16.4.06
luzes na estrada
muitos animais acabam atravessando as rodovias, em busca de alimento ou água. é um fato comum. a lebre americana é um desses animais.
bom... descobriram que as lebres ficavam hipnotizadas pelas luzes dos faróis dos carros que atravessavam as rodovias, à noite. e muitas eram atropeladas, porque viam o perigo, mas não conseguiam fugir.
hoje eu me sinto como um desses animais... tem uma gigantesca luz na minha frente piscando "perigo", mas eu não consigo olhar para outra direção.
12.4.06
11.4.06
ele não pode ser encontrado. não por quem o procura com a intenção de encontrar um jardim.
ele é um presente dos deuses... um lugar de paz.
um alívio para o mundo.
e no centro desse jardim existe um banco, cercado por flores que não existem em nenhum outro jardim.
e neste banco de pedra, nas noites de lua cheia, uma pequena inscrição pode ser encontrada por aqueles cuja essência pertence mais ao jardim do que ao mundo:
9.4.06
something
sorri com as coisas que ele diz.
quando estão na cama, ele é sempre carinhoso e o sexo é sempre bom.
ele participa das coisas dela. quer cuidar dela.
mas no fim da noite, ela ainda se vê olhando para o nada e sentindo a falta de algo que não está mais lá.
para apagar o fogo que queima em mim
que queima tudo o que toco.
se eu pudesse, faria o mundo adormecer
e sonhar com outro mundo
e sonhar outro mundo.
se eu pudesse, arrancaria as máscaras
e seria o verdadeiro eu
e me mostraria para você.
se eu pudesse, eu destruiria
e recriaria tudo o que foi feito
só que dessa vez, acertaria.
se eu pudesse, eu pediria desculpas
e seria sincero
e seria verdadeiro.
se eu pudesse...
se eu pudesse, eu jogaria fora
a lâmina que corta os pulsos
e viveria novamente.
se eu pudesse, eu veria o sol nascer
e olharia para a luz
e sorriria.
sempre lhe disseram isso. ouvia o tempo todo que somente deus era a verdadeira luz.
ele finalmente entendera isso.
uma luz intensa invadiu todo o mundo, como ele nunca havia visto ou sentido antes. por um instante, tudo parecia congelar e silenciar...
logo após o click que detonou os explosivos que ele trazia amarrados ao corpo.
7.4.06
uma pequena borboleta de cores brilhantes e misteriosas deixou isso pra mim...
6.4.06
uma luz branca invade o ambiente, limpa e intensa. o homem fecha os olhos, sentindo a luz tocando a pele acostumada à escuridão.
os móveis estão cobertos em panos empoeirados.
ele caminha até o centro, onde retira os panos de cima de um antigo piano de cauda.
sentado no banquinho, ele observa as teclas. os dedos encostam produzindo um som alto e claro.
ele começa a tocar, ainda vacilando, errando um pouco o compasso. mas os dedos vão se recordando aos poucos.
e a melodia toma o ar, e o estúdio vibra com luz e som, há muito esquecidos por ali.
ele sorri...
já machuquei a mim mesmo com o que escrevo.
é um poder estranho, esse. palavras que não existem no mundo concreto. pulsos elétricos combinados em códigos numéricos, impressos em luz, na tela de um monitor.
e mesmo assim carregadas de uma força quase sobrenatural.
5.4.06
1.4.06
presente
brigado, menina... adorei o texto! (meu lado megalomaníaco falando)
Era uma vez um menino que lia livros de adultos.
Que se envolvia em um mundo que não lhe era permitido
Que sonhava com cavaleiros medievais, princesas em perigo, donzelas distantes.
E não se contentava com uma existência medíocre
Era uma vez um menino
Que tinha um irmão e se sentia sozinho
Que tinha uma nódoa de tristeza na alma
E parecia carregar todas as mágoas do mundo
Era uma vez um rapaz
Que amava as mulheres mas não se fazia entender
Que amava os quadrinhos, música e literatura
E tinha o dom da poesia no sangue
Era uma vez um rapaz
Que se sentia sempre sozinho
Que gostava de passar desapercebido
E tinha uma carência constante
Era uma vez um homem
Que gostava de facas
Que apreciava o sexo
E tinha ânsia de saber sobre tudo
Era uma vez um homem
Que ainda não se compreende
Que escreve para aplacar turbulências
E reclama de tudo na vida
Era uma vez um homem
Que evoluiu do rapaz
Que surgiu do menino
Mas que não deixa de ter
A criança e o jovem em si
Em eterno conflito
31.3.06
para uma nova mãe...
ela se sente feliz, sem motivo algum... só por estar viva. só por estar ali.
ao seu lado, um caderno de desenho repousa, mostrando a todos a última criação de sua dona, um desenho simbólico da terra mãe, pulsando de vida.
ela ouve um pequeno gemido e se vira para o lado, em direção a um berço que repousa junto à parede.
um corpinho pequeno e rosado se mexe, fazendo barulhos de bebê...
ela o pega nos braços e começa a balançar, cantando uma canção antiga que aprendeu há muito, muito tempo atrás.
a criança se aconchega nos braços dela, sentindo o calor do corpo materno e se acalmando aos poucos.
ela se pega às vezes tentando acreditar ainda que tudo isto aconteceu em tão pouco tempo... sente o toque de dedos pequeninos em seus ombros e uma alegria imensa invade seu corpo, aquecendo a alma.
ela que percorreu tantos caminhos antes, agora inicia uma nova jornada...
ela observa as folhas lá fora, no fim de tarde outonal e pensa no futuro...
e ela sonha.

