a menina olhava os céus... esperou até a primeira estrela aparecer e fez um pedido.
a mulher olha os céus. as últimas estrelas desaparecem no céu e ela sorri...
27.9.06
23.9.06
ele deseja as vestes do paraíso
tivesse eu as bordadas vestes do paraíso,
tecidas com a luz do ouro e da prata,
o azul e o sombrio e as vestes negras da noite
e a luz e o crepúsculo,
eu espalharia as vestes sob seus pés.
mas, sendo eu pobre, tenho apenas meus sonhos.
tendo eu espalhado meus sonhos sob seus pés,
pisa suavemente,
porque caminhas sobre os meus sonhos.
tecidas com a luz do ouro e da prata,
o azul e o sombrio e as vestes negras da noite
e a luz e o crepúsculo,
eu espalharia as vestes sob seus pés.
mas, sendo eu pobre, tenho apenas meus sonhos.
tendo eu espalhado meus sonhos sob seus pés,
pisa suavemente,
porque caminhas sobre os meus sonhos.
w. b. yeats - he wishes for the clothes of heaven
tradução: marcio carvalho
tradução: marcio carvalho
22.9.06
20.9.06
acordou com o corpo dolorido.
o sol já estava alto no céu. dormira na praça. não. desmaiara na praça. a dor do seu corpo o faz lembrar que havia apanhado de novo dos caras mais velhos e eles haviam roubado o dinheiro que ele havia conseguido.
havia um gosto de sangue velho em sua boca. o olho parecia estar inchado, mas ele não se importava muito. a fome doía mais dentro dele do que qualquer outra dor física. a fome corroía seu corpo. não o deixava pensar, não o deixava.
ele levanta, caminha até a rua, olhando as pessoas. precisava comer algo. qualquer coisa.
mas ele era invisível. os homens e mulheres passavam a sua volta, ignorando os olhos que pediam atenção. aprendera desde cedo que as crianças de rua eram invisíveis. eventualmente, um dono de loja ou um policial o via, quando tentava roubar algo. mas era invisível quase o tempo todo. por alguma razão que ele não sabia nomear, sentia um vazio dentro de si, quando pensava que não podia ser visto.
vira uma vez outro menino, mais novo que ele, morto em uma calçada do centro. as pessoas passavam por ele como se passassem por um animal.
era isso que ele sentia. sentia que para eles era como um animal. menos que isso, ainda.
pediu, implorou por esmola, mas não ganhou nada. depois de 2 horas, sentou-se junto à marquize de um velho edifício e, com a cabeça entre as mãos, deixou duas lágrimas escaparem por seus olhos. chorou de raiva. chorou de frustração.
e acima de tudo, chorou de fome.
não percebeu que uma menina sentou ao seu lado. ela usava uma camiseta branca, muito maior que o tamanho dela e que agora era de uma cor indefinida. a cor das ruas.
ela deu a ele uma garrafa plástica. no fundo, uma cola espessa. ele cheirou, sem falar nada. conhecia ela.
eles dormiam juntos, às vezes, nas ruas. cuidavam um do outro, quando podiam.
o garoto fechou os olhos, embalado pela onda da cola.
sonhou com a menina. estavam juntos, em um lugar limpo.
os dois riam. e eram felizes.
mas ele abriu os olhos.
os dois se abraçaram, invisíveis para o resto do mundo.
de um jeito torto, da única maneira que os dois conheciam, eles experimentaram algo que as outras pessoas chamavam de amor.
o sol já estava alto no céu. dormira na praça. não. desmaiara na praça. a dor do seu corpo o faz lembrar que havia apanhado de novo dos caras mais velhos e eles haviam roubado o dinheiro que ele havia conseguido.
havia um gosto de sangue velho em sua boca. o olho parecia estar inchado, mas ele não se importava muito. a fome doía mais dentro dele do que qualquer outra dor física. a fome corroía seu corpo. não o deixava pensar, não o deixava.
ele levanta, caminha até a rua, olhando as pessoas. precisava comer algo. qualquer coisa.
mas ele era invisível. os homens e mulheres passavam a sua volta, ignorando os olhos que pediam atenção. aprendera desde cedo que as crianças de rua eram invisíveis. eventualmente, um dono de loja ou um policial o via, quando tentava roubar algo. mas era invisível quase o tempo todo. por alguma razão que ele não sabia nomear, sentia um vazio dentro de si, quando pensava que não podia ser visto.
vira uma vez outro menino, mais novo que ele, morto em uma calçada do centro. as pessoas passavam por ele como se passassem por um animal.
era isso que ele sentia. sentia que para eles era como um animal. menos que isso, ainda.
pediu, implorou por esmola, mas não ganhou nada. depois de 2 horas, sentou-se junto à marquize de um velho edifício e, com a cabeça entre as mãos, deixou duas lágrimas escaparem por seus olhos. chorou de raiva. chorou de frustração.
e acima de tudo, chorou de fome.
não percebeu que uma menina sentou ao seu lado. ela usava uma camiseta branca, muito maior que o tamanho dela e que agora era de uma cor indefinida. a cor das ruas.
ela deu a ele uma garrafa plástica. no fundo, uma cola espessa. ele cheirou, sem falar nada. conhecia ela.
eles dormiam juntos, às vezes, nas ruas. cuidavam um do outro, quando podiam.
o garoto fechou os olhos, embalado pela onda da cola.
sonhou com a menina. estavam juntos, em um lugar limpo.
os dois riam. e eram felizes.
mas ele abriu os olhos.
os dois se abraçaram, invisíveis para o resto do mundo.
de um jeito torto, da única maneira que os dois conheciam, eles experimentaram algo que as outras pessoas chamavam de amor.
sou viciado em primeiras vezes.
não... não estou falando em sexo.
tá. estou falando de sexo também, mas não só de sexo. eu sou viciado em começar coisas.
amo a sensação de estar estreando algo, de estar fazendo aquilo pela primeira vez. amo sentir o frio na barriga de antecipação. adoro sentir o relaxamento que vem depois que algo feito pela primeira vez termina bem.
mas não sou bom em continuar coisas. isso é algo que ainda estou aprendendo.
eu era do tipo que construiria um castelo, pedra por pedra, só para poder vê-lo terminado. e então virar as costas e procurar outro local interessante para construir um castelo. e recomeçar.
estou aprendendo aos poucos a cuidar do que me é importante. e não apenas virar as costas e recomeçar.
algumas vezes há diversão em apenas cuidar de algo.
não... não estou falando em sexo.
tá. estou falando de sexo também, mas não só de sexo. eu sou viciado em começar coisas.
amo a sensação de estar estreando algo, de estar fazendo aquilo pela primeira vez. amo sentir o frio na barriga de antecipação. adoro sentir o relaxamento que vem depois que algo feito pela primeira vez termina bem.
mas não sou bom em continuar coisas. isso é algo que ainda estou aprendendo.
eu era do tipo que construiria um castelo, pedra por pedra, só para poder vê-lo terminado. e então virar as costas e procurar outro local interessante para construir um castelo. e recomeçar.
estou aprendendo aos poucos a cuidar do que me é importante. e não apenas virar as costas e recomeçar.
algumas vezes há diversão em apenas cuidar de algo.
17.9.06
dream on
can you feel a little love?
as your bony fingers close around me
long and spindly
death becomes me
heaven can you see what i see
hey you pale and sickly child
you're death and living reconciled
been walking home a crooked mile
paying debt to karma
you party for a living
what you take won't kill you
but careful what you're giving
there's no time for hesitating
pain is ready, pain is waiting
primed to do it's educating
unwanted, uninvited kin
it creeps beneath your crawling skin
it lives without it lives within you
feel the fever coming
you're shaking and twitching
you can scratch all over
but that won't stop you itching
can you feel a little love?
can you feel a little love?
dream on dream on
blame it on your karmic curse
or shame upon the universe
it knows its lines
it's well rehearsed
it sucked you in, it dragged you down
to where there is no hallow ground
where holiness is never found
paying debt to karma
you party for a living
what you take won't kill you
but careful what you're giving
can you feel a little love?
can you feel a little love?
dream on dream on
can you feel a little love?
can you feel a little love?
dream on dream on
dream on dream on
as your bony fingers close around me
long and spindly
death becomes me
heaven can you see what i see
hey you pale and sickly child
you're death and living reconciled
been walking home a crooked mile
paying debt to karma
you party for a living
what you take won't kill you
but careful what you're giving
there's no time for hesitating
pain is ready, pain is waiting
primed to do it's educating
unwanted, uninvited kin
it creeps beneath your crawling skin
it lives without it lives within you
feel the fever coming
you're shaking and twitching
you can scratch all over
but that won't stop you itching
can you feel a little love?
can you feel a little love?
dream on dream on
blame it on your karmic curse
or shame upon the universe
it knows its lines
it's well rehearsed
it sucked you in, it dragged you down
to where there is no hallow ground
where holiness is never found
paying debt to karma
you party for a living
what you take won't kill you
but careful what you're giving
can you feel a little love?
can you feel a little love?
dream on dream on
can you feel a little love?
can you feel a little love?
dream on dream on
dream on dream on
depeche mode - dream on
amor eternno
o silêncio é a moldura do amor dele.
ele se cala diante do sorriso dela. não porque parece desdenhoso, mas porque o desarma no primeiro segundo.
e fica em silêncio, enquanto ela pega um cigarro despretensiosamente e o acende.
é em silêncio que ele observa o cabelo dela cair sobre o rosto.
e é em silêncio que ele deseja que a noite não acabe nunca.
ele se cala diante do sorriso dela. não porque parece desdenhoso, mas porque o desarma no primeiro segundo.
e fica em silêncio, enquanto ela pega um cigarro despretensiosamente e o acende.
é em silêncio que ele observa o cabelo dela cair sobre o rosto.
e é em silêncio que ele deseja que a noite não acabe nunca.
10.9.06
recomeço
ele destrói tudo o que está no quarto. joga os livros todos no chão, arranca a televisão do suporte. destrói o quadro de fotos, quebra a cama. os pôsteres estão rasgados, o computador está em pedaços em um canto, nada está no lugar.
ele respira ofegante, olhando para tudo.
e começa a juntar novamente os pedaços.
ele respira ofegante, olhando para tudo.
e começa a juntar novamente os pedaços.
faço da minha vida um filme...
o elenco é um tanto grande e eu não gosto muito do protagonista.
mas, acho que ele precisa de um par romântico.
se ao menos eu pudesse ler o roteiro.
não! na real, eu queria ter acesso ao roteiro para mudar algumas partes do passado do protagonista.
personagens complicados me parecem um tanto fáceis de se prever. sempre terminam se enrolando.
é. reviravoltas. preciso de reviravoltas no roteiro.
e sem dúvida, de uma luz melhor.
mas eu gosto da trilha sonora...
o elenco é um tanto grande e eu não gosto muito do protagonista.
mas, acho que ele precisa de um par romântico.
se ao menos eu pudesse ler o roteiro.
não! na real, eu queria ter acesso ao roteiro para mudar algumas partes do passado do protagonista.
personagens complicados me parecem um tanto fáceis de se prever. sempre terminam se enrolando.
é. reviravoltas. preciso de reviravoltas no roteiro.
e sem dúvida, de uma luz melhor.
mas eu gosto da trilha sonora...
negócio arriscado
a fumaça com cheiro de pólvora se mistura à fumaça de tabaco.
os tiros ainda ecoam no beco. o homem de sobretudo segura a arma no ar, como se fizesse pose para uma foto.
a chuva escorre do corpo caído. uma poça de água e sangue se forma no chão. olhos vidrados olham em direção ao céu.
o homem joga o resto do cigarro fora e guarda a arma calmamente. sente o cano ainda quente, no coldre junto ao peito.
ele fecha o sobretudo e caminha em direção a um carro. a chuva cai violentamente, como se deus quisesse lavar o mundo de tudo o que é errado.
"não ia sobrar muita gente", o homem pensa.
ele entra no carro e pega algo no porta-luvas. olha o distintivo da polícia por um segundo e o recoloca dentro do bolso da camisa.
um celular toca. o homem atende:
"eu."
"e então?"
"já foi."
"ótimo. nos encontramos mais tarde?"
"ok. mas esse foi o último."
"a gente conversa sobre isso depois. no lugar de sempre?"
"é. trás a grana."
"claro. até."
as luzes dos faróis tentam iluminar a noite, mas a chuva não deixa.
o homem sai com o carro, sabendo que o corpo que está jogado no beco não foi o último. mais um corpo espera por ele num restaurante, com uma mala cheia de dinheiro.
os tiros ainda ecoam no beco. o homem de sobretudo segura a arma no ar, como se fizesse pose para uma foto.
a chuva escorre do corpo caído. uma poça de água e sangue se forma no chão. olhos vidrados olham em direção ao céu.
o homem joga o resto do cigarro fora e guarda a arma calmamente. sente o cano ainda quente, no coldre junto ao peito.
ele fecha o sobretudo e caminha em direção a um carro. a chuva cai violentamente, como se deus quisesse lavar o mundo de tudo o que é errado.
"não ia sobrar muita gente", o homem pensa.
ele entra no carro e pega algo no porta-luvas. olha o distintivo da polícia por um segundo e o recoloca dentro do bolso da camisa.
um celular toca. o homem atende:
"eu."
"e então?"
"já foi."
"ótimo. nos encontramos mais tarde?"
"ok. mas esse foi o último."
"a gente conversa sobre isso depois. no lugar de sempre?"
"é. trás a grana."
"claro. até."
as luzes dos faróis tentam iluminar a noite, mas a chuva não deixa.
o homem sai com o carro, sabendo que o corpo que está jogado no beco não foi o último. mais um corpo espera por ele num restaurante, com uma mala cheia de dinheiro.
natascha
ela não consegue respirar.
as paredes do quarto se fecham cada vez mais. ela não sabe se é dia ou noite, não há janelas. não há saída.
as paredes se fecham sobre natascha. ela luta contra a exaustão e o sono.
ela chora em silêncio. já não tem mais voz.
as mãos estão machucadas de bater na porta. sua mãe não pode ouvir. ninguém pode.
as paredes se fecham e ela não consegue respirar.
medo.
na primeira noite (era mesmo uma noite?) ela pediu para fugir.
depois pediu a deus para morrer.
deus não a ouviu.
natascha está sozinha.
não. quando a luz do lado de fora do quarto se acende, ela sabe que não está sozinha.
ele. ele está lá.
a porta se abre e a luz invade o minúsculo quarto.
cega, ela se arrasta para a parede contrária.
não é longe o bastante.
natascha não pode escapar.
as paredes do quarto se fecham cada vez mais. ela não sabe se é dia ou noite, não há janelas. não há saída.
as paredes se fecham sobre natascha. ela luta contra a exaustão e o sono.
ela chora em silêncio. já não tem mais voz.
as mãos estão machucadas de bater na porta. sua mãe não pode ouvir. ninguém pode.
as paredes se fecham e ela não consegue respirar.
medo.
na primeira noite (era mesmo uma noite?) ela pediu para fugir.
depois pediu a deus para morrer.
deus não a ouviu.
natascha está sozinha.
não. quando a luz do lado de fora do quarto se acende, ela sabe que não está sozinha.
ele. ele está lá.
a porta se abre e a luz invade o minúsculo quarto.
cega, ela se arrasta para a parede contrária.
não é longe o bastante.
natascha não pode escapar.
às vezes canso de falar de mim...
juro que hoje queria falar de outra pessoa, outra vida.
mas aí percebo que a única pessoa que conheço de verdade sou eu (e mesmo assim, ainda me surpreendo). e a única vida que sei como é vivida é a minha.
e eu estou aqui lutando contra uma vontade enorme de cavar um buraco no me quarto e passar alguns anos por lá.
nha... coisas do domingo. não liguem...
juro que hoje queria falar de outra pessoa, outra vida.
mas aí percebo que a única pessoa que conheço de verdade sou eu (e mesmo assim, ainda me surpreendo). e a única vida que sei como é vivida é a minha.
e eu estou aqui lutando contra uma vontade enorme de cavar um buraco no me quarto e passar alguns anos por lá.
nha... coisas do domingo. não liguem...
o garoto olha os homens indo embora
apinhados como bichos, no caminhão
que chora e range enquanto se afasta.
ele ficou com as irmãs e a mãe.
o homem que ele chama de pai se foi
o garoto que ele chama de irmão também.
nos meses seguintes, suas únicas companheiras são
a mãe
as irmãs
e a fome.
ele vai com a irmã mais velha todas as manhãs, buscar água
água com cor de terra
e gosto de terra
mas que os faz sobreviver mais um dia.
o sertão tem a cara da morte,
usa uma máscara de caveira de boi.
um dia, sua irmã mais nova morreu
assim, assim...
parou de se mexer (não chorava há alguns dias),
desistiu de lutar contra a fome e a sede.
a mãe a enterrou no fundo do quintal.
a morte é companheira do menino.
ele conversa com ela todos os dias, quando vai dormir.
o menino houve a mãe falar de deus e do diabo,
do céu e do inferno.
ele não precisa de explicações,
sabe bem em qual dos dois está.
apinhados como bichos, no caminhão
que chora e range enquanto se afasta.
ele ficou com as irmãs e a mãe.
o homem que ele chama de pai se foi
o garoto que ele chama de irmão também.
nos meses seguintes, suas únicas companheiras são
a mãe
as irmãs
e a fome.
ele vai com a irmã mais velha todas as manhãs, buscar água
água com cor de terra
e gosto de terra
mas que os faz sobreviver mais um dia.
o sertão tem a cara da morte,
usa uma máscara de caveira de boi.
um dia, sua irmã mais nova morreu
assim, assim...
parou de se mexer (não chorava há alguns dias),
desistiu de lutar contra a fome e a sede.
a mãe a enterrou no fundo do quintal.
a morte é companheira do menino.
ele conversa com ela todos os dias, quando vai dormir.
o menino houve a mãe falar de deus e do diabo,
do céu e do inferno.
ele não precisa de explicações,
sabe bem em qual dos dois está.
ele olha para o céu, que começa a clarear.
a grande lua cheia ainda reina, mas as nuvens no horizonte começam a se avermelhar, antecipando a presença de uma manhã.
a paisagem se move depressa, do lado de fora da janela do carro. as luzes da cidade vão sa afastando. o homem observa e não pode deixar de ficar impressionado com a beleza dessa simplicidade.
a cidade se torna onírica, no final da madrugada. não há pessoas nas ruas, tudo parece deserto.
ele ouve o sussuro da cidade que ainda dorme e guarda seus segredos.
os primeiros raios de sol pintam de dourados os edifícios. ao longe, o mar parece competir com o sol que se levanta, espalhando luz por todos os lados.
o homem pensa consigo mesmo que o amanhecer e o anoitecer são as horas que ele mais gosta. elas têm um sentido quase religioso de mudança.
a paisagem se afasta rápido, do lado de fora.
dentro do carro, um homeme sorri.
a grande lua cheia ainda reina, mas as nuvens no horizonte começam a se avermelhar, antecipando a presença de uma manhã.
a paisagem se move depressa, do lado de fora da janela do carro. as luzes da cidade vão sa afastando. o homem observa e não pode deixar de ficar impressionado com a beleza dessa simplicidade.
a cidade se torna onírica, no final da madrugada. não há pessoas nas ruas, tudo parece deserto.
ele ouve o sussuro da cidade que ainda dorme e guarda seus segredos.
os primeiros raios de sol pintam de dourados os edifícios. ao longe, o mar parece competir com o sol que se levanta, espalhando luz por todos os lados.
o homem pensa consigo mesmo que o amanhecer e o anoitecer são as horas que ele mais gosta. elas têm um sentido quase religioso de mudança.
a paisagem se afasta rápido, do lado de fora.
dentro do carro, um homeme sorri.
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