ela está vestida de branco.
sorri para mim. eu toco em seu rosto, fazendo carinho de leve.
mas é tudo sonho.
29.3.06
na minha cidade pais entregam todo o dinheiro a uma igreja
enquanto seus filhos morrem de fome em casa.
na minha cidade duas meninas trocam juras de amor
enquanto o pai de uma delas espera com uma arma nas mãos.
na minha cidade uma criança trabalha por trocados em um sinal
enquanto um homem fecha os vidros de seu carro importado.
na minha cidade dois olhares se cruzam por um instante
enquanto grades trancam um detento.
na minha cidade...
na minha cidade há uma alma boa.
e isso já basta.
enquanto seus filhos morrem de fome em casa.
na minha cidade duas meninas trocam juras de amor
enquanto o pai de uma delas espera com uma arma nas mãos.
na minha cidade uma criança trabalha por trocados em um sinal
enquanto um homem fecha os vidros de seu carro importado.
na minha cidade dois olhares se cruzam por um instante
enquanto grades trancam um detento.
na minha cidade...
na minha cidade há uma alma boa.
e isso já basta.
anti-social
é... sou eu, sim...
sou aquele que senta no banco do canto, no ônibus, coloco meus fones de ouvido, abro um livro e me desligo dos outros.
sento na mesa com pessoas que conheço... mas podia ser outra mesa, podiam ser outras pessoas.
não é que eu não goste de ninguém. eu gosto... eu amo... eu preciso de pessoas.
mas não o tempo todo.
e definitivamente, eu gostaria muito que vocês entendessem isso.
sou aquele que senta no banco do canto, no ônibus, coloco meus fones de ouvido, abro um livro e me desligo dos outros.
sento na mesa com pessoas que conheço... mas podia ser outra mesa, podiam ser outras pessoas.
não é que eu não goste de ninguém. eu gosto... eu amo... eu preciso de pessoas.
mas não o tempo todo.
e definitivamente, eu gostaria muito que vocês entendessem isso.
ele escreve um conto e mostra a ela.
ela o lê... pensa por alguns momentos e vira para ele:
- você sempre escreve coisas tão tristes. você sempre está tão triste. eu tento mudar isso, sempre, mas você parece não querer.
ela vai embora e ele fica sozinho, olhando a folha largada sobre a mesa.
ele não entende porque as pessoas sempre parecem querer salvá-lo.
ela o lê... pensa por alguns momentos e vira para ele:
- você sempre escreve coisas tão tristes. você sempre está tão triste. eu tento mudar isso, sempre, mas você parece não querer.
ela vai embora e ele fica sozinho, olhando a folha largada sobre a mesa.
ele não entende porque as pessoas sempre parecem querer salvá-lo.
28.3.06
irish blood
o cabelo muito ruivo contrastava com a alvidez do rosto. ela pensou que ele parecia doente. mas o sorriso em seu rosto lhe dizia que ele estava se divertindo.
o forasteiro chamara a atenção de todos no pub, por ter chegado de forma ruidosa e pelo forte sotaque irlandês. havia algo de fanfarronice em seus modos, mas nenhum deles pensou em expulsá-lo. havia algo indescritível nele, algo irreal em sua aparência. ela poderia dizer que ele se parecia com um personagem de um conto mitológico daqueles que ouvira quando nova, no colégio.
todos compartilharam suas histórias e o irlandês se tornou em pouco tempo a única pessoa a falar ali. ele parecia ser novo, vinte e cinco anos, no máximo, mas os olhos traziam algo de antigo, neles. como se tivessem visto todo o mundo.
ele ofereceu uma bebida a ela... a voz baixa e rouca tocou em uma parte de seus ouvidos que agitou cada pedaço de seu ser.
conversaram horas e horas. a fanfarronice dele fora deixada de lado e ela percebeu que ele parecia compreender muito bem como ela se sentia. como se ele a conhecesse desde sempre.
tinha um odor de flores distante, mas persistente, que a deixava um pouco tonta, cada vez que ele se aproximava dela para dizer algo.
os olhos dele eram duas chamas que queimavam verdes em suas órbitas. não conseguia afastar olhar... esquecera de todos os outros que ali estavam.
e o cabelo, de um vermelho como nunca havia visto antes. quando a luz refletia neles, era como um halo de fogo...
mais tarde, pediu que ele a levasse em casa.
ela o levou junto para casa... para a cama.
ela era dele. não pensava em mais nada além de entregar-se àquele homem.
ela quis sentir cada centímetro do corpo dele. a pele era macia... o irlandês sussurrou coisas no ouvido dela que a fizeram queimar por dentro... ela gemia, entregue ao toque dos dedos dele. ele corria seus lábios pelo corpo trêmulo.
eles se amaram... ela perdeu nocão do mundo... sentia o toque dele em todo o seu corpo, os lábios, as estocadas dele invadindo o seu ventre, enquanto ela o puxava para dentro de si. queria ele. era toda dele.
a dor veio repentina, perto do seio direito. tentou se debater, mas seu corpo não respondia, entregue aos espasmos de prazer. tentou gritar e tudo o que ouviu foi um gemido de prazer com a sua própria voz. pensou em afastá-lo, mas seus braços o puxavam sobre si.
abriu os olhos uma vez mais... não sabia onde estava.
pensou ter visto um homem deitado ao seu lado. os cabelos dele eram vermelhos...
vermelhos como o sangue...
o forasteiro chamara a atenção de todos no pub, por ter chegado de forma ruidosa e pelo forte sotaque irlandês. havia algo de fanfarronice em seus modos, mas nenhum deles pensou em expulsá-lo. havia algo indescritível nele, algo irreal em sua aparência. ela poderia dizer que ele se parecia com um personagem de um conto mitológico daqueles que ouvira quando nova, no colégio.
todos compartilharam suas histórias e o irlandês se tornou em pouco tempo a única pessoa a falar ali. ele parecia ser novo, vinte e cinco anos, no máximo, mas os olhos traziam algo de antigo, neles. como se tivessem visto todo o mundo.
ele ofereceu uma bebida a ela... a voz baixa e rouca tocou em uma parte de seus ouvidos que agitou cada pedaço de seu ser.
conversaram horas e horas. a fanfarronice dele fora deixada de lado e ela percebeu que ele parecia compreender muito bem como ela se sentia. como se ele a conhecesse desde sempre.
tinha um odor de flores distante, mas persistente, que a deixava um pouco tonta, cada vez que ele se aproximava dela para dizer algo.
os olhos dele eram duas chamas que queimavam verdes em suas órbitas. não conseguia afastar olhar... esquecera de todos os outros que ali estavam.
e o cabelo, de um vermelho como nunca havia visto antes. quando a luz refletia neles, era como um halo de fogo...
mais tarde, pediu que ele a levasse em casa.
ela o levou junto para casa... para a cama.
ela era dele. não pensava em mais nada além de entregar-se àquele homem.
ela quis sentir cada centímetro do corpo dele. a pele era macia... o irlandês sussurrou coisas no ouvido dela que a fizeram queimar por dentro... ela gemia, entregue ao toque dos dedos dele. ele corria seus lábios pelo corpo trêmulo.
eles se amaram... ela perdeu nocão do mundo... sentia o toque dele em todo o seu corpo, os lábios, as estocadas dele invadindo o seu ventre, enquanto ela o puxava para dentro de si. queria ele. era toda dele.
a dor veio repentina, perto do seio direito. tentou se debater, mas seu corpo não respondia, entregue aos espasmos de prazer. tentou gritar e tudo o que ouviu foi um gemido de prazer com a sua própria voz. pensou em afastá-lo, mas seus braços o puxavam sobre si.
abriu os olhos uma vez mais... não sabia onde estava.
pensou ter visto um homem deitado ao seu lado. os cabelos dele eram vermelhos...
vermelhos como o sangue...
perdi um objeto, hoje.
não sei como aconteceu, porque eu sempre me preocupei bastante com esse objeto.
depois de um tempo triste com o sumiço, eu comecei a imaginar algo.
esse objeto era um símbolo de tanta coisa do passado. coisas legais, mas também coisas que me faziam mal.
talvez (eu nesse momento estou sendo meio egocêntrico), a perda tenha sido um sinal...
sinal de que os tempos mudam, sinal de que é necessário mudar.
não sei como aconteceu, porque eu sempre me preocupei bastante com esse objeto.
depois de um tempo triste com o sumiço, eu comecei a imaginar algo.
esse objeto era um símbolo de tanta coisa do passado. coisas legais, mas também coisas que me faziam mal.
talvez (eu nesse momento estou sendo meio egocêntrico), a perda tenha sido um sinal...
sinal de que os tempos mudam, sinal de que é necessário mudar.
27.3.06
perdido de mim
tem um pedaço de mim perdido no mundo.
um pedaço que entreguei para alguém cuidar,
um pedaço que foi perdido há tempos.
tem um pedaço de mim perdido no mundo.
ele tem a forma de um coração
e foi perdido em um lugar distante.
tem um pedaço de mim perdido no mundo.
um pedaço que quero encontrar.
sem ele eu sou sombra, sou vazio.
tem um pedaço de mim perdido no mundo.
e uma dor que ficou no seu lugar.
um pedaço que entreguei para alguém cuidar,
um pedaço que foi perdido há tempos.
tem um pedaço de mim perdido no mundo.
ele tem a forma de um coração
e foi perdido em um lugar distante.
tem um pedaço de mim perdido no mundo.
um pedaço que quero encontrar.
sem ele eu sou sombra, sou vazio.
tem um pedaço de mim perdido no mundo.
e uma dor que ficou no seu lugar.
26.3.06
dry
i'd like to take you someplace where angels fear to tread
i always hate to love you
get out of my head it's easy just to say it
so hard to be kind
these thoughts are still within me
infecting my mind
pushing it's way out burning in my mouth
until it hurts
i'd like to violate you
i've done it before
i always love to hate you
you perfect whore
it's easy to imagine
i'm somebody else
so much has happened inside myself
pushing it's way out burning in my mouth
until it hurts
i'd like to push you down
i'd like to push you under
i'd like to push it in you
i'd like to push you push you...
i'd like to give you something
a piece of me
you always like to take it so easily
i never wanted us to end this way
but somethings changed in me
i'm not the same
pushing it's way out
burning in my mouth
and now I'm dry
i always hate to love you
get out of my head it's easy just to say it
so hard to be kind
these thoughts are still within me
infecting my mind
pushing it's way out burning in my mouth
until it hurts
i'd like to violate you
i've done it before
i always love to hate you
you perfect whore
it's easy to imagine
i'm somebody else
so much has happened inside myself
pushing it's way out burning in my mouth
until it hurts
i'd like to push you down
i'd like to push you under
i'd like to push it in you
i'd like to push you push you...
i'd like to give you something
a piece of me
you always like to take it so easily
i never wanted us to end this way
but somethings changed in me
i'm not the same
pushing it's way out
burning in my mouth
and now I'm dry
tura satana - dry
25.3.06
ele escalou uma montanha distante, "o teto do mundo", diziam. demorou vários dias, sofreu com o frio e com o esforço. mas alcançou o objetivo.
e lá, no topo do mundo, sobre tudo e todos, ele se sentiu sozinho.
então ele resolveu descer. queria agora caminhar entre os outros homens.
e ele foi para sua cidade natal e caminhou com os outros. vivia a vida que eles viviam, fazia coisas com outras pessoas.
e lá, no meio da humanidade, junto a todos, ele se sentiu sozinho.
ele viajou por todo o mundo... conheceu pessoas e lugares, mas sempre se sentiu só.
uma noite de outono, ele encontrou um jardim. estátuas de pedra adornavam o lugar, que tinha uma beleza quase mágica. no centro havia um banco de pedra, cercado de flores brancas e de um azul pálido.
uma mulher estava sentada no banco. seus cabelos vermelhos estavam amarrados em uma trança única, que ia até abaixo da cintura. a pele clara refletia a luz, criando uma aura à sua volta.
ela olhou para ele, e através de gestos, ofereceu o lugar ao seu lado, para que ele sentasse.
ficaram em silêncio por instantes, até que ela sorriu, olhando a lua. e falou:
"não há um lugar no mundo, uma única pessoa, que faça com que a solidão que você sente passe. porque o vazio que você sente não existe para ser preenchido. ele lhe foi dado para que você tivesse fome de sempre mais. mas não deve deixar que ele o consuma. saiba que sempre existirão lugares desconhecidos e pessoas com quem compartilhar seu tempo. você não estará nunca sozinho, sempre terá a mim e a esse jardim, para sempre"
ela o beijou carinhosamente, levantou-se e caminhou em direção às sombras.
ele nunca mais a viu. mas a partir daquela noite, ele caminhou muitas vezes sozinho pelo mundo, e muitas vezes se sentou no meio de muitos, mas não falou com ninguém.
mas não se sentiu mais só.
e lá, no topo do mundo, sobre tudo e todos, ele se sentiu sozinho.
então ele resolveu descer. queria agora caminhar entre os outros homens.
e ele foi para sua cidade natal e caminhou com os outros. vivia a vida que eles viviam, fazia coisas com outras pessoas.
e lá, no meio da humanidade, junto a todos, ele se sentiu sozinho.
ele viajou por todo o mundo... conheceu pessoas e lugares, mas sempre se sentiu só.
uma noite de outono, ele encontrou um jardim. estátuas de pedra adornavam o lugar, que tinha uma beleza quase mágica. no centro havia um banco de pedra, cercado de flores brancas e de um azul pálido.
uma mulher estava sentada no banco. seus cabelos vermelhos estavam amarrados em uma trança única, que ia até abaixo da cintura. a pele clara refletia a luz, criando uma aura à sua volta.
ela olhou para ele, e através de gestos, ofereceu o lugar ao seu lado, para que ele sentasse.
ficaram em silêncio por instantes, até que ela sorriu, olhando a lua. e falou:
"não há um lugar no mundo, uma única pessoa, que faça com que a solidão que você sente passe. porque o vazio que você sente não existe para ser preenchido. ele lhe foi dado para que você tivesse fome de sempre mais. mas não deve deixar que ele o consuma. saiba que sempre existirão lugares desconhecidos e pessoas com quem compartilhar seu tempo. você não estará nunca sozinho, sempre terá a mim e a esse jardim, para sempre"
ela o beijou carinhosamente, levantou-se e caminhou em direção às sombras.
ele nunca mais a viu. mas a partir daquela noite, ele caminhou muitas vezes sozinho pelo mundo, e muitas vezes se sentou no meio de muitos, mas não falou com ninguém.
mas não se sentiu mais só.
separate lies
eu precisava escrever isso aqui, hoje. não sei se vai fazer sentido para alguém... mas eu espero realmente que faça.
"no life is perfect, though it may seem to be. secrets and discontent lie hidden beneath the smoothest surface."
"no life is perfect, though it may seem to be. secrets and discontent lie hidden beneath the smoothest surface."
21.3.06
o momento de mais um ciclo completo se aproxima.
ele observa os céus, aguardando os sinais da mudança das estações e se sente ligado a todas as coisas que aconteceram no mundo, desde a sua criação.
sabe que seu tempo aqui não está terminado. sente que ainda há caminhos a seguir.
a lua ilumina os seus olhos cheios de curiosidade e admiração.
em seu ombro, espirais giram e giram, símbolos de eternas passagens.
ele segue os caminhos do vento, ouvindo uma antiga canção cantada pelas estrelas.
ele observa os céus, aguardando os sinais da mudança das estações e se sente ligado a todas as coisas que aconteceram no mundo, desde a sua criação.
sabe que seu tempo aqui não está terminado. sente que ainda há caminhos a seguir.
a lua ilumina os seus olhos cheios de curiosidade e admiração.
em seu ombro, espirais giram e giram, símbolos de eternas passagens.
ele segue os caminhos do vento, ouvindo uma antiga canção cantada pelas estrelas.
19.3.06
one happy family
Assinar:
Postagens (Atom)

