5.7.06

i like you

something in you caused me to, take a new tact with you,
you were going through something, i had just about scraped through
why do you think i let you get away, with the things you say to me?
could it be i like you, it's so shameful of me, i like you

no one i ever knew or have spoken to, resembles you,
this is good or bad, all depending on, my general mood
why do you think i let you get away, with all the things you say to me?
could it be i like you, it's so shameful of me, i like you

magistrates who spend their lives, hiding their mistakes
they look at you and i, and, envy makes them cry, envy makes them cry

forces of containment, they shove their fat faces into mine,
you and i just smile, because we're thinking the same lines
why do you think i let you get away, with all the things you say to me?
could it be i like you, it's so shameful of me, i like you

you're not right in the head and nor am i, and this why,
you're not right in the head and nor am i, and this why
this is why i like you, i like you, i like you,
this is why i like you, i like you, i like you
because you're not right in the head, and nor am i, and this is why,
you're not right in the head, and nor am I and this is why,
this is why i like you, i like you, i like you, i like you
this is why i like you, i like you, i like you, i like you,
this is why i like you, i like you...

morrissey - i like you

pra você

a raposa corre por entre os arbustos...

"preciso fugir." é tudo o que se passa em sua cabeça. os olhos verdes percorrem o terreno, procurando o melhor lugar para se esconder.

o rapaz olha, à distância, o pequeno animal se afastar. ele não consegue entender o que acontece.

a raposa encontra sua antiga toca. o local onde dormiu no inverno. ela se sente segura. deitada, ela lembra-se do rapaz que encontrara num outono distante, que vinha todos os dias para a floresta, só para visitá-la. aprendeu a desfrutar da companhia dele. percebeu-se esperando o momento em que ele apareceria, só para chegar perto.

mas uma noite, uma noite a raposa teve um pesadelo. ela estava presa, dentro de uma jaula, iguais às que via alguns caçadores carregarem. e o rapaz estava lá fora e a olhava dentro da jaula.
e a raposa sentiu medo e raiva.

e ela precisou fugir.

agora estava deitada em sua toca, pensando no rapaz e na jaula. nas tarde de outono e no medo de estar presa, de viver uma vida como uma raposa presa.

quando uma melodia tomou o ar.

levantando as orelhas, curiosa, a raposa lembrou-se daquela música. o rapaz trouxe uma gaita, uma vez, até a floresta e tocou para a raposa.

"esta é sua música", disse o rapaz.

"nossa música".

e a raposa se lembrou que foi feliz naquela tarde.

o rapaz estava tocando, pensando naquela música e no que ela representava para ele, quando viu o pequeno animal de pêlos vermelhos e olhos curiosos perto de si. a raposa o observava.

ele se sentou numa pedra e continuou tocando. a raposa aproximou-se, até aninhar a cabeça em seu colo. ele a acariciou, sentindo o pêlo macio.

naquela noite, a raposa sonhou. e no sonho não havia jaulas ou medo. no sonho, ela era uma menina com olhos de raposa.

e o rapaz estava com ela.

3.7.06

e eu tenho certeza de que vou sonhar com canela, cigarros e café...
eles procuram razões, onde só há o silêncio de dois olhares.

vasculham em seus corações, procurando o momento em que tudo aquilo se tornou real, mas não percebem uma linha, uma fronteira.

perseguem explicações para apaziguar todas as dúvidas, em vão.

em seus corações, um fogo novo queima. brilhante e perigoso...

fascina-os...

seduz...

2.7.06

roughness

she slips into her sickness and she don't regret a thing
she's trying to resist him but she knows she loves pain...
come into my bed i have nothing left to hide
voices in my head can't stop this burning inside

and i fight it, deny it, keep quiet... but i like it.

she watches from a distance
she knows what he's about
she's trying to resist him
he puts it into her mouth...

crawling on my flesh
i have nothing left to feel
deeper that it gets
this open wound will not heal

and i fight it, deny it, keep quiet… but i like it.

i push you out
i pull you in
but will it end where you begin?
you tell me not to be afraid

but you're the one
who's not safe (from me)
and i bleed and i plead
down on my knees

while you need for me to say i like it,
but you know i like it
like you like it...

ROUGH

tura satana - roughness

dream nature

de repente, tudo me parece muito possível.

a noite tem uma cor nova, hoje. um tom novo.

e tenho vontade de desvendá-la de novo.
me sentindo estranho.

pensando sobre coisas... tentando absorver a profusão de imagens e sentimentos que se apoderaram de mim.

respostas.

queria que a vida fosse como os livros de professores... e que só bastasse olhar no final pra saber a resposta de tudo.

comunhão

ele sente o ardor do corte e um calor que irradia em seu braço. ela o olha em silêncio, com um olhar com milhares de significados. ele retorna o olhar, chamando-a.

ela repousa a lâmina no chão e em silêncio, ela abaixa a cabeça e começa a provar o líquido que escorre da ferida. ele sente os beijos. sente a língua dela passeando na pele. sente os lábios sorvendo o sangue.

ele geme, mais de prazer que de dor e a aperta em direção a si. ela se aninha em seu abraço e continua.

ele dá a ela o sangue.

ela entrega a alma à ele.
você tem rosto de menina e um sorriso que atravessa meu peito e me acerta em algum lugar que eu nem sabia mais que existia.

e tem olhos de raposa, uma boca que me chama com uma linguagem própria.

você tem gosto de canela, vinho e sonho.

você tem desejos que quero completar.

você tem um segredo para mim.

1.7.06

void

ele guarda um segredo.

em sua casa, há um porão de pedra. as paredes são de um vermelho vivo. tudo dentro da sala tem o mesmo tom sangüíneo.

em uma das paredes existe um pequeno buraco de forma quadrada.

o buraco já estava lá quando ele descobriu o porão.

ele guarda um segredo.

ele encontrou a pedra que completa o vazio na parede do quarto vermelho sangue.
depois de muito tempo...

eu fiquei com vontade de ter mais... muito mais...

vontade de tudo.

30.6.06

coffee & cigarettes

ela aperta o cigarro contra o cinzeiro, apagando o que restou dele e solta a fumaça de uma forma perfeita.

ele observa a névoa branca e espessa, dispersando-se no ar e se misturando ao vapor que sai de seu capuccino. comenta sobre o filme que viram há pouco.

ela bebe o café, olhando-o por detrás da xícara. ele pensa que em algum lugar do mundo, homens poderiam ser presos só pelo que passou de leve em sua cabeça e tenta montar uma frase sobre qualquer coisa.

ela pensa em como a vida é estranha. em como é familiar estar ali, mesmo que nunca tivesse imaginado aquela situação, aquele lugar. ela pensa em como ele parece distraído e pensa que, gostaria de chegar mais perto daqueles lábios.

ele a olha e a pega olhando para sua boca. ele pensa na fixação que as meninas têm pela boca dele e esboça um sorriso. comenta sobre campbell e algo que leu sobre bukowski, um dia desses.

ela pega a cartela de cigarros e brinca com um deles, entre os dedos. ele puxa um isqueiro e ela sorri, lembrando-se de uma brincadeira dos dois.

ele acende o cigarro dela e pensa em coisas que o fariam ser torturado em alguns estados americanos. o gosto do capuccino é doce. gostaria de saber que gosto os lábios dela têm.

ela dá uma tragada e solta a fumaça em direção a ele. por um desses mistérios do mundo, a fumaça parece envolver os dois, aproximá-los, cada vez mais.

ele se levanta, comentando que acha que ela precisa ir, pois precisa acordar cedo no dia seguinte. ela concorda, desanimada e levanta-se, também. começa a caminhar, pensando em como algumas coisas são tão difíceis, mas após alguns passos, sente a mão dele agarrando seu braço.

ela olha na direção dele pensando em dizer algo, mas os lábios dela a tocam. ela fecha os olhos e se cala.

a fumaça que sai do cigarro dela os envolve, misturada ao vapor de café e capuccino.
ele abaixa a cabeça. não conseguiria olhar nos olhos deles, agora.

em seu interior, imagens sucedem-se numa espécie de filme. ele fecha os olhos por instantes, para assistir. sangue. assassinato.

ele balança a cabeça, tentando apagar as imagens de dentro de si. mas elas continuam lá. uma película que se repete, cada vez com mais detalhes... cada vez ele gosta mais do que vê.

ele sai de casa, sem falar com eles. ele sente uma dor dentro de si que nasceu de um vazio que nunca foi preenchido.

ele culpa o mundo... ele culpa eles... ele culpa a si próprio.

caminhando na noite, ele busca algo.

redenção ou um bar aberto...

a segunda opção sempre se mostra mais ao alcance.

a bebida é ruim, mas faz os pensamentos se calarem.

ele olha o vazio e se vê.

25.6.06

slit the soul

meu cordel estradeiro

a bença manoel chudu
o meu cordel estradeiro
vem lhe pedir permissão
pra se tornar verdadeiro

pra se tornar mensageiro
da força do teu trovão
e as asas da tanajura
fazer voar o sertão

meu moxotó coroado
de xiquexique e facheiro
onde a cascavel cachila
na boca do cangaceiro

eu também sou cangaceiro
e o meu cordel estradeiro
é cascavel poderosa
é chuva que cai maneira
aguando a terra quente
erguendo um véu de poeira
deixando a tarde cheirosa

é planta que cobre o chão
na primeira trovoada
a noite que desce fria
depois da tarde molhada

é seca desesperada
rasgando o bucho do chão

é inverno e é verão

é canção de lavadeira
peixeira de lampião
as luzes do vaga-lume
alpendre de casarão
a cuia do velho cego
terreiro de amarração
o ramo da rezadeira
o banzo de fim de feira
janela de caminhão

vocês que estão no palácio
venham ouvir meu pobre pinho
não tem o cheiro do vinho
das uvas frescas do lácio
mas tem a cor de inácio
da serra da catingueira
um cantador de primeira
que nunca foi numa escola

pois meu verso é feito a foice
do cassaco cortar cana
sendo de cima pra baixo
tanto corta como espana
sendo de baixo pra cima
voa do cabo e se dana!

cordel do fogo encantado - meu cordel estradeiro

cover the walls

ela chora, encolhida em seu quarto.

a dor toma seu corpo, sugando suas forças, fazendo-a dobrar sobre si mesma.

ela fala baixinho, pede a deus para parar.

mas ela sabe que não vai. ela sabe que a dor é o castigo d'Ele para seus pensamentos.

ela quer muito que eles parem. quer que tudo acabe.

mas Ele não a ouvirá.

bargain

ele fecha os olhos, procurando dentro de si. o silêncio do quarto só é quebrado pela respiração e o crepitar de uma vela.

ele diz as palavras que aprendeu de forma baixa, quase um sussurro. repetindo-as em sua mente, mais uma vez e outra e outra.

as paredes do quarto parecem se mover, afastando-se... o cômodo cresce e aos poucos muda de forma, frente a ele.

a vela apaga-se, com um barulho de bater de asas e o rapaz abre os olhos.

um corvo grande olha-o, com curiosidade. o pássaro dá dois passos à frente e abrindo o bico, para falar:

- isso sim é algo inesperado.

o rapaz levanta-se, assustado e admirado, olha em volta, para um cômodo muitas vezes maior que o quarto que deixou. o corvo faz um barulho com a garganta, chamando a atenção para si novamente.

- hã... eu posso te mostrar o lugar, depois. parece mesmo que você não deveria estar aqui.

- aqui é o reino onde os sonhos são tecidos?

o corvo vira a cabeça, divertidamente.

- hum... sim! você pode dizer desse jeito.

- e você é o senhor daqui?

- não, não! sou um dos empregados daqui. se quiser, te levo até o chefe.

nesse momento, as sombras adiante deles parecem se mover, abrindo passagem para um homem alto, vestido totalmente de negro. os olhos parecem poços refletindo a luz das estrelas, em meio a um rosto pálido como uma estátua. ele fala com uma voz que lembra os sons da noite.

- não será preciso, matthew... eu percebi a chegada de nosso... visitante.

o corvo voa em direção ao homem e pousa em seu ombro.

- oi, chefe! acho que temos um perdido, aqui.

- sim... ele veio para o sonhar através dos caminhos antigos... é admirável o que os mortais conseguem, quando se esforçam.

- eu... você é um deles, não? um dos perpétuos. lorde sonho.

- sim... eu sou sonho, dos perpétuos. e você veio até o meu reino em busca de algo...

- você é o senhor das histórias. e é isso que eu quero... eu quero conhecer as histórias. quero escrever sobre elas.

o senhor dos sonhos voltou-se para o corvo:

- matthew... deixe-nos a sós...

- ok, chefe!

o pássaro voou para as sombras, lançando o que poderia se chamar de um sorriso de corvo para o rapaz. o homem de negro aproxima-se mais e o rapaz percebe que em algum lugar, no manto dele, uma chama queima, antiga e inalcansável.

- me disseram que eu deveria procurá-lo. que você poderia me entregar o que posso.

- sim... eu posso entregar-lhe as histórias...

o jovem rapaz sorri.

- mas você deverá deixar algo seu aqui.

- o quê? eu não trouxe nada.

- se você desejar as histórias, deve entregar algo que seja seu. é a lei...

- mas...

- você aceita?

ele pensa, por vários segundos. o homem a sua frente fica impassível. seu rosto de estátua não se move.

- eu... eu aceito.

- pois bem. que seja...

e o sonho toca a testa do rapaz. ele fecha os olhos e vê todas as histórias rodando à sua volta, ele as recebe dentro de si. e acorda.

o seu quarto está de volta. a vela está apagada, após queimar até o fim.

ele se levanta, com um sorriso ainda hesitante no rosto. ele pega papel e caneta e começa a escrever. escreve até que seus olhos ardem e sua mão comece a doer. ele está cansado, exausto. deita-se na cama e fecha os olhos, triunfante.

mas ele não consegue dormir.

nunca mais conseguirá.