alcançar o pai, lá no céu.
- você não gosta de ir aos poucos, né?
- não...
- por quê?
- não consigo. acho sempre que tenho que ter tudo de uma vez.
- mas de vez em quando é bom ir com calma.
- eu sei, menina... eu ando tentando isso. mas é que parece que tem tanta coisa no mundo ainda por tentar... fico querendo demais.
- não se pode ter tudo, né?
- é... acho que não.
mas eu vivo tentando...
tsc, tsc, tsc...
- não...
- por quê?
- não consigo. acho sempre que tenho que ter tudo de uma vez.
- mas de vez em quando é bom ir com calma.
- eu sei, menina... eu ando tentando isso. mas é que parece que tem tanta coisa no mundo ainda por tentar... fico querendo demais.
- não se pode ter tudo, né?
- é... acho que não.
mas eu vivo tentando...
tsc, tsc, tsc...
9.11.06
ao luar...
o cavaleiro retorna às terras onde crescera. anos se passaram, desde que ele viu o lugar pela última vez.
a guerra havia tornado o garoto que dali saíra, anos atrás em um homem. ele pensa consigo mesmo que as batalhas pareciam levar um pouco da inocência consigo. foram tempos negros. tudo o que ele acreditava havia sido tirado dele. apenas uma coisa ele manteve consigo.
ele toca o objeto amarrado em uma corrente que carrega em seu pescoço. a forma familiar traz a seu coração um sentimento bom.
quase que instintivamente, o cavalo o leva à floresta que cerca o castelo onde o homem costumava brincar quando ainda era criança. o aroma das árvores de frutos e as flores preenche o ar, trazendo a ele a lembrança de uma noite quase perdida entre seus pensamentos.
ele se lembra de um menino que ouvia as histórias da antiga rainha, sobre os seres da floresta. uma dessas histórias se mostrou mais interessante que todas as outras. a mãe do menino contou um antigo segredo sobre a floresta.
ela contou que todas as noites as fadas e os seres selvagens se juntavam para festejar a lua. e todas as noites, as fadas brincavam entre as árvores, cantando e dançando. mas ao final de todas as noites, a rainha das fadas ia até o centro da floresta e cantava uma canção dos tempos antigos, quando era permitido que as fadas e os homens vivessem juntos, colaborando entre si. a canção era a mais bela canção e também a mais triste. e todas as fadas choravam, saudosas de outros tempos. e as lágrimas das fadas enchiam as pétalas e folhas de pequenas gotículas. e era dito que, se alguém capturasse uma dessas gotas após o primeiro raio de luar, seria o senhor da fada que havia deixado a lágrima escorrer na folha.
o garoto ouvira a história com atenção e em sua mente, um plano havia sido traçado.
a guerra havia tornado o garoto que dali saíra, anos atrás em um homem. ele pensa consigo mesmo que as batalhas pareciam levar um pouco da inocência consigo. foram tempos negros. tudo o que ele acreditava havia sido tirado dele. apenas uma coisa ele manteve consigo.
ele toca o objeto amarrado em uma corrente que carrega em seu pescoço. a forma familiar traz a seu coração um sentimento bom.
quase que instintivamente, o cavalo o leva à floresta que cerca o castelo onde o homem costumava brincar quando ainda era criança. o aroma das árvores de frutos e as flores preenche o ar, trazendo a ele a lembrança de uma noite quase perdida entre seus pensamentos.
ele se lembra de um menino que ouvia as histórias da antiga rainha, sobre os seres da floresta. uma dessas histórias se mostrou mais interessante que todas as outras. a mãe do menino contou um antigo segredo sobre a floresta.
ela contou que todas as noites as fadas e os seres selvagens se juntavam para festejar a lua. e todas as noites, as fadas brincavam entre as árvores, cantando e dançando. mas ao final de todas as noites, a rainha das fadas ia até o centro da floresta e cantava uma canção dos tempos antigos, quando era permitido que as fadas e os homens vivessem juntos, colaborando entre si. a canção era a mais bela canção e também a mais triste. e todas as fadas choravam, saudosas de outros tempos. e as lágrimas das fadas enchiam as pétalas e folhas de pequenas gotículas. e era dito que, se alguém capturasse uma dessas gotas após o primeiro raio de luar, seria o senhor da fada que havia deixado a lágrima escorrer na folha.
o garoto ouvira a história com atenção e em sua mente, um plano havia sido traçado.
continua...
pequeno momento.
ela subiu no ônibus e antes de passar pelo cobrador, olhou para o lado de fora e mostrou um grande sorriso no rosto.
do lado de fora, um rapaz acena, com o mesmo sorriso a iluminar o rosto.
eu também sorrio, no meu canto, pensando que o mundo pode ter solução, afinal.
do lado de fora, um rapaz acena, com o mesmo sorriso a iluminar o rosto.
eu também sorrio, no meu canto, pensando que o mundo pode ter solução, afinal.
7.11.06
sem título
não consigo dormir.
não quero dormir.
algo me diz para ficar acordado essa noite.
alguém pode precisar de mim.
quero estar aqui por você.
sempre.
não quero dormir.
algo me diz para ficar acordado essa noite.
alguém pode precisar de mim.
quero estar aqui por você.
sempre.
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