2.8.06

existe coisa mais certa do que fazer algo errado com vc?
a lâmina dança em seu caminho.

a luz fraca da cidade ilumina um quarto pequeno e sem cor.

a lâmina brilha por um segundo. e o homem se perde no brilho, imaginando outra vida, outro lugar.

os sons da cidade abafam o barulho fraco da respiração dele.

a lâmina dança, firme e cheia de si.

o homem se lembra de alguém com olhos verdes e cabelos cor de fogo.

algo escorre quente e viscoso por seu braço.

a lâmina dança, cortando.

o homem escreve um nome com a lâmina.
a raposa foge...

o homem a observa sumir por entre as árvores secas do inverno. por um segundo vê o brilho de olhos de raposa ao longe... e então ela some.

no chão, aos pés dele, no local onde a raposa estava há pouco ele vê um objeto.

ele apanha uma pequena chave.

ela abre as portas de um lugar que só a raposa conhece.

1.8.06

desconstrução

eu estou sistematicamente e deliberadamente descontruindo tudo o que sou eu. tudo o que representa marcio está em processo de revisão.

não sei o que vai acontecer no fim.

não sei o que vai sobrar, não sei o que vai ter que ir embora.

sei que está sendo, no mínimo, divertido.
você me preenche os sentidos.

provoca aromas, cria visões, afeta o tato, aguça os ouvidos, adoça a língua.

somos tudo o que é de errado.

somos tudo o que não pode dar certo.

e somos a única coisa que faz sentido nesse mundo.

poema de sentidos

eu sou abismo
você é vento
que dança por mim,
que assobia sussurros antigos em meus ouvidos,
me provocando.

eu sou corpo
você é lâmina
que corta o pulso
que me mata em seu fio
me libertando.

eu sou noite
você é estrela
todas as estrelas
que me cercam,
iluminam meus segredos.

eu sou calmaria
você é tempestade
que me transforma
que transtorna
limpando as sujeiras do mundo.

eu sou silêncio
você é som
o grito,
o gemido,
dançamos uma melodia de nós mesmos.

eu sou fogo,
e você é fogo
nos consumimos,
nos alimentamos um do outro
até não sobrar mais nada.

até sobrarmos nós dois.

26.7.06

porque hoje essa música me perseguiu...

aprendi a esperar, mas não tenho mais certeza
agora que estou bem, tão pouca coisa me interessa
contra minha própria vontade sou teimoso, sincero
e insisto em ter vontade própria
se a sorte foi um dia alheia ao meu sustento
não houve harmonia entre ação e pensamento
qual é teu nome, qual é teu signo?
teu corpo é gostoso, teu rosto é bonito
qual é o teu arcano, tua pedra preciosa
acho tocante acreditares nisso
já tentei muitas coisas, de heroína a jesus
tudo que já fiz foi por vaidade
jesus foi traído com um beijo
davi teve um grande amigo
não sei mais se é só questão de sorte
eu vi uma serpente entrando no jardim
vai ver que é de verdade dessa vez
meu tornozelo coça,
por causa de mosquito
estou com os cabelos molhados, me sinto limpo
não existe beleza na miséria
e não tem volta por aqui,
vamos tentar outro caminho
estamos em perigo, só que ainda não entendo
é que tudo faz sentido
não sei mais se é só questão de sorte
não sei mais, não sei mais, não sei mais

á vem os jovens gigantes de mámore,
trazendo anzóis na palma da mão,
não é belo todo e qualquer mistério,
o maior segredo é não haver mistério algum.

legião urbana - l'âge d'or



23.7.06

deserto de palavras

a aridez do vocabulário cria rachaduras na pele.
não consigo encontrar as palavras,
explicações.

não há nada aqui que defina o que meu coração sente
não é dor
tampouco amor.

o sol do deserto me causa alucinações
por um momento avisto um oásis de definições
mas quando chego perto percebo que é apenas
uma poça de lama,
repleta de justificativas falsas.

talvez eu deva parar por aqui.
deixar o calor e a areia fazerem seu trabalho.

deixar o corpo falecer,
mumificar na falta de sentimentos úmidos.

que sirva de aviso a outros escritores que por esse deserto tentarem caminhar.

"fuja!
fuja enquanto ainda podes manter
seus sentimentos intactos.
guarde-os no cantil, preserve-os."

há!

o delírio me faz escrever coisas engraçadas.
silêncio estranho...


tá me fazendo pensar demais...


não tô gostando.

freaking out

i was so much an outcast
no one ever liked me
'cause i wasn't wanted
i was so different from
the rest of them all
"fucked up on the drugs
from all the speed
and i never got no sleep
'cause i kept on trippin' over
what they said
and everything that
my mom said made me mad
and everything that
my dad said made me sad
why am i even trying?
i'm crying out
i'm crying out
i cannot seem to keep
from freaking out
spinny round, spinny round
i've fallen down
i cannot seem to keep
from freaking out"
trecho de freaking out - adema
sem palavras, hoje...

só olhares...

pensamentos...

21.7.06

pegue a chama que queima em mim, menina.

usa ela pra queimar o mundo.

que algo novo renasça das cinzas de tudo o que se foi.

algo sórdido e belo, intenso e delicado, violento e sentimental.

pegue a chama.

pegue-a.
eu abri uma ferida nova no meu peito, hoje, só pra ver se ainda era capaz de sentir.

minha cama tá desarrumada, sinal de uma insônia que se instalou por aqui e não quer me deixar. bebidas e remédios dividem a mesa com o computador.

esse sim, sempre aceitou tudo o que eu contei a ele, sem dúvidas, sem apreensões.

"sinto falta de intensidade", ouvi um dia. não... você não sente falta de intensidade. acho que sente falta de se sentir no controle da situação.

well... não tem muito controle na terra da qual eu venho. mas há intensidade. intensidade de palavras, de atos e principalmente, intensidade de emoções.

eu vou esperar novamente. mas não existe espera eterna.

e minha alma, querida, anseia por intensidade.
"eu tenho que ir."

ela olha pra ele, por um segundo. não esperava que essa frase viesse dele. ela sempre foi quem no fim ia embora, desligando a luz e fechando a porta de um capítulo na vida de outras pessoas.

"por quê?"

"porque eu amo você. porque eu amo de verdade."

ele olha pra ela de forma solene. ela pensa em como ele parece sério, muitas vezes, quando fala dos sentimentos dele, como se fossem tudo o que importasse para ele.

"então fica mais um pouco."

"não posso. porque eu não sou o que vc precisa. ou você não é o que eu preciso. não agora."

ele para por um instante e retorna a falar:

"não. esta tudo errado. eu sou tudo o que vc precisa. e você é tudo o que eu sempre procurei, minha vida inteira. mas acho que somos burros demais pra perceber a preciosidade disso."

"mas tem sido tão legal. os nossos momentos."

"pois é... mas são momentos. sem continuidade. eu fico no telefone, esperando uma ligação sua. ou eu prometo ligar e não ligo. temos medo de ser mais do que somos. temos medo de ser tudo o que podemos ser juntos. e eu não quero, me recuso a ser só em parte."

"eu... eu entendo. mas eu não sei ser diferente."

"eu também não! eu sinto sempre essa urgência de sentir o tudo, sempre. e com você é diferente. mas ao invés de aprendermos um com o outro, ficamos aqui, ligados nas coisas que são comuns aos dois."

"..."

"eu não estou te cobrando, ok? eu estou me cobrando. me cobrando ser mais que alguns momentos bons pra vc. eu quero ser tudo de bom. quero ser tudo o que você pode sentir por alguém. toda a intensidade. boa ou má. me ame até a morte, ou me odeie pra toda a eternidade... mas que seja tudo o que você pode sentir."

ela fica momentos em silêncio. a noite parece fria demais, de repente. o vazio que ela sempre sentiu dentro de si parece estar mais profundo.

"eu não quero ir. não quero mesmo. mas acho que preciso. pra não ser ruim."

"me abraça... ?"

ele a abraça, sentindo o corpo dela frágil, perto do seu. e, pela primeira vez em muito tempo, o coração dos dois bate juntos.

19.7.06

let's spend the night together

well, don't you worry 'bout what's been on my mind
i'm in no hurry
i can take my time
i'm going red
and my tongue's getting tired
out of my head and my mouth's getting dry
i'm h-h-h-high

let's spend the night together
now i need you more than ever
let's spend the night together now

i feel so strong
that i can't disguise, oh my
well, i just can't apologise, no
don't hang me up but don't let me down
we could have fun just by fooling around, and around
and around

let's spend the night together
now i need you more than ever
let's spend the night together now

oh, you know i'm smiling baby
you need some guiding baby
i'm just deciding baby

let's spend the night together
now i need you more than ever
let's spend the night together now

this doesn't happen to me every day
no excuses i've got anyway, heh
i'll satisfy your every need
and i'll know you'll satisfy me, oh my-my-my my-my

let's spend the night together
now i need you more than ever

let's spend the night together
they said we were too young
our kind of love
was no fun
but our love
comes from above
do it!

let's make love
hoo!

let's spend the night together
now i need you more than ever
let's spend the night together now

david bowie - let's spend the night together

17.7.06

buenos aires

ele entra no salão. o ar espesso de fumaça de cigarro cria penumbras por entre a luz das lâmpadas vermelhas.

num dos cantos, uma banda toca alguma coisa que ele reconhece como um arranjo original, mas sem espírito, de um gardel. ele tira o chapéu cuidadosamente. cada movimento seu é sempre cuidadosamente planejado. principalmente ali.

sempre fora um boêmio. conhecia praticamente todos os bordéis de buenos aires, mas sempre voltava para lá.

passou pelas mesas de sinuca, cumprimentando os homens que entregavam o salário semanal para o jogo e as "damas".

o barman entregou-lhe o vinho, antes que pedisse. sempre tomava o mesmo vinho tinto e forte da casa. não era gostoso. mas mesmo assim, era um vício. como ela.

as mãos de outro homem apertavam-lhe o quadril, enquanto dançavam no meio do salão. era uma mistura de deusa e demônio.

na meia 3/4 um maço de notas indicava que a noite havia sido boa para ela.

ele se sentia atraído pela sensualidade do corpo de prostituta dela desde a primeira vez que a viu. ela foi dele, naquela noite. por três vezes.

e em todas as noites em que ele estivera ali.

ele sentia o corpo queimando, só em ver as curvas das pernas dela se emaranhando às do outro homem, ao som da música.

ela nunca dançou com ele. recusara-se desde a primeira vez. perguntara a ela muitas vezes, enquanto fumavam um cigarro que consumava o gozo dos dois. ela apenas se calava.

eles se amaram e gozaram e trocaram juras muitas e muitas vezes. mas ele sabia que ela sempre desceria as escadas novamente, para se entregar ao tango com outros.

puxou o canivete rapidamente, por baixo do terno de seda importado da frança. a lâmina brilho no ar por um instante, antes de encontrar a carne do homem que dançava com ela. cortou-lhe rapidamente o rosto e cravou o metal contra o peito dele, com uma força animal. o sanque sujou-lhe a mão, escorrendo pelo braço. o homem caiu.

a música continuou.

ele a pegou nos braços, enroscando-se em seu corpo. puxou-lhe para si. ela se entregou completamente, como uma virgem, como uma prostituta, como seu amor.

e eles dançaram um tango com cor de sangue.

o vinho em seu copo era vermelho como o sangue e aos poucos o barulho no salão o fez voltar ao bordel, onde ela dançava nos braços de outro e nunca seria dele.

10.7.06

o felino espreita escondido nas sombras,

a luz fraca deixa transparecer músculos retesados, à espera.

ele caminha, de um lado para outro,

olhos fixos em um ponto adiante.

lá, uma menina brinca com pequenos potes de vidros,

ela parece alheia ao animal.

mas dentro de sua alma, algo espera ansiosamente pelo ataque.
você deseja o torpor do amor esquecido,
a falsa paz dos que nada sentem.
você me pede intensidade, mas a encara com medo de se perder.

eu quero a entrega dos apaixonados,
a força do seu coração batendo em mim
eu quero o gozo e o choro e o riso insano da sua alma.

me dê a mão, por hoje.
deixe-me te guiar pelos caminhos de pedras vermelhas
dos corpos se tornando um corpo.

não, não olhe para o outro lado, criança
não fuja da dor, do prazer,
não tape os ouvidos para o grito da mulher que há em você

entregue-se
entregue-me
você.

8.7.06

pure morning

a friend in need’s a friend indeed,
a friend with weed is better,
a friend with breasts and all the rest,
a friend who’s dressed in leather,

a friend in needs a friend indeed,
a friend who’ll tease is better ,
our thoughts compressed,
which makes us blessed,
and makes for stormy weather,

a friend in need’s a friend indeed,
my japanese is better,
and when she’s pressed she will undress,
and then she’s boxing clever,

a friend in need’s a friend indeed,
a friend who bleeds is better,
my friend confessed she passed the test,
and we will never sever,

days dawning, skins crawling…
days dawning, skins crawling…
days dawning, skins crawling…

pure morning,
pure morning,
pure morning…

a friend in need’s a friend indeed,
a friend who’ll tease is better,
our thoughts compressed,
which makes us blessed,
and makes for stormy weather,

a friend in need’s a friend indeed,
a friend who bleeds is better,
my friend confessed she passed the test,
and we will never sever,

days dawning, skins crawling…
days dawning, skins crawling…
days dawning, skins crawling…

pure morning,
pure morning,
pure morning…

a friend in need’s a friend indeed,
my japanese is better,
and when she’s pressed she will undress,
and then she’s boxing clever,

a friend in need’s a friend indeed,
a friend with weed is better,
a friend with breast and all the rest,
a friend whos dressed in leather

placebo - pure morning

7.7.06

e em determinado momento eu olho lá fora e sou inundado pela luz da lua.

e eu lembro novamente porque amo a noite.

vazio

hoje o vazio inundou o meu peito.

hoje eu senti nada por você,

nada além do vazio.

hoje eu rezei para um altar vazio

caminhei por ruas vazias

alimentei o vazio na alma com promessas de novos dias

vazios.

quero nomear o nada que vive em mim,

mas ele nem nada é.

é menos que nada

é menos que vivo

existência pela falta de definição

explicação auto-contida em si.

é o nada, simplesmente por que nada mais o é.

esvazio minha mente em palavras vazias,

num canto vazio de um quarto vazio

que costumava se chamar eu.
há um sentido de urgência em você.

tudo o que faz precisa ser agora, mas perde o sentido, assim que é feito.

vem cá por alguns instantes. fica aqui do lado.

acho que posso te mostrar uma coisa ou outra.

e... bom... quem sabe? você pode até gostar, né?

limites

há um limite para você?

você consegue perceber a linha que delimita você?

eu sempre tive limites auto-impostos. não, não... eu nunca fui uma criatura calculista. eu não percebia que esses limites existiam, eu até sentia que só poderia ir até certo ponto, mas eu nunca soube dizer que ponto seria esse, até alcançá-lo.

e nunca ultrapassei os limites.

se você me perguntar agora um exemplo desses limites, eu não poderia te dizer. mas sei que algumas pessoas por aí poderiam.

mas. sabe? eu tenho uma questão, agora.

de repente, eu não sinto mais nenhum deles. sério.

sem muros, sem fronteiras, sem vigias.

não tem nada lá a não ser novos lugares a se chegar.

e... sabe? eu estou muito, muito curioso.
ok.

hoje eu percebi.

minha vida é um filme. é assim que sempre a vi. é assim que sempre vivi.

é assim e pronto.

eu ainda estou tentando entender o roteiro.

mas, nos últimos tempos tenho a sensação que uma reviravolta aconteceu.

captive moon


5.7.06

i like you

something in you caused me to, take a new tact with you,
you were going through something, i had just about scraped through
why do you think i let you get away, with the things you say to me?
could it be i like you, it's so shameful of me, i like you

no one i ever knew or have spoken to, resembles you,
this is good or bad, all depending on, my general mood
why do you think i let you get away, with all the things you say to me?
could it be i like you, it's so shameful of me, i like you

magistrates who spend their lives, hiding their mistakes
they look at you and i, and, envy makes them cry, envy makes them cry

forces of containment, they shove their fat faces into mine,
you and i just smile, because we're thinking the same lines
why do you think i let you get away, with all the things you say to me?
could it be i like you, it's so shameful of me, i like you

you're not right in the head and nor am i, and this why,
you're not right in the head and nor am i, and this why
this is why i like you, i like you, i like you,
this is why i like you, i like you, i like you
because you're not right in the head, and nor am i, and this is why,
you're not right in the head, and nor am I and this is why,
this is why i like you, i like you, i like you, i like you
this is why i like you, i like you, i like you, i like you,
this is why i like you, i like you...

morrissey - i like you

pra você

a raposa corre por entre os arbustos...

"preciso fugir." é tudo o que se passa em sua cabeça. os olhos verdes percorrem o terreno, procurando o melhor lugar para se esconder.

o rapaz olha, à distância, o pequeno animal se afastar. ele não consegue entender o que acontece.

a raposa encontra sua antiga toca. o local onde dormiu no inverno. ela se sente segura. deitada, ela lembra-se do rapaz que encontrara num outono distante, que vinha todos os dias para a floresta, só para visitá-la. aprendeu a desfrutar da companhia dele. percebeu-se esperando o momento em que ele apareceria, só para chegar perto.

mas uma noite, uma noite a raposa teve um pesadelo. ela estava presa, dentro de uma jaula, iguais às que via alguns caçadores carregarem. e o rapaz estava lá fora e a olhava dentro da jaula.
e a raposa sentiu medo e raiva.

e ela precisou fugir.

agora estava deitada em sua toca, pensando no rapaz e na jaula. nas tarde de outono e no medo de estar presa, de viver uma vida como uma raposa presa.

quando uma melodia tomou o ar.

levantando as orelhas, curiosa, a raposa lembrou-se daquela música. o rapaz trouxe uma gaita, uma vez, até a floresta e tocou para a raposa.

"esta é sua música", disse o rapaz.

"nossa música".

e a raposa se lembrou que foi feliz naquela tarde.

o rapaz estava tocando, pensando naquela música e no que ela representava para ele, quando viu o pequeno animal de pêlos vermelhos e olhos curiosos perto de si. a raposa o observava.

ele se sentou numa pedra e continuou tocando. a raposa aproximou-se, até aninhar a cabeça em seu colo. ele a acariciou, sentindo o pêlo macio.

naquela noite, a raposa sonhou. e no sonho não havia jaulas ou medo. no sonho, ela era uma menina com olhos de raposa.

e o rapaz estava com ela.

3.7.06

e eu tenho certeza de que vou sonhar com canela, cigarros e café...
eles procuram razões, onde só há o silêncio de dois olhares.

vasculham em seus corações, procurando o momento em que tudo aquilo se tornou real, mas não percebem uma linha, uma fronteira.

perseguem explicações para apaziguar todas as dúvidas, em vão.

em seus corações, um fogo novo queima. brilhante e perigoso...

fascina-os...

seduz...

2.7.06

roughness

she slips into her sickness and she don't regret a thing
she's trying to resist him but she knows she loves pain...
come into my bed i have nothing left to hide
voices in my head can't stop this burning inside

and i fight it, deny it, keep quiet... but i like it.

she watches from a distance
she knows what he's about
she's trying to resist him
he puts it into her mouth...

crawling on my flesh
i have nothing left to feel
deeper that it gets
this open wound will not heal

and i fight it, deny it, keep quiet… but i like it.

i push you out
i pull you in
but will it end where you begin?
you tell me not to be afraid

but you're the one
who's not safe (from me)
and i bleed and i plead
down on my knees

while you need for me to say i like it,
but you know i like it
like you like it...

ROUGH

tura satana - roughness

dream nature

de repente, tudo me parece muito possível.

a noite tem uma cor nova, hoje. um tom novo.

e tenho vontade de desvendá-la de novo.
me sentindo estranho.

pensando sobre coisas... tentando absorver a profusão de imagens e sentimentos que se apoderaram de mim.

respostas.

queria que a vida fosse como os livros de professores... e que só bastasse olhar no final pra saber a resposta de tudo.

comunhão

ele sente o ardor do corte e um calor que irradia em seu braço. ela o olha em silêncio, com um olhar com milhares de significados. ele retorna o olhar, chamando-a.

ela repousa a lâmina no chão e em silêncio, ela abaixa a cabeça e começa a provar o líquido que escorre da ferida. ele sente os beijos. sente a língua dela passeando na pele. sente os lábios sorvendo o sangue.

ele geme, mais de prazer que de dor e a aperta em direção a si. ela se aninha em seu abraço e continua.

ele dá a ela o sangue.

ela entrega a alma à ele.
você tem rosto de menina e um sorriso que atravessa meu peito e me acerta em algum lugar que eu nem sabia mais que existia.

e tem olhos de raposa, uma boca que me chama com uma linguagem própria.

você tem gosto de canela, vinho e sonho.

você tem desejos que quero completar.

você tem um segredo para mim.

1.7.06

void

ele guarda um segredo.

em sua casa, há um porão de pedra. as paredes são de um vermelho vivo. tudo dentro da sala tem o mesmo tom sangüíneo.

em uma das paredes existe um pequeno buraco de forma quadrada.

o buraco já estava lá quando ele descobriu o porão.

ele guarda um segredo.

ele encontrou a pedra que completa o vazio na parede do quarto vermelho sangue.
depois de muito tempo...

eu fiquei com vontade de ter mais... muito mais...

vontade de tudo.

30.6.06

coffee & cigarettes

ela aperta o cigarro contra o cinzeiro, apagando o que restou dele e solta a fumaça de uma forma perfeita.

ele observa a névoa branca e espessa, dispersando-se no ar e se misturando ao vapor que sai de seu capuccino. comenta sobre o filme que viram há pouco.

ela bebe o café, olhando-o por detrás da xícara. ele pensa que em algum lugar do mundo, homens poderiam ser presos só pelo que passou de leve em sua cabeça e tenta montar uma frase sobre qualquer coisa.

ela pensa em como a vida é estranha. em como é familiar estar ali, mesmo que nunca tivesse imaginado aquela situação, aquele lugar. ela pensa em como ele parece distraído e pensa que, gostaria de chegar mais perto daqueles lábios.

ele a olha e a pega olhando para sua boca. ele pensa na fixação que as meninas têm pela boca dele e esboça um sorriso. comenta sobre campbell e algo que leu sobre bukowski, um dia desses.

ela pega a cartela de cigarros e brinca com um deles, entre os dedos. ele puxa um isqueiro e ela sorri, lembrando-se de uma brincadeira dos dois.

ele acende o cigarro dela e pensa em coisas que o fariam ser torturado em alguns estados americanos. o gosto do capuccino é doce. gostaria de saber que gosto os lábios dela têm.

ela dá uma tragada e solta a fumaça em direção a ele. por um desses mistérios do mundo, a fumaça parece envolver os dois, aproximá-los, cada vez mais.

ele se levanta, comentando que acha que ela precisa ir, pois precisa acordar cedo no dia seguinte. ela concorda, desanimada e levanta-se, também. começa a caminhar, pensando em como algumas coisas são tão difíceis, mas após alguns passos, sente a mão dele agarrando seu braço.

ela olha na direção dele pensando em dizer algo, mas os lábios dela a tocam. ela fecha os olhos e se cala.

a fumaça que sai do cigarro dela os envolve, misturada ao vapor de café e capuccino.
ele abaixa a cabeça. não conseguiria olhar nos olhos deles, agora.

em seu interior, imagens sucedem-se numa espécie de filme. ele fecha os olhos por instantes, para assistir. sangue. assassinato.

ele balança a cabeça, tentando apagar as imagens de dentro de si. mas elas continuam lá. uma película que se repete, cada vez com mais detalhes... cada vez ele gosta mais do que vê.

ele sai de casa, sem falar com eles. ele sente uma dor dentro de si que nasceu de um vazio que nunca foi preenchido.

ele culpa o mundo... ele culpa eles... ele culpa a si próprio.

caminhando na noite, ele busca algo.

redenção ou um bar aberto...

a segunda opção sempre se mostra mais ao alcance.

a bebida é ruim, mas faz os pensamentos se calarem.

ele olha o vazio e se vê.

25.6.06

slit the soul

meu cordel estradeiro

a bença manoel chudu
o meu cordel estradeiro
vem lhe pedir permissão
pra se tornar verdadeiro

pra se tornar mensageiro
da força do teu trovão
e as asas da tanajura
fazer voar o sertão

meu moxotó coroado
de xiquexique e facheiro
onde a cascavel cachila
na boca do cangaceiro

eu também sou cangaceiro
e o meu cordel estradeiro
é cascavel poderosa
é chuva que cai maneira
aguando a terra quente
erguendo um véu de poeira
deixando a tarde cheirosa

é planta que cobre o chão
na primeira trovoada
a noite que desce fria
depois da tarde molhada

é seca desesperada
rasgando o bucho do chão

é inverno e é verão

é canção de lavadeira
peixeira de lampião
as luzes do vaga-lume
alpendre de casarão
a cuia do velho cego
terreiro de amarração
o ramo da rezadeira
o banzo de fim de feira
janela de caminhão

vocês que estão no palácio
venham ouvir meu pobre pinho
não tem o cheiro do vinho
das uvas frescas do lácio
mas tem a cor de inácio
da serra da catingueira
um cantador de primeira
que nunca foi numa escola

pois meu verso é feito a foice
do cassaco cortar cana
sendo de cima pra baixo
tanto corta como espana
sendo de baixo pra cima
voa do cabo e se dana!

cordel do fogo encantado - meu cordel estradeiro

cover the walls

ela chora, encolhida em seu quarto.

a dor toma seu corpo, sugando suas forças, fazendo-a dobrar sobre si mesma.

ela fala baixinho, pede a deus para parar.

mas ela sabe que não vai. ela sabe que a dor é o castigo d'Ele para seus pensamentos.

ela quer muito que eles parem. quer que tudo acabe.

mas Ele não a ouvirá.

bargain

ele fecha os olhos, procurando dentro de si. o silêncio do quarto só é quebrado pela respiração e o crepitar de uma vela.

ele diz as palavras que aprendeu de forma baixa, quase um sussurro. repetindo-as em sua mente, mais uma vez e outra e outra.

as paredes do quarto parecem se mover, afastando-se... o cômodo cresce e aos poucos muda de forma, frente a ele.

a vela apaga-se, com um barulho de bater de asas e o rapaz abre os olhos.

um corvo grande olha-o, com curiosidade. o pássaro dá dois passos à frente e abrindo o bico, para falar:

- isso sim é algo inesperado.

o rapaz levanta-se, assustado e admirado, olha em volta, para um cômodo muitas vezes maior que o quarto que deixou. o corvo faz um barulho com a garganta, chamando a atenção para si novamente.

- hã... eu posso te mostrar o lugar, depois. parece mesmo que você não deveria estar aqui.

- aqui é o reino onde os sonhos são tecidos?

o corvo vira a cabeça, divertidamente.

- hum... sim! você pode dizer desse jeito.

- e você é o senhor daqui?

- não, não! sou um dos empregados daqui. se quiser, te levo até o chefe.

nesse momento, as sombras adiante deles parecem se mover, abrindo passagem para um homem alto, vestido totalmente de negro. os olhos parecem poços refletindo a luz das estrelas, em meio a um rosto pálido como uma estátua. ele fala com uma voz que lembra os sons da noite.

- não será preciso, matthew... eu percebi a chegada de nosso... visitante.

o corvo voa em direção ao homem e pousa em seu ombro.

- oi, chefe! acho que temos um perdido, aqui.

- sim... ele veio para o sonhar através dos caminhos antigos... é admirável o que os mortais conseguem, quando se esforçam.

- eu... você é um deles, não? um dos perpétuos. lorde sonho.

- sim... eu sou sonho, dos perpétuos. e você veio até o meu reino em busca de algo...

- você é o senhor das histórias. e é isso que eu quero... eu quero conhecer as histórias. quero escrever sobre elas.

o senhor dos sonhos voltou-se para o corvo:

- matthew... deixe-nos a sós...

- ok, chefe!

o pássaro voou para as sombras, lançando o que poderia se chamar de um sorriso de corvo para o rapaz. o homem de negro aproxima-se mais e o rapaz percebe que em algum lugar, no manto dele, uma chama queima, antiga e inalcansável.

- me disseram que eu deveria procurá-lo. que você poderia me entregar o que posso.

- sim... eu posso entregar-lhe as histórias...

o jovem rapaz sorri.

- mas você deverá deixar algo seu aqui.

- o quê? eu não trouxe nada.

- se você desejar as histórias, deve entregar algo que seja seu. é a lei...

- mas...

- você aceita?

ele pensa, por vários segundos. o homem a sua frente fica impassível. seu rosto de estátua não se move.

- eu... eu aceito.

- pois bem. que seja...

e o sonho toca a testa do rapaz. ele fecha os olhos e vê todas as histórias rodando à sua volta, ele as recebe dentro de si. e acorda.

o seu quarto está de volta. a vela está apagada, após queimar até o fim.

ele se levanta, com um sorriso ainda hesitante no rosto. ele pega papel e caneta e começa a escrever. escreve até que seus olhos ardem e sua mão comece a doer. ele está cansado, exausto. deita-se na cama e fecha os olhos, triunfante.

mas ele não consegue dormir.

nunca mais conseguirá.

24.6.06

recado

há alguns meses eu nem sabia que você era tão importante...



hoje, fico pensando como sinto sua falta, em momentos mais estranhos.



você tá me devendo um café e uma vodka! :)

assistindo televisão

"you don't like yourself. but you do admire yourself. it's all you've got, so you cling to it."


e você pensa que é especial, de alguma maneira. e pensa que, de alguma forma, algo que você faz é único. realmente diferente de todos. e de alguma forma, isso te traz consolo.

e certo dia, assistindo uma série de televisão ou ouvindo despreocupadamente uma música no rádio, você descobre que alguém escreveu algo que descreve você (ou pelo menos uma parte significante do que você acredita ser a sua pessoa) e, de alguma forma, você vê um sorriso nascer involuntariamente no seu rosto.

e apesar de perceber que não é tão especial assim. você também percebe que algumas coisas podem ser entendidas.

21.6.06

the perfect drug

você é a droga perfeita.

só você, entre tudo o que vivi e provei me faz sentir isso.

eu queimo...

eu choro...

sorrio...

sinto falta...

sinto desejo...

sinto medo...

e quero mais...

sempre mais...

quero tudo.
eu sou tudo o que você chama de estranho, inusitado, surreal.

e ainda assim, você se reconhece...

e volta, buscando mais.

dream of a life...

nome estranho pra um blog.

nome estranho pra qualquer coisa...

sonho de uma vida.

sonho uma vida.

sonho muitas vidas, muitos mundos, muitos marcios.

todos eles existem, se você olhar no lugar certo.

posso te ajudar a procurar.

mas seja silencioso. eles costumam sumir, quando se sentem ameaçados.

e, ouvi falar, alguns mordem.
ela não consegue encontrar um lugar fundo o bastante em sua alma para guardar a dor.

ela pega a faca e corta a pele, tentando deixar a dor escapar.
ele emudece, ao ler as palavras no monitor.

o cursor pisca, impassível, indecifrável...

e o garoto toca a tela do computador, tentando sentir as letras em sua frente.
ainda não sei o que acontece comigo.

a insuportável certeza de que você esteve em minha vida muitas e muitas vezes antes...

eu procurava sua presença, sentia o vazio da noite à procura de estrelas.

pensei ter encontrado você em diversos rostos, diversos corpos...

cópias que se tornavam pálidas e frias, de encontro ao vazio que tentavam preencher.

estranho perceber que, de alguma forma, você me acompanhou por tanto tempo.
eles se tocam em silêncio quase total, somente a respiração rápida os denuncia.

as chamas queimam na lareira, fazendo a luz dançar por sobre a pele dos dois.

ele fecha os olhos...

dentro de si, vê círculos dentro de círculos, se movendo rápido e continuamente...

ele não quer que pare.

18.6.06

há um par de olhos que me vigiam, no escuro.

esmeraldas em chamas, olhos de criança, olhos de caçadora.

eu os encaro.

trapezistas do vazio

eles se agarram um ao outro, balançando-se no ar.

ela se joga, de coração e olhos fechados. ele a agarra forte, marcando-lhe os braços.

eles se sustentam em cordas feitas de sensações e lembranças.
trapezistas do vazio...

na escuridão, mais abaixo, as pessoas na platéia os olham, boquiabertos, sonhando estar na posição dos dois.

mas o medo de tentar os vence.
ele injeta a droga em veias sedentas, tentando apagar o vazio de dentro de si.

um vazio com nome.

um vazio com rosto de menina.

13.6.06

espelho

os dois se olham, frente a frente, fascinados.

pela primeira vez parecem olhar em um espelho que não distorce-lhes a imagem.

cada um vê a si mesmo no outro e a visão os hipnotiza.

ela pensou que não havia mais ninguém que se comportasse como ela no mundo.

ele desejava desesperadamente encontrar um igual em seus caminhos.

as palmas das mãos se tocam, enquanto olhos sedentos de tudo se olham com intensidade.

mesmo nas diferenças há o entendimento que só existe entre iguais.

um é o outro. os dois são feitos do mesmo material.

o mundo se cala diante do encontro.

máscaras caem entre eles, descarnando corpos que nunca foram mostrados ao mundo.

o sangue das mãos se misturam, entrelaçam um laço tão antigo quanto eles próprios.

em sombras, o mundo se cala.

em silêncio, eles se tocam.

em um abraço que consome

os dois...

um só...

o mundo.

predador

eu sou exatamente aquilo que você quer que eu seja:

amável, compreensivo, carinhoso, amigo, protetor, amante, companheiro, irmão.

até que seja tarde demais para escapar.

12.6.06

meus olhos se fecham, pesados.


mas eu não quero dormir.
o corvo voa essa noite, por sobre o mundo.

eu sigo o bater de suas asas negras até a terra dos sonhos.

lá, entre as sombras de sonhos antigos de mundos que não mais existem, eu encontro meu lugar.
ele entregou parte de sua vida ao mundo. entregou momentos felizes. entregou promessas feitas.

teve de se afastar de quem ama. teve que afastar pessoas que o amavam.

o mundo parece vencer a todos no fim.


mas ele sabe que dentro de si há um lugar que não será entregue nunca.


ele prefere ser chamado de sonhador do que entregar sua alma ao mundo.
ah! se você pudesse entender todas as cores e todos os nuances que está me fazendo enxergar agora.


você é feito uma droga. tem horas que não consigo ter o suficiente, não importando o quanto eu consiga.


me disse hoje que meu brilho te ofusca. é engraçado, porque eu sempre penso nisso quando falo com você. tem um brilho vindo de você que é muito claro, mas ao mesmo tempo é suave e não machuca os olhos.


um brilho que eu sei que você nem sabe existir.
pode alguém querer algo que seja suave e surpreendente ao mesmo tempo?


pode-se querer ser enfeitiçado, mas manter a cabeça no lugar para não se deixar levar por sentimentos?


pode um homem desejar tanto e de tantas formas e ainda assim, de alguma maneira, querer que tudo seja simples?


eu posso... eu quero...
ela abre os braços na chuva, tentando apagar a chama que consome internamente sua alma. de olhos fechados, ela se lembra do toque suave da boca da outra menina, lembra das palavras trocadas juntas, lembra dos pequenos segredos.

ela pede à chuva que leve embora todas as incertezas.

ela pede à tempestade que inunde o mundo, não deixando nada para trás.

ela pede, ajoelhada, de braços abertos, para que as lágrimas cessem.

detalhes

ele olha por um longo instante para ela. nunca lhe disse o quanto os olhos pareciam mudar de cor de acordo com o seu humor.

agora eles estavam num tom de verde quase indo para o azul.

nunca contara a ela dos pequenos detalhes. gostava de colecioná-los para si. gostava de pensar que ele detinha consigo os segredos de todas as particularidades dela.

"não, não. agora eu não tenho ninguém. por que você perguntou?"

"queria saber se o seu coração tá mais organizado que o meu."

"acho que o meu coração tá organizado porque ele tá vazio!"

eles riem, falando de coisas bobas. a fumaça do cigarro dela os envolvia. na mesa, os livros que os dois haviam comprado à pouco serviam de companhia para o cinzeiro e as xícaras de um café de aroma forte. ele batucava despreocupadamente os dedos no canto da mesa e ela prestara atenção, fazendo um comentário bobo. lá fora, uma chuva de inverno transportava a paisagem carioca para um país diferente.

ela toma o café em goles pequenos, enquanto olha para fora, distraída.

ele olha para ela e deseja ter sua câmera à mão. certos momentos merecem ser registrados para sempre.

ela olha na direção dele. ele responde, antes que a boca formule a pergunta que ele leu nos olhos verde-azulados dela.

"vou escrever uma história sobre você, hoje."

ela sorri:

"eu vou gostar."

ele nunca se sentia exatamente no lugar onde estava. mas na suavidade daquele final de tarde, ele pensa que não gostaria de estar em nenhum outro lugar do mundo...

8.6.06

acordei pensando que eu gostaria de ter alguém que cuidasse de mim.

mas eu nunca deixei ninguém cuidar de mim.

mundo estranho, marcio.
sei que você não vai ler isso.

mas não consigo deixar de ouvir uma voz na cabeça dizendo que você pode ser a pessoa certa.

e eu, ferido, descrente do mundo e fugindo de todo afeto possível, não quero acreditar.

se você pudesse ler, o que diria?

3.6.06

love brings color to the world.

such a pity i am color blind...
minhas verdades são afiadas.

cuidado... não me provoque. eu corto fundo.
"eu posso te ligar amanhã?"

"claro! aí a gente combina melhor."

"tá bem. boa noite e se cuida!"

"beijos! vc também!"

"beijo."


e adivinha quem se esqueceu de pegar o telefone??? (sorriso)
dia desses eu confiei meu coração pra alguém que nem sabe disso.

tá, marcio... vc ficar apaixonado não é novidade nenhuma, né?


mas aí é que está. eu não estou apaixonado. não apaixonado por uma pessoa, pelo menos. estou amando uma idéia, um conceito.

é! eu amo um conceito, como só um sonhador pode... (típico de mim, né?)

tá bem! eu sou movido a esse tipo de impulso idiota e que nunca dá em nada. mas às vezes é legal pensar que se pode amar alguém ainda.
essa foi a pior semana que eu tenho em muuuuuuuuuito tempo.

não estou me sentindo eu mesmo...

não estou sentindo nada, agora.

só vontade de que tudo passe.
algumas noites eu queria encontrar alguém que me fizesse acreditar que ainda existem maravilhas, por aí...

lugares escondidos

o inverno está frio, no rio. mas mesmo assim, a calçada está repleta de meninas vendendo parte de sua vida por trocados manchados de sangue e suor. ele caminha, alheio a elas. as luzes amareladas iluminam a névoa no ar, deixando a paisagem irreal como um sonho.

ele chega à lapa, onde bares cheios de adolescentes tocam música alta, tentando atrair os olhares do mundo. ele olha por vários instantes, maravilhado com o movimento de pessoas, captando cada detalhe. em algum ponto dentro de si, alguma coisa se movimenta e protesta, desconfortável com a máscara que ele usa para o mundo.

sentado no meio fio, a uma distância segura das outras pessoas, ele cala o protesto dentro de si com uma garrafa de tequila. seus pensamentos vagam por épocas, lugares e pessoas diferentes, com uma certa melancolia que lhe é característica.

sem perceber, uma voz lhe chega aos ouvidos.

"posso tomar um pouco?"

uma menina que parece ser pelo menos 10 anos mais nova que ele está de pé ao seu lado. os cabelos roxos caem em volta dos olhos, a roupa negra cobre um corpo pequeno.

ele entrega a garrafa e ela senta-se ao lado e os dois começam a conversar. não teria feito isso, normalmente, mas algum detalhe obscuro no jeito dela o fez querer que ela estivesse ali.

eles conversam sobre a noite, falam sobre música e filmes... o humor negro dele a faz sorrir com olhos grandes e verdes de criança.

o homem não percebe quando as máscaras começam a cair e ele fala de si com uma sinceridade que pensava estar perdida para sempre.

ela fala algo bobo e de repente os dois se calam em um momento de silêncio cheio de significados. os olhares se cruzam de maneira diferente, as mãos se buscam enquanto os dois lábios se tocam, quase que incidentalmente.

eles dormem juntos, abraçados, fazendo carinhos um no outro.

ela diz que o ama.

na manhã seguinte, a cama está vazia. dois estranhos se afastam no nevoeiro que se dispersa em raios de sol que iluminam todos os lugares.

30.5.06

a menina brinca, mostrando seus atributos em movimentos quase desinteressados. ela carrega o fogo das descobertas no coração, a inquietude que queima na pele.

o homem a olha, à distância. ele acompanha os gestos dela com o olhar. seus modos são seguros e cada ato é calculado antes da execução. seus olhos trazem a profundidade do conhecimento do mundo, o corpo tem a impetuosidade marcada na pele.

os olhares se encontram. os sorrisos se seguem. os corpos se atraem.

as bocas trocam frases e beijos. os corpos se enroscam, conhecem um ao outro. trocam a experiência um do outro.

eles se despedem na manhã seguinte. há um ar de melancolia no ar. não sabem se encontram-se novamente.

mas os dois carregam dentro de si uma vontade de mais.

28.5.06

every you and every me

sucker love is heaven sent.
you pucker up, our passion's spent.
my hearts a tart, your body's rent.
my body's broken, yours is bent.

carve your name into my arm.
instead of stressed, i lie here charmed.
cuz there's nothing else to do,
every me and every you.

sucker love, a box i choose.
no other box i choose to use.
another love i would abuse,
no circumstances could excuse.

in the shape of things to come.
too much poison come undone.
cuz there's nothing else to do,
every me and every you.
every me and every you,
every me... he

sucker love is known to swing.
prone to cling and waste these things.
pucker up for heavens sake.
there's never been so much at stake.

i serve my head up on a plate.
it's only comfort, calling late.
cuz there's nothing else to do,
every me and every you.
every me and every you,
every me... he

every me and every you,
every me... he

like the naked leads the blind.
i know i'm selfish, i'm unkind.
sucker love i always find,
someone to bruise and leaves behind.

all alone in space and time.
there's nothing here but what here's mine.
something borrowed, something blue.
every me and every you.
every me and every you,
every me... he

every me and every you,
every me... he

placebo - every you and every me

23.5.06

eles se beijam.


um beijo com gosto de vinho, chocolate e sangue.
alguém tem um chalé no meio de uma floresta pra me emprestar por algum tempo?


vejamos....


pra sempre?
tem dias em que eu acho que vou colocar fogo nas coisas só olhando pra elas.

tem dias em que eu gostaria MUITO de colocar fogo nas coisas só olhando pra elas.

e tem dias em que só colocar fogo parece pouco.
"eu te amo."

ele mente para ela. sem razão. poderia amá-la. ela era boa para ele. ouvia-lhe, era sincera, gostava da companhia dele e ele gostava de estar com ela.

mas ela era simples.

não conseguia amar a simplicidade e ainda assim, tentava, ingênuo que era (ou teimoso, diriam alguns). queria amar as coisas simples que ela fazia, mas os olhos sempre pareciam vagar em direção ao nada.

queria algo que lhe fizesse sofrer um pouco... que lhe fizesse discordar e discutir.

gostava, principalmente, do sexo depois de uma briga. gostava de se sentir irracional, emoção pura, sem pensamentos, só vontade.

gostava da melancolia que lhe cortava o coração... mesmo que irreal, às vezes, gostava de pensar que era uma pessoa melancólica (achava que se enquadrava assim no hall de pessoas melancólicas que tanto admirara, quando garoto).

a simplicidade de uma flor o apaixonaria... por alguns instantes...

mas uma tempestade o faria chorar só pela beleza do caos.

precisava do caos, no mundo de fora, porque era assim que ele via o seu mundo interior.

e principalmente...

sentir-se melancólico, estranho e atormentado, fazia com que ele sonhasse...

a dança

ele apreciava a dança. sabia olhar nos olhos da parceira, entendia na linguagem do corpo dela o próximo passo, o gesto que se seguiria.

imaginava-se acompanhando-a, sem tocá-la, a milímetros da pele dela.

a precisão era fundamental.

aprendera essa dança há pouco tempo. sempre achara que precisavam dançar juntos, um levando o outro, o tempo todo. mas entendeu que ele se fosse realmente preciso, ela não perceberia o que estava dançando até estar totalmente envolvida no ritmo.

ele precisava conhecê-la primeiro. dirigia-lhe um olhar ou outro... algo quase casual. aproximava-se de leve, despretensioso.

até que ele mudava o olhar (era especialista nisso). esse olhar era misterioso, profundo.

e principalmente, penetrante.

caminhava em direção a ela, ainda de forma despretensiosa, mas o olhar se mantinha fixo.

parava bruscamente, à frente dela. e esperava.

ela nunca sabia o que fazer, à princípio... não conseguia definir o olhar que recebia... seu rosto ficava quente, precisava fazer algo.

então, em algum lugar na mente dela, começava a ouvir um ritmo... algo que parecia antigo... tambores? não conseguia definir... mas não aguentava mais...

e então a dança começava.

ia em direção a ele, para tocá-lo, mas ele se afastava (era imprescindível, nesse momento, se manter a uma distância precisa).

os movimentos dela eram instintivos, agora. tentava se aproximar, os olhos não viam nada além do parceiro.

ele sorri, um sorriso fugidio... adorava cada passo.

o ritmo aumenta de volume e fica mais rápido.

os dois se movem, giram.

a música toma o ar.

ele então faz seu ato final. quando ela não pode mais se livrar, ele a toca, puxando o corpo frágil em direção ao seu, colando-a junto a si.

ele a beija.

outra dança tem início.

20.5.06

"menino marcio... vc é mais gótico por dentro do que por fora!"

é verdade, menina rebeca... pior é que é verdade... (sorriso)

16.5.06

hell de janeiro

são paulo está tomada. sitiada por bandidos.

na boa... pra mim isso é terrorismo pura e simplesmente.

fico receoso de que isso aconteça no rio. porque será igual ou pior do que em s. paulo.

e eu odeio de verdade quem fica falando que isso aqui é o melhor lugar pra se morar. quem fala algo assim ou é um hipócrita, ou tem uma memória MUITO seletiva...

melhor lugar do mundo... claro. sobe uma favela vestido de policial, à noite... vc vai ter a noite da sua vida.
a lua me olhou por entre as nuvens, hoje... ela parecia minha mãe, quando eu faço besteira:

"ai, ai... será que algum dia esse garoto vai aprender?"


ah! eu aprendo... o problema é que eu esqueço rapidinho!

call of cthulhu

ele encontrou o livro no sótão da casa do avô. estava dentro de um baú, lacrado com uma espécie de selo feito com cera.

a capa era recoberta com couro negro. havia um cheiro estranho no livro. um cheiro de algo muito antigo. finalmente tomou coragem para quebrar o lacre. pareceu ter ouvido um sussuro, mas o sótão estava vazio.

só ele e o livro.

ele olha as páginas amareladas e grossas. de alguma maneira, ele reconhece o que está escrito. começa a ler... e não percebe quando deixar de ler em silêncio e começa a falar mais e mais alto.

em algum lugar, nas trevas, algo se move.

o garoto fecha os olhos, entoando mais e mais alto... não precisa mais ler o livro. ele sabe todas as palavras.

ele se vê em outro lugar. em outra época. à sua volta, homens e mulheres dançam de maneira alucinada, as vozes num coro uníssono. clamando, chamando.

ele grita para os céus, chamando um nome antigo.

nuvens cobrem os céus...

chamas queimam as fronteiras do mundo.

as trevas chegam.

ele abre os olhos. o sótão está vazio. o livro está aberto à sua frente.

ele o fecha e coloca dentro do baú. tenta esquecer o que aconteceu.

mas as vozes em sua mente não o deixam.

"ele está vindo", elas dizem.

"ctulhu está vindo".

o corpo do garoto foi encontrado, alguns meses depois. ele atirou na própria cabeça.

ele tentou silenciar as vozes.

15.5.06

gutter

i once
dreamed of a world
without consequences
without reminders
of this
brutal
gutter
i am collapsed in
once i dreamed
but then
i
woke
up

otep - gutter

14.5.06

implacável

porque não há como não se apaixonar pelo céu

life

one last tear

hoje eu entrego todas as palavras ao som das guitarras.

todas as coisas são ditas

eu te amo
odeio você
casa comigo
um dia ele vai embora

em cada casa, em cada mente,
existem frases que nunca foram dita.
elas vivem nas sombras,
alimentadas pelo medo.

elas são feitas de dor e sangue
e segredos
e mentiras.

elas sobrevivem, mesmo enterradas
elas sorriem de nós à noite,
quando a realidade parece ter cedido espaço ao sonho.

todas as coisas não ditas,
todas as coisas malditas.

before darkness

fallen one

13.5.06

alguém por favor, feche o mundo por alguns dias...

israfel

gothic boy

12.5.06

olho para fora, tentando entender que angústia é essa que toma meu peito.

gosto amargo na boca...

vontade de gritar...

se ao menos ouvesse alguém para ouvir.