ela chora ao telefone.
confusa, sem esperanças, fragilizada.
ele escuta o choro, as lágrimas parecem machucá-lo, abrindo um caminho até o seu coração.
ele a ama.
mas não sabe o que fazer.
ela diz que se odeia. ele pede para que ela não vá embora.
ela está perdida.
ele não sabe quem é.
ainda assim, eles precisam demais um do outro.
13.3.07
busca
há algo perdido no mundo. sinto a falta dessa coisa. dessa coisa que não consigo nomear, mas que eu sei que deveria existir.
vivi a vida a procurar uma resposta para esse sentimento.
pensei estar louco algumas vezes. pensei estar próximo algumas vezes.
desejei que a resposta fosse alguém. busquei a resposta em braços e camas diferentes.
mas no fim da noite o silêncio me mantinha acordado.
o sentimento se tornou vazio. o vazio, desespero.
o desespero me levou ao mais fundo e mais escuro poço.
acho que de algum modo doentio, acreditei que lá haveria alguma resposta.
gastei minha juventude na busca.
tornei-me homem.
cínico.
me afastei de todos.
me afastei do mundo.
contemplei o vazio incomensurável do universo.
um universo de vazios.
um espelho de mim.
vivi a vida a procurar uma resposta para esse sentimento.
pensei estar louco algumas vezes. pensei estar próximo algumas vezes.
desejei que a resposta fosse alguém. busquei a resposta em braços e camas diferentes.
mas no fim da noite o silêncio me mantinha acordado.
o sentimento se tornou vazio. o vazio, desespero.
o desespero me levou ao mais fundo e mais escuro poço.
acho que de algum modo doentio, acreditei que lá haveria alguma resposta.
gastei minha juventude na busca.
tornei-me homem.
cínico.
me afastei de todos.
me afastei do mundo.
contemplei o vazio incomensurável do universo.
um universo de vazios.
um espelho de mim.
9.3.07
8.3.07
de volta
post demorado pra sair...
eu estou meio que num exílio auto imposto da internet... não tenho certeza se quero voltar... enfim... estamos conversando.
mas eu estou com vontade de escrever, apesar de estar me sentindo muitíssimo estranho por dentro.
eu estou meio que num exílio auto imposto da internet... não tenho certeza se quero voltar... enfim... estamos conversando.
mas eu estou com vontade de escrever, apesar de estar me sentindo muitíssimo estranho por dentro.
27.2.07
amor sem regras
quero que você me mostre o mundo,
o seu mundo,
com seus olhos.
quero que me ensine que além do negro véu
existem cores novas,
excitantes.
deixa eu aprender sobre você.
deixa eu conhecer você,
desvendar o segredo que vive em seus olhos
me liberta da carne,
me tira o juízo,
toma minha alma.
deixa eu descobrir
a nudez do seu corpo
e te envolver em um manto de prazer.
ajude-me,
destrua-me,
recria cada conceito meu.
quero ser seu,
só seu,
e te quero minha,
toda minha,
multiplamente minha.
traz a esperança de volta
na pequena forma
que se aninha em seus braços.
expurgue cada dor de mim.
abençoe cada gemido de prazer.
eu quero tudo:
todos os sonhos,
todos os desejos,
de você
com você
para você.
casa comigo.
apaixone-se um pouco a cada dia.
deixa sua alma nadar na minha.
pois eu amo!
sim, eu amo!
como amo...
o seu mundo,
com seus olhos.
quero que me ensine que além do negro véu
existem cores novas,
excitantes.
deixa eu aprender sobre você.
deixa eu conhecer você,
desvendar o segredo que vive em seus olhos
me liberta da carne,
me tira o juízo,
toma minha alma.
deixa eu descobrir
a nudez do seu corpo
e te envolver em um manto de prazer.
ajude-me,
destrua-me,
recria cada conceito meu.
quero ser seu,
só seu,
e te quero minha,
toda minha,
multiplamente minha.
traz a esperança de volta
na pequena forma
que se aninha em seus braços.
expurgue cada dor de mim.
abençoe cada gemido de prazer.
eu quero tudo:
todos os sonhos,
todos os desejos,
de você
com você
para você.
casa comigo.
apaixone-se um pouco a cada dia.
deixa sua alma nadar na minha.
pois eu amo!
sim, eu amo!
como amo...
26.2.07
simples
estou com medo de algumas coisas, hoje.
vontade de passar a mão pelo seu cabelo, fazendo carinho de leve. vontade de olhar para você enquanto faz qualquer coisa, só pelo prazer de saber que você está por perto.
desejo de beijar a sua boca docemente, um milhão de beijos, até você ter sono e dormir com jeito de criança.
estou um pouco triste. triste de saudade, triste por não saber o que fazer, triste por só poder esperar, agora.
por que o simples é tão complicado de alcançar?
vontade de passar a mão pelo seu cabelo, fazendo carinho de leve. vontade de olhar para você enquanto faz qualquer coisa, só pelo prazer de saber que você está por perto.
desejo de beijar a sua boca docemente, um milhão de beijos, até você ter sono e dormir com jeito de criança.
estou um pouco triste. triste de saudade, triste por não saber o que fazer, triste por só poder esperar, agora.
por que o simples é tão complicado de alcançar?
20.2.07
clementine: joely?
joel: yeah tangerine?
clementine: am i ugly?
joel: uh-uh.
clementine: when i was a kid, i thought i was. i can't believe i'm crying already. sometimes i think people don't understand how lonely it is to be a kid, like you don't matter. so, i'm eight, and i have these toys, these dolls. my favorite is this ugly girl doll who i call clementine, and i keep yelling at her, "you can't be ugly! be pretty!" it's weird, like if i can transform her, i would magically change, too.
joel: [kisses clementine] you're pretty.
clementine: joely, don't ever leave me.
joel: you're pretty... you're pretty... pretty...
eu adoro o diálogo acima... é tão eu e você, sabe? eu queria muito, muito, muito te fazer entender que é a criatura mais linda do mundo. que não precisa fazer nada para que as pessoas erradas gostem de você. e que não precisa me chamar a atenção, porque eu só consigo olhar para você...
amo tanto...
isso faz com que me sinta bem... e vivo. mas também traz um medo estranho...
joel: yeah tangerine?
clementine: am i ugly?
joel: uh-uh.
clementine: when i was a kid, i thought i was. i can't believe i'm crying already. sometimes i think people don't understand how lonely it is to be a kid, like you don't matter. so, i'm eight, and i have these toys, these dolls. my favorite is this ugly girl doll who i call clementine, and i keep yelling at her, "you can't be ugly! be pretty!" it's weird, like if i can transform her, i would magically change, too.
joel: [kisses clementine] you're pretty.
clementine: joely, don't ever leave me.
joel: you're pretty... you're pretty... pretty...
eternal sunshine for the spotless mind
eu adoro o diálogo acima... é tão eu e você, sabe? eu queria muito, muito, muito te fazer entender que é a criatura mais linda do mundo. que não precisa fazer nada para que as pessoas erradas gostem de você. e que não precisa me chamar a atenção, porque eu só consigo olhar para você...
amo tanto...
isso faz com que me sinta bem... e vivo. mas também traz um medo estranho...
estou cansado...
cansado do corpo e da mente.
odeio repetir as coisas.
odeio ser o chato.
e muitas e muitas vezes odeio ser eu.
eu acredito nas pessoas quando elas me dizem coisas,
acredito na palavra delas,
acredito que é fácil nos entendermos.
acredito mesmo que sejamos cheios, cheios de erros (eu, com certeza sou)
mas eu quero mais:
quero acreditar que palavras trocadas entre amantes não são palavras jogadas ao vento.
quero acreditar que eu posso ficar tranquilo. eu quero muito, muito mesmo, ficar tranquilo.
ah! não sei o que estou dizendo.
estou triste, acho.
triste e cansado.
meu coração pede repouso...
cansado do corpo e da mente.
odeio repetir as coisas.
odeio ser o chato.
e muitas e muitas vezes odeio ser eu.
eu acredito nas pessoas quando elas me dizem coisas,
acredito na palavra delas,
acredito que é fácil nos entendermos.
acredito mesmo que sejamos cheios, cheios de erros (eu, com certeza sou)
mas eu quero mais:
quero acreditar que palavras trocadas entre amantes não são palavras jogadas ao vento.
quero acreditar que eu posso ficar tranquilo. eu quero muito, muito mesmo, ficar tranquilo.
ah! não sei o que estou dizendo.
estou triste, acho.
triste e cansado.
meu coração pede repouso...
8.2.07
a você
eu observo você.
os gestos, os olhares.
aprendo seu jeito de falar.
tento descobrir seus sonhos,
tento desvendar seus desejos.
e no fim da noite
aprendo a te amar de novo.
os gestos, os olhares.
aprendo seu jeito de falar.
tento descobrir seus sonhos,
tento desvendar seus desejos.
e no fim da noite
aprendo a te amar de novo.
dor de crescimento
ele pega o filho depois da escola. a professora o reconhece. de duas em duas semanas ele sai correndo do trabalho vai buscar o menino do outro lado da cidade.
quase sempre chega alguns minutos atrasado, mas todos na escola parecem compreender e mostram um sorriso simpático.
o homem olha para o garoto, por detrás das lentes dos óculos. parece que a cada dia ele cresce mais. uma onda de orgulho passa por seu coração.
no caminho de volta para casa, eles conversam sobre a semana. o menino olha para fora, tentando capturar cada segundo do caminho. ele imagina muitos mundinhos, onde as pessoas lá fora vivem aventuras fantásticas.
o pai estaciona o carro e eles entram na casa. o garoto corre para seu quarto e joga a mochila com as roupas para o fim de semana.
eles brincam e mais tarde jantam juntos. o menino acha que o pai tem um olhar triste, às vezes. mas sempre diz que está tudo bem. "o mundo dos adultos é tão complicado", pensa, em silêncio.
o homem arruma a pequena cama e coloca o filho para dormir, mas ele reclama que está sentindo muitas dores nas pernas. o homem se lembra da própria infância e lembra do que a sua mãe costumava falar sobre as "dores de crescimento" e fala:
"filho... isso são dores de crescimento. é que o seu corpo está crescendo e como você está ficando muito grande e forte, dói um pouquinho. mas não tem nada demais, tá?"
ele passa uma pomada nas pernas do garoto e depois que o pequeno cai no sono, ele deixa o quarto.
sentado na sala, o homem segura um porta-retrato entre as mãos.
na foto, três pessoas estão sorrindo. ele olha e pensa que aquilo parece ter sido há séculos atrás.
mas faz tão pouco tempo.
ele pensa em todas as coisas que se perderam. e pensa em tudo o que viveu e o que aprendeu.
ele sente uma dor na alma.
e lembra que crescer dói.
quase sempre chega alguns minutos atrasado, mas todos na escola parecem compreender e mostram um sorriso simpático.
o homem olha para o garoto, por detrás das lentes dos óculos. parece que a cada dia ele cresce mais. uma onda de orgulho passa por seu coração.
no caminho de volta para casa, eles conversam sobre a semana. o menino olha para fora, tentando capturar cada segundo do caminho. ele imagina muitos mundinhos, onde as pessoas lá fora vivem aventuras fantásticas.
o pai estaciona o carro e eles entram na casa. o garoto corre para seu quarto e joga a mochila com as roupas para o fim de semana.
eles brincam e mais tarde jantam juntos. o menino acha que o pai tem um olhar triste, às vezes. mas sempre diz que está tudo bem. "o mundo dos adultos é tão complicado", pensa, em silêncio.
o homem arruma a pequena cama e coloca o filho para dormir, mas ele reclama que está sentindo muitas dores nas pernas. o homem se lembra da própria infância e lembra do que a sua mãe costumava falar sobre as "dores de crescimento" e fala:
"filho... isso são dores de crescimento. é que o seu corpo está crescendo e como você está ficando muito grande e forte, dói um pouquinho. mas não tem nada demais, tá?"
ele passa uma pomada nas pernas do garoto e depois que o pequeno cai no sono, ele deixa o quarto.
sentado na sala, o homem segura um porta-retrato entre as mãos.
na foto, três pessoas estão sorrindo. ele olha e pensa que aquilo parece ter sido há séculos atrás.
mas faz tão pouco tempo.
ele pensa em todas as coisas que se perderam. e pensa em tudo o que viveu e o que aprendeu.
ele sente uma dor na alma.
e lembra que crescer dói.
3.2.07
sonhos
ela era uma menina inquieta. não que isso fosse algo ruim, mas seus pais tinham que lhe dar milhares de avisos sobre coisas perigosas. no fundo eles gostavam do jeito moleque dela.pareciam ser uma família feliz.
a infância foi calma. pequenos arranhões, um braço quebrado, várias e várias bonecas e muitas histórias. ela adorava dormir escutando seu pai contar histórias à beira da cama. havia algo na voz dele que a acalmava.
seu primeiro beijo foi aos 13 anos. ela não gostava tanto do menino, mas ele era um dos mais bonitos da escola. ela mesma chamava a atenção de muitos.
ela gostava de dançar. quando estava na pista, era como se nada mais no mundo existisse.
a menina conheceu ele quando fazia faculdade de história. eles não tinham muita coisa parecida, mas não desgrudavam um do outro.
eles se casaram depois que terminaram a faculdade. ela gostava de trabalhar dando aula e a vida de casada era muito mais interessante do que ela imaginava.
eles envelheceram juntos. os dois costumavam escrever histórias e contar para seus dois filhos e depois para os netos.
gostavam de passear juntos e gostavam de cinema e pipoca.
já velhinha, ela gostava de observar os netinhos correndo no quintal. sentia-se feliz.
ela está na sala de parto. olha para o lado e vê a mãe chorando, deitada. seu corpo de bebê é incapaz de se estabelecer. aos poucos, ela fica fraca demais. a pequenina luta de olhos fechados. tenta viver, mas a luta é longa e cansativa demais.
em seus sonhos, ela é feliz.
na mesa de cirurgia, um coração minúsculo pára de bater.
a infância foi calma. pequenos arranhões, um braço quebrado, várias e várias bonecas e muitas histórias. ela adorava dormir escutando seu pai contar histórias à beira da cama. havia algo na voz dele que a acalmava.
seu primeiro beijo foi aos 13 anos. ela não gostava tanto do menino, mas ele era um dos mais bonitos da escola. ela mesma chamava a atenção de muitos.
ela gostava de dançar. quando estava na pista, era como se nada mais no mundo existisse.
a menina conheceu ele quando fazia faculdade de história. eles não tinham muita coisa parecida, mas não desgrudavam um do outro.
eles se casaram depois que terminaram a faculdade. ela gostava de trabalhar dando aula e a vida de casada era muito mais interessante do que ela imaginava.
eles envelheceram juntos. os dois costumavam escrever histórias e contar para seus dois filhos e depois para os netos.
gostavam de passear juntos e gostavam de cinema e pipoca.
já velhinha, ela gostava de observar os netinhos correndo no quintal. sentia-se feliz.
ela está na sala de parto. olha para o lado e vê a mãe chorando, deitada. seu corpo de bebê é incapaz de se estabelecer. aos poucos, ela fica fraca demais. a pequenina luta de olhos fechados. tenta viver, mas a luta é longa e cansativa demais.
em seus sonhos, ela é feliz.
na mesa de cirurgia, um coração minúsculo pára de bater.
sonhos
ele canta baixo, enquanto observa o fogo. a canção é antiga e já foi cantada por seu pai e pelo pai dele, antes.
uma rajada fria de vento faz as chamas tremerem.
o jovem segura uma vasilha com os restos de um líquido escuro. o sabor amargo ainda permanece em seus lábios e aos poucos, uma sensação quente lhe percorre o corpo.
ele olha para a chama, olhos vidrados no movimento do fogo. aos poucos ele deixa de ser homem e se torna parte do fogo. a canção continua, mas ele parece ouvir outras vozes cantando, além da sua.
o fogo se transforma em fumaça e como fumaça, se espalha pelo ar.
o jovem sobe aos céus, seguindo os caminhos do vento.
ele não tem corpo, agora é somente espírito. a canção toma todo o ar e ele percebe que não é mais ele quem está cantando.
a figura de seu pai aparece por entre as nuvens. o pai de seu pai o acompanha. e o pai dele, junto.
as estrelas formam padrões e desenhos novos.
o jovem deixa-se carregar entre as estrelas. a canção dos antigos muda. agora eles falam diretamente em seu coração.
ele vê sua tribo cavalgando os grandes búfalos, na planície. os animais estão por todos os lados e a visão é grandiosa...
e ele vê um trovão cair do céu e um animal de metal percorrendo as planícies. há um homem branco sobre a grande serpente prateada.
os búfalos fogem do monstro. e ele vê os homens de sua tribo desaparecerem, no horizonte.
o jovem shaman abre os olhos. o fogo crepita, no silêncio da noite. não há mais canto.
não há mais futuro.
sozinho em sua tenda, o jovem chora.
uma rajada fria de vento faz as chamas tremerem.
o jovem segura uma vasilha com os restos de um líquido escuro. o sabor amargo ainda permanece em seus lábios e aos poucos, uma sensação quente lhe percorre o corpo.
ele olha para a chama, olhos vidrados no movimento do fogo. aos poucos ele deixa de ser homem e se torna parte do fogo. a canção continua, mas ele parece ouvir outras vozes cantando, além da sua.
o fogo se transforma em fumaça e como fumaça, se espalha pelo ar.
o jovem sobe aos céus, seguindo os caminhos do vento.
ele não tem corpo, agora é somente espírito. a canção toma todo o ar e ele percebe que não é mais ele quem está cantando.
a figura de seu pai aparece por entre as nuvens. o pai de seu pai o acompanha. e o pai dele, junto.
as estrelas formam padrões e desenhos novos.
o jovem deixa-se carregar entre as estrelas. a canção dos antigos muda. agora eles falam diretamente em seu coração.
ele vê sua tribo cavalgando os grandes búfalos, na planície. os animais estão por todos os lados e a visão é grandiosa...
e ele vê um trovão cair do céu e um animal de metal percorrendo as planícies. há um homem branco sobre a grande serpente prateada.
os búfalos fogem do monstro. e ele vê os homens de sua tribo desaparecerem, no horizonte.
o jovem shaman abre os olhos. o fogo crepita, no silêncio da noite. não há mais canto.
não há mais futuro.
sozinho em sua tenda, o jovem chora.
29.1.07
niilista em conflito
eu sou naturalmente niilista. é complicado demais, imaginar uma outra existência além desse mundo.
e ainda assim, lá dentro, enterrado fundo em minhas conjecturas e pensamentos, existe uma pequena luz que brilha apesar de toda a escuridão e desolação.
fé?
em quê?
e ainda assim, lá dentro, enterrado fundo em minhas conjecturas e pensamentos, existe uma pequena luz que brilha apesar de toda a escuridão e desolação.
fé?
em quê?
21.1.07
um "click" seco e nada acontece.
ele abre os olhos e não sente nada. o cano de metal pressiona a têmpora direita enquanto ele vê a si próprio no espelho do banheiro. desvia o olhar em um instante, sem conseguir encarar o reflexo.
guarda a arma do pai, depois de retirar a bala solitária. o garoto criou esse "ritual" para poder sair de casa. um dia acordou e não conseguia pensar em razão nenhuma para se levantar. pior... não encontrou razão nenhuma para estar vivo.
só conseguiu pensar em uma coisa: o pai guardava uma arma no armário do quarto. lembrou de ter visto um filme onde meninos brincavam de roleta russa. lembrou de pensar qual seria a sensação daquilo tudo. e lembrou-se que o personagem no filme falou que tinha recebido uma nova chance de viver.
era aquilo que ele queria. algo que lhe mostrasse que ele merecia viver.
então pegou a arma no quarto do pai e se trancou no banheiro. sentado no vaso, ele retirou as balas, menos uma. girou o tambor e o recolocou na posição. sua mão tremeu, quando ele colocou a arma na cabeça.
puxar o gatilho foi mais difícil do que esperava. "um momento apenas", ele pensava. mas ainda assim, era difícil.
ele não morreu naquela manhã.
saiu de casa melhor. percebera um sinal naquilo tudo.
mas o dia foi igual aos outros. aos poucos, a excitação foi passando. nada havia mudado de verdade. talvez no dia seguinte.
mas nada mudou. nem no dia seguinte, nem no próximo. mas ele recorria a arma, quase todas as manhãs.
apenas porque não sentia que era um desperdício estar vivo.
ele abre os olhos e não sente nada. o cano de metal pressiona a têmpora direita enquanto ele vê a si próprio no espelho do banheiro. desvia o olhar em um instante, sem conseguir encarar o reflexo.
guarda a arma do pai, depois de retirar a bala solitária. o garoto criou esse "ritual" para poder sair de casa. um dia acordou e não conseguia pensar em razão nenhuma para se levantar. pior... não encontrou razão nenhuma para estar vivo.
só conseguiu pensar em uma coisa: o pai guardava uma arma no armário do quarto. lembrou de ter visto um filme onde meninos brincavam de roleta russa. lembrou de pensar qual seria a sensação daquilo tudo. e lembrou-se que o personagem no filme falou que tinha recebido uma nova chance de viver.
era aquilo que ele queria. algo que lhe mostrasse que ele merecia viver.
então pegou a arma no quarto do pai e se trancou no banheiro. sentado no vaso, ele retirou as balas, menos uma. girou o tambor e o recolocou na posição. sua mão tremeu, quando ele colocou a arma na cabeça.
puxar o gatilho foi mais difícil do que esperava. "um momento apenas", ele pensava. mas ainda assim, era difícil.
ele não morreu naquela manhã.
saiu de casa melhor. percebera um sinal naquilo tudo.
mas o dia foi igual aos outros. aos poucos, a excitação foi passando. nada havia mudado de verdade. talvez no dia seguinte.
mas nada mudou. nem no dia seguinte, nem no próximo. mas ele recorria a arma, quase todas as manhãs.
apenas porque não sentia que era um desperdício estar vivo.
se você pudesse entrar dentro da minha cabeça, eu te mostraria todos os cantos que nunca foram visitados por ninguém. ficaria feliz em te levar a cada momento bom que vivi. poderia segurar sua mão quando relembrasse coisas ruins.
ia deixar você tentar dar uma arrumada em todas as confusões, em todos os traumas, em todos os pensamentos sem sentido.
queria que isso pudesse ser verdade. ando cansado de mim. ando cansado de pensar do jeito que penso.
nha... tô resistindo bravamente à vontade de te acordar agora mesmo e dizer tudo o que eu sinto. mas eu sei que não conseguiria e ficaria com uma cara de perdido no mundo.
ia deixar você tentar dar uma arrumada em todas as confusões, em todos os traumas, em todos os pensamentos sem sentido.
queria que isso pudesse ser verdade. ando cansado de mim. ando cansado de pensar do jeito que penso.
nha... tô resistindo bravamente à vontade de te acordar agora mesmo e dizer tudo o que eu sinto. mas eu sei que não conseguiria e ficaria com uma cara de perdido no mundo.
20.1.07
olho os horizontes, como se procurasse uma resposta para a inquietação que toma meu peito. as nuvens distantes deslizam silenciosas, desdenhando dos pobres seres que vivem abaixo.
penso no que foi tirado de mim. uma lembrança feliz que eu nem cheguei a ter. um pequeno sorriso que foi calado antes mesmo de surgir.
eu sinto inveja de outras pessoas.
não por causa das riquezas que conseguiram ou dos seus feitos. tenho inveja dos sentimentos que eles conhecem e que, nesse momento, me parecem ter sido roubados.
o silêncio é a minha única resposta. o deslizar suave das nuvens é o único sinal que recebo dos seus.
há uma lágrima que eu reprimi e que insiste em aparecer quando eu não preciso.
quero ser feliz um dia.
penso no que foi tirado de mim. uma lembrança feliz que eu nem cheguei a ter. um pequeno sorriso que foi calado antes mesmo de surgir.
eu sinto inveja de outras pessoas.
não por causa das riquezas que conseguiram ou dos seus feitos. tenho inveja dos sentimentos que eles conhecem e que, nesse momento, me parecem ter sido roubados.
o silêncio é a minha única resposta. o deslizar suave das nuvens é o único sinal que recebo dos seus.
há uma lágrima que eu reprimi e que insiste em aparecer quando eu não preciso.
quero ser feliz um dia.
19.1.07
butterflies and hurricanes
change,
everything you are
and everything you were
your number has been called
fights, battles have begun
revenge will surely come
your hard times are ahead
best,
you've got to be the best
you've got to change the world
and you use this chance to be heard
your time is now
change,
everything you are
and everything you were
your number has been called
fights and battles have begun
revenge will surely come
your hard times are ahead
best,
you've got to be the best
you've got to change the world
and you use this chance to be heard
your time is now
don't,
let yourself down
don't let yourself go
your last chance has arrived
best,
you've got to be the best
you've got to change the world
and you use this chance to be heard
your time is now
everything you are
and everything you were
your number has been called
fights, battles have begun
revenge will surely come
your hard times are ahead
best,
you've got to be the best
you've got to change the world
and you use this chance to be heard
your time is now
change,
everything you are
and everything you were
your number has been called
fights and battles have begun
revenge will surely come
your hard times are ahead
best,
you've got to be the best
you've got to change the world
and you use this chance to be heard
your time is now
don't,
let yourself down
don't let yourself go
your last chance has arrived
best,
you've got to be the best
you've got to change the world
and you use this chance to be heard
your time is now
the muse - butterflies and hurricanes
16.1.07
noites
a calçada molhada brilha, refletindo as luzes de letreiros de neon. uma chuva fina e fria cai no meio do verão, forte o bastante apenas para incomodar enquanto se anda, mas fina demais para se ter vontade de abrir o guarda-chuva.
ele caminha sozinho, a fumaça do cigarro desvia dos pingos que caem do céu. imerso em pensamentos antigos, ele deixa a rua guiá-lo. ele olha para os letreiros que piscam e se revezam em cores fortes com promessas de sensações intensas e prazer inigualável. ele sabe que as luzes das fachadas servem apenas para esconder a verdadeira natureza do lugar.
ele pensa nas mulheres que exibem corpos cheios de marcas de anos de abuso, pensa em crianças perdendo a virgindade em camas sujas para quem pôde pagar mais. ele pensa em filhos criados em meio a álcool e drogas; violência e indiferença.
homens sem alma o olham, desconfiados. o cheiro da rua é forte e desagradável. em um beco escuro, uma mulher entrega seu corpo por alguns trocados para comprar comida. ele se pergunta se há algum alimento que vá tapar o buraco em sua alma.
então ele a vê: o corpo franzino mal desenvolveu curvas que a deixam parecida com uma mulher adulta. o olhar mantém algo de infantil, mas falta algo. ele imagina que seja a inocência perdida há tempos. ela veste roupas curtas que mostram uma pele branca.
ela o vê chegando e finge um sorriso.
o homem pára na frente da menina. ele a olha em um longo silêncio.
ele a vê em outra noite como essa. ele vê o corpo franzino. o olhar inseguro. a pele quase etérea.
e ele vê um corpo jogado em um canto. um corpo de menina.
ele olha novamente para ela e percebe que aquela ali é outra garota.
e mais uma noite, ele foge para as sombras.
e mais uma noite, ele chora em silêncio, pedindo perdão.
ele caminha sozinho, a fumaça do cigarro desvia dos pingos que caem do céu. imerso em pensamentos antigos, ele deixa a rua guiá-lo. ele olha para os letreiros que piscam e se revezam em cores fortes com promessas de sensações intensas e prazer inigualável. ele sabe que as luzes das fachadas servem apenas para esconder a verdadeira natureza do lugar.
ele pensa nas mulheres que exibem corpos cheios de marcas de anos de abuso, pensa em crianças perdendo a virgindade em camas sujas para quem pôde pagar mais. ele pensa em filhos criados em meio a álcool e drogas; violência e indiferença.
homens sem alma o olham, desconfiados. o cheiro da rua é forte e desagradável. em um beco escuro, uma mulher entrega seu corpo por alguns trocados para comprar comida. ele se pergunta se há algum alimento que vá tapar o buraco em sua alma.
então ele a vê: o corpo franzino mal desenvolveu curvas que a deixam parecida com uma mulher adulta. o olhar mantém algo de infantil, mas falta algo. ele imagina que seja a inocência perdida há tempos. ela veste roupas curtas que mostram uma pele branca.
ela o vê chegando e finge um sorriso.
o homem pára na frente da menina. ele a olha em um longo silêncio.
ele a vê em outra noite como essa. ele vê o corpo franzino. o olhar inseguro. a pele quase etérea.
e ele vê um corpo jogado em um canto. um corpo de menina.
ele olha novamente para ela e percebe que aquela ali é outra garota.
e mais uma noite, ele foge para as sombras.
e mais uma noite, ele chora em silêncio, pedindo perdão.
eu a observo todo o tempo que posso.
imagino o que passa na cabeça dela, enquanto ela olha para o nada, quieta.
observo o sol bater nos cabelos dela, produzindo brilhos de cores intensas.
invento uma piada boba, para vê-la sorrir...
vejo-a correr, feito criança, feliz e sinto um calor gostoso no peito.
ela me faz bem.
imagino o que passa na cabeça dela, enquanto ela olha para o nada, quieta.
observo o sol bater nos cabelos dela, produzindo brilhos de cores intensas.
invento uma piada boba, para vê-la sorrir...
vejo-a correr, feito criança, feliz e sinto um calor gostoso no peito.
ela me faz bem.
tempus fugit
eu perco o tempo entre os dedos.
entre as batidas do meu coração, os momentos se passam, únicos.
o conforto silencioso da noite termina em um brilho solar.
a necessidade da vida me retira do sono.
vivo, pois, entre os segundos do ponteiro do relógio.
sorrio, choro, amo, machuco.
vivo, a cada segundo, toda uma vida.
pois em algum lugar
o tempo espera, inexorável.
finjo fugir dele, procuro a imortalidade em minhas palavras,
mas ele espera.
no fim, ele é só o que resta.
entre as batidas do meu coração, os momentos se passam, únicos.
o conforto silencioso da noite termina em um brilho solar.
a necessidade da vida me retira do sono.
vivo, pois, entre os segundos do ponteiro do relógio.
sorrio, choro, amo, machuco.
vivo, a cada segundo, toda uma vida.
pois em algum lugar
o tempo espera, inexorável.
finjo fugir dele, procuro a imortalidade em minhas palavras,
mas ele espera.
no fim, ele é só o que resta.
14.1.07
5.1.07
ele coloca o telefone no gancho, mas o som da voz dela continua ecoando em seu cérebro.
por que se sentia assim? por que parecia já ter ouvido as palavras que lhe foram ditas, tantas e tantas vezes antes?
recusava-se a repetir os erros do passado. queria crer que era capaz de aprender, mas sempre em determinado momento ouvia as mesmas palavras vindas da pessoa amada.
queria aprender a não repetir os mesmos erros. precisava.
sentou-se ao lado do aparelho telefone. nem percebera quando os primeiros sinais da manhã explodiam no céu. ele tomou uma decisão, enfim: foi ao apartamento da menina. tocou o interfone até que uma voz cheia de sono atendeu.
sentia urgência em seu coração, então contou coisas demais ali mesmo, na rua. do outro lado do fone, somente silêncio. fez uma pausa e perguntou por ela. a voz vacilante disse que ela estava ouvindo.
ele pediu para subir. ela aceitou, depois de um longo silêncio.
ele subiu as escadas, pois o elevador parecia lento demais para seus impulsos. encontrou a porta do apartamento entreaberta.
ela estava no sofá, ainda de camisola, com um olhar entre o surpreso e o zangado.
ele a abraçou por um tempo que pareceu ser grande demais para ela. ainda não entendera porque ele estava ali.
então, contrariando todo o seu passado, ele se ajoelhou em frente a ela. beijou-lhe as mãos carinhosamente e olhou-a com um sorriso indecifrável.
se casaram 2 semanas depois.
por que se sentia assim? por que parecia já ter ouvido as palavras que lhe foram ditas, tantas e tantas vezes antes?
recusava-se a repetir os erros do passado. queria crer que era capaz de aprender, mas sempre em determinado momento ouvia as mesmas palavras vindas da pessoa amada.
queria aprender a não repetir os mesmos erros. precisava.
sentou-se ao lado do aparelho telefone. nem percebera quando os primeiros sinais da manhã explodiam no céu. ele tomou uma decisão, enfim: foi ao apartamento da menina. tocou o interfone até que uma voz cheia de sono atendeu.
sentia urgência em seu coração, então contou coisas demais ali mesmo, na rua. do outro lado do fone, somente silêncio. fez uma pausa e perguntou por ela. a voz vacilante disse que ela estava ouvindo.
ele pediu para subir. ela aceitou, depois de um longo silêncio.
ele subiu as escadas, pois o elevador parecia lento demais para seus impulsos. encontrou a porta do apartamento entreaberta.
ela estava no sofá, ainda de camisola, com um olhar entre o surpreso e o zangado.
ele a abraçou por um tempo que pareceu ser grande demais para ela. ainda não entendera porque ele estava ali.
então, contrariando todo o seu passado, ele se ajoelhou em frente a ela. beijou-lhe as mãos carinhosamente e olhou-a com um sorriso indecifrável.
se casaram 2 semanas depois.
22.12.06
20.12.06
trapezistas do vazio
ela acorda assustada.
na penumbra ela procura localizar-se. não conhece o quarto, mas parece ser um quarto genérico de hotel. em volta do seu corpo, um braço desconhecido descansa.
a jovem tenta se lembrar de como foi parar ali, mas a dor de cabeça intensa afasta qualquer possibilidade de explicação.
a nudez indolente do homem ao seu lado e um gosto salgado em sua boca a fazem imaginar o que teria acontecido.
ela se sente envergonhada. lembra de outras camas em outros hotéis. outras noites passadas na companhia de um estranho.
lembra do garoto que ela deixou em casa. provavelmente estaria dormindo. seu coração aperta em saber que ele está sozinho e que a culpa é só dela.
de repente, o braço à sua volta parece apertar mais. as paredes do quarto parecem se aproximar, fechando-se ao seu redor. respirar é difícil demais. ela precisa sair.
a dor de cabeça parece diminuir quando ela sai na rua. nas mãos um maço de cigarros roubado do casaco do homem. ele nem mesmo percebeu que ela saiu do quarto.
cambaleando, ela atravessa ruas, em direção à sua casa.
a fumaça do cigarro não preenche o enorme vazio que há em seu peito.
em um bar, um homem olha para o nada, segurando um copo. ele não está bêbado. gostaria, mas não tem coragem de fazer nem mesmo isso.
"hoje ela faria 35", ele pensa. em sua cabeça, imagens de um passado que parece quase inexistente dançam.
sonhou com ela novamente, mais cedo. acordara tremendo, na cama.
fugiu de sua própria casa, como sempre fazia quando a dor era forte demais. caminhou respirando o ar da noite. prostitutas lhe ofereciam alívio. ele as recusava.
o alívio que elas ofereciam nunca lhe foi suficiente.
ele toma o último gole e levanta-se. o ar noturno está frio e sombras passam, cobertas em casacos pesados.
ele caminha sem saber onde chegar.
ela e ele se cruzam. por um instante ,se olham.
e por um instante, é como se os dois se reconhecessem.
os olhares se afastam.
mas uma lembrança desse momento os seguirá.
na penumbra ela procura localizar-se. não conhece o quarto, mas parece ser um quarto genérico de hotel. em volta do seu corpo, um braço desconhecido descansa.
a jovem tenta se lembrar de como foi parar ali, mas a dor de cabeça intensa afasta qualquer possibilidade de explicação.
a nudez indolente do homem ao seu lado e um gosto salgado em sua boca a fazem imaginar o que teria acontecido.
ela se sente envergonhada. lembra de outras camas em outros hotéis. outras noites passadas na companhia de um estranho.
lembra do garoto que ela deixou em casa. provavelmente estaria dormindo. seu coração aperta em saber que ele está sozinho e que a culpa é só dela.
de repente, o braço à sua volta parece apertar mais. as paredes do quarto parecem se aproximar, fechando-se ao seu redor. respirar é difícil demais. ela precisa sair.
a dor de cabeça parece diminuir quando ela sai na rua. nas mãos um maço de cigarros roubado do casaco do homem. ele nem mesmo percebeu que ela saiu do quarto.
cambaleando, ela atravessa ruas, em direção à sua casa.
a fumaça do cigarro não preenche o enorme vazio que há em seu peito.
em um bar, um homem olha para o nada, segurando um copo. ele não está bêbado. gostaria, mas não tem coragem de fazer nem mesmo isso.
"hoje ela faria 35", ele pensa. em sua cabeça, imagens de um passado que parece quase inexistente dançam.
sonhou com ela novamente, mais cedo. acordara tremendo, na cama.
fugiu de sua própria casa, como sempre fazia quando a dor era forte demais. caminhou respirando o ar da noite. prostitutas lhe ofereciam alívio. ele as recusava.
o alívio que elas ofereciam nunca lhe foi suficiente.
ele toma o último gole e levanta-se. o ar noturno está frio e sombras passam, cobertas em casacos pesados.
ele caminha sem saber onde chegar.
ela e ele se cruzam. por um instante ,se olham.
e por um instante, é como se os dois se reconhecessem.
os olhares se afastam.
mas uma lembrança desse momento os seguirá.
19.12.06
acid mode on?
e ainda assim, adoro ficar deitado do seu lado, vendo filme.
ali parece o lugar perfeito...
como vc faz isso, hein?
ali parece o lugar perfeito...
como vc faz isso, hein?
acid mode on III
sim, eu gosto de facas.
e de sangue.
e de ler sobre coisas que ninguém mais parece gostar.
e de ver filmes estranhos.
e desenhar sempre as mesmas coisas.
e de fotografar coisas que só eu entendo.
não. eu não sou igual a ninguém que você conhece.
eu nem sou uma pessoa.
sou só eu.
ainda estou tentando descobrir o que isso significa.
e de sangue.
e de ler sobre coisas que ninguém mais parece gostar.
e de ver filmes estranhos.
e desenhar sempre as mesmas coisas.
e de fotografar coisas que só eu entendo.
não. eu não sou igual a ninguém que você conhece.
eu nem sou uma pessoa.
sou só eu.
ainda estou tentando descobrir o que isso significa.
acid mode on II
não, eu não amo o rio.
acho que não amo lugar nenhum no mundo.
ainda assim quero ver tudo.
vai que eu estou errado, né?
acho que não amo lugar nenhum no mundo.
ainda assim quero ver tudo.
vai que eu estou errado, né?
acid mode on
pensamentos são tão preciosos.
por que insistem em desgastar todos eles, transformando-os em conversas entediantes?
que os guardem até que valham a pena.
por que insistem em desgastar todos eles, transformando-os em conversas entediantes?
que os guardem até que valham a pena.
procura-se
procuro um texto perdido.
a última vez que foi visto, estava na cabeça de um certo escritor. desapareceu quando fazia o caminho da cabeça para o papel.
boa remuneração a quem encontrá-lo.
a última vez que foi visto, estava na cabeça de um certo escritor. desapareceu quando fazia o caminho da cabeça para o papel.
boa remuneração a quem encontrá-lo.
pra vc...
ele olha para um mundo que lhe parece cinza...
pessoas cinzas caminham por um asfalto cinza. carros cinzas param em sinais onde luzes cinzas alternam-se.
prédios cinzas tocam um céu cinza.
árvores de folhas cinzas balançam ao sabor de um vento cinza.
eu visto roupas cinzas.
de repente, você entrou na minha vida e de repente eu vejo cores.
pessoas cinzas caminham por um asfalto cinza. carros cinzas param em sinais onde luzes cinzas alternam-se.
prédios cinzas tocam um céu cinza.
árvores de folhas cinzas balançam ao sabor de um vento cinza.
eu visto roupas cinzas.
de repente, você entrou na minha vida e de repente eu vejo cores.
é estranho e difícil pensar em ir aos poucos.
eu sempre quis tudo de uma vez. sempre.
nunca me contentei em ir ao poucos. nunca me contentei em ter só o agora.
o agora sempre foi muito pouco. sempre tosco e sem vida, diante de todas as possibilidades futuras.
o problema era que eu me perdia nas possibilidades e deixava de viver o agora.
sempre gostei mais das cores com as quais a minha imaginação pinta o mundo do que as cores reais.
é tão complicado, viver o agora.
complicado demais viver com calma.
diminuir a velocidade.
sentir aos poucos.
eu ainda sinto a vontade de jogar muito mais combustível no fogo.
porque eu amo a chama.
mas nunca aprendi que ela queimava depressa demais desse jeito.
tenho que aprender a alimentar o fogo aos poucos.
é muito difícil.
mas eu quero aprender.
eu sempre quis tudo de uma vez. sempre.
nunca me contentei em ir ao poucos. nunca me contentei em ter só o agora.
o agora sempre foi muito pouco. sempre tosco e sem vida, diante de todas as possibilidades futuras.
o problema era que eu me perdia nas possibilidades e deixava de viver o agora.
sempre gostei mais das cores com as quais a minha imaginação pinta o mundo do que as cores reais.
é tão complicado, viver o agora.
complicado demais viver com calma.
diminuir a velocidade.
sentir aos poucos.
eu ainda sinto a vontade de jogar muito mais combustível no fogo.
porque eu amo a chama.
mas nunca aprendi que ela queimava depressa demais desse jeito.
tenho que aprender a alimentar o fogo aos poucos.
é muito difícil.
mas eu quero aprender.
13.12.06
fragmentos...
eles se sentam juntos, em silêncio...
um vento frio sopra e a menina chega mais perto do rapaz, abraçando-o.
ele beija-lhe a testa...
no horizonte, novas cores pintam o céu, aos poucos.
eles olham o nascer de um novo dia e em seus corações, a semente de uma nova esperança brota...
o amor é flor frágil. precisa de cuidados. precisa de carinho e atenção.
o amor é flor que brota no meio das pedras. beleza em meio à aridez do mundo.
o amor é tênue... o amor é etéreo...
o meu amor é o que me move, certos dias.
porque eu quero tudo. e quero perder todos os medos, receios e pudores...
quero mergulhar.
quero morrer e nascer novamente... mil vezes num dia.
e quero você.
um vento frio sopra e a menina chega mais perto do rapaz, abraçando-o.
ele beija-lhe a testa...
no horizonte, novas cores pintam o céu, aos poucos.
eles olham o nascer de um novo dia e em seus corações, a semente de uma nova esperança brota...
o amor é flor frágil. precisa de cuidados. precisa de carinho e atenção.
o amor é flor que brota no meio das pedras. beleza em meio à aridez do mundo.
o amor é tênue... o amor é etéreo...
o meu amor é o que me move, certos dias.
porque eu quero tudo. e quero perder todos os medos, receios e pudores...
quero mergulhar.
quero morrer e nascer novamente... mil vezes num dia.
e quero você.
enjoy the silence
words like violence
break the silence
come crashing in
into my little world
painful to me
pierce right through me
cant you understand
oh my little girl
all i ever wanted
all i ever needed
is here in my arms
words are very unnecessary
they can only do harm
vows are spoken
to be broken
feelings are intense
words are trivial
pleasures remain
so does the pain
words are meaningless
and forgettable
all i ever wanted
all i ever needed
is here in my arms
words are very unnecessary
they can only do harm
enjoy the silence
break the silence
come crashing in
into my little world
painful to me
pierce right through me
cant you understand
oh my little girl
all i ever wanted
all i ever needed
is here in my arms
words are very unnecessary
they can only do harm
vows are spoken
to be broken
feelings are intense
words are trivial
pleasures remain
so does the pain
words are meaningless
and forgettable
all i ever wanted
all i ever needed
is here in my arms
words are very unnecessary
they can only do harm
enjoy the silence
depeche mode - enjoy the silence
12.12.06
11.12.06
tabuleiro
eu olho para ela entre as luzes piscantes. o vestido longo se agita, dançando com ela ao som de the cure. ela não percebe meu olhar.
eu percebo cada movimento dela.
tenho paciência. esse é o meu jogo e aprecio cada lance, cada investida.
então, em um determinado momento, ela me percebe. estou longe o suficiente para que ela não entenda de imediato minhas intenções, mas perto o bastante para ela perceber que estou olhando em sua direção.
então, o jogo começa...
durante a noite, de forma quase que imperceptível, vou chegando mais perto. e mais vezes nossos olhares se cruzam. até que um sorriso inevitável se abre no rosto dela. desvio o olhar por um segundo, tímido.
há vários caminhos para o coração de uma mulher... os mais rápidos passam pelo desejo delas de cuidar de alguém. existem poucas que resistem a um ser carente.
e timidez é um sinal claro de carência.
finjo tomar coragem e ofereço um drink. ela não sabe, mas agora já não conseguirá ir embora.
conversamos um pouco. eu finjo ouvir. sempre funciona. as pessoas sempre estão a procura de alguém que as ouça.
todo o lance seria entediante, se a recompensa não fosse tão grande.
tenho que segurar minha vontade. só ela me denunciaria, agora.
dançamos juntos, corpos colados na pista. olhares encaixados. gosto dos olhos dela. gosto da mistura de sentimentos que vejo neles. o cheiro da pele dela é bom.
nos beijamos na pista. o gosto dela é suave. perfeita.
saímos dali... ela me leva ao seu apartamento. roupas caem no chão. ela geme baixo, frente aos avanços da minha língua.
chegamos à cama. nus, enroscados, um no outro. meu corpo e o dela.
ainda aqui, cada movimento meu é calculado. não sinto prazer na carne.
espero por algo mais profundo.
ela me puxa com força em sua direção. com o corpo pressionado contra o dela, eu faço o lance final:
ela me olha surpresa. mesmo sem conseguir ver os olhos dela, eu conheço a expressão perfeitamente. ela grita, tentando me afastar, mas meu abraço a impede.
eles sempre ficam desesperados, nessa hora.
os dentes abrem a carne do pescoço, com força. o gosto dos músculos e gordura logo é substituído por algo mais nobre.
um rio vermelho desce pelos ombros, até o peito. ela esperneia, sem conseguir fugir.
o gosto é familiar.
fecho os olhos e vejo tudo vermelho. escuto o coração dela batendo rápido e sinto o meu coração aumentando deu ritmo, acompanhando o dela.
um calor percorre meu corpo, começando pela cabeça e descendo pela espinha, até a base das costas. pequenos choques elétricos parecem percorrer meu corpo.
não paro de beber até que a batida no peito dela se torne débil demais até para os meus ouvidos.
o rosto ainda se concentra na expressão de dor e surpresa. ela me olha, sem reação alguma. os lençóis estão vermelhos, nossos corpos brilham, molhados de sangue.
eu a olho... ainda perfeita.
e aos poucos, o brilho dos olhos foge.
quase consigo perceber o momento em que a alma deixa o corpo dela.
fico ali durante algum tempo. extasiado.
beijo o rosto sem vida com carinho. ela e eu dividimos a mesma essência. por algum tempo, vejo o mundo como ela via.
lá fora, o dia começa a nascer.
toco a janela do quarto, sentindo o calor do sol do jeito que ela sentia. a sensação aos poucos vai embora.
como um vício, me pego pensando em uma próxima caçada.
eu ganhei o jogo...
eu percebo cada movimento dela.
tenho paciência. esse é o meu jogo e aprecio cada lance, cada investida.
então, em um determinado momento, ela me percebe. estou longe o suficiente para que ela não entenda de imediato minhas intenções, mas perto o bastante para ela perceber que estou olhando em sua direção.
então, o jogo começa...
durante a noite, de forma quase que imperceptível, vou chegando mais perto. e mais vezes nossos olhares se cruzam. até que um sorriso inevitável se abre no rosto dela. desvio o olhar por um segundo, tímido.
há vários caminhos para o coração de uma mulher... os mais rápidos passam pelo desejo delas de cuidar de alguém. existem poucas que resistem a um ser carente.
e timidez é um sinal claro de carência.
finjo tomar coragem e ofereço um drink. ela não sabe, mas agora já não conseguirá ir embora.
conversamos um pouco. eu finjo ouvir. sempre funciona. as pessoas sempre estão a procura de alguém que as ouça.
todo o lance seria entediante, se a recompensa não fosse tão grande.
tenho que segurar minha vontade. só ela me denunciaria, agora.
dançamos juntos, corpos colados na pista. olhares encaixados. gosto dos olhos dela. gosto da mistura de sentimentos que vejo neles. o cheiro da pele dela é bom.
nos beijamos na pista. o gosto dela é suave. perfeita.
saímos dali... ela me leva ao seu apartamento. roupas caem no chão. ela geme baixo, frente aos avanços da minha língua.
chegamos à cama. nus, enroscados, um no outro. meu corpo e o dela.
ainda aqui, cada movimento meu é calculado. não sinto prazer na carne.
espero por algo mais profundo.
ela me puxa com força em sua direção. com o corpo pressionado contra o dela, eu faço o lance final:
ela me olha surpresa. mesmo sem conseguir ver os olhos dela, eu conheço a expressão perfeitamente. ela grita, tentando me afastar, mas meu abraço a impede.
eles sempre ficam desesperados, nessa hora.
os dentes abrem a carne do pescoço, com força. o gosto dos músculos e gordura logo é substituído por algo mais nobre.
um rio vermelho desce pelos ombros, até o peito. ela esperneia, sem conseguir fugir.
o gosto é familiar.
fecho os olhos e vejo tudo vermelho. escuto o coração dela batendo rápido e sinto o meu coração aumentando deu ritmo, acompanhando o dela.
um calor percorre meu corpo, começando pela cabeça e descendo pela espinha, até a base das costas. pequenos choques elétricos parecem percorrer meu corpo.
não paro de beber até que a batida no peito dela se torne débil demais até para os meus ouvidos.
o rosto ainda se concentra na expressão de dor e surpresa. ela me olha, sem reação alguma. os lençóis estão vermelhos, nossos corpos brilham, molhados de sangue.
eu a olho... ainda perfeita.
e aos poucos, o brilho dos olhos foge.
quase consigo perceber o momento em que a alma deixa o corpo dela.
fico ali durante algum tempo. extasiado.
beijo o rosto sem vida com carinho. ela e eu dividimos a mesma essência. por algum tempo, vejo o mundo como ela via.
lá fora, o dia começa a nascer.
toco a janela do quarto, sentindo o calor do sol do jeito que ela sentia. a sensação aos poucos vai embora.
como um vício, me pego pensando em uma próxima caçada.
eu ganhei o jogo...
pedaços
olho ela deitada na cama. as curvas do corpo nu ainda me causam um sentimento intenso.
eu sei tudo sobre ela, qual o jeito que ela gosta de dormir, como é o sorriso dela, qual a cor do olhar. e ao mesmo tempo, aquela mulher deitada na minha frente é uma completa estranha para mim.
por que tudo sempre retorna ao mesmo ponto? por que sempre pareço procurar algo que foge de mim quando chego perto. a minha felicidade parece água escorrendo das minhas mãos enquanto tento em vão agarrá-la.
passei a noite aqui, no sofá, olhando para ela e vendo outras mulheres em outras noites assim. há algo de belo na tristeza, eu dizia antigamente. agora, eu repudio essa beleza árida.
não quero deixá-la. não quero passar por aquela porta e descer as escadas. não quero atravessar a rua sem olhar para trás.
ao mesmo tempo, não consigo deixar de pensar que eu sou o causador de todas as coisas erradas aqui.
me sinto só. se todas as pessoas do mundo estivessem aqui, agora, eu me sentiria só. porque a minha alma se perdeu da única alma que importava para mim.
me levanto em silêncio. caminho em direção a cama, sempre observando a respiração dela. beijo-a delicadamente na testa enquanto uma lágrima cai, escorrendo por nossos rostos.
adeus, meu amor.
eu passo pela porta e desço as escadas. atravesso a rua sem olhar para trás. mas um pedaço de mim ficou naquele quarto.
me pergunto sobre o dia em que não sobrarão mais pedaços.
eu sei tudo sobre ela, qual o jeito que ela gosta de dormir, como é o sorriso dela, qual a cor do olhar. e ao mesmo tempo, aquela mulher deitada na minha frente é uma completa estranha para mim.
por que tudo sempre retorna ao mesmo ponto? por que sempre pareço procurar algo que foge de mim quando chego perto. a minha felicidade parece água escorrendo das minhas mãos enquanto tento em vão agarrá-la.
passei a noite aqui, no sofá, olhando para ela e vendo outras mulheres em outras noites assim. há algo de belo na tristeza, eu dizia antigamente. agora, eu repudio essa beleza árida.
não quero deixá-la. não quero passar por aquela porta e descer as escadas. não quero atravessar a rua sem olhar para trás.
ao mesmo tempo, não consigo deixar de pensar que eu sou o causador de todas as coisas erradas aqui.
me sinto só. se todas as pessoas do mundo estivessem aqui, agora, eu me sentiria só. porque a minha alma se perdeu da única alma que importava para mim.
me levanto em silêncio. caminho em direção a cama, sempre observando a respiração dela. beijo-a delicadamente na testa enquanto uma lágrima cai, escorrendo por nossos rostos.
adeus, meu amor.
eu passo pela porta e desço as escadas. atravesso a rua sem olhar para trás. mas um pedaço de mim ficou naquele quarto.
me pergunto sobre o dia em que não sobrarão mais pedaços.
10.12.06
prólogo
não vou escrever nossos nomes.
se você está lendo isso, provavelmente já conhece boa parte de nossa história. bom, acho que só a versão que a imprensa publicou.
essa é a minha versão sobre o que aconteceu naquele ano. não vou usar nomes, porque isso nos transformaria em pessoas, como você. e não somos como você. não somos nem mesmo pessoas.
somos uma idéia absurda, um desejo amoral.
somos nós.
eu havia guardado tudo o que aconteceu comigo. mas hoje de manhã aconteceu algo que me fez lembrar dela. então me vi escrevendo, como nunca havia escrito antes. página após páginas nasciam no computador. me vi novamente como uma criança, relembrando cada detalhes, cada lugar.
e relembrando das coisas que fizemos.
se você está lendo isso, provavelmente já conhece boa parte de nossa história. bom, acho que só a versão que a imprensa publicou.
essa é a minha versão sobre o que aconteceu naquele ano. não vou usar nomes, porque isso nos transformaria em pessoas, como você. e não somos como você. não somos nem mesmo pessoas.
somos uma idéia absurda, um desejo amoral.
somos nós.
eu havia guardado tudo o que aconteceu comigo. mas hoje de manhã aconteceu algo que me fez lembrar dela. então me vi escrevendo, como nunca havia escrito antes. página após páginas nasciam no computador. me vi novamente como uma criança, relembrando cada detalhes, cada lugar.
e relembrando das coisas que fizemos.
7.12.06
30.11.06
quero despir você de tudo!
quero invadir o mundo que você nunca liberou pra ninguém.
quero entrar sem pedir.
quero abrir as pernas da sua cabeça, desvirginar a sua mente.
quero violar o seu corpo do jeito que você gosta.
quero que se entregue. agora. de todos os jeitos.
quero que você peça mais e mais. que deseje cada instante.
quero ser seu mestre e seu pupilo. me ensina cada parte do seu corpo.
quero desbravar prazeres que você não conhece.
quero matar você. a pequena morte dos franceses.
quero fazer você respirar meu sopro. beber da minha boca.
quero amarrar seu corpo, marcar sua pele.
quero arrancar cada dor do passado. quero te fazer nova.
quero trazer luz às salas escuras.
quero brincar nas sombras.
pensando melhor, quero tudo isso bem devagar...
quero aproveitar cada segundo.
quero invadir o mundo que você nunca liberou pra ninguém.
quero entrar sem pedir.
quero abrir as pernas da sua cabeça, desvirginar a sua mente.
quero violar o seu corpo do jeito que você gosta.
quero que se entregue. agora. de todos os jeitos.
quero que você peça mais e mais. que deseje cada instante.
quero ser seu mestre e seu pupilo. me ensina cada parte do seu corpo.
quero desbravar prazeres que você não conhece.
quero matar você. a pequena morte dos franceses.
quero fazer você respirar meu sopro. beber da minha boca.
quero amarrar seu corpo, marcar sua pele.
quero arrancar cada dor do passado. quero te fazer nova.
quero trazer luz às salas escuras.
quero brincar nas sombras.
pensando melhor, quero tudo isso bem devagar...
quero aproveitar cada segundo.
- você tem olhar de lâmina - ele diz.
- como assim?
o olhar dela é mais de dúvida do que espanto.
- eu gosto de lâminas. elas têm milhares de brilhos dentro de si. basta refletir as luzes certas. seus olhos são assim.
- meus olhos?
- é. eu gosto.
- eu acho estranho. mas é um estranho bom.
- é. mas as lâminas cortam.
- como assim?
o olhar dela é mais de dúvida do que espanto.
- eu gosto de lâminas. elas têm milhares de brilhos dentro de si. basta refletir as luzes certas. seus olhos são assim.
- meus olhos?
- é. eu gosto.
- eu acho estranho. mas é um estranho bom.
- é. mas as lâminas cortam.
tons de carmim
não consigo afastar o olhar da luz que entra pela fresta na pesada cortina do quarto. a escuridão daqui faz com que o mundo lá fora pareça ser feito de um branco ofuscante.
sinto um pouco de frio... a coberta está jogada a meu lado, mas não quero me cobrir. olho meu corpo nu, no teto do quarto e, como sempre, não reconheço a imagem que se reflete.
ela fala algo, na ante-sala. não consigo ouvir, mas penso que a voz dela parece sempre brincar entre tons e meios-tons. sinto saudade dela, de forma súbita. há um cheiro no ar. odor de sexo. cheiro do meu corpo e do dela, misturados.
ela entra no quarto, nua. meu olhar, como sempre, pousa no meio das pernas dela. ela é perfeita em cada pequeno defeito.
segurando dois copos, ela olha para mim de forma curiosa. continuo olhando intensamente. em minha cabeça, pensamentos despem o corpo dela além da carne. quero olhar a essência dela.
ela caminha pelo quarto, passando rapidamente pela luz que entra na janela. o corpo dela parece brilhar por um instante. um anjo sem pudores, cheio de desejos.
pego o copo gelado... cheiro por um instante o vinho tinto e bebo um longo gole.
vinho sempre foi a minha bebida.
ela sorri... bebe um pouco e coloca o copo ao lado da cama. volta-se pra mim e me beija de leve. eu a abraço forte e beijo. começo a correr as mãos por seu corpo. ela move a língua dentro da minha boca e se encosta em mim.
o corpo dela é quente e macio. a boca puxa a língua em direção a ela. mordo os lábios dela, enquanto minhas mãos alcançam as coxas lisas e firmes.
ela me olha com um olhar lascivo. faz que não com a cabeça e afasta minhas mãos de seu corpo. ela se senta sobre mim e começa a se mover, com os olhos a poucos centímetros dos meus.
quero tocá-la. sinto vontade de puxá-la pra mim. quero estar inteiro dentro dela. luto contra ela, para livrar minhas mãos. ela resiste, sorrindo. livro-me por fim dos braços dela, mas algo acontece.
ouço o barulho vários segundos antes de perceber o que aconteceu. um calor estranho escorre pelo meu braço. olho-o na penumbra e percebo o sangue do corte. um caco de vidro do copo, ainda ensangüentado jazia a meu lado. não há dor e ela se move rebolando sobre mim.
levanto o braço em direção a ela, quase que por instinto. ela olha o sangue que desce por um longo instante, com os olhos arregalados. então, ela pega o braço, com delicadeza e o aproxima de si. sinto o toque dos lábios macios no corte.
ela não para de se mover sobre mim, soltando gemidos baixos.
olho para ela, enquanto ela passa o lado do corte por sobre seus peitos e abdômen.
não sei o que é, mas aquela visão despertou algo em mim. ver o corpo dela desenhado em vermelho me deixa com tesão demais.
começo a mover-me, puxando-a para mim. levantando o corpo dela no ar. meu corpo lateja de prazer.
o sangue escorreu por meu peito. ela se abaixa para lamber as gotas que se espalham.
quero-a para mim. quero-a toda. agora.
nos movemos com força. a cama range diante da violência. ela geme alto.
eu fecho meus olhos e de repente o mundo parece pintado em vermelho.
as estocadas ficam mais rápidas. ela geme cada vez mais alto, mordendo os lábios.
até que gozamos, um para o outro, forte... muito forte.
um gozo em tons de carmim.
sinto um pouco de frio... a coberta está jogada a meu lado, mas não quero me cobrir. olho meu corpo nu, no teto do quarto e, como sempre, não reconheço a imagem que se reflete.
ela fala algo, na ante-sala. não consigo ouvir, mas penso que a voz dela parece sempre brincar entre tons e meios-tons. sinto saudade dela, de forma súbita. há um cheiro no ar. odor de sexo. cheiro do meu corpo e do dela, misturados.
ela entra no quarto, nua. meu olhar, como sempre, pousa no meio das pernas dela. ela é perfeita em cada pequeno defeito.
segurando dois copos, ela olha para mim de forma curiosa. continuo olhando intensamente. em minha cabeça, pensamentos despem o corpo dela além da carne. quero olhar a essência dela.
ela caminha pelo quarto, passando rapidamente pela luz que entra na janela. o corpo dela parece brilhar por um instante. um anjo sem pudores, cheio de desejos.
pego o copo gelado... cheiro por um instante o vinho tinto e bebo um longo gole.
vinho sempre foi a minha bebida.
ela sorri... bebe um pouco e coloca o copo ao lado da cama. volta-se pra mim e me beija de leve. eu a abraço forte e beijo. começo a correr as mãos por seu corpo. ela move a língua dentro da minha boca e se encosta em mim.
o corpo dela é quente e macio. a boca puxa a língua em direção a ela. mordo os lábios dela, enquanto minhas mãos alcançam as coxas lisas e firmes.
ela me olha com um olhar lascivo. faz que não com a cabeça e afasta minhas mãos de seu corpo. ela se senta sobre mim e começa a se mover, com os olhos a poucos centímetros dos meus.
quero tocá-la. sinto vontade de puxá-la pra mim. quero estar inteiro dentro dela. luto contra ela, para livrar minhas mãos. ela resiste, sorrindo. livro-me por fim dos braços dela, mas algo acontece.
ouço o barulho vários segundos antes de perceber o que aconteceu. um calor estranho escorre pelo meu braço. olho-o na penumbra e percebo o sangue do corte. um caco de vidro do copo, ainda ensangüentado jazia a meu lado. não há dor e ela se move rebolando sobre mim.
levanto o braço em direção a ela, quase que por instinto. ela olha o sangue que desce por um longo instante, com os olhos arregalados. então, ela pega o braço, com delicadeza e o aproxima de si. sinto o toque dos lábios macios no corte.
ela não para de se mover sobre mim, soltando gemidos baixos.
olho para ela, enquanto ela passa o lado do corte por sobre seus peitos e abdômen.
não sei o que é, mas aquela visão despertou algo em mim. ver o corpo dela desenhado em vermelho me deixa com tesão demais.
começo a mover-me, puxando-a para mim. levantando o corpo dela no ar. meu corpo lateja de prazer.
o sangue escorreu por meu peito. ela se abaixa para lamber as gotas que se espalham.
quero-a para mim. quero-a toda. agora.
nos movemos com força. a cama range diante da violência. ela geme alto.
eu fecho meus olhos e de repente o mundo parece pintado em vermelho.
as estocadas ficam mais rápidas. ela geme cada vez mais alto, mordendo os lábios.
até que gozamos, um para o outro, forte... muito forte.
um gozo em tons de carmim.
12.11.06
início ?
olhares vagos avistam as prateleiras embotadas de idéias. nada lhes passa na cabeça a não ser preenchê-las de um conteúdo original, de forma a se destacarem entre os outros. passam os dedos pelos livros, procurando no papel a solução para uma vida óbvia e sem sentido.
a menina grita entre as pessoas:
- hipócritas! ignorantes, todos vocês! incapazes de terem idéias próprias. assassinos e ladrões!
ela sai correndo em direção à saída, com um sorriso de satisfação entre os lábios. enquanto passa pelo meio dos livros, ela os joga no chão.
a menina abre os olhos e percebe as pessoas folheando livros com ar blasé à sua volta. um senhor a observa à distância, fingindo que presta atenção no livro de arte que tem nas mãos. ela não gosta do olhar dele. não gosta do olhar que a maioria dos homens dá a ela. se sente suja.
ao invés de gritar, ela coloca o livro que tem nas mãos de novo na prateleira e sai da livraria.
a menina grita entre as pessoas:
- hipócritas! ignorantes, todos vocês! incapazes de terem idéias próprias. assassinos e ladrões!
ela sai correndo em direção à saída, com um sorriso de satisfação entre os lábios. enquanto passa pelo meio dos livros, ela os joga no chão.
a menina abre os olhos e percebe as pessoas folheando livros com ar blasé à sua volta. um senhor a observa à distância, fingindo que presta atenção no livro de arte que tem nas mãos. ela não gosta do olhar dele. não gosta do olhar que a maioria dos homens dá a ela. se sente suja.
ao invés de gritar, ela coloca o livro que tem nas mãos de novo na prateleira e sai da livraria.
10.11.06
natal
pessoal,
fiz umas fotos em natal, no fim de semana...
as que eu achei mais legais estão aqui: http://www.flickr.com/photos/dreamofalife/sets/72157594363349046/
fiz umas fotos em natal, no fim de semana...
as que eu achei mais legais estão aqui: http://www.flickr.com/photos/dreamofalife/sets/72157594363349046/
para trás e para frente...
cada vez mais alto... cada vez mais longe...
o balanço leva o garoto, de novo e de novo...
com o balanço do balanço, vão também os pensamentos do garoto.
para frente e para trás...
ele se lembra do pai. ele costumava empurrar o garoto no balanço, mais e mais alto e dizia que se o garoto esticasse os braços o bastante, poderia alcançar o céu e quem sabe, até tocar em uma nuvem.
o garoto vai e volta, no balanço.
ele estica os braços, quando o balanço está bem no alto.
quem sabe, se ele esticar o braço o bastante, consegue alcançar o pai, lá no céu.
cada vez mais alto... cada vez mais longe...
o balanço leva o garoto, de novo e de novo...
com o balanço do balanço, vão também os pensamentos do garoto.
para frente e para trás...
ele se lembra do pai. ele costumava empurrar o garoto no balanço, mais e mais alto e dizia que se o garoto esticasse os braços o bastante, poderia alcançar o céu e quem sabe, até tocar em uma nuvem.
o garoto vai e volta, no balanço.
ele estica os braços, quando o balanço está bem no alto.
quem sabe, se ele esticar o braço o bastante, consegue alcançar o pai, lá no céu.
- você não gosta de ir aos poucos, né?
- não...
- por quê?
- não consigo. acho sempre que tenho que ter tudo de uma vez.
- mas de vez em quando é bom ir com calma.
- eu sei, menina... eu ando tentando isso. mas é que parece que tem tanta coisa no mundo ainda por tentar... fico querendo demais.
- não se pode ter tudo, né?
- é... acho que não.
mas eu vivo tentando...
tsc, tsc, tsc...
- não...
- por quê?
- não consigo. acho sempre que tenho que ter tudo de uma vez.
- mas de vez em quando é bom ir com calma.
- eu sei, menina... eu ando tentando isso. mas é que parece que tem tanta coisa no mundo ainda por tentar... fico querendo demais.
- não se pode ter tudo, né?
- é... acho que não.
mas eu vivo tentando...
tsc, tsc, tsc...
9.11.06
ao luar...
o cavaleiro retorna às terras onde crescera. anos se passaram, desde que ele viu o lugar pela última vez.
a guerra havia tornado o garoto que dali saíra, anos atrás em um homem. ele pensa consigo mesmo que as batalhas pareciam levar um pouco da inocência consigo. foram tempos negros. tudo o que ele acreditava havia sido tirado dele. apenas uma coisa ele manteve consigo.
ele toca o objeto amarrado em uma corrente que carrega em seu pescoço. a forma familiar traz a seu coração um sentimento bom.
quase que instintivamente, o cavalo o leva à floresta que cerca o castelo onde o homem costumava brincar quando ainda era criança. o aroma das árvores de frutos e as flores preenche o ar, trazendo a ele a lembrança de uma noite quase perdida entre seus pensamentos.
ele se lembra de um menino que ouvia as histórias da antiga rainha, sobre os seres da floresta. uma dessas histórias se mostrou mais interessante que todas as outras. a mãe do menino contou um antigo segredo sobre a floresta.
ela contou que todas as noites as fadas e os seres selvagens se juntavam para festejar a lua. e todas as noites, as fadas brincavam entre as árvores, cantando e dançando. mas ao final de todas as noites, a rainha das fadas ia até o centro da floresta e cantava uma canção dos tempos antigos, quando era permitido que as fadas e os homens vivessem juntos, colaborando entre si. a canção era a mais bela canção e também a mais triste. e todas as fadas choravam, saudosas de outros tempos. e as lágrimas das fadas enchiam as pétalas e folhas de pequenas gotículas. e era dito que, se alguém capturasse uma dessas gotas após o primeiro raio de luar, seria o senhor da fada que havia deixado a lágrima escorrer na folha.
o garoto ouvira a história com atenção e em sua mente, um plano havia sido traçado.
a guerra havia tornado o garoto que dali saíra, anos atrás em um homem. ele pensa consigo mesmo que as batalhas pareciam levar um pouco da inocência consigo. foram tempos negros. tudo o que ele acreditava havia sido tirado dele. apenas uma coisa ele manteve consigo.
ele toca o objeto amarrado em uma corrente que carrega em seu pescoço. a forma familiar traz a seu coração um sentimento bom.
quase que instintivamente, o cavalo o leva à floresta que cerca o castelo onde o homem costumava brincar quando ainda era criança. o aroma das árvores de frutos e as flores preenche o ar, trazendo a ele a lembrança de uma noite quase perdida entre seus pensamentos.
ele se lembra de um menino que ouvia as histórias da antiga rainha, sobre os seres da floresta. uma dessas histórias se mostrou mais interessante que todas as outras. a mãe do menino contou um antigo segredo sobre a floresta.
ela contou que todas as noites as fadas e os seres selvagens se juntavam para festejar a lua. e todas as noites, as fadas brincavam entre as árvores, cantando e dançando. mas ao final de todas as noites, a rainha das fadas ia até o centro da floresta e cantava uma canção dos tempos antigos, quando era permitido que as fadas e os homens vivessem juntos, colaborando entre si. a canção era a mais bela canção e também a mais triste. e todas as fadas choravam, saudosas de outros tempos. e as lágrimas das fadas enchiam as pétalas e folhas de pequenas gotículas. e era dito que, se alguém capturasse uma dessas gotas após o primeiro raio de luar, seria o senhor da fada que havia deixado a lágrima escorrer na folha.
o garoto ouvira a história com atenção e em sua mente, um plano havia sido traçado.
continua...
pequeno momento.
ela subiu no ônibus e antes de passar pelo cobrador, olhou para o lado de fora e mostrou um grande sorriso no rosto.
do lado de fora, um rapaz acena, com o mesmo sorriso a iluminar o rosto.
eu também sorrio, no meu canto, pensando que o mundo pode ter solução, afinal.
do lado de fora, um rapaz acena, com o mesmo sorriso a iluminar o rosto.
eu também sorrio, no meu canto, pensando que o mundo pode ter solução, afinal.
7.11.06
sem título
não consigo dormir.
não quero dormir.
algo me diz para ficar acordado essa noite.
alguém pode precisar de mim.
quero estar aqui por você.
sempre.
não quero dormir.
algo me diz para ficar acordado essa noite.
alguém pode precisar de mim.
quero estar aqui por você.
sempre.
31.10.06
29.10.06
tenho medo de ser feliz.
sempre me sabotei, quando aparecia no horizonte algum sinal de que eu poderia ser feliz de verdade. procurava a primeira oportunidade para mostrar a mim mesmo o quão ruim eu era. o quanto eu não merecia ser feliz.
e isso é bizarro, porque é o tipo de comportamento que só aumentava o vazio que eu sentia dentro de mim. sei que esse vazio é inerente à alma... sei que é possível ele nunca seja preenchido completamente, porque é esse vazio que me impulsiona a buscar coisas novas... a experimentar... a viver.
o vazio machuca. mas é uma dor conhecida.
eu tinha medo do mundo desconhecido que a felicidade poderia me proporcionar. então me sabotava, porque sempre foi mais fácil me entregar a uma dor conhecida.
não quero mais o vazio. quero experimentar. quero tentar ser feliz.
cansei de ser complicado. a simplicidade me parece ser muito mais interessante, agora.
sempre me sabotei, quando aparecia no horizonte algum sinal de que eu poderia ser feliz de verdade. procurava a primeira oportunidade para mostrar a mim mesmo o quão ruim eu era. o quanto eu não merecia ser feliz.
e isso é bizarro, porque é o tipo de comportamento que só aumentava o vazio que eu sentia dentro de mim. sei que esse vazio é inerente à alma... sei que é possível ele nunca seja preenchido completamente, porque é esse vazio que me impulsiona a buscar coisas novas... a experimentar... a viver.
o vazio machuca. mas é uma dor conhecida.
eu tinha medo do mundo desconhecido que a felicidade poderia me proporcionar. então me sabotava, porque sempre foi mais fácil me entregar a uma dor conhecida.
não quero mais o vazio. quero experimentar. quero tentar ser feliz.
cansei de ser complicado. a simplicidade me parece ser muito mais interessante, agora.
27.10.06
crônica de uma morte anunciada (versão cinematográfica)
eu baixo filmes pela internet.
essa confissão não está sendo feita por causa da consciência pesada. nem é uma forma de me inserir em nenhuma cultura underground. eu a escrevi mais como uma mea culpa.
no final de semana eu fui ao cinema. o filme? "dália negra", mas isso não é o mais importante. enquanto eu estava esperando a sessão começar, comecei a divagar (coisa que nem é complicada, pode perguntar a qualquer pessoa que me conhece): sempre gostei de cinemas. de verdade, mesmo! eu achava demais, entrar naquela sala enorme, decorada muitas vezes com um certo luxo que lembrava os grandes teatros do passado, para assistir a um filme.
não! assistir não é a palavra correta. o que eu fazia era mergulhar no filme, me empolgar com a história, levar sustos, me colocar como personagem principal, chorar no fim... enfim... viver cada segundo dos quadros que se passavam na minha frente, na imensa tela branca. era algo mágico... especial. adentrar a porta do cinema era estar aberto a viver essa experiência.
e foi sobre isso que acabei divagando. cada vez mais pessoas baixam filmes pela internet e cada vez menos pessoas vão aos cinemas. não estou fazendo campanha pelos enormes estúdios, mas se continuarmos assim, logo o negócio cinematográfico não dará tanto dinheiro assim, para sustentar as enormes salas de exibição.
dentro de algum tempo, estaremos todos felizes em baixar centenas de filmes de centenas de fontes diferentes, todos os dias. muitos serão bons, muitos ruins e tenho certeza de que muitos deles mudarão a nossa vida.
mas... eu não consigo pensar que a magia foi deixada para trás. não importa o conforto, o tamanho das nossas tv's, e o quanto o filme que estamos assistindo me cativa, eu vou sentir falta das salas de exibição.
é... eu baixo filmes pela internet.
e música também...
essa confissão não está sendo feita por causa da consciência pesada. nem é uma forma de me inserir em nenhuma cultura underground. eu a escrevi mais como uma mea culpa.
no final de semana eu fui ao cinema. o filme? "dália negra", mas isso não é o mais importante. enquanto eu estava esperando a sessão começar, comecei a divagar (coisa que nem é complicada, pode perguntar a qualquer pessoa que me conhece): sempre gostei de cinemas. de verdade, mesmo! eu achava demais, entrar naquela sala enorme, decorada muitas vezes com um certo luxo que lembrava os grandes teatros do passado, para assistir a um filme.
não! assistir não é a palavra correta. o que eu fazia era mergulhar no filme, me empolgar com a história, levar sustos, me colocar como personagem principal, chorar no fim... enfim... viver cada segundo dos quadros que se passavam na minha frente, na imensa tela branca. era algo mágico... especial. adentrar a porta do cinema era estar aberto a viver essa experiência.
e foi sobre isso que acabei divagando. cada vez mais pessoas baixam filmes pela internet e cada vez menos pessoas vão aos cinemas. não estou fazendo campanha pelos enormes estúdios, mas se continuarmos assim, logo o negócio cinematográfico não dará tanto dinheiro assim, para sustentar as enormes salas de exibição.
dentro de algum tempo, estaremos todos felizes em baixar centenas de filmes de centenas de fontes diferentes, todos os dias. muitos serão bons, muitos ruins e tenho certeza de que muitos deles mudarão a nossa vida.
mas... eu não consigo pensar que a magia foi deixada para trás. não importa o conforto, o tamanho das nossas tv's, e o quanto o filme que estamos assistindo me cativa, eu vou sentir falta das salas de exibição.
é... eu baixo filmes pela internet.
e música também...
25.10.06
20.10.06
19.10.06
13.10.06
12.10.06
the catcher
acabei de ler um artigo sobre "o apanhador no campo de centeio"...
e... putz! só o artigo já fez com que eu me identificasse muito com a história!
ok. eu estava precisando muito ler um livro desses que modifica a vida da gente.
e acho que o apanhador é esse livro.
e... putz! só o artigo já fez com que eu me identificasse muito com a história!
ok. eu estava precisando muito ler um livro desses que modifica a vida da gente.
e acho que o apanhador é esse livro.
2
- gostaria que houvesse uma maneira de entrar em seu mundo.
a expressão dele era quase de quem estivesse sonhando acordado. distante, olhando para o nada.
ela observou os olhos dele, longamente. queria de alguma maneira dizer a ele que o caminho não seria assim tão difícil.
- acho... vc, já foi bem distante, aqui.
ele sorriu.
- eu quero mais. ahhh... sempre quero mais!
- acho que é melhor assim. irmos com calma. sempre que me deixei levar, acabava numa cama, pensando que deveria haver mais, sentir mais.
ele a olhou, de forma intensa. um olhar de reconhecimento.
- eu entendo. já senti isso.
- você já amou alguém?
ele fita o chão, por um segundo, como se lembrasse de algo.
- já. e foi como aqueles amores de filmes antigos.
- e como é?
- você se sente totalmente à vontade com a pessoa e sabe que ela se sente assim com você também. é como se ela carregasse um pedaço de você que não está contigo. e a pessoa pode ter todos os erros, mas o que você sente sobrepuja isso.
- não sou boa em perdoar erros.
- eu também não. não mesmo. mas quando eu amo alguém, eu me entrego de uma maneira absurda.
ela fica quieta por um tempo, olhando a noite com um olhar um pouco triste.
- acho que nunca amei...
ele a abraça, apertando-a forte contra si, depois beija-a calma e longamente, fazendo carinhos no rosto dela. e então olha-a dentro dos olhos.
- eu quero fazer você feliz. quero que se sinta livre de todos os erros de antes. quero que se sinta leve. e quero que se sinta amada.
ela chora, encostada nos ombros dele. não é um choro ruim... é algo que ela não consegue explicar... mas, naquele instante, ela não gostaria de estar em nenhum outro lugar do mundo.
a expressão dele era quase de quem estivesse sonhando acordado. distante, olhando para o nada.
ela observou os olhos dele, longamente. queria de alguma maneira dizer a ele que o caminho não seria assim tão difícil.
- acho... vc, já foi bem distante, aqui.
ele sorriu.
- eu quero mais. ahhh... sempre quero mais!
- acho que é melhor assim. irmos com calma. sempre que me deixei levar, acabava numa cama, pensando que deveria haver mais, sentir mais.
ele a olhou, de forma intensa. um olhar de reconhecimento.
- eu entendo. já senti isso.
- você já amou alguém?
ele fita o chão, por um segundo, como se lembrasse de algo.
- já. e foi como aqueles amores de filmes antigos.
- e como é?
- você se sente totalmente à vontade com a pessoa e sabe que ela se sente assim com você também. é como se ela carregasse um pedaço de você que não está contigo. e a pessoa pode ter todos os erros, mas o que você sente sobrepuja isso.
- não sou boa em perdoar erros.
- eu também não. não mesmo. mas quando eu amo alguém, eu me entrego de uma maneira absurda.
ela fica quieta por um tempo, olhando a noite com um olhar um pouco triste.
- acho que nunca amei...
ele a abraça, apertando-a forte contra si, depois beija-a calma e longamente, fazendo carinhos no rosto dela. e então olha-a dentro dos olhos.
- eu quero fazer você feliz. quero que se sinta livre de todos os erros de antes. quero que se sinta leve. e quero que se sinta amada.
ela chora, encostada nos ombros dele. não é um choro ruim... é algo que ela não consegue explicar... mas, naquele instante, ela não gostaria de estar em nenhum outro lugar do mundo.
8.10.06
uma noite
ele a levou para longe da casa...
a praia estava completamente vazia, os últimos pássaros sobrevoavam o litoral
o barulho das ondas trazia uma calma diferente.
e
a praia estava completamente vazia, os últimos pássaros sobrevoavam o litoral
o barulho das ondas trazia uma calma diferente.
e
três momentos
a primeira vez foi carne.
bocas, respiração, transpiração e pernas.
sexo, sexo, sexo
a palavra não descreveria
era mais um turbilhão de líquidos e pele e desejo.
terminou rápido e forte, extasiante e cheio de força.
a segunda vez foi com o coração,
carinhos e frases no pé do ouvido,
brincadeiras e mãos percorrendo o corpo.
era um poema, era uma promessa.
terminou em suspiro e sorriso e abraço.
a terceira...
a terceira foi a vez da alma,
beijos que ultrapassavam a carne, olhares que queimavam por dentro,
tocaram-se onde ninguém havia alcançado antes, em silêncio, orquestrados pelos gemidos.
era tudo, era o mundo inteiro, cada parte da eternidade.
e terminou em amor.
bocas, respiração, transpiração e pernas.
sexo, sexo, sexo
a palavra não descreveria
era mais um turbilhão de líquidos e pele e desejo.
terminou rápido e forte, extasiante e cheio de força.
a segunda vez foi com o coração,
carinhos e frases no pé do ouvido,
brincadeiras e mãos percorrendo o corpo.
era um poema, era uma promessa.
terminou em suspiro e sorriso e abraço.
a terceira...
a terceira foi a vez da alma,
beijos que ultrapassavam a carne, olhares que queimavam por dentro,
tocaram-se onde ninguém havia alcançado antes, em silêncio, orquestrados pelos gemidos.
era tudo, era o mundo inteiro, cada parte da eternidade.
e terminou em amor.
limiar
ele fecha os olhos e começa a caminhar...
passo após passo, ele sente o vento soprar-lhe aos ouvidos.
os pés alinham-se, entre a terra e o vazio.
passo a passo, ele caminha no limite do abismo, testando a si mesmo.
há anos ele faz isso. há anos, ele deseja perder o rumo de si mesmo.
e ele caminha, passo a passo, testando a si mesmo.
mas hoje, hoje algo acontece.
um sussurro... uma voz diz seu nome... uma mão toca-lhe delicadamente o ombro.
hoje, os passos se distanciam lentamente do limiar...
seus pés alcançam um terreno mais seguro.
ele abre os olhos, que se inundam com a visão de um mundo diferente, cheio de novas cores...
passo após passo, ele sente o vento soprar-lhe aos ouvidos.
os pés alinham-se, entre a terra e o vazio.
passo a passo, ele caminha no limite do abismo, testando a si mesmo.
há anos ele faz isso. há anos, ele deseja perder o rumo de si mesmo.
e ele caminha, passo a passo, testando a si mesmo.
mas hoje, hoje algo acontece.
um sussurro... uma voz diz seu nome... uma mão toca-lhe delicadamente o ombro.
hoje, os passos se distanciam lentamente do limiar...
seus pés alcançam um terreno mais seguro.
ele abre os olhos, que se inundam com a visão de um mundo diferente, cheio de novas cores...
ela fala sobre o dia dela, com uma voz misturada, de menina e mulher e uma energia que passa através da linha telefônica e encontra um canto, dentro da minha cabeça.
eu escuto, imaginando as caras que ela faz. sorrio, com o ouvido encostado no telefone.
solto um "hummm...", quase sem querer.
ela pára, acho que tentando imaginar o que eu estou pensando.
eu fico sem jeito. quero falar, mas me pego pensando coisas demais...
"calma, marcio", penso... "vai haver uma hora pra isso tudo."
e no itunes, bowie canta "little wonder".
eu escuto, imaginando as caras que ela faz. sorrio, com o ouvido encostado no telefone.
solto um "hummm...", quase sem querer.
ela pára, acho que tentando imaginar o que eu estou pensando.
eu fico sem jeito. quero falar, mas me pego pensando coisas demais...
"calma, marcio", penso... "vai haver uma hora pra isso tudo."
e no itunes, bowie canta "little wonder".
1.10.06
strangers in the night
a pista está lotada... o calor dos corpos e o som pesado dos amplificadores preenchem o ar.
eles se beijam. as mãos percorrem os corpos, apertando-se um contra o outro.
eles desejam estar sozinhos...
e desejam um ao outro.
eles se beijam. as mãos percorrem os corpos, apertando-se um contra o outro.
eles desejam estar sozinhos...
e desejam um ao outro.
ruas desertas
eles caminhavam pelas ruas vazias, na madrugada de um domingo cinzento.
conversam sobre si mesmos e sobre o mundo. ela tem uma urgência em falar sobre si mesma, mas algumas palavras simplesmente não saem.
ele a observa, prestando atenção no rosto dela, encantado com o brilho que ela emana dos olhos. percebe uma confusão em seus pensamentos, como se ela estivesse tentando lhe dizer um monte de coisas, mas não se importa muito com isso.
eles entram em uma padaria... ela pede um café e ele bebe água mineral. conversam sobre suas vidas, querendo conhecer mais, um do outro.
aos poucos o dia fica claro e eles decidem ir embora.
eles se abraçam, longa e fortemente. ela olha para ele em silêncio. e se beijam carinhosamente.
ele quer que ela fique. ela quer que ele peça para ela não ir.
o dia amanhece um domingo cinza.
eles vão para casa, cheios de pensamentos e sentimentos novos.
conversam sobre si mesmos e sobre o mundo. ela tem uma urgência em falar sobre si mesma, mas algumas palavras simplesmente não saem.
ele a observa, prestando atenção no rosto dela, encantado com o brilho que ela emana dos olhos. percebe uma confusão em seus pensamentos, como se ela estivesse tentando lhe dizer um monte de coisas, mas não se importa muito com isso.
eles entram em uma padaria... ela pede um café e ele bebe água mineral. conversam sobre suas vidas, querendo conhecer mais, um do outro.
aos poucos o dia fica claro e eles decidem ir embora.
eles se abraçam, longa e fortemente. ela olha para ele em silêncio. e se beijam carinhosamente.
ele quer que ela fique. ela quer que ele peça para ela não ir.
o dia amanhece um domingo cinza.
eles vão para casa, cheios de pensamentos e sentimentos novos.
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