17.9.06

franz

show do franz a quilômetros de distância... :)

e um fantasma no show do franz!?!

dream on

can you feel a little love?

as your bony fingers close around me
long and spindly
death becomes me
heaven can you see what i see

hey you pale and sickly child
you're death and living reconciled
been walking home a crooked mile

paying debt to karma
you party for a living
what you take won't kill you
but careful what you're giving

there's no time for hesitating
pain is ready, pain is waiting
primed to do it's educating

unwanted, uninvited kin
it creeps beneath your crawling skin
it lives without it lives within you

feel the fever coming
you're shaking and twitching
you can scratch all over
but that won't stop you itching

can you feel a little love?
can you feel a little love?

dream on dream on

blame it on your karmic curse
or shame upon the universe
it knows its lines
it's well rehearsed

it sucked you in, it dragged you down
to where there is no hallow ground
where holiness is never found

paying debt to karma
you party for a living
what you take won't kill you
but careful what you're giving

can you feel a little love?
can you feel a little love?

dream on dream on

can you feel a little love?
can you feel a little love?

dream on dream on
dream on dream on

depeche mode - dream on

amor eternno

o silêncio é a moldura do amor dele.

ele se cala diante do sorriso dela. não porque parece desdenhoso, mas porque o desarma no primeiro segundo.

e fica em silêncio, enquanto ela pega um cigarro despretensiosamente e o acende.

é em silêncio que ele observa o cabelo dela cair sobre o rosto.

e é em silêncio que ele deseja que a noite não acabe nunca.

10.9.06

recomeço

ele destrói tudo o que está no quarto. joga os livros todos no chão, arranca a televisão do suporte. destrói o quadro de fotos, quebra a cama. os pôsteres estão rasgados, o computador está em pedaços em um canto, nada está no lugar.

ele respira ofegante, olhando para tudo.

e começa a juntar novamente os pedaços.
faço da minha vida um filme...

o elenco é um tanto grande e eu não gosto muito do protagonista.

mas, acho que ele precisa de um par romântico.

se ao menos eu pudesse ler o roteiro.

não! na real, eu queria ter acesso ao roteiro para mudar algumas partes do passado do protagonista.

personagens complicados me parecem um tanto fáceis de se prever. sempre terminam se enrolando.

é. reviravoltas. preciso de reviravoltas no roteiro.

e sem dúvida, de uma luz melhor.

mas eu gosto da trilha sonora...
a fumaça desenha círculos etéreos em volta dos olhos verdes dela.

eu observo e me calo.

há beleza em cada característica. mesmo nas que eu não suporto.

ok. sou um peixe fisgado... mas... para aqueles olhos, me entrego sem pensar.

negócio arriscado

a fumaça com cheiro de pólvora se mistura à fumaça de tabaco.

os tiros ainda ecoam no beco. o homem de sobretudo segura a arma no ar, como se fizesse pose para uma foto.

a chuva escorre do corpo caído. uma poça de água e sangue se forma no chão. olhos vidrados olham em direção ao céu.

o homem joga o resto do cigarro fora e guarda a arma calmamente. sente o cano ainda quente, no coldre junto ao peito.

ele fecha o sobretudo e caminha em direção a um carro. a chuva cai violentamente, como se deus quisesse lavar o mundo de tudo o que é errado.

"não ia sobrar muita gente", o homem pensa.

ele entra no carro e pega algo no porta-luvas. olha o distintivo da polícia por um segundo e o recoloca dentro do bolso da camisa.

um celular toca. o homem atende:

"eu."

"e então?"

"já foi."

"ótimo. nos encontramos mais tarde?"

"ok. mas esse foi o último."

"a gente conversa sobre isso depois. no lugar de sempre?"

"é. trás a grana."

"claro. até."

as luzes dos faróis tentam iluminar a noite, mas a chuva não deixa.

o homem sai com o carro, sabendo que o corpo que está jogado no beco não foi o último. mais um corpo espera por ele num restaurante, com uma mala cheia de dinheiro.

natascha

ela não consegue respirar.

as paredes do quarto se fecham cada vez mais. ela não sabe se é dia ou noite, não há janelas. não há saída.

as paredes se fecham sobre natascha. ela luta contra a exaustão e o sono.

ela chora em silêncio. já não tem mais voz.

as mãos estão machucadas de bater na porta. sua mãe não pode ouvir. ninguém pode.

as paredes se fecham e ela não consegue respirar.

medo.

na primeira noite (era mesmo uma noite?) ela pediu para fugir.

depois pediu a deus para morrer.

deus não a ouviu.

natascha está sozinha.

não. quando a luz do lado de fora do quarto se acende, ela sabe que não está sozinha.

ele. ele está lá.

a porta se abre e a luz invade o minúsculo quarto.

cega, ela se arrasta para a parede contrária.

não é longe o bastante.

natascha não pode escapar.
às vezes canso de falar de mim...

juro que hoje queria falar de outra pessoa, outra vida.

mas aí percebo que a única pessoa que conheço de verdade sou eu (e mesmo assim, ainda me surpreendo). e a única vida que sei como é vivida é a minha.

e eu estou aqui lutando contra uma vontade enorme de cavar um buraco no me quarto e passar alguns anos por lá.

nha... coisas do domingo. não liguem...
o garoto olha os homens indo embora
apinhados como bichos, no caminhão
que chora e range enquanto se afasta.

ele ficou com as irmãs e a mãe.
o homem que ele chama de pai se foi
o garoto que ele chama de irmão também.

nos meses seguintes, suas únicas companheiras são
a mãe
as irmãs
e a fome.

ele vai com a irmã mais velha todas as manhãs, buscar água
água com cor de terra
e gosto de terra
mas que os faz sobreviver mais um dia.

o sertão tem a cara da morte,
usa uma máscara de caveira de boi.

um dia, sua irmã mais nova morreu
assim, assim...
parou de se mexer (não chorava há alguns dias),
desistiu de lutar contra a fome e a sede.

a mãe a enterrou no fundo do quintal.

a morte é companheira do menino.
ele conversa com ela todos os dias, quando vai dormir.

o menino houve a mãe falar de deus e do diabo,
do céu e do inferno.
ele não precisa de explicações,
sabe bem em qual dos dois está.
ele olha para o céu, que começa a clarear.

a grande lua cheia ainda reina, mas as nuvens no horizonte começam a se avermelhar, antecipando a presença de uma manhã.

a paisagem se move depressa, do lado de fora da janela do carro. as luzes da cidade vão sa afastando. o homem observa e não pode deixar de ficar impressionado com a beleza dessa simplicidade.

a cidade se torna onírica, no final da madrugada. não há pessoas nas ruas, tudo parece deserto.

ele ouve o sussuro da cidade que ainda dorme e guarda seus segredos.

os primeiros raios de sol pintam de dourados os edifícios. ao longe, o mar parece competir com o sol que se levanta, espalhando luz por todos os lados.

o homem pensa consigo mesmo que o amanhecer e o anoitecer são as horas que ele mais gosta. elas têm um sentido quase religioso de mudança.

a paisagem se afasta rápido, do lado de fora.

dentro do carro, um homeme sorri.

9.9.06

ela deita na cama quarto. já é de manhã...

o cabelo ainda cheira à shampoo de motel.

ela olha para o teto.

fecha os olhos.

não consegue dormir.

os pensamentos começam a desenrolar, sem freio. ela nunca se importou com o sexo. achava bom, mas não importava tanto fazer ou não. para os caras, sempre foi algo importante, então ela se deixava entregar. não sentia o bastante pra achar bom ou ruim. mas era o bastante pra saciar a vontade do corpo.

mas agora, tem algo diferente.

essa noite, o que ela teve foi muito pouco. desejou que fosse diferente. desejou que fosse com alguém diferente.

desejou sentir mais.

dancefloor

as luz pisca em um ritmo intenso, seguindo a batida dos amplificadores. corpos se entregam ao ritmo de luz e som.

sentado em um canto, ele observa ela dançar.

o corpo dela parece ter sido desenhado para a pista de dança. cada curva esculpida pelas batidas, cada movimento delineado pelos mixers...

ele olha as luzes desenharem a silhueta dela e seus olhos brilham.

ele percebe os outros olhares para ela. sabe que ela atrai a atenção de outros homens e mulheres.

mas ele gosta assim.

faz mais doce o gosto do beijo, quando ela vêm lhe procurar, mais tarde.
"você tem escrito melhor do que nunca!"

"é... eu te disse que escrevia melhor quando estava triste, né? você não acreditou."

"hummm... vai ver que é por isso que você gosta de se sentir triste, né?"



nha...

é. pode ser por isso.
nenhuma lâmina corta tão fundo quanto o silêncio de quem se ama.

8.9.06

coração cheio.

alma vazia.

sempre tem que haver dicotomia em tudo...

profecia

o sangue do sacrifício é espalhado no solo.

o feiticeiro gira, em seu transe, em volta do fogo.

em seu sonho, ele toca as estrelas, e se encontra com os deuses.

as planícies e as montanhas são a pele do feiticeiro. os rios, o sangue que corre em suas veias... as florestas são seus cabelos...

o mundo e ele são um só.

e ele recebe a mensagem.
em silêncio, a bailarina dança.

a luz do sol entra pelas amplas janelas da sala onde ela treina para a vida.

ela lembra de um soldado de chumbo que a observava.

a bailarina gira no ar.

e os pensamentos giram junto.

o mundo está mudando. maior e mais lotado de pessoas.

mas, no silêncio da sala de dança, ela se pega pensando no soldado.

limites

eu evito falar com você.

só pra perceber que procuro você em todos os lugares que passo.

estranho? é. você causa essas coisas estranhas em mim.

trás novas cores, desejos que eu pensava ter enterrado bem fundo afloram, me vejo querendo mais e mais.

e não sinto haver limite.

não sinto ter limites com você.

ainda procuro sua boca, em sonho.

ainda vejo seus olhos em outros olhos.

seu cheiro me toma o pensamento.

e não parece haver limite.

1.9.06

e ainda assim... eu quero mais.
não me importo tanto em sofrer por conta das coisas do coração. é assim que sou... é assim que sei ser.

e prefiro sofrer por ter tentado, por ter vivido algo do que nunca ter sentido nada.

mas é que às vezes parece que não tenho mais tanto fôlego pra isso.

cada vez é mais custoso, voltar a me imaginar livre para sentir algo novo novamente.

os anos e as decepções cobram seu preço.

a inocência morre cedo demais.

mas a vida segue, com um pouco menos de cor.

novo dia...

escrevo em linhas tortas que só eu entendo.
mas é um livro solitário e triste.

lá fora o dia avança, cinza e silencioso
imagino um mundo sem ninguém
e quase me sinto feliz por isso.

em seu quarto escuro
a menina dorme um sono sem sonhos,
em uma vida sem sonhos,
em um mundo sem sonhos.

eu quis mostrar possibilidades,
tecer sonhos,
criar novos mundos.

mas a realidade é um muro de pedra
e eu estava correndo rápido demais.

minha poesia é confusa,
minha mente está confusa

e agora, essa é toda a clareza de que sou capaz.
há uma certeza por aqui.

eu não vou passar pelo mesmo caminho duas vezes. nunca.
que sentido há em passar pelo mundo fazendo de tudo para sentir nada por ninguém?

encontrando alívio em pequenas cápsulas de felicidade industrializada e sexo casual...

tá... pra você, ouvir música até tarde, comendo chocolate e falando besteiras deve ser mais interessante que sexo.

um dia, menina, te mostro umas coisas...

aí vamos ver se vc ainda vai ficar por aí sem sentir nada.

momento sarcástico da semana

encontrei o amor da minha vida.

agora só preciso fazê-la sentir o mesmo...

31.8.06

lirismo do beco

"michel ama carla!"

as letras feitas com spray pareciam velhas demais naquele muro. ele se perguntava se elas teriam durado mais do que o sentimento que elas proclamam...
o ar estava um pouco frio e os carros passavam por ele com seus faróis acusadores. ele gostava de se sentir anônimo enquanto caminhava, à noite. a luz dos veículos trazia ele à realidade da vida rápido demais.

sentia o resto do gosto da bebida. estava se tornando um hábito, nos últimos meses. "que ótimo... arrumando novos vícios aos trinta anos. perfeito!"

ele mesmo achava estranho, mas ele gostava de andar pelas ruas antigas e sujas do rio. ele dizia que combinavam com a maneira com a qual ele via a sua própria alma.

"há uma beleza poética na tristeza. uma beleza que vem das coisas que poderiam ter sido, mas se desfizeram. uma beleza que vem dos desgostos, da perda e da dor. a dor é bela, se você se afasta o bastante para apreciar. há beleza em cada coisa da vida. basta ter os olhos certos."

em cada poste de iluminação pública enferrujado, em cada esquina transformada em casa por um mendigo, em cada muro pixado, ele via um pedaço de suas próprias experiências.

"o lirismo do beco é construído de sujeira e sonhos destruídos. mulheres abandonadas e prostitutas baratas. a falta de perspectiva cria uma realidade própria, contundente e cheia de detalhes que sobrecarregam os sentidos. a certeza de não ter futuro algum liberta a alma."

ele caminha, ouvindo sambas antigos em sua cabeça, em direção ao amanhecer.

24.8.06

vingança

ele guarda a arma dentro do coldre escondido por baixo do paletó cinza. uma última lágrima escorre por seu rosto e ele jura a si próprio que será a última.

o corredor escuro tem cheiro de vômito. baratas e outros vermes se arrastam pelo chão enquanto ele se afasta. o disparo da arma ainda parece ecoar, distante.

ele não se preocupa, naquele lugar, ninguém seria testemunha. não existem almas boas no inferno.

o elevador soa como se um animal morrendo antes de começar a se mover em direção ao térreo. dentro, a luz pisca erraticamente.

ele fecha os olhos. ele quer não sentir nada.

quer sentir somente a paz daqueles que estão prontos para morrer.

mas a lembrança do corpo dela na mesa do necrotério ainda está quente demais.

o sangue ainda está fresco demais.

o homem grita de ódio, de dor. soca a parede do elevador, que urra como um dinossauro de metal.

a luz se apaga.

a porta se abre.

e de dentro do elevador, algo sai. não é o homem que entrou há pouco. nem ao menos se parece um homem, agora.

mas ele quer vingança. e a arma junto ao seu peito está carregada...

21.8.06

não

não posso ser contido
em uma definição
em uma explicação

em um mundo
em uma situação

digo o que quero
mesmo que seja o contrário
do que prometi que nunca faria
ou diria

porque eu não sou apenas eu
eu sou cada palavra que já disse
e todas as que ainda não nasceram

eu sou o que você ama
eu sou o que você teme

sou apenas eu
e isso é pouco
e ainda assim verdadeiro

sou anormalmente normal

sou humano
animal
racional?

não me defino em palavras
não conseguiria
ainda assim estou aqui
escrevendo

o que sou.

ladeira

não preciso de você
nem de suas palavras vazias

mas não consigo viver sem elas
e não consigo viver sem você

uma noite eu disse que você seria minha ruína

aquela noite eu construí um epitáfio para mim

sim. você será minha ruína,
me entrego em sacrifício por você

pois assim eu me liberto
da minha prisão,
dos meus conceitos,

e reencarno
novo
limpo

você ama o momento
eu insisto em querer me tornar cada momento seu

quero sentir que há algo que brilha em você
por trás da fumaça do cigarro.

balas verdes em paralelepípedos

eu jogo
eu desisto

volto novamente, novo, inspirado
me torno algo novo a cada dia

pois a cada dia você me mata um pouco.

não. não quero um pouco de atenção

quero ser apocalipse, quero ser a atração principal

destrua-me
desata-me
decifra-me

pois eu devoro.

inquietude

porque o rádio não alcança a alma
daqueles que se escondem atrás de verdades não ditas

o telefone me olha, impassível
em silêncio, ele me conta tudo o que não foi dito

o copo vazio ainda cheira à álcool e ódio
e solidão

o sol nasce novamente lá fora
e eu morro um pouco novamente, aqui dentro

não há fim para o mundo
há um fim para mim

há um fim em mim

sem fim, o mundo continua
após a morte

estou cansado das pessoas
porque as conheço demais

não me canso de quem não conheço
mas infelizmente, preciso tê-las

preciso conhecê-las
para largar

exercício de desapego eterno
apegar-se ao que me dá enjôo.

quinze minutos com bukowski

porque algumas vezes a realidade só pode ser saboreada por detrás de uma garrafa, numa mesa de um bar sujo.

"melancolia

a história da melancolia
inclui todos nós.

eu, eu escrevo em lençóis sujos
enquanto olho para paredes azuis
e nada.

eu já me acostumei tanto com a melancolia
que
eu a reçebo como uma velha
amiga.

eu terei agora15 minutos de aflição
pela ruiva perdida,
eu digo aos deuses.

eu faço isso e me sinto bastante mal
bastante triste
então eu levanto
LIMPO
apesar de que nada
está resolvido.

isso é o que eu ganho por chutar
a religião na bunda.

eu deveria ter chutado a ruiva
na bunda
onde o cérebro e o pão e
a manteiga dela
estão...

mas, não, eu me senti triste
por tudo:
a ruiva perdida foi apenas outro
rompimento em uma vida
de perdas...

eu ouço a bateria no rádio agora
e sorrio.
há alguma coisa errada comigo
alem
da melancolia."

charles bukowski



"A Genialidade Da Multidão

Há bastante deslealdade, ódio,
violência,
Absurdo no ser humano
comum
Para suprir qualquer exército em qualquer
dia.
E O Melhor No Assassinato São Aqueles
Que Pregam Contra Ele.
E O Melhor No Ódio São Aqueles
Que Pregam AMOR
E O MELHOR NA GUERRA
--FINALMENTE--SÃO AQUELES QUE
PREGAM
PAZ

Aqueles Que Pregam DEUS
PRECISAM de Deus
Aqueles Que Pregam PAZ
Não têm paz.
AQUELES QUE PREGAM AMOR
NÃO TÊM AMOR
CUIDADO COM OS PREGADORES
Cuidados com os Sabedores.

Cuidado
Com Aqueles Que
Estão SEMPRE
LENDO
LIVROS

Cuidado Com Aqueles Que Detestam
Pobreza Ou Que São Orgulhosos Dela

CUIDADO Com Aqueles Que Elogiam Fácil
Porque Eles Precisam De ELOGIOS De Volta

CUIDADO Com Aqueles Que Censuram Fácil:
Eles Têm Medo Daquilo Que
Não Conhecem

Cuidado Com Aqueles Que Procuram Constantes
Multidões; Eles Não São Nada
Sozinhos

Cuidado
Com O Homem Comum
Com A Mulher Comum
CUIDADO Com O Amor Deles

O Amor Deles É Comum, Procura
O Comum
Mas Há Genialidade Em Seu Ódio
Há Bastante Genialidade Em Seu
Ódio Para Matar Você, Para Matar
Qualquer Um.

Sem Esperar Solidão
Sem Entender Solidão
Eles Tentarão Destruir
Qualquer Coisa
Que Seja Diferente
Deles Mesmos

Incapazes
De Criar Arte
Eles Não Irão
Compreender Arte

Eles Vão Considerar Sua Falha
Como Criadores
Apenas Como Uma Falha
Do Mundo

Incapazes De Amar Completamente
Eles Vão ACREDITAR Que Seu Amor É
Incompleto
E ELES VÃO ODIAR
VOCÊ

E Seu Ódio Será Perfeito
Como Um Diamante Brilhante
Como Uma Faca
Como Uma Montanha
COMO UM TIGRE
COMO Cicuta

Sua Mais Fina
ARTE"
charles bukowski

20.8.06

não quero

não quero alguém que morra de amor por mim.
só preciso de alguém que viva por mim,
que queira estar junto de mim, me abraçando.

não exijo que esse alguém me ame como eu o amo,
quero apenas que me ame,
não me importando com que intensidade.
não tenho a pretensão de que todas as pessoas
que gosto, gostem de mim.
nem que eu faça a falta que elas me fazem,
o importante para mim é saber que eu,
em algum momento, fui insubstituível.
e que esse momento será inesquecível.

só quero que meu sentimento seja valorizado.
quero sempre poder ter um sorriso estampando em meu rosto,
mesmo quando a situação não for muito alegre.
e que esse meu sorriso consiga transmitir paz
para os que estiverem ao meu redor.

quero poder fechar meus olhos e imaginar alguém.
e poder ter a absoluta certeza de que esse
alguém também pensa em mim quando fecha os olhos,
que faço falta quando não estou por perto.

queria ter a certeza de que apesar de minhas renúncias e loucuras,
alguém me valoriza pelo que sou, não pelo que tenho.
que me veja como um ser humano completo,
que abusa demais dos bons sentimentos que a vida lhe proporciona,
que dê valor ao que realmente importa,
que é meu sentimento e não brinque com ele.

e que esse alguém me peça para que e nunca mude,
para que eu nunca cresça,
para que eu seja sempre eu mesmo.

não quero brigar com o mundo,
mas se um dia isso acontecer,
quero ter forças suficientes para mostrar
a ele que o amor existe.

que ele é superior ao ódio e ao rancor,
e que não existe vitória sem humildade e paz.
quero poder acreditar que mesmo
se hoje eu fracassar, amanhã será
outro dia, e se eu não desistir dos meus sonhos e propósitos,
talvez obterei êxito e serei plenamente feliz.

que eu nunca deixe minha esperança ser abalada por
palavras pessimistas. que a esperança nunca me
pareça um "não" que a gente teima em maquiá-lo
de verde e entendê-lo como "sim".

quero poder ter a liberdade de dizer o que sinto a uma pessoa,
de poder dizer a alguém o quanto ele é especial
e importante para mim, sem ter de me preocupar com terceiros.
sem correr o risco de ferir uma ou mais pessoas com esse sentimento.

quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão.
que o amor existe, que vale a pena se doar às amizades a às pessoas,
que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim.

e que valeu a pena ! ! !

mário quintana - não quero

19.8.06

belle's dream


presente para uma pequena princesa...
há alguma coisa muito estranha, quando eu consigo perfeitamente ver que diálogos de "breakfast at tiffany's" poderiam acontecer na minha vida.

18.8.06

my art is...

minha arte é feita do que você chama de obscuro
nas sombras que você tem medo de encarar

minha arte é efêmera como as sombras
e perene como o universo

nos lugares vazios é onde minha arte mora
e tem nomes que não foram inventados

minha arte tem o gosto de sexo
a cor do sangue

minha arte é sutil
minha arte é fútil

minha arte encanta o seu olhar
enquanto arranca um pedaço da sua alma

minha arte fala da solidão
da falta, da espera

minha arte fala da esperança
minha arte fala da morte

minha arte é egoísta
e quer sempre mais

minha arte é para ser vista
tocada, sentida, amada

minha arte.

16.8.06

somos feitos de som e fúria.

ah, quem dera...

acho que a covardia de viver impera, mestre shakespeare.

é péssimo assistir uma chama tão forte se extinguir pouco a pouco. uma chama que precisa de tão pouco combustível para se tornar clara como o sol.
eu espero uma decisão sua.

mas não vou esperar muito.

preciso sentir o movimento, menina.

13.8.06

enterro hoje alguns conceitos que eu tinha sobre meu pai.

infelizmente, os que morreram foram os melhores conceitos.

la petit mort

- ei! eu acho que já vou.

- tá bem. e vê se não morre, ok?

- não! morro não. prometo.

- tá bem. bom...

- que foi?

- ah! se quiser, a gente pode morrer aos poucos, juntos. (sorriso)
ela luta contra si mesma, em um mundo que somente ela conhece.

desejos e fomes nascem dentro de si, mas ela os afoga com álcool. ela não quer crescer.

eternamente criança, eternamente irresponsável.

ela cria uma barreira dentro de si. nada do que está fora entra. nada do que está dentro pode sair.

ela pede ajuda. mas não quer ajuda.

ela estende a mão, só para retraí-la, um instante depois.

ela ama alguém, em seu silêncio velado. ela quer viver algo, mas não aceita perder nada do que tem. mesmo não percebendo que pode ganhar.

ela luta contra si.

mas não há como vencer.

a fool's journey.

as cartas são viradas.

ela olha para as representações desenhadas no papel. pensa na idade do deck, pensa no tempo e energia gastos para transformar aquelas cartas em algo que representasse a própria vida.

à sua frente, inicia-se a jornada de um tolo pela vida.

em sua busca, ele aprende aos poucos os segredos do mundo, apaixona-se, cresce, perde tudo, se torna aprendiz e professor, morre e ressucita, se torna a própria existência.

a mulher observa o desenho formado pelas cartas à sua frente.

por alguns segundos, ela se torna o tolo.

e, de alguma forma, ela compreende a jornada.

biblioteca

somos livros.

cada um de nós é um volume na enciclopédia da existência. preenchemos as páginas do livro de nossas experiências a cada dia, cada palavra, cada ato que tomamos, cada decisão que deixamos para trás se transforma em um parágrafo do livro.

até o dia em que todas as histórias sobre você se acabam, o livro é fechado e recolocado na estante, preenchido com sua vida.

como em toda grande biblioteca, os volumes são variados. alguns são extensos, cheios de detalhes sórdidos e lugares exóticos. outros são como memorandos, preenchidos em meia página, falando sobre a importância da higiene pessoal.

mas cada um é único.

10.8.06

desejo de mais

eu quero você, menina.

quero os segredos que seu sorriso dissimulado guarda.

quero as dores que o seu peito carrega.

quero cada detalhe do seu corpo gravado em minha mente, em minhas mãos e em minha boca.

quero abrir o seu peito com uma lâmina que você não conhece.

quero fazer seu coração parar e bater novamente.

quero de você o que é imoral, o que é baixo.

quero ser o seu céu, o seu paraíso.

quero cada desejo seu transformado em realidade a dois.

quero ver você filosofar, bêbada, em um bar com vinho barato.

quero ver você pedir mais.

quero ver você chorar.

quero ver você sorrir com olhos brilhantes.

quero ver você me pedir para ficar.

quero ver você gritar para eu ir embora.

quero seu amor.

quero todo o seu amor.

quero o que é vivo em você

quero fazer você morrer um pouco.

quero te fazer perder o ar.

quero te fazer respirar algo novo.

quero delirar ao seu lado.

quero ver seus sonhos.

quero te ajudar a sonhar.

quero amar na chuva.

quero te fazer gritar meu nome.

quero você.

quero tudo em você.

quero agora.

e quero mais.

a dança

ele muda o ritmo aos poucos, tendo a certeza de cada passo. cada movimento é preciso em si e parece minimamente calculado, mas cada um deles nasce espontaneamente, seguindo os novos tons que ganham o ar.

ela hesita, um segundo, antes de decidir se divertir, deixando-se levar.

eles rodam no salão de baile vazio. somente os dois dançam, a noite é só dos dois.

o homem dá uma velocidade nova aos movimentos, uma cadência diferente, alternando posições, enquanto trás lentamente o corpo da parceira para mais perto de si.

ela sorri, confiante de si própria, conhecedora da arte de seduzir com seu corpo e seu olhar. ele, no entanto parece olhar além dos olhos dela. parece abrir um buraco em todas as barreiras que ela criou em si. ela aos poucos fica fascinada com o olhar. ela deseja mais.

e ele gira com ela, sem parar, não dando tempo dos pensamentos dela se assentarem.

ele guia a música, agora. ele dá o ritmo, ele é o maestro desse número de dois.

9.8.06

want

she want me!
your mind won't let you say that you want me
your mind won't ever, never let you say what you want
you howl and wail like a banshee
still your mind wont ever let you say
your mind won't let you say that you want me
your mind won't ever, never let you say what you want
my little tired devotee
your mind don't even let you feel

quivering now, shivering now, withering
your mind won't let you say that you're
wondering now, pondering now, hungering
won't let you say that you're
questioning, wavering, weakening
you mind won't let you say that you're
hearkening, listening, heeding me now
won't let you say that you want

your mind won't let you say that you want me
your mind won't ever, never let you have what you want
i feel your hunger to taste me
still your mind won't ever let you say
your kind is just the type that should use me
but your mind won't seem to let you have
the opportunity to abuse me
your mind won't even let you feel

quivering now, shivering now, withering
your mind won't let you say that you're
wondering now, pondering now, hungering
won't let you say that you're
questioning, wavering, weakening
you mind won't let you say that you're
hearkening, listening, heeding me now
won't let you say that you want...me

savor the addiction, savor the affliction, savor me
savor the addiction, savor the affliction

savor the addiction, savor the affliction
savor me, savor her mind

your mind won't let you say that you want me
because your mind won't let you say that you want me
your mind won't let you say that you want me
because your mind won't let you say
that you want me to want me
your mind won't let you say
that you want me to want me
mind won't let you say
that you want me to want me
won't let you say
that you want me to want me

what do you want?

disturbed - want

6.8.06

eu escrevo para exorcizar
escrevo para amenizar
para insultar
aclamar

incomodar


sangrar



a alma.

lost hope

ela sonha todas as noites, por baixo da maquiagem pesada. ela quase consegue ouvir a voz dele, por baixo da música alta.
ele virá um dia, buscá-la. não será lindo, não virá num cavalo branco, tampouco será um príncipe.
mas ele será diferente de todos os outros.

ela sonha com os poemas que ele escreve, enquanto escuta a promessas de bocas com hálitos de álcool e ácido.

ela se guarda para ele, enquanto se entrega a outros homens por dinheiro.

para ele, ela será sempre virgem. há um lugar dentro dela que nenhum homem além dele jamais irá alcançar, com beijos ou socos.

ela sonha com os presentes que ele dará, enquanto sente o veneno de cor clara entrar em suas veias.

um dia, ela acorda.

e pela primeira vez, ele não está lá.

nunca mais estará.

canção do apocalipse

o nordestino canta a morte
sua companheira inseparável
na seca do seu mundo.

o nordestino canta a seca
a terra rachada,
a fome velada,
canta o coração com sede.

o nordestino canta a sede,
a sede da carne,
a sede da alma,
a saudade dos que se foram.

o nordestino canta a saudade,
a falta do verde,
a saudade da lágrima
derramada do céu.

o nordestino canta o apocalipse;
ele espera pelo fim;
canta a certeza da vinda do paraíso
pois o inferno está logo ali.

eu tenho uma alma inflamável


eu quero destruir tudo o que já foi levantado pelo homem.

cada prédio, cada barreira, cada promessa vazia.

e quero reconstruir tudo, com novas cores.

quero ser a nêmese de tudo o que foi chamado de convencional.

e quero ser o sonho de crianças mortas.

e quero ser o som de uma guitarra, durante a madrugada.

quero tudo.

e quero mais.
vi seus olhos brilharem, ontem.

nossa. como eu quero me perder neles.

me encontrar neles.
a espiral toma conta do espaço vazio...

levantando a poeira, deixando marcas, remexendo o que havia sido jogado ao chão.

o tornado em tons de vinho aumenta de intensidade, sua força arrancando pedaços dos muros. quebrando barreiras antigas, ele atravessa os limites da minha alma.

e se intensifica ainda mais com o que encontra lá. ganhando nova força, o fenômeno se transforma em algo novo. tocando cada pedaço, cada parte, ele mistura suas cores às cores dali.

algo novo nasce.

de coisas egoístas

- sabe? eu acho o amor um sentimento egoísta.

- como assim? o amor não é entrega? não é confiança?

- é! é sim. na superfície.

- como assim?

- ah... assim: é claro que, quando você ama, você quer bem à pessoa. você quer ficar junto, fazer coisas para aquela pessoa.

- sim. isso não é se doar?

- é... mas qual a razão disso? não é só fazer o outro se sentir bem. o que acontece é que quando você ama, projeta no outro a sua própria felicidade. a outra pessoa fica sendo, de uma maneira ou de outra, a sua referência para você mesmo. e então, o que você faz e cuidar de você mesmo!

- ah! não. não acho isso. é possível se sentir bem por fazer bem aos outros.

- tá. VOCÊ se sente bem por fazer algo por outra pessoa. nós somos animais, sabe? mesmo lá no fundo, escondido por milênios de "sociedade", somos animais. você faz bem a alguém porque você também se sente bem com isso.

- ok! você quer acabar com todo o romantismo.

- não, não! eu só afirmo que por baixo de tudo o amor é um sentimento egoísta. eu adoro fazer coisas bobas e românticas, mesmo sabendo que muitas vezes as faço para que eu me sinta bem.

- tá. então o amor é fruto do egoísmo humano?

- é! e eu sou um dos maiores egoístas!!!

2.8.06

existe coisa mais certa do que fazer algo errado com vc?
a lâmina dança em seu caminho.

a luz fraca da cidade ilumina um quarto pequeno e sem cor.

a lâmina brilha por um segundo. e o homem se perde no brilho, imaginando outra vida, outro lugar.

os sons da cidade abafam o barulho fraco da respiração dele.

a lâmina dança, firme e cheia de si.

o homem se lembra de alguém com olhos verdes e cabelos cor de fogo.

algo escorre quente e viscoso por seu braço.

a lâmina dança, cortando.

o homem escreve um nome com a lâmina.
a raposa foge...

o homem a observa sumir por entre as árvores secas do inverno. por um segundo vê o brilho de olhos de raposa ao longe... e então ela some.

no chão, aos pés dele, no local onde a raposa estava há pouco ele vê um objeto.

ele apanha uma pequena chave.

ela abre as portas de um lugar que só a raposa conhece.

1.8.06

desconstrução

eu estou sistematicamente e deliberadamente descontruindo tudo o que sou eu. tudo o que representa marcio está em processo de revisão.

não sei o que vai acontecer no fim.

não sei o que vai sobrar, não sei o que vai ter que ir embora.

sei que está sendo, no mínimo, divertido.
você me preenche os sentidos.

provoca aromas, cria visões, afeta o tato, aguça os ouvidos, adoça a língua.

somos tudo o que é de errado.

somos tudo o que não pode dar certo.

e somos a única coisa que faz sentido nesse mundo.

poema de sentidos

eu sou abismo
você é vento
que dança por mim,
que assobia sussurros antigos em meus ouvidos,
me provocando.

eu sou corpo
você é lâmina
que corta o pulso
que me mata em seu fio
me libertando.

eu sou noite
você é estrela
todas as estrelas
que me cercam,
iluminam meus segredos.

eu sou calmaria
você é tempestade
que me transforma
que transtorna
limpando as sujeiras do mundo.

eu sou silêncio
você é som
o grito,
o gemido,
dançamos uma melodia de nós mesmos.

eu sou fogo,
e você é fogo
nos consumimos,
nos alimentamos um do outro
até não sobrar mais nada.

até sobrarmos nós dois.

26.7.06

porque hoje essa música me perseguiu...

aprendi a esperar, mas não tenho mais certeza
agora que estou bem, tão pouca coisa me interessa
contra minha própria vontade sou teimoso, sincero
e insisto em ter vontade própria
se a sorte foi um dia alheia ao meu sustento
não houve harmonia entre ação e pensamento
qual é teu nome, qual é teu signo?
teu corpo é gostoso, teu rosto é bonito
qual é o teu arcano, tua pedra preciosa
acho tocante acreditares nisso
já tentei muitas coisas, de heroína a jesus
tudo que já fiz foi por vaidade
jesus foi traído com um beijo
davi teve um grande amigo
não sei mais se é só questão de sorte
eu vi uma serpente entrando no jardim
vai ver que é de verdade dessa vez
meu tornozelo coça,
por causa de mosquito
estou com os cabelos molhados, me sinto limpo
não existe beleza na miséria
e não tem volta por aqui,
vamos tentar outro caminho
estamos em perigo, só que ainda não entendo
é que tudo faz sentido
não sei mais se é só questão de sorte
não sei mais, não sei mais, não sei mais

á vem os jovens gigantes de mámore,
trazendo anzóis na palma da mão,
não é belo todo e qualquer mistério,
o maior segredo é não haver mistério algum.

legião urbana - l'âge d'or



23.7.06

deserto de palavras

a aridez do vocabulário cria rachaduras na pele.
não consigo encontrar as palavras,
explicações.

não há nada aqui que defina o que meu coração sente
não é dor
tampouco amor.

o sol do deserto me causa alucinações
por um momento avisto um oásis de definições
mas quando chego perto percebo que é apenas
uma poça de lama,
repleta de justificativas falsas.

talvez eu deva parar por aqui.
deixar o calor e a areia fazerem seu trabalho.

deixar o corpo falecer,
mumificar na falta de sentimentos úmidos.

que sirva de aviso a outros escritores que por esse deserto tentarem caminhar.

"fuja!
fuja enquanto ainda podes manter
seus sentimentos intactos.
guarde-os no cantil, preserve-os."

há!

o delírio me faz escrever coisas engraçadas.
silêncio estranho...


tá me fazendo pensar demais...


não tô gostando.

freaking out

i was so much an outcast
no one ever liked me
'cause i wasn't wanted
i was so different from
the rest of them all
"fucked up on the drugs
from all the speed
and i never got no sleep
'cause i kept on trippin' over
what they said
and everything that
my mom said made me mad
and everything that
my dad said made me sad
why am i even trying?
i'm crying out
i'm crying out
i cannot seem to keep
from freaking out
spinny round, spinny round
i've fallen down
i cannot seem to keep
from freaking out"
trecho de freaking out - adema
sem palavras, hoje...

só olhares...

pensamentos...

21.7.06

pegue a chama que queima em mim, menina.

usa ela pra queimar o mundo.

que algo novo renasça das cinzas de tudo o que se foi.

algo sórdido e belo, intenso e delicado, violento e sentimental.

pegue a chama.

pegue-a.
eu abri uma ferida nova no meu peito, hoje, só pra ver se ainda era capaz de sentir.

minha cama tá desarrumada, sinal de uma insônia que se instalou por aqui e não quer me deixar. bebidas e remédios dividem a mesa com o computador.

esse sim, sempre aceitou tudo o que eu contei a ele, sem dúvidas, sem apreensões.

"sinto falta de intensidade", ouvi um dia. não... você não sente falta de intensidade. acho que sente falta de se sentir no controle da situação.

well... não tem muito controle na terra da qual eu venho. mas há intensidade. intensidade de palavras, de atos e principalmente, intensidade de emoções.

eu vou esperar novamente. mas não existe espera eterna.

e minha alma, querida, anseia por intensidade.
"eu tenho que ir."

ela olha pra ele, por um segundo. não esperava que essa frase viesse dele. ela sempre foi quem no fim ia embora, desligando a luz e fechando a porta de um capítulo na vida de outras pessoas.

"por quê?"

"porque eu amo você. porque eu amo de verdade."

ele olha pra ela de forma solene. ela pensa em como ele parece sério, muitas vezes, quando fala dos sentimentos dele, como se fossem tudo o que importasse para ele.

"então fica mais um pouco."

"não posso. porque eu não sou o que vc precisa. ou você não é o que eu preciso. não agora."

ele para por um instante e retorna a falar:

"não. esta tudo errado. eu sou tudo o que vc precisa. e você é tudo o que eu sempre procurei, minha vida inteira. mas acho que somos burros demais pra perceber a preciosidade disso."

"mas tem sido tão legal. os nossos momentos."

"pois é... mas são momentos. sem continuidade. eu fico no telefone, esperando uma ligação sua. ou eu prometo ligar e não ligo. temos medo de ser mais do que somos. temos medo de ser tudo o que podemos ser juntos. e eu não quero, me recuso a ser só em parte."

"eu... eu entendo. mas eu não sei ser diferente."

"eu também não! eu sinto sempre essa urgência de sentir o tudo, sempre. e com você é diferente. mas ao invés de aprendermos um com o outro, ficamos aqui, ligados nas coisas que são comuns aos dois."

"..."

"eu não estou te cobrando, ok? eu estou me cobrando. me cobrando ser mais que alguns momentos bons pra vc. eu quero ser tudo de bom. quero ser tudo o que você pode sentir por alguém. toda a intensidade. boa ou má. me ame até a morte, ou me odeie pra toda a eternidade... mas que seja tudo o que você pode sentir."

ela fica momentos em silêncio. a noite parece fria demais, de repente. o vazio que ela sempre sentiu dentro de si parece estar mais profundo.

"eu não quero ir. não quero mesmo. mas acho que preciso. pra não ser ruim."

"me abraça... ?"

ele a abraça, sentindo o corpo dela frágil, perto do seu. e, pela primeira vez em muito tempo, o coração dos dois bate juntos.

19.7.06

let's spend the night together

well, don't you worry 'bout what's been on my mind
i'm in no hurry
i can take my time
i'm going red
and my tongue's getting tired
out of my head and my mouth's getting dry
i'm h-h-h-high

let's spend the night together
now i need you more than ever
let's spend the night together now

i feel so strong
that i can't disguise, oh my
well, i just can't apologise, no
don't hang me up but don't let me down
we could have fun just by fooling around, and around
and around

let's spend the night together
now i need you more than ever
let's spend the night together now

oh, you know i'm smiling baby
you need some guiding baby
i'm just deciding baby

let's spend the night together
now i need you more than ever
let's spend the night together now

this doesn't happen to me every day
no excuses i've got anyway, heh
i'll satisfy your every need
and i'll know you'll satisfy me, oh my-my-my my-my

let's spend the night together
now i need you more than ever

let's spend the night together
they said we were too young
our kind of love
was no fun
but our love
comes from above
do it!

let's make love
hoo!

let's spend the night together
now i need you more than ever
let's spend the night together now

david bowie - let's spend the night together

17.7.06

buenos aires

ele entra no salão. o ar espesso de fumaça de cigarro cria penumbras por entre a luz das lâmpadas vermelhas.

num dos cantos, uma banda toca alguma coisa que ele reconhece como um arranjo original, mas sem espírito, de um gardel. ele tira o chapéu cuidadosamente. cada movimento seu é sempre cuidadosamente planejado. principalmente ali.

sempre fora um boêmio. conhecia praticamente todos os bordéis de buenos aires, mas sempre voltava para lá.

passou pelas mesas de sinuca, cumprimentando os homens que entregavam o salário semanal para o jogo e as "damas".

o barman entregou-lhe o vinho, antes que pedisse. sempre tomava o mesmo vinho tinto e forte da casa. não era gostoso. mas mesmo assim, era um vício. como ela.

as mãos de outro homem apertavam-lhe o quadril, enquanto dançavam no meio do salão. era uma mistura de deusa e demônio.

na meia 3/4 um maço de notas indicava que a noite havia sido boa para ela.

ele se sentia atraído pela sensualidade do corpo de prostituta dela desde a primeira vez que a viu. ela foi dele, naquela noite. por três vezes.

e em todas as noites em que ele estivera ali.

ele sentia o corpo queimando, só em ver as curvas das pernas dela se emaranhando às do outro homem, ao som da música.

ela nunca dançou com ele. recusara-se desde a primeira vez. perguntara a ela muitas vezes, enquanto fumavam um cigarro que consumava o gozo dos dois. ela apenas se calava.

eles se amaram e gozaram e trocaram juras muitas e muitas vezes. mas ele sabia que ela sempre desceria as escadas novamente, para se entregar ao tango com outros.

puxou o canivete rapidamente, por baixo do terno de seda importado da frança. a lâmina brilho no ar por um instante, antes de encontrar a carne do homem que dançava com ela. cortou-lhe rapidamente o rosto e cravou o metal contra o peito dele, com uma força animal. o sanque sujou-lhe a mão, escorrendo pelo braço. o homem caiu.

a música continuou.

ele a pegou nos braços, enroscando-se em seu corpo. puxou-lhe para si. ela se entregou completamente, como uma virgem, como uma prostituta, como seu amor.

e eles dançaram um tango com cor de sangue.

o vinho em seu copo era vermelho como o sangue e aos poucos o barulho no salão o fez voltar ao bordel, onde ela dançava nos braços de outro e nunca seria dele.

10.7.06

o felino espreita escondido nas sombras,

a luz fraca deixa transparecer músculos retesados, à espera.

ele caminha, de um lado para outro,

olhos fixos em um ponto adiante.

lá, uma menina brinca com pequenos potes de vidros,

ela parece alheia ao animal.

mas dentro de sua alma, algo espera ansiosamente pelo ataque.
você deseja o torpor do amor esquecido,
a falsa paz dos que nada sentem.
você me pede intensidade, mas a encara com medo de se perder.

eu quero a entrega dos apaixonados,
a força do seu coração batendo em mim
eu quero o gozo e o choro e o riso insano da sua alma.

me dê a mão, por hoje.
deixe-me te guiar pelos caminhos de pedras vermelhas
dos corpos se tornando um corpo.

não, não olhe para o outro lado, criança
não fuja da dor, do prazer,
não tape os ouvidos para o grito da mulher que há em você

entregue-se
entregue-me
você.

8.7.06

pure morning

a friend in need’s a friend indeed,
a friend with weed is better,
a friend with breasts and all the rest,
a friend who’s dressed in leather,

a friend in needs a friend indeed,
a friend who’ll tease is better ,
our thoughts compressed,
which makes us blessed,
and makes for stormy weather,

a friend in need’s a friend indeed,
my japanese is better,
and when she’s pressed she will undress,
and then she’s boxing clever,

a friend in need’s a friend indeed,
a friend who bleeds is better,
my friend confessed she passed the test,
and we will never sever,

days dawning, skins crawling…
days dawning, skins crawling…
days dawning, skins crawling…

pure morning,
pure morning,
pure morning…

a friend in need’s a friend indeed,
a friend who’ll tease is better,
our thoughts compressed,
which makes us blessed,
and makes for stormy weather,

a friend in need’s a friend indeed,
a friend who bleeds is better,
my friend confessed she passed the test,
and we will never sever,

days dawning, skins crawling…
days dawning, skins crawling…
days dawning, skins crawling…

pure morning,
pure morning,
pure morning…

a friend in need’s a friend indeed,
my japanese is better,
and when she’s pressed she will undress,
and then she’s boxing clever,

a friend in need’s a friend indeed,
a friend with weed is better,
a friend with breast and all the rest,
a friend whos dressed in leather

placebo - pure morning

7.7.06

e em determinado momento eu olho lá fora e sou inundado pela luz da lua.

e eu lembro novamente porque amo a noite.

vazio

hoje o vazio inundou o meu peito.

hoje eu senti nada por você,

nada além do vazio.

hoje eu rezei para um altar vazio

caminhei por ruas vazias

alimentei o vazio na alma com promessas de novos dias

vazios.

quero nomear o nada que vive em mim,

mas ele nem nada é.

é menos que nada

é menos que vivo

existência pela falta de definição

explicação auto-contida em si.

é o nada, simplesmente por que nada mais o é.

esvazio minha mente em palavras vazias,

num canto vazio de um quarto vazio

que costumava se chamar eu.
há um sentido de urgência em você.

tudo o que faz precisa ser agora, mas perde o sentido, assim que é feito.

vem cá por alguns instantes. fica aqui do lado.

acho que posso te mostrar uma coisa ou outra.

e... bom... quem sabe? você pode até gostar, né?

limites

há um limite para você?

você consegue perceber a linha que delimita você?

eu sempre tive limites auto-impostos. não, não... eu nunca fui uma criatura calculista. eu não percebia que esses limites existiam, eu até sentia que só poderia ir até certo ponto, mas eu nunca soube dizer que ponto seria esse, até alcançá-lo.

e nunca ultrapassei os limites.

se você me perguntar agora um exemplo desses limites, eu não poderia te dizer. mas sei que algumas pessoas por aí poderiam.

mas. sabe? eu tenho uma questão, agora.

de repente, eu não sinto mais nenhum deles. sério.

sem muros, sem fronteiras, sem vigias.

não tem nada lá a não ser novos lugares a se chegar.

e... sabe? eu estou muito, muito curioso.
ok.

hoje eu percebi.

minha vida é um filme. é assim que sempre a vi. é assim que sempre vivi.

é assim e pronto.

eu ainda estou tentando entender o roteiro.

mas, nos últimos tempos tenho a sensação que uma reviravolta aconteceu.

captive moon


5.7.06

i like you

something in you caused me to, take a new tact with you,
you were going through something, i had just about scraped through
why do you think i let you get away, with the things you say to me?
could it be i like you, it's so shameful of me, i like you

no one i ever knew or have spoken to, resembles you,
this is good or bad, all depending on, my general mood
why do you think i let you get away, with all the things you say to me?
could it be i like you, it's so shameful of me, i like you

magistrates who spend their lives, hiding their mistakes
they look at you and i, and, envy makes them cry, envy makes them cry

forces of containment, they shove their fat faces into mine,
you and i just smile, because we're thinking the same lines
why do you think i let you get away, with all the things you say to me?
could it be i like you, it's so shameful of me, i like you

you're not right in the head and nor am i, and this why,
you're not right in the head and nor am i, and this why
this is why i like you, i like you, i like you,
this is why i like you, i like you, i like you
because you're not right in the head, and nor am i, and this is why,
you're not right in the head, and nor am I and this is why,
this is why i like you, i like you, i like you, i like you
this is why i like you, i like you, i like you, i like you,
this is why i like you, i like you...

morrissey - i like you

pra você

a raposa corre por entre os arbustos...

"preciso fugir." é tudo o que se passa em sua cabeça. os olhos verdes percorrem o terreno, procurando o melhor lugar para se esconder.

o rapaz olha, à distância, o pequeno animal se afastar. ele não consegue entender o que acontece.

a raposa encontra sua antiga toca. o local onde dormiu no inverno. ela se sente segura. deitada, ela lembra-se do rapaz que encontrara num outono distante, que vinha todos os dias para a floresta, só para visitá-la. aprendeu a desfrutar da companhia dele. percebeu-se esperando o momento em que ele apareceria, só para chegar perto.

mas uma noite, uma noite a raposa teve um pesadelo. ela estava presa, dentro de uma jaula, iguais às que via alguns caçadores carregarem. e o rapaz estava lá fora e a olhava dentro da jaula.
e a raposa sentiu medo e raiva.

e ela precisou fugir.

agora estava deitada em sua toca, pensando no rapaz e na jaula. nas tarde de outono e no medo de estar presa, de viver uma vida como uma raposa presa.

quando uma melodia tomou o ar.

levantando as orelhas, curiosa, a raposa lembrou-se daquela música. o rapaz trouxe uma gaita, uma vez, até a floresta e tocou para a raposa.

"esta é sua música", disse o rapaz.

"nossa música".

e a raposa se lembrou que foi feliz naquela tarde.

o rapaz estava tocando, pensando naquela música e no que ela representava para ele, quando viu o pequeno animal de pêlos vermelhos e olhos curiosos perto de si. a raposa o observava.

ele se sentou numa pedra e continuou tocando. a raposa aproximou-se, até aninhar a cabeça em seu colo. ele a acariciou, sentindo o pêlo macio.

naquela noite, a raposa sonhou. e no sonho não havia jaulas ou medo. no sonho, ela era uma menina com olhos de raposa.

e o rapaz estava com ela.

3.7.06

e eu tenho certeza de que vou sonhar com canela, cigarros e café...
eles procuram razões, onde só há o silêncio de dois olhares.

vasculham em seus corações, procurando o momento em que tudo aquilo se tornou real, mas não percebem uma linha, uma fronteira.

perseguem explicações para apaziguar todas as dúvidas, em vão.

em seus corações, um fogo novo queima. brilhante e perigoso...

fascina-os...

seduz...

2.7.06

roughness

she slips into her sickness and she don't regret a thing
she's trying to resist him but she knows she loves pain...
come into my bed i have nothing left to hide
voices in my head can't stop this burning inside

and i fight it, deny it, keep quiet... but i like it.

she watches from a distance
she knows what he's about
she's trying to resist him
he puts it into her mouth...

crawling on my flesh
i have nothing left to feel
deeper that it gets
this open wound will not heal

and i fight it, deny it, keep quiet… but i like it.

i push you out
i pull you in
but will it end where you begin?
you tell me not to be afraid

but you're the one
who's not safe (from me)
and i bleed and i plead
down on my knees

while you need for me to say i like it,
but you know i like it
like you like it...

ROUGH

tura satana - roughness

dream nature

de repente, tudo me parece muito possível.

a noite tem uma cor nova, hoje. um tom novo.

e tenho vontade de desvendá-la de novo.
me sentindo estranho.

pensando sobre coisas... tentando absorver a profusão de imagens e sentimentos que se apoderaram de mim.

respostas.

queria que a vida fosse como os livros de professores... e que só bastasse olhar no final pra saber a resposta de tudo.

comunhão

ele sente o ardor do corte e um calor que irradia em seu braço. ela o olha em silêncio, com um olhar com milhares de significados. ele retorna o olhar, chamando-a.

ela repousa a lâmina no chão e em silêncio, ela abaixa a cabeça e começa a provar o líquido que escorre da ferida. ele sente os beijos. sente a língua dela passeando na pele. sente os lábios sorvendo o sangue.

ele geme, mais de prazer que de dor e a aperta em direção a si. ela se aninha em seu abraço e continua.

ele dá a ela o sangue.

ela entrega a alma à ele.
você tem rosto de menina e um sorriso que atravessa meu peito e me acerta em algum lugar que eu nem sabia mais que existia.

e tem olhos de raposa, uma boca que me chama com uma linguagem própria.

você tem gosto de canela, vinho e sonho.

você tem desejos que quero completar.

você tem um segredo para mim.

1.7.06

void

ele guarda um segredo.

em sua casa, há um porão de pedra. as paredes são de um vermelho vivo. tudo dentro da sala tem o mesmo tom sangüíneo.

em uma das paredes existe um pequeno buraco de forma quadrada.

o buraco já estava lá quando ele descobriu o porão.

ele guarda um segredo.

ele encontrou a pedra que completa o vazio na parede do quarto vermelho sangue.
depois de muito tempo...

eu fiquei com vontade de ter mais... muito mais...

vontade de tudo.

30.6.06

coffee & cigarettes

ela aperta o cigarro contra o cinzeiro, apagando o que restou dele e solta a fumaça de uma forma perfeita.

ele observa a névoa branca e espessa, dispersando-se no ar e se misturando ao vapor que sai de seu capuccino. comenta sobre o filme que viram há pouco.

ela bebe o café, olhando-o por detrás da xícara. ele pensa que em algum lugar do mundo, homens poderiam ser presos só pelo que passou de leve em sua cabeça e tenta montar uma frase sobre qualquer coisa.

ela pensa em como a vida é estranha. em como é familiar estar ali, mesmo que nunca tivesse imaginado aquela situação, aquele lugar. ela pensa em como ele parece distraído e pensa que, gostaria de chegar mais perto daqueles lábios.

ele a olha e a pega olhando para sua boca. ele pensa na fixação que as meninas têm pela boca dele e esboça um sorriso. comenta sobre campbell e algo que leu sobre bukowski, um dia desses.

ela pega a cartela de cigarros e brinca com um deles, entre os dedos. ele puxa um isqueiro e ela sorri, lembrando-se de uma brincadeira dos dois.

ele acende o cigarro dela e pensa em coisas que o fariam ser torturado em alguns estados americanos. o gosto do capuccino é doce. gostaria de saber que gosto os lábios dela têm.

ela dá uma tragada e solta a fumaça em direção a ele. por um desses mistérios do mundo, a fumaça parece envolver os dois, aproximá-los, cada vez mais.

ele se levanta, comentando que acha que ela precisa ir, pois precisa acordar cedo no dia seguinte. ela concorda, desanimada e levanta-se, também. começa a caminhar, pensando em como algumas coisas são tão difíceis, mas após alguns passos, sente a mão dele agarrando seu braço.

ela olha na direção dele pensando em dizer algo, mas os lábios dela a tocam. ela fecha os olhos e se cala.

a fumaça que sai do cigarro dela os envolve, misturada ao vapor de café e capuccino.
ele abaixa a cabeça. não conseguiria olhar nos olhos deles, agora.

em seu interior, imagens sucedem-se numa espécie de filme. ele fecha os olhos por instantes, para assistir. sangue. assassinato.

ele balança a cabeça, tentando apagar as imagens de dentro de si. mas elas continuam lá. uma película que se repete, cada vez com mais detalhes... cada vez ele gosta mais do que vê.

ele sai de casa, sem falar com eles. ele sente uma dor dentro de si que nasceu de um vazio que nunca foi preenchido.

ele culpa o mundo... ele culpa eles... ele culpa a si próprio.

caminhando na noite, ele busca algo.

redenção ou um bar aberto...

a segunda opção sempre se mostra mais ao alcance.

a bebida é ruim, mas faz os pensamentos se calarem.

ele olha o vazio e se vê.

25.6.06

slit the soul

meu cordel estradeiro

a bença manoel chudu
o meu cordel estradeiro
vem lhe pedir permissão
pra se tornar verdadeiro

pra se tornar mensageiro
da força do teu trovão
e as asas da tanajura
fazer voar o sertão

meu moxotó coroado
de xiquexique e facheiro
onde a cascavel cachila
na boca do cangaceiro

eu também sou cangaceiro
e o meu cordel estradeiro
é cascavel poderosa
é chuva que cai maneira
aguando a terra quente
erguendo um véu de poeira
deixando a tarde cheirosa

é planta que cobre o chão
na primeira trovoada
a noite que desce fria
depois da tarde molhada

é seca desesperada
rasgando o bucho do chão

é inverno e é verão

é canção de lavadeira
peixeira de lampião
as luzes do vaga-lume
alpendre de casarão
a cuia do velho cego
terreiro de amarração
o ramo da rezadeira
o banzo de fim de feira
janela de caminhão

vocês que estão no palácio
venham ouvir meu pobre pinho
não tem o cheiro do vinho
das uvas frescas do lácio
mas tem a cor de inácio
da serra da catingueira
um cantador de primeira
que nunca foi numa escola

pois meu verso é feito a foice
do cassaco cortar cana
sendo de cima pra baixo
tanto corta como espana
sendo de baixo pra cima
voa do cabo e se dana!

cordel do fogo encantado - meu cordel estradeiro

cover the walls

ela chora, encolhida em seu quarto.

a dor toma seu corpo, sugando suas forças, fazendo-a dobrar sobre si mesma.

ela fala baixinho, pede a deus para parar.

mas ela sabe que não vai. ela sabe que a dor é o castigo d'Ele para seus pensamentos.

ela quer muito que eles parem. quer que tudo acabe.

mas Ele não a ouvirá.

bargain

ele fecha os olhos, procurando dentro de si. o silêncio do quarto só é quebrado pela respiração e o crepitar de uma vela.

ele diz as palavras que aprendeu de forma baixa, quase um sussurro. repetindo-as em sua mente, mais uma vez e outra e outra.

as paredes do quarto parecem se mover, afastando-se... o cômodo cresce e aos poucos muda de forma, frente a ele.

a vela apaga-se, com um barulho de bater de asas e o rapaz abre os olhos.

um corvo grande olha-o, com curiosidade. o pássaro dá dois passos à frente e abrindo o bico, para falar:

- isso sim é algo inesperado.

o rapaz levanta-se, assustado e admirado, olha em volta, para um cômodo muitas vezes maior que o quarto que deixou. o corvo faz um barulho com a garganta, chamando a atenção para si novamente.

- hã... eu posso te mostrar o lugar, depois. parece mesmo que você não deveria estar aqui.

- aqui é o reino onde os sonhos são tecidos?

o corvo vira a cabeça, divertidamente.

- hum... sim! você pode dizer desse jeito.

- e você é o senhor daqui?

- não, não! sou um dos empregados daqui. se quiser, te levo até o chefe.

nesse momento, as sombras adiante deles parecem se mover, abrindo passagem para um homem alto, vestido totalmente de negro. os olhos parecem poços refletindo a luz das estrelas, em meio a um rosto pálido como uma estátua. ele fala com uma voz que lembra os sons da noite.

- não será preciso, matthew... eu percebi a chegada de nosso... visitante.

o corvo voa em direção ao homem e pousa em seu ombro.

- oi, chefe! acho que temos um perdido, aqui.

- sim... ele veio para o sonhar através dos caminhos antigos... é admirável o que os mortais conseguem, quando se esforçam.

- eu... você é um deles, não? um dos perpétuos. lorde sonho.

- sim... eu sou sonho, dos perpétuos. e você veio até o meu reino em busca de algo...

- você é o senhor das histórias. e é isso que eu quero... eu quero conhecer as histórias. quero escrever sobre elas.

o senhor dos sonhos voltou-se para o corvo:

- matthew... deixe-nos a sós...

- ok, chefe!

o pássaro voou para as sombras, lançando o que poderia se chamar de um sorriso de corvo para o rapaz. o homem de negro aproxima-se mais e o rapaz percebe que em algum lugar, no manto dele, uma chama queima, antiga e inalcansável.

- me disseram que eu deveria procurá-lo. que você poderia me entregar o que posso.

- sim... eu posso entregar-lhe as histórias...

o jovem rapaz sorri.

- mas você deverá deixar algo seu aqui.

- o quê? eu não trouxe nada.

- se você desejar as histórias, deve entregar algo que seja seu. é a lei...

- mas...

- você aceita?

ele pensa, por vários segundos. o homem a sua frente fica impassível. seu rosto de estátua não se move.

- eu... eu aceito.

- pois bem. que seja...

e o sonho toca a testa do rapaz. ele fecha os olhos e vê todas as histórias rodando à sua volta, ele as recebe dentro de si. e acorda.

o seu quarto está de volta. a vela está apagada, após queimar até o fim.

ele se levanta, com um sorriso ainda hesitante no rosto. ele pega papel e caneta e começa a escrever. escreve até que seus olhos ardem e sua mão comece a doer. ele está cansado, exausto. deita-se na cama e fecha os olhos, triunfante.

mas ele não consegue dormir.

nunca mais conseguirá.

24.6.06

recado

há alguns meses eu nem sabia que você era tão importante...



hoje, fico pensando como sinto sua falta, em momentos mais estranhos.



você tá me devendo um café e uma vodka! :)