- gostaria que houvesse uma maneira de entrar em seu mundo.
a expressão dele era quase de quem estivesse sonhando acordado. distante, olhando para o nada.
ela observou os olhos dele, longamente. queria de alguma maneira dizer a ele que o caminho não seria assim tão difícil.
- acho... vc, já foi bem distante, aqui.
ele sorriu.
- eu quero mais. ahhh... sempre quero mais!
- acho que é melhor assim. irmos com calma. sempre que me deixei levar, acabava numa cama, pensando que deveria haver mais, sentir mais.
ele a olhou, de forma intensa. um olhar de reconhecimento.
- eu entendo. já senti isso.
- você já amou alguém?
ele fita o chão, por um segundo, como se lembrasse de algo.
- já. e foi como aqueles amores de filmes antigos.
- e como é?
- você se sente totalmente à vontade com a pessoa e sabe que ela se sente assim com você também. é como se ela carregasse um pedaço de você que não está contigo. e a pessoa pode ter todos os erros, mas o que você sente sobrepuja isso.
- não sou boa em perdoar erros.
- eu também não. não mesmo. mas quando eu amo alguém, eu me entrego de uma maneira absurda.
ela fica quieta por um tempo, olhando a noite com um olhar um pouco triste.
- acho que nunca amei...
ele a abraça, apertando-a forte contra si, depois beija-a calma e longamente, fazendo carinhos no rosto dela. e então olha-a dentro dos olhos.
- eu quero fazer você feliz. quero que se sinta livre de todos os erros de antes. quero que se sinta leve. e quero que se sinta amada.
ela chora, encostada nos ombros dele. não é um choro ruim... é algo que ela não consegue explicar... mas, naquele instante, ela não gostaria de estar em nenhum outro lugar do mundo.
12.10.06
8.10.06
uma noite
ele a levou para longe da casa...
a praia estava completamente vazia, os últimos pássaros sobrevoavam o litoral
o barulho das ondas trazia uma calma diferente.
e
a praia estava completamente vazia, os últimos pássaros sobrevoavam o litoral
o barulho das ondas trazia uma calma diferente.
e
três momentos
a primeira vez foi carne.
bocas, respiração, transpiração e pernas.
sexo, sexo, sexo
a palavra não descreveria
era mais um turbilhão de líquidos e pele e desejo.
terminou rápido e forte, extasiante e cheio de força.
a segunda vez foi com o coração,
carinhos e frases no pé do ouvido,
brincadeiras e mãos percorrendo o corpo.
era um poema, era uma promessa.
terminou em suspiro e sorriso e abraço.
a terceira...
a terceira foi a vez da alma,
beijos que ultrapassavam a carne, olhares que queimavam por dentro,
tocaram-se onde ninguém havia alcançado antes, em silêncio, orquestrados pelos gemidos.
era tudo, era o mundo inteiro, cada parte da eternidade.
e terminou em amor.
bocas, respiração, transpiração e pernas.
sexo, sexo, sexo
a palavra não descreveria
era mais um turbilhão de líquidos e pele e desejo.
terminou rápido e forte, extasiante e cheio de força.
a segunda vez foi com o coração,
carinhos e frases no pé do ouvido,
brincadeiras e mãos percorrendo o corpo.
era um poema, era uma promessa.
terminou em suspiro e sorriso e abraço.
a terceira...
a terceira foi a vez da alma,
beijos que ultrapassavam a carne, olhares que queimavam por dentro,
tocaram-se onde ninguém havia alcançado antes, em silêncio, orquestrados pelos gemidos.
era tudo, era o mundo inteiro, cada parte da eternidade.
e terminou em amor.
limiar
ele fecha os olhos e começa a caminhar...
passo após passo, ele sente o vento soprar-lhe aos ouvidos.
os pés alinham-se, entre a terra e o vazio.
passo a passo, ele caminha no limite do abismo, testando a si mesmo.
há anos ele faz isso. há anos, ele deseja perder o rumo de si mesmo.
e ele caminha, passo a passo, testando a si mesmo.
mas hoje, hoje algo acontece.
um sussurro... uma voz diz seu nome... uma mão toca-lhe delicadamente o ombro.
hoje, os passos se distanciam lentamente do limiar...
seus pés alcançam um terreno mais seguro.
ele abre os olhos, que se inundam com a visão de um mundo diferente, cheio de novas cores...
passo após passo, ele sente o vento soprar-lhe aos ouvidos.
os pés alinham-se, entre a terra e o vazio.
passo a passo, ele caminha no limite do abismo, testando a si mesmo.
há anos ele faz isso. há anos, ele deseja perder o rumo de si mesmo.
e ele caminha, passo a passo, testando a si mesmo.
mas hoje, hoje algo acontece.
um sussurro... uma voz diz seu nome... uma mão toca-lhe delicadamente o ombro.
hoje, os passos se distanciam lentamente do limiar...
seus pés alcançam um terreno mais seguro.
ele abre os olhos, que se inundam com a visão de um mundo diferente, cheio de novas cores...
ela fala sobre o dia dela, com uma voz misturada, de menina e mulher e uma energia que passa através da linha telefônica e encontra um canto, dentro da minha cabeça.
eu escuto, imaginando as caras que ela faz. sorrio, com o ouvido encostado no telefone.
solto um "hummm...", quase sem querer.
ela pára, acho que tentando imaginar o que eu estou pensando.
eu fico sem jeito. quero falar, mas me pego pensando coisas demais...
"calma, marcio", penso... "vai haver uma hora pra isso tudo."
e no itunes, bowie canta "little wonder".
eu escuto, imaginando as caras que ela faz. sorrio, com o ouvido encostado no telefone.
solto um "hummm...", quase sem querer.
ela pára, acho que tentando imaginar o que eu estou pensando.
eu fico sem jeito. quero falar, mas me pego pensando coisas demais...
"calma, marcio", penso... "vai haver uma hora pra isso tudo."
e no itunes, bowie canta "little wonder".
1.10.06
strangers in the night
a pista está lotada... o calor dos corpos e o som pesado dos amplificadores preenchem o ar.
eles se beijam. as mãos percorrem os corpos, apertando-se um contra o outro.
eles desejam estar sozinhos...
e desejam um ao outro.
eles se beijam. as mãos percorrem os corpos, apertando-se um contra o outro.
eles desejam estar sozinhos...
e desejam um ao outro.
ruas desertas
eles caminhavam pelas ruas vazias, na madrugada de um domingo cinzento.
conversam sobre si mesmos e sobre o mundo. ela tem uma urgência em falar sobre si mesma, mas algumas palavras simplesmente não saem.
ele a observa, prestando atenção no rosto dela, encantado com o brilho que ela emana dos olhos. percebe uma confusão em seus pensamentos, como se ela estivesse tentando lhe dizer um monte de coisas, mas não se importa muito com isso.
eles entram em uma padaria... ela pede um café e ele bebe água mineral. conversam sobre suas vidas, querendo conhecer mais, um do outro.
aos poucos o dia fica claro e eles decidem ir embora.
eles se abraçam, longa e fortemente. ela olha para ele em silêncio. e se beijam carinhosamente.
ele quer que ela fique. ela quer que ele peça para ela não ir.
o dia amanhece um domingo cinza.
eles vão para casa, cheios de pensamentos e sentimentos novos.
conversam sobre si mesmos e sobre o mundo. ela tem uma urgência em falar sobre si mesma, mas algumas palavras simplesmente não saem.
ele a observa, prestando atenção no rosto dela, encantado com o brilho que ela emana dos olhos. percebe uma confusão em seus pensamentos, como se ela estivesse tentando lhe dizer um monte de coisas, mas não se importa muito com isso.
eles entram em uma padaria... ela pede um café e ele bebe água mineral. conversam sobre suas vidas, querendo conhecer mais, um do outro.
aos poucos o dia fica claro e eles decidem ir embora.
eles se abraçam, longa e fortemente. ela olha para ele em silêncio. e se beijam carinhosamente.
ele quer que ela fique. ela quer que ele peça para ela não ir.
o dia amanhece um domingo cinza.
eles vão para casa, cheios de pensamentos e sentimentos novos.
27.9.06
23.9.06
ele deseja as vestes do paraíso
tivesse eu as bordadas vestes do paraíso,
tecidas com a luz do ouro e da prata,
o azul e o sombrio e as vestes negras da noite
e a luz e o crepúsculo,
eu espalharia as vestes sob seus pés.
mas, sendo eu pobre, tenho apenas meus sonhos.
tendo eu espalhado meus sonhos sob seus pés,
pisa suavemente,
porque caminhas sobre os meus sonhos.
tecidas com a luz do ouro e da prata,
o azul e o sombrio e as vestes negras da noite
e a luz e o crepúsculo,
eu espalharia as vestes sob seus pés.
mas, sendo eu pobre, tenho apenas meus sonhos.
tendo eu espalhado meus sonhos sob seus pés,
pisa suavemente,
porque caminhas sobre os meus sonhos.
w. b. yeats - he wishes for the clothes of heaven
tradução: marcio carvalho
tradução: marcio carvalho
22.9.06
20.9.06
acordou com o corpo dolorido.
o sol já estava alto no céu. dormira na praça. não. desmaiara na praça. a dor do seu corpo o faz lembrar que havia apanhado de novo dos caras mais velhos e eles haviam roubado o dinheiro que ele havia conseguido.
havia um gosto de sangue velho em sua boca. o olho parecia estar inchado, mas ele não se importava muito. a fome doía mais dentro dele do que qualquer outra dor física. a fome corroía seu corpo. não o deixava pensar, não o deixava.
ele levanta, caminha até a rua, olhando as pessoas. precisava comer algo. qualquer coisa.
mas ele era invisível. os homens e mulheres passavam a sua volta, ignorando os olhos que pediam atenção. aprendera desde cedo que as crianças de rua eram invisíveis. eventualmente, um dono de loja ou um policial o via, quando tentava roubar algo. mas era invisível quase o tempo todo. por alguma razão que ele não sabia nomear, sentia um vazio dentro de si, quando pensava que não podia ser visto.
vira uma vez outro menino, mais novo que ele, morto em uma calçada do centro. as pessoas passavam por ele como se passassem por um animal.
era isso que ele sentia. sentia que para eles era como um animal. menos que isso, ainda.
pediu, implorou por esmola, mas não ganhou nada. depois de 2 horas, sentou-se junto à marquize de um velho edifício e, com a cabeça entre as mãos, deixou duas lágrimas escaparem por seus olhos. chorou de raiva. chorou de frustração.
e acima de tudo, chorou de fome.
não percebeu que uma menina sentou ao seu lado. ela usava uma camiseta branca, muito maior que o tamanho dela e que agora era de uma cor indefinida. a cor das ruas.
ela deu a ele uma garrafa plástica. no fundo, uma cola espessa. ele cheirou, sem falar nada. conhecia ela.
eles dormiam juntos, às vezes, nas ruas. cuidavam um do outro, quando podiam.
o garoto fechou os olhos, embalado pela onda da cola.
sonhou com a menina. estavam juntos, em um lugar limpo.
os dois riam. e eram felizes.
mas ele abriu os olhos.
os dois se abraçaram, invisíveis para o resto do mundo.
de um jeito torto, da única maneira que os dois conheciam, eles experimentaram algo que as outras pessoas chamavam de amor.
o sol já estava alto no céu. dormira na praça. não. desmaiara na praça. a dor do seu corpo o faz lembrar que havia apanhado de novo dos caras mais velhos e eles haviam roubado o dinheiro que ele havia conseguido.
havia um gosto de sangue velho em sua boca. o olho parecia estar inchado, mas ele não se importava muito. a fome doía mais dentro dele do que qualquer outra dor física. a fome corroía seu corpo. não o deixava pensar, não o deixava.
ele levanta, caminha até a rua, olhando as pessoas. precisava comer algo. qualquer coisa.
mas ele era invisível. os homens e mulheres passavam a sua volta, ignorando os olhos que pediam atenção. aprendera desde cedo que as crianças de rua eram invisíveis. eventualmente, um dono de loja ou um policial o via, quando tentava roubar algo. mas era invisível quase o tempo todo. por alguma razão que ele não sabia nomear, sentia um vazio dentro de si, quando pensava que não podia ser visto.
vira uma vez outro menino, mais novo que ele, morto em uma calçada do centro. as pessoas passavam por ele como se passassem por um animal.
era isso que ele sentia. sentia que para eles era como um animal. menos que isso, ainda.
pediu, implorou por esmola, mas não ganhou nada. depois de 2 horas, sentou-se junto à marquize de um velho edifício e, com a cabeça entre as mãos, deixou duas lágrimas escaparem por seus olhos. chorou de raiva. chorou de frustração.
e acima de tudo, chorou de fome.
não percebeu que uma menina sentou ao seu lado. ela usava uma camiseta branca, muito maior que o tamanho dela e que agora era de uma cor indefinida. a cor das ruas.
ela deu a ele uma garrafa plástica. no fundo, uma cola espessa. ele cheirou, sem falar nada. conhecia ela.
eles dormiam juntos, às vezes, nas ruas. cuidavam um do outro, quando podiam.
o garoto fechou os olhos, embalado pela onda da cola.
sonhou com a menina. estavam juntos, em um lugar limpo.
os dois riam. e eram felizes.
mas ele abriu os olhos.
os dois se abraçaram, invisíveis para o resto do mundo.
de um jeito torto, da única maneira que os dois conheciam, eles experimentaram algo que as outras pessoas chamavam de amor.
sou viciado em primeiras vezes.
não... não estou falando em sexo.
tá. estou falando de sexo também, mas não só de sexo. eu sou viciado em começar coisas.
amo a sensação de estar estreando algo, de estar fazendo aquilo pela primeira vez. amo sentir o frio na barriga de antecipação. adoro sentir o relaxamento que vem depois que algo feito pela primeira vez termina bem.
mas não sou bom em continuar coisas. isso é algo que ainda estou aprendendo.
eu era do tipo que construiria um castelo, pedra por pedra, só para poder vê-lo terminado. e então virar as costas e procurar outro local interessante para construir um castelo. e recomeçar.
estou aprendendo aos poucos a cuidar do que me é importante. e não apenas virar as costas e recomeçar.
algumas vezes há diversão em apenas cuidar de algo.
não... não estou falando em sexo.
tá. estou falando de sexo também, mas não só de sexo. eu sou viciado em começar coisas.
amo a sensação de estar estreando algo, de estar fazendo aquilo pela primeira vez. amo sentir o frio na barriga de antecipação. adoro sentir o relaxamento que vem depois que algo feito pela primeira vez termina bem.
mas não sou bom em continuar coisas. isso é algo que ainda estou aprendendo.
eu era do tipo que construiria um castelo, pedra por pedra, só para poder vê-lo terminado. e então virar as costas e procurar outro local interessante para construir um castelo. e recomeçar.
estou aprendendo aos poucos a cuidar do que me é importante. e não apenas virar as costas e recomeçar.
algumas vezes há diversão em apenas cuidar de algo.
17.9.06
dream on
can you feel a little love?
as your bony fingers close around me
long and spindly
death becomes me
heaven can you see what i see
hey you pale and sickly child
you're death and living reconciled
been walking home a crooked mile
paying debt to karma
you party for a living
what you take won't kill you
but careful what you're giving
there's no time for hesitating
pain is ready, pain is waiting
primed to do it's educating
unwanted, uninvited kin
it creeps beneath your crawling skin
it lives without it lives within you
feel the fever coming
you're shaking and twitching
you can scratch all over
but that won't stop you itching
can you feel a little love?
can you feel a little love?
dream on dream on
blame it on your karmic curse
or shame upon the universe
it knows its lines
it's well rehearsed
it sucked you in, it dragged you down
to where there is no hallow ground
where holiness is never found
paying debt to karma
you party for a living
what you take won't kill you
but careful what you're giving
can you feel a little love?
can you feel a little love?
dream on dream on
can you feel a little love?
can you feel a little love?
dream on dream on
dream on dream on
as your bony fingers close around me
long and spindly
death becomes me
heaven can you see what i see
hey you pale and sickly child
you're death and living reconciled
been walking home a crooked mile
paying debt to karma
you party for a living
what you take won't kill you
but careful what you're giving
there's no time for hesitating
pain is ready, pain is waiting
primed to do it's educating
unwanted, uninvited kin
it creeps beneath your crawling skin
it lives without it lives within you
feel the fever coming
you're shaking and twitching
you can scratch all over
but that won't stop you itching
can you feel a little love?
can you feel a little love?
dream on dream on
blame it on your karmic curse
or shame upon the universe
it knows its lines
it's well rehearsed
it sucked you in, it dragged you down
to where there is no hallow ground
where holiness is never found
paying debt to karma
you party for a living
what you take won't kill you
but careful what you're giving
can you feel a little love?
can you feel a little love?
dream on dream on
can you feel a little love?
can you feel a little love?
dream on dream on
dream on dream on
depeche mode - dream on
amor eternno
o silêncio é a moldura do amor dele.
ele se cala diante do sorriso dela. não porque parece desdenhoso, mas porque o desarma no primeiro segundo.
e fica em silêncio, enquanto ela pega um cigarro despretensiosamente e o acende.
é em silêncio que ele observa o cabelo dela cair sobre o rosto.
e é em silêncio que ele deseja que a noite não acabe nunca.
ele se cala diante do sorriso dela. não porque parece desdenhoso, mas porque o desarma no primeiro segundo.
e fica em silêncio, enquanto ela pega um cigarro despretensiosamente e o acende.
é em silêncio que ele observa o cabelo dela cair sobre o rosto.
e é em silêncio que ele deseja que a noite não acabe nunca.
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